O governo de Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a decisão do governo Donald Trump ao alterar o visto da atual embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, “fecha portas” para o processo que dá aval ao indicado de Trump para a embaixada do Brasil. Auxiliares de Lula afirmam que o governo não cederá a “chantagem norte-americana”, concedendo o agrément ao embaixador americano nesse momento.
A aprovação do embaixador americano no Brasil está em processo de análise pelo Itamaraty e cabe ao presidente Lula chancelá-la ou não. Se houver recursa, o chefe de estado não precisa especificar o motivo. Internamente, a avaliação é de que se o Itamaraty não tiver nada que o desabone, o agrément será concedido, mas não agora, diante da “chantagem pública” feita pelos EUA, o que dificulta o processo. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisComo o GLOBO mostrou, a decisão da administração Trump foi uma medida de reciprocidade, segundo um porta-voz do Departamento de Estado, pelo não aval do governo do Brasil ao nome de Daniel Perez, indicado pelos EUA para assumir funções como novo embaixador em Brasília.
Esse porta-voz afirma que houve contato contínuo com autoridades brasileiras nas últimas semanas e que o Brasil teve “todas as oportunidades para fazer a coisa certa”, referindo-se à falta de aval do governo brasileiro ao nome de Daniel Perez, indicado pelos EUA para assumir funções como novo embaixador em Brasília. De acordo com essa autoridade, o governo brasileiro criou obstáculos para analisar o nome de Perez.
Parlamentar no estado da Flórida, Perez foi indicado para o cargo pelo governo Trump em junho e, há duas semanas, teve o seu nome confirmado no cargo por uma comissão do Senado dos EUA. A indicação de Perez para comandar a embaixada americana ainda precisa passar pelo plenário da Casa. A falta de um aval para o nome de Perez por parte das autoridades brasileiras teria levado à revogação do visto de Viotti.
As informações repassadas pelo Departamento de Estado dos EUA à Embaixada Brasileira em Washington apontam que houve uma alteração no visto de Maria Luiza Viotti, que deixou de ter a permissão de múltiplas entradas nos EUA e ficou restrito a uma entrada só. Ou sejam se a embaixadora brasileira deixar os EUA, precisará requisitar novo visto para ingressar no país.
Também de acordo com esse informe do governo americano ao Brasil, a embaixadora segue sendo a mais alta representante do governo brasileiro em solo americano, com sua função preservada. Se houvesse revogação do visto da embaixadora, Viotti precisaria deixar os EUA. No momento, o governo brasileiro não pretende pedir o retorno da embaixadora ao Brasil.
O governo brasileiro também não prevê uma medida de reciprocidade ao governo Trump nesse momento. Como não há embaixador no norte-americano no Brasil há um ano e meio e nem mesmo o encarregado de negócios dos EUA está em Brasília, não há porque pensar em uma medida recíproca que seria direcionada a um funcionário americano de quarto ou quinto escalão, afirmam auxiliares de Lula.
O Palácio do Planalto irá aguardar os próximos dias para ver se há rescaldos da medida, se a embaixadora será constrangida e se conseguirá ter pleno exercício de suas funções nos EUA. A alteração no visto da embaixadora foi vista como uma arapuca ao governo Lula que pode anteceder novas medidas. O entorno de Lula avalia que qualquer resposta nesse momento pode ser usada pelos EUA se vitimizarem e tomarem ainda uma decisão ainda mais dura contra o governo brasileiro. Até o momento, o governo divulgou apenas nota em que “repudia” a decisão e diz ainda que as “justificativas apresentadas são falsas”.
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