Agendão de Lula inclui palanque de João
O presidente Lula (PT) mapeia a agenda eleitoral. Na campanha, a prioridade é eleger Fernando Haddad (PT) governador de São Paulo, que aparece 15 pontos em desvantagem em relação ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Regressei ontem da capital paulista, onde cobri a convenção que homologou a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar o quarto mandato.
Por mais que volte suas atenções para o maior colégio eleitoral do País, dificilmente Lula se converterá em um bom cabo eleitoral para Haddad. Fiz minha pesquisa pessoal. Conversei com taxistas, motoristas de aplicativos, porteiros, advogados, empresários e jornalistas. Constatei que Tarcísio emplaca a reeleição facilmente.
Leia maisNão tem lá uma avaliação positiva nas estrelas, mas o seu adversário é fraco, tem fama de péssimo gestor pela fracassada passagem como prefeito de São Paulo. Lula já esteve nas convenções de governadores do PT no Nordeste, como os da Bahia e Ceará. Não foi à de João Campos no Recife porque a data coincidiu com a do governador baiano, que é do seu partido, no sábado passado.
Mas é certo como dois mais dois são quatro que irá a Pernambuco reforçar o palanque do aliado João Campos, com quem esteve recentemente em duas oportunidades: na convenção do PSB, quarta-feira passada, em Brasília, e na própria convenção que homologou a candidatura de Lula à reeleição, domingo passado, em São Paulo.
Na convenção paulista, aliás, Lula se derramou em elogios ao convívio que teve com o ex-governador Eduardo Campos, pai de João, ao próprio João, a Renata, viúva de Eduardo, e Miguel Arraes, a quem considerou aliado correto, transparente e leal. Abriu espaços também para uma fala de João na convenção em um telão, quando o ex-prefeito recifense afirmou que não tinha dúvidas do tetra de Lula, a quarta eleição para o Palácio do Planalto.
Lula irá a Pernambuco na primeira semana da campanha de rua, que começa no próximo dia 15. O presidente fará um grande ato de rua no Recife e pode ir até Caetés, sua terra natal, numa agenda para “encher a bola” do seu candidato, aliado e parceiro João Campos, a quem se referiu na convenção do PSB como seu candidato do coração.
TROPEÇO VERBAL – No discurso que proferiu na convenção que homologou sua candidatura à reeleição, sábado passado, em São Paulo, o presidente Lula (PT) cometeu um ato falho, mas não se sabe se proposital ou não, ao citar Fernando Haddad como seu sucessor em 2030. Ao perceber a suposta mancada, citou que o candidato que viria a lhe suceder também poderia sair da Bahia, da Paraíba, do Ceará e, por fim, de Pernambuco. Talvez tenha sido proposital, porque, na sexta-feira, em Fortaleza, na convenção do governador Elmano de Freitas (PT), um poeta fez trocadilhos com o senador Camilo Santana presidente em 2030.

Reflexo das desigualdades – A tentativa de assalto que sofri, ontem, em São Paulo, por trombadinhas que quebraram o vidro lateral do táxi que me conduzia até o aeroporto para levar meu celular foi um dos maiores sustos que vivi no trânsito em toda a minha vida. Nunca imaginei algo tão violento e traumático. Tudo, claro, consequência das desigualdades sociais que assolam o País, sem brevidade de solução.
Tá afoito – Não é ensaio nem blefe: o deputado federal Mendonça Filho (PL) criou coragem para disputar uma das vagas ao Senado nas eleições de outubro próximo. Tudo por conta da última pesquisa Quaest, na qual desponta com 10% das intenções de voto. Também porque enxerga um vácuo na representação do universo bolsonarista na disputa por uma das duas cadeiras na chamada Casa Alta do Congresso Nacional. De largada, além do seu novo partido, o PL de Bolsonaro, já conta também com a promessa de apoio do Podemos, conforme palavra empenhada por Ricardo Teobaldo, principal líder da legenda no Estado.
Já candidato – Segundo o blog de Wellington Ribeiro, Mendonça Filho decidiu encarar a disputa por uma das vagas ao Senado Federal nas eleições deste ano. A decisão foi sacramentada ontem após uma intensa rodada de articulações políticas que consolidou um amplo bloco de apoio em torno da sua candidatura. “Ao longo do dia, Mendonça se reuniu com o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, o deputado federal Fernando Filho e o deputado estadual Antônio Coelho, todos do União Brasil. Durante o encontro, o grupo não apenas confirmou apoio ao projeto, como também colocou à disposição toda a sua estrutura política para fortalecer a candidatura ao Senado”, relatou Wellington.

Bola cheia – Durante a convenção de João Campos, sábado passado, o deputado federal Lucas Ramos (PSB), candidato à reeleição, reafirmou o compromisso com as pautas prioritárias da população pernambucana e destacou que a continuidade da sua atuação no Congresso Nacional é fundamental para a manutenção de conquistas e avanços sociais. “O mandato em Brasília permitirá dar continuidade à maior e mais nobre missão, que é mudar para melhor a vida das pessoas, inaugurar novas possibilidades e criar mais oportunidades para os brasileiros, em especial as famílias pernambucanas”, afirmou. Lucas sairá de Petrolina com uma votação expressiva. Será um dos mais votados da Frente Popular.
CURTAS
NEUTRALIDADE – O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, disse, ontem, ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que 17 dos 27 diretórios estaduais do partido decidiram pela neutralidade na disputa presidencial. Presidente estadual em Pernambuco, o ex-ministro Sílvio Costa Filho já tinha cantado essa bola.
MAIS UM – A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), para investigar a suposta ocorrência do crime de tráfico de influência. Ainda não há informação sobre quem é o relator do caso. Outros dois pedidos de investigação, também por tráfico de influência, caíram por sorteio com o ministro do STF André Mendonça, que decidiu instaurar os procedimentos.
CONFLITOS – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, apresentará, hoje, uma proposta de resolução para instituir uma política nacional de prevenção e gestão de conflitos de interesses no Judiciário. O texto estabelece diretrizes para que tribunais identifiquem e tratem previamente situações que possam colocar em dúvida a imparcialidade de magistrados e servidores, como a participação em eventos custeados por terceiros, o recebimento de presentes e as relações com grandes litigantes. O STF, por não ser subordinado ao conselho, fica fora das regras.
Perguntar não ofende: O que será dos Coelho?
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