Direto de Brasília
O ministro Flávio Dino pediu vista. Em seguida, o presidente Edson Fachin convidou os ministros Luiz Fux e Carmén Lúcia a anteciparem os votos.
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O ministro Flávio Dino pediu vista. Em seguida, o presidente Edson Fachin convidou os ministros Luiz Fux e Carmén Lúcia a anteciparem os votos.
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Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram um embate durante o julgamento da petição. Após o voto de Menonça, Moraes afirmou que os argumentos do ministro “reforçam a necessidade de um julgamento conjunto”. Os magistrados, então, passaram a debater sobre relatório de inteligência que baseou a investigação. Mendonça reagiu às declarações de Moraes: “Meu Deus do céu”, afirmou.
Direto de Brasília
Ao ser citado por André Mendonça, o procurador-geral da República (PGR) Paulo Gonet pediu a palavra e iniciou sua manifestação. “Não existe nem tive relacionamento de proximidade com Daniel Vorcaro”, afirmou Gonet.
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que Gilmar Mendes “não coloque palavras na boca” dele durante julgamento nesta terça-feira (15).
“Eu me lembro do debate que tive lá atrás sobre delação, em que o ministro André [Mendonça] dizia que estava recebendo advogados para conduzir as delações”, disse Gilmar, logo interrompido por Mendonça.
“Eu nunca disse isso, não, ministro Gilmar”, rebateu Mendonça. ”Não ponha palavras na minha boca, eu não disse.” As informações são da CNN.
Leia maisA Corte analisa, em sessão nesta terça, o relatório da PF (Polícia Federal) com as conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-coordenador do Banco Master.
“Eu recebo advogados de todas as partes, mas não trato de delação. Única coisa que eu sempre disse é que se tivesse uma delação para eu avaliar, eu iria avaliar os critérios próprios”, continuou o ministro.
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FOLHA DE S. PAULO
O ministro Alexandre de Moraes afirmou nesta terça-feira (15) que não há pedido de investigação contra ele e questionou ao presidente do tribunal, Edson Fachin: “Vossa Excelência, vai votar o quê?”.
O magistrado disse que foi intimado a prestar informações a respeito do que consta na petição que o aponta como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo ele, o que existe no documento é um pedido de nulidade e arquivamento.
“Consta pedido de investigação feito pela Polícia Federal? Não. Consta pedido de investigação feito pelo Ministério Público? Não. Consta pedido de investigação feito pelo ministro André Mendonça? Não. Consta algum pedido de investigação em relação a mim?”, disse.
Moraes também reclamou de prazos diferentes dados a ele e ao ministro André Mendonça, que, em outro processo, pode ser investigado por possíveis irregularidades. “Temos um miscelânia procedimental”, declarou. (Isadora Albernaz e Anna Júlia Lopes)
Direto de Brasília
Até agora são três votos a favor de juntar os procedimentos, e o voto do Fachin para se manter separadamente. Os ministros Mendonça e Fux devem votar por analisar separadamente. Moraes, por óbvio, será a favor de discutir juntos. Teremos quatro a três e ficará faltando o voto da ministra Cármen Lúcia.
Os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), defenderam nesta terça-feira (15) a análise conjunta dos casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O voto dos ministros divergiu do presidente da Corte, Edson Fachin, que defendeu manter a análise separada dos dois casos.
Dino e Zanin foram favoráveis a uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes que pedia, além da junção dos casos, o adiamento da análise para o dia 23 de setembro e um novo sorteio da relatoria. As informações são da CNN.
Leia maisA sessão do STF, considerada histórica, ocorre para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação contra Moraes, o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para anular o relatório da Polícia Federal.
A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.
Mesmo se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.
A sessão desta terça ocorre em meio a uma tensão na Corte, com trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações feitas pelo ministro André Mendonça.
Antes da sessão, ministros debateram, internamente, sobre quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.
Na segunda (14), a PF informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
Também na segunda, Mendonça retirou o sigilo de um processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.
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Direto de Brasília
A proposta do ministro Gilmar Mendes para o adiamento da sessão desta terça-feira tem quatro pontos. O decano quer que o plenário volte a debater o relatório com as mensagens de Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes em outro momento.
Caso aprovada, o presidente do STF, Edson Fachin, pautaria novo julgamento em outra data.
São os seguintes: reunir os processos com os relatórios contra Moraes e aquele de Moraes contra Mendonça para que tramitem juntos;
sortear novo relator para os casos; citar todos os ministros mencionados no âmbito do caso Master com indícios de recebimento de valores indevidos; abrir prazo para a manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Andreza Matais, Andre Shalders
Do Metrópoles
Conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que uma mulher identificada como Rayanna tratou com ele de um encontro com mulheres e, dias depois, afirmou que uma delas “ficou com o kassio”.
O contexto das mensagens aponta que seria uma menção ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo. O ministro negou à coluna encontro com essa mulher.
Leia maisEm 28 de fevereiro de 2025, Rayanna pergunta a Vorcaro: “Qual o endereço, Dani?”. Na sequência, avisa: “As meninas estão prontas”. Vorcaro responde indicando um endereço na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi, em São Paulo. Uma semana depois, em 7 de março, Rayanna volta a falar com o banqueiro sobre o que havia ocorrido naquele dia.
“A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né?”, pergunta. Em seguida, afirma: “Ela disse que ficou com o kassio” e “Ela tá me cobrando aqui”. Vorcaro responde pedindo as informações para o pagamento: “Me manda aqui” e “Dados e valor”. “10 né!”, responde Rayanna. Depois, acrescenta: “Ela ficou com ele” e envia um endereço de e-mail.


Ministro Kassio

Em outro trecho do material extraído do celular de Vorcaro, sem relação estabelecida com a conversa de Rayanna, aparece o número de telefone do ministro Kassio Nunes Marques. Em mensagem enviada em dezembro de 2024, o ministro pede ajuda para organizar uma viagem de cerca de dez dias para cinco pessoas.
“Bom dia Leo. Ministro Kassio. Preciso da sua ajuda para formatar uma viagem de uns 10 dias, entre 8 e 18 de janeiro, para 5 pessoas”, diz. Na mensagem, ele afirma preferir destinos onde se fale português ou espanhol, mas também menciona cidades como Budapeste, Graz e Salzburgo, além do Peru.
Em outra mensagem, o operador de viagens de Vorcaro, Leonardo Serrano Giunchetti, o Leo, aparece perguntando a Vorcaro se ele deve cobrar do banqueiro pela viagem de um cliente. “Dani…Veio de vc esse?”, pergunta. Depois, questiona: “E se sim, é pra atender ele independente ou faço e faturo pra vc?”. A mensagem é do dia 5 de dezembro de 2024.

Direto de Brasília
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, votou para manter a sessão da corte que analisa relatório da PF sobre o ministro Alexandre de Moraes nesta terça-feira. O voto do presidente do tribunal vai contra o entendimento defendido pelos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino, que defendem o adiamento da sessão para o dia 23, quando relatório sobre o ministro André Mendonça também será analisado.
O presidente do STF, Edson Fachin, acaba de retomar a sessão destinada a decidir se o ministro Alexandre de Moraes será investigado no caso Master. A previsão era de voltar às 14 horas, mas o horário acabou não sendo cumprido.
Do jornal O Globo
Mencionado 24 vezes no relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, provocou incômodo e constrangimento entre colegas do Ministério Público Federal (MPF) ao decidir comparecer pessoalmente à sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15) que pode resultar na abertura de uma investigação contra o ministro.
No início do mês, Gonet defendeu a nulidade do relatório em que é citado, posição que deve ser reforçada ao longo do julgamento. Para o chefe do MPF, o relator do caso Master, André Mendonça, excedeu os limites de sua competência, ao pedir a confecção do relatório sem obter antes um aval do plenário do STF.
Leia maisApós a pressão dos pares, algumas manifestações da PGR no caso foram assinadas pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, mas Gonet decidiu mesmo assim comparecer à sessão. “A presença do Gonet no julgamento provoca incômodo da classe inteira, de cima a baixo. A classe o considera impedido”, disse ao Globo um integrante da cúpula da PGR ouvido reservadamente pela equipe da coluna.
Um outro membro da PGR aponta que, segundo o Código de Processo Penal, aos membros do Ministério Público se “estendem as prescrições relativas à suspeição e aos impedimentos dos juízes”.
No último dia 4, o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu abrir um procedimento interno para analisar as mensagens extraídas do celular de Vorcaro atribuídas a Gonet.
O procurador-geral da República foi indicado e reconduzido à chefia do MP com o lobby de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, de quem foi sócio no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
Charuto e uísque
Numa das mensagens obtidas pelos investigadores, Gonet falou sobre a intenção de fumar charuto e beber uísque Macallan com o banqueiro em Londres. O encontro seria na segunda edição de um Fórum Jurídico patrocinado pelo Banco Master na Inglaterra, em 2025, que acabou sendo cancelado.
No ano anterior, Gonet esteve na primeira degustação bancada por Vorcaro, que também contou com as presenças do ministro Alexandre de Moraes e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. As mensagens de Gonet foram enviadas a Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, que as encaminhou para Vorcaro.
No dia 28 de março de 2025, Soares enviou para Vorcaro uma mensagem em que Gonet diz “estar com saudade” do banqueiro. O ex-defensor do Master, ao encaminhar a mensagem, diz que o procurador-geral o “adora”. “Agradece muito o carinho. Saudades dele, vamos marcar de estar juntos”, responde Vorcaro a Soares, falando sobre a relação com Gonet.
Antes disso, no dia 15 de março, Soares enviou uma foto a Vorcaro ao lado de Gonet. “Liga aqui, ele quer falar com você”, escreveu ao banqueiro. As ligações ocorreram poucos minutos depois, de 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e três minutos e 49 segundos.
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O candidato a deputado estadual Professor Lupércio (PSD) anunciou apoio, nesta terça-feira (15), a Mendonça Filho (PL) nas eleições para o Senado. Durante o encontro realizado em Olinda, o postulante à Casa Alta afirmou que o ex-gestor da Marim dos Caetés representará Pernambuco na Assembleia Legislativa.
Lupércio reforçou a parceria com o candidato. “Pernambuco será bem representado por Mendonça no Senado, a governadora Raquel Lyra e, se Deus quiser, Professor Lupércio na Assembleia Legislativa”, afirmou.
“Ele foi prefeito e será deputado, um dos mais votados de Pernambuco. Para mim, é um privilégio, esse homem que é um homem do povo, me apoiar para o Senado da República”, comentou Mendonça.
Direto de Brasília
Logo no início da sessão, o ministro Kassio Nunes Marques anunciou que não votaria, alegando necessidade de preservar o equilíbrio do processo eleitoral por presidir o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ele negou qualquer ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou nunca ter julgado processos relacionados ao banco nem conversado com o empresário.
Em seguida, declarou-se formalmente suspeito e deixou o plenário —decisão tomada após a revelação de diálogos que mencionavam pagamentos de Vorcaro a seu filho.
O ministro Dias Toffoli também confirmou que não vai votar, por suspeição de foro íntimo já declarada anteriormente, mas avisou que permanecerá no plenário e poderá se manifestar. Toffoli disse que o afastamento da relatoria do caso Master se deu para “preservar a corte”.
Com as duas saídas, a ala mais próxima de André Mendonça, relator do processo que apura a atuação de Moraes como suposto interlocutor de Vorcaro, perdeu dois votos que historicamente o acompanhavam.
Por Míriam Leitão
Do jornal O Globo
A acusação feita pelos ministros Luiz Fux e André Mendonça sobre haver uma Polícia Federal paralela não se baseou em fatos. Em nenhum momento Fux deu exemplos. Nem Mendonça que o secundou nas acusações.
Fux argumenta que foram vazados documentos de inteligência, mas na verdade eles foram entregues sob ordem judicial, do ministro Alexandre de Moraes. E é natural que a diretoria de inteligência faça relatórios de inteligência. E o que eles mostraram, alguns fatos e muitas ilações. A própria Polícia Federal alertou que os relatórios não têm valor probatório.
Leia maisÉ curioso que Mendonça fale em PF paralela tendo servido a um governo que tinha a manifesta vontade, expressa pelo seu presidente Jair Bolsonaro, de ter o seu próprio sistema de informações. Foi o que ele disse naquela reunião de 22 de abril de 2020, quando demitiu o então ministro Sergio Moro para colocar André Mendonça em seu lugar.
Outra afirmação vazia do ministro Luiz Fux é que a Polícia Federal “peitou” o Supremo Tribunal Federal. Em que momento exatamente? Fux não cita algum fato que sustente a informação.
O que está claro por inúmeras evidências é que o ministro André Mendonça não confia na PF e por isso tem requisitado tantos documentos, inclusive o conteúdo bruto das investigações, ao seu gabinete. Ao fazer isso, ele extrapola de suas atribuições como juiz e esse foi o começo de toda a confusão que hoje se discute no STF.
Afinal, Mendonça apresenta as suspeitíssimas mensagens de Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre como parte de um “achado” da PF. Ora se é um “achado” ela então está fazendo o seu trabalho. O ministro Alexandre de Moraes pensa diferente e acha que a descoberta foi encomendada. Ela acha que foi determinado à PF que encontrasse algo sobre ele, Moraes, aí neste caso o juiz estaria presidindo a Polícia Federal.
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A primeira parte da sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) que analisa a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes foi marcada por bate-boca entre os integrantes da corte e declaração de impedimentos. O julgamento foi suspenso pelo presidente do STF, Edson Fachin, e em razão do horário eleitoral gratuito e será retomado às 15h.
Hoje, antes de suspender a sessão, Fachin sugeriu que, ao retomar a sessão, os ministros deliberem sobre a questão de ordem proposta por Flávio Dino. O presidente do STF disse que as seguintes questões serão tratadas: adiar o julgamento de Moraes para o dia 23, junto com André Mendonça, juntar no caso “todos os magistrados que tenham presença em documentos” relacionados ao banco Master e sortear novo relator. As informações são do UOL.
Leia maisA sessão foi precedida por uma série de vazamentos de diálogos que envolviam Vorcaro com o entorno de outros três integrantes do STF — os ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. Nos últimos dias, aliados de Moraes aventavam que ele não era o único a ter familiares ligados ao banqueiro e que novas revelações viriam à tona.
Questão de ordem
Os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino sustentaram que o presidente da corte, Edson Fachin, não poderia ter puxado para si os inquéritos relacionados ao Banco Master como relator dos procedimentos. A medida estaria, segundo ele, contrária ao que determina o regimento interno da Corte. Durante a sessão marcada para avaliar pedido de investigação do ministro Alexandre de Moraes, ambos os ministros ainda defenderam que o caso seja adiado.
“Se nós aceitarmos a avocatória, presidente, nós estaremos abrindo uma avenida de autoritarismo, de despotismo, de tirania nos tribunais que ninguém vai controlar”, disse Dino a Fachin sobre a mudança de comando dos casos relativos ao Master. O ministro complementou: “Vossa excelência é um homem probo, bem-intencionado, mas os homens bem-intencionados também erram.”
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Do Brasil 247
Uma testemunha que participou de um grupo de WhatsApp voltado a ações de engajamento político nas redes sociais detalhou como funcionaria o pagamento por Pix a jovens recrutados para publicar comentários favoráveis à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), e críticos ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), provável adversário dela na disputa pelo governo estadual em 2026.
O esquema havia sido revelado no dia 9 pela coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, com base em mensagens e comprovantes de Pix. Agora, o novo relato que o Brasil 247 teve acesso aponta que os grupos eram administrados por pessoas ligadas à Aposta Ganha, casa de apostas sediada em Caruaru, reduto eleitoral de Raquel, e com relações comerciais com eventos da cidade.
Leia maisSegundo a testemunha, o grupo era usado desde 2024 para impulsionar publicações no Instagram em defesa da governadora e para desgastar João Campos com antecedência em relação à disputa estadual de 2026. O ex-prefeito foi reeleito no Recife em 2024 com 78% dos votos, a maior vitória da história da capital pernambucana.
“Era um grupo específico para a campanha de Raquel — em 2024 isso. Quer dizer, não era campanha, (porque) ela já tinha ganho (a eleição de 2022 para o governo). Porém ela estava sem engajamento no Instagram. A gente tinha que comentar as postagens dela e as postagens que tinham o nome dela no meio — tanto para falar bem, positivamente, como para falar mal de alguém”, afirmou a mulher.
Relato aponta ataques a João Campos
A testemunha disse que os integrantes recebiam links de postagens e instruções sobre o tipo de comentário a ser feito. As mensagens deveriam ser longas, com elogios a Raquel Lyra, críticas a João Campos e uso recorrente do coração roxo, símbolo associado à militância da governadora.
“Se fosse o comentário de um jornal detonando ela, a gente tinha que comentar o que ela estava fazendo. Se fosse uma postagem de João Campos, a gente tinha que falar também, detonando. Por exemplo: enquanto a minha governadora trabalha, o prefeito Tik Tok só faz festa. As postagens eram sempre longas, os comentários eram sempre longos, falando bem, o emoji roxo do coração. Eles mandavam o link no grupo com a postagem para a gente comentar, a gente colocava o visto e o pagamento era feito”, relatou.
De acordo com a mulher, os pagamentos eram feitos “na hora”, por Pix, após a confirmação de que os comentários haviam sido publicados. O valor padrão era de R$ 75 por pacote de comentários em perfis do Instagram.
“Sim, era por quantidade de postagens. Era sempre R$ 75 o valor. Porém, tinha mês que eu recebia quatro pix de R$ 75 e tinha mês que eu recebia dois ou um. Dependia da quantidade de postagens que ela mandasse a gente comentar. Se fosse uma semana que tinha muitas postagens, a gente recebia uns quatro pix por semana. Se fosse um mês que tinha pouca postagens, a gente recebia dois pix de quinze em quinze dias”, disse.
Advogada administrava grupo, segundo testemunha
A testemunha apontou Maria Eduarda Lucena Freire, conhecida como Duda Lucena, como administradora do “Grupo Engajamento”. Duda se apresenta no LinkedIn como advogada da Aposta Ganha. Segundo o relato, era ela quem enviava os links de matérias e postagens, definia o tom dos comentários, cobrava a participação dos integrantes e fazia os pagamentos por Pix.
A coluna do Metrópoles já havia mostrado que Duda trabalhou para a Aposta Ganha de janeiro de 2024 a junho deste ano. Ela negou ter estimulado ataques a João Campos. “Eu nunca pedi para ninguém falar nada contra ninguém”, afirmou à coluna.
As mensagens, porém, indicam cobranças explícitas por comentários positivos à governadora. Em 9 de julho de 2024, antes da campanha municipal, Duda orientou o grupo a defender Raquel em publicações críticas à gestora. “Reforcem a questão da fake news, que não é de hoje que o governo de Raquel sofre ataques como este. Que mesmo assim ela segue firme sempre buscando o melhor”, escreveu.
Após a orientação, uma integrante publicou: “Raquel vem fazendo melhorias constantes para Pernambuco, acredito muito que fizemos a escolha certa e ela só vem confirmando isso! 💜”. Segundo o Metrópoles, em duas publicações de blogueiros analisadas, 30 dos 86 comentários terminavam com coração lilás, o equivalente a 35%.
Prints também mostram cobranças no grupo. Em uma das mensagens, Duda escreveu: “Gente, tá muito fraco. Se vocês não quiserem ficar, é só sair”. Em outra, pediu que integrantes comentassem: “Enquanto Raquel trabalha, o prefeito quer mídia”. Também há registros em que ela diz que faria os Pix e menciona sorteios de pagamentos de R$ 50.
Vínculos com a Aposta Ganha
Para recrutar participantes, segundo a testemunha, Duda não informava vínculo com a Aposta Ganha, mas com a Prosp3cct, empresa de eventos que atua em Caruaru, Gravatá e no Litoral Sul de Pernambuco. As pessoas eram chamadas a partir de grupos de divulgação de festas e shows.
Alex Galindo, apontado como um dos administradores da Aposta Ganha, também estava no grupo de WhatsApp destinado ao engajamento político. Ele aparece nos registros como sócio-proprietário da Prosp3cct e se apresenta como diretor de operações da bet.
Um indicativo da relação entre as empresas é que a Prosp3cct aparece registrada na Receita Federal com domínio “@apostaganha.bet”. Duda também consta como funcionária da RWR Tecnologia em Sistemas de Dados LTDA, cujo único sócio, Ramon Raul de Lima, é sócio-administrador da Aposta Ganha. O endereço eletrônico registrado para a RWR na Receita é “fiscal@apostaganha.bet”, o mesmo informado pela Aposta Ganha.
A rede de conexões inclui ainda David Antony Neves, um dos administradores da bet, que foi assessor jurídico da Secretaria de Desenvolvimento Agrário no governo Raquel Lyra. Ele deixou a gestão estadual em agosto de 2024 para assumir cargo na Aposta Ganha.
Outra funcionária atual da casa de apostas citada no caso é Ana Carolina Amorim, que passou pela Fundação de Cultura de Caruaru entre 2023 e 2024, período em que a bet investiu R$ 2 milhões no São João do município. Seu ingresso na Aposta Ganha ocorreu no mesmo mês em que estava previsto o último pagamento para garantir a marca no São João de Caruaru em 2024.
Patrocínio no reduto eleitoral de Raquel
A Aposta Ganha é a maior patrocinadora do São João de Caruaru há cinco anos, período que inclui a segunda gestão de Raquel Lyra à frente da prefeitura e sua chegada ao governo estadual. Nos últimos dias antes de se afastar para disputar o governo, em 2022, Raquel organizou um chamamento público para cotas de patrocínio do evento.
Por meio da RR Produções, a Aposta Ganha aportou mais de R$ 2,4 milhões entre 2022 e 2024 no São João de Caruaru. A cidade é a principal base política da governadora e foi administrada por ela antes da eleição estadual.
A ligação política também aparece nas redes. Alex Galindo surge em foto ao lado de André Teixeira Filho, primo, braço-direito e ex-secretário de Raquel Lyra. Na publicação, Teixeira menciona a organização da festa privada Gonzagão, em Caruaru. “Mais um ano fazendo o que a gente ama”, escreveu.
Raquel Lyra nega irregularidade
Após a publicação da reportagem do Metrópoles, a assessoria de Raquel Lyra afirmou que a campanha da governadora “atua dentro da lei e das regras eleitorais”. A equipe também sustentou que o apoio recebido por ela nas redes seria espontâneo.
“O apoio que ela recebe nas redes é espontâneo e nasce do trabalho entregue em Pernambuco, como qualquer pernambucano pode constatar”, disse a assessoria. A campanha também afirmou existir uma “estrutura organizada de ataques que opera contra a governadora” e que o caso estaria em apuração no Judiciário.
A Aposta Ganha negou financiar ações políticas. “A companhia esclarece que não apoia nem financia campanhas políticas, partidos ou candidatos”, afirmou. A empresa também disse que “jamais financiou ou contratou pessoas para realizar comentários, publicações ou manifestações de natureza político-eleitoral em favor ou contra qualquer candidato ou partido”.
As novas informações reforçam a suspeita de uma operação organizada para remunerar engajamento político nas redes sociais em Pernambuco. O relato da testemunha, somado aos prints, comprovantes de Pix e vínculos empresariais citados, amplia a pressão sobre a pré-campanha de Raquel Lyra e coloca sob escrutínio a atuação de funcionários e empresas ligadas ao ecossistema da Aposta Ganha.
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