Pro Rudolfo Lago – Correio da Manhã
A negativa da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República em homologar a segunda tentativa de delação premiada de Daniel Vorcaro produziu certo alívio no comando da campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Uma sensação de que novos fatos relativos ao caso Master não surgiriam e que a crise poderia ser estancada, permitindo agora uma recuperação do terreno perdido. Em conversa com o Correio Político, no entanto, o diretor de Estratégia da Associação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Flávio Werneck, recomenda cautela. “A Polícia Federal recolheu com Vorcaro oito aparelhos de celular”, conta Werneck. “Seis deles nem começaram a ser periciados”.
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Assim, todos os diálogos até agora conhecidos saíram de dois dos oito aparelhos. E já produziram o estrago que se viu. Segundo Werneck, há um volume muito grande de documentos vários que precisam ser analisados, cruzados com outros documentos. Muitos poderão ensejar novas operações policiais, que provavelmente encontrarão ainda outros documentos e provas. Que tendem a manter o caso aceso por um bom tempo.
E que tanto poderão fustigar mais um pouco Flávio Bolsonaro quanto levar a outros personagens dessa incrível trama tecida por Daniel Vorcaro. Talvez nunca se tenha visto uma única pessoa entrar tão profundamente em todos os três poderes, trazendo para perto de si e dos seus interesses políticos tanto de oposição quanto do governo. Como já tinha dito Flávio Werneck ao Correio Político, “a investigação avançou a um ponto que independe do que possa vir de uma delação premiada”. O diretor da Fenapef enxerga uma estratégia em Vorcaro.
“A nova delação não foi aceita porque ela é fraca”, resume Werneck. “Não traz nenhuma prova nova. O que ele diz, a gente já sabe”. Para o diretor da Fenapef, “parece haver um modus operandi em Vorcaro”. Uma estratégia, que talvez não seja exatamente para homologar agora ou depois uma delação premiada, mas, sim, para ganhar tempo enquanto pode.
“Vorcaro aceitou subir de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a devolver à União”, observa Werneck. “O que parece demonstrar o quanto ele desviou”. Para o policial, Vorcaro, com os altos valores, “parece querer comprar a sua delação”. Mas não é somente isso o que importa. Ele precisa, de fato, apresentar fatos.
Assim, cresce, na avaliação de Werneck, uma sensação de que Vorcaro, na verdade, quer ganhar tempo. Numa estratégia calculada. Enquanto negocia a colaboração, ele vai conseguindo ficar, por enquanto, na Sala de Estado Maior da Polícia Federal. Evita, assim, ser transferido para um presídio comum.
O relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a transferência. Os administradores da Papuda receiam a transferência, temem que Vorcaro, pelo tamanho das suas relações e do dinheiro que movimentou, corra riscos.
O caso de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que se suicidou numa cela da Polícia Federal, em Belo Horizonte, aumenta os temores. A PF encontrou ainda mensagens da irmã de Sicário, Joana Mourão, ameçando a família de Vorcaro. “Tenho material suficiente para acabar com a família”,disse Joana, na ameaça feita.
Enquanto ganha tempo, Vorcaro pode também contar com uma eventual mudança política que viesse a melhorar a sua situação. Se não por uma alternância de poder, pelo menos com uma mudança de ares com a proximidade das eleições que poderia desviar a atenção que hoje se concentra no Master.
Há uma torcida grande para que o Brasil se recupere do início capenga e vá longe na Copa, aumentando o tempo de desvio de foco. Depois, já terá terminado o primeiro semestre. O Congresso irá cuidar das eleições em seus estados. Quem sabe até lá Daniel Vorcaro tenha ganho o tempo a mais que queria.
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