Marília pode ser a próxima vítima de Lupi
De malas prontas para o PDT, a ex-deputada Marília Arraes, ex-Solidariedade, pode ser a nova vítima das traições históricas e corriqueiras do presidente da legenda, Carlos Lupi, que anuncia hoje, numa conversa com jornalistas no Recife, o ingresso da ex-parlamentar na agremiação trabalhista.
Em Pernambuco, as últimas vítimas de Lupi foram a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito de Araripina, Raimundo Pimentel. O golpe se deu na eleição passada, quando Raquel convenceu Pimentel a ingressar no PDT, este filiou sua candidata e, faltando poucos dias para o encerramento do prazo de filiação partidária, o PDT foi parar nas mãos do então vice-prefeito Evilásio Mateus, que havia rompido com Pimentel.
Leia maisPimentel confiou na palavra de Lupi, empenhada a Raquel, e caiu numa tremenda arapuca. A governadora teve que armar uma operação de guerra de última hora para abrigar a candidata de Pimentel num partido, mas esta acabou derrotada por Evilásio, que detém hoje o controle do PDT em Araripina.
“Marília que abra os olhos. Lupi é inconfiável”, dizia, ontem, no Salão Verde da Câmara dos Deputados, um histórico pedetista do Rio, que também já foi vítima do presidente nacional do PDT. O que se ouve em Brasília é que Marília, na ânsia de ser candidata ao Senado de todo jeito, tem confiado cegamente nas promessas de Lupi.
Mas, dependendo das conveniências de Lupi, a canoa de Marília pode furar antes mesmo do fechamento do prazo das convenções partidárias. Se isso ocorrer, não será por falta de aviso. Nas andanças por Brasília ao longo desta semana, Marília foi alertada por muitas cobras criadas, mas torceu o nariz.
A IRA DOS FERREIRA – Se a família Ferreira, com densidade eleitoral concentrada principalmente em Jaboatão e RMR, já estava ressabiada com a governadora, com a ida do deputado Pastor Eurico para o PSDB, sacramentada com o abandono voluntário do presidente da Alepe, Álvaro Porto, agora passou a considerá-la inimiga. Tudo porque mexeu com a composição da chapa do PL, que já havia perdido o ex-ministro Gilson Machado. Os Ferreira podem até não apoiar a candidatura de João formalmente, mas cruzarão os braços na campanha de Raquel.

Bivar suplente de Humberto – O deputado federal Luciano Bivar, ex-presidente do União Brasil, está se reaproximando do PSB e tende a apoiar João Campos. Deve se filiar ao MDB, desistir da reeleição e virar primeiro suplente do senador Humberto Costa (PT). Foi o que ouvi ontem em Brasília em meio ao instigante noticiário envolvendo o troca-trocas partidário, com prazo final em 4 de abril.
Olho no olho – O pré-candidato do PSB a governador, João Campos, fez um voo de bate e volta, ontem, para Brasília apenas para prestigiar o ato de filiação do presidente da Alepe, Álvaro Porto, ao MDB. Na chegada à sede do partido, teve uma conversa reservada com o presidente Baleia Rossi na companhia do novo emedebista e do presidente estadual, Raul Henry. Soube que a chapa estadual que Porto montou migrará na sua totalidade para o MDB.
Nem tudo está perdido – O ministro Dias Toffoli, do STF, se declarou suspeito para relatar o processo que pede a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o Banco Master. Em despacho publicado, ontem, o ministro afirmou que se afastará por “motivos de foro íntimo”. Toffoli também citou o inciso 1º do artigo 145 do Código de Processo Civil, que estabelece a suspeição do juiz que tiver “amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados”. A pedido do ministro, o caso foi encaminhado ao presidente do Supremo, Edson Fachin, para a “adoção das providências que julgar pertinentes”. Um novo relator deve ser sorteado para assumir o processo.

Convite saiu num almoço – A governadora Raquel Lyra e a ex-deputada Marília Arraes conversaram longamente durante um almoço em Brasília na última terça-feira. Entre uma garfada e outra, degustando um bom vinho, Raquel fez o convite formal para a agora ex-adversária disputar uma das vagas ao Senado na chapa governista. No dia seguinte, Marília sondou aliados e, da senadora Teresa Leitão, ouviu o óbvio do óbvio: passará a campanha inteira se explicando a razão do aninhamento inesperado.
CURTAS
LEDO ENGANO – Se Marília imagina que seu provável potencial eleitorado votará nela em qualquer hipótese, pode estar redondamente enganada: os que dizem votar nela, segundo as pesquisas, são em sua maioria petistas ou de esquerda, eleitores de João, que não votam em Raquel.
FICA ONDE ESTÁ – O deputado Antônio Moraes, apesar da relação próxima com Raquel, não abandona o velho aliado Eduardo da Fonte, segundo garantem deputados do próprio PP que o conhecem e sabem da antiga e quase irmandade com Dudu.
NA RMR – Na próxima semana, retomo a jornada incansável para levar o livro Os Leões do Norte a toda rede estadual e municipal de ensino do Estado. Na agenda, Paulista, Camaragibe, Abreu e Lima, Itamaracá, Goiana e Araçoiaba.
Perguntar não ofende: O troca-troca partidário terá grandes emoções até o dia 4?
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