Valdemar vira problema para Flávio
O avanço da investigação que mira o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, abriu uma nova frente de preocupação no partido, justamente quando a legenda trabalha para consolidar o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal herdeiro do espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, de bloquear R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar e dar sequência às apurações sobre um suposto esquema de direcionamento de emendas parlamentares coloca o comando da maior sigla da direita no centro do noticiário político e amplia o desgaste da legenda.
As investigações da Polícia Federal apontam que Valdemar teria participado da destinação de recursos públicos mesmo sem exercer mandato parlamentar. A decisão de Dino reproduz mensagens encontradas em celulares de investigados nas quais aparecem referências diretas ao dirigente do PL, incluindo determinações para substituição de municípios beneficiados por emendas. O conjunto das apurações envolve 21 emendas destinadas a 17 municípios em cinco estados, movimentando R$ 119,2 milhões.
Leia maisEmbora Flávio Bolsonaro não seja alvo da investigação, o episódio atinge o núcleo político responsável por sua articulação nacional. Valdemar é o principal estrategista da legenda, controla a estrutura partidária e conduz as negociações eleitorais para 2026. Com o presidente do partido na defensiva, o PL passa a administrar simultaneamente a construção de um projeto presidencial e a repercussão de uma investigação de grande impacto político.
Flávio reagiu rapidamente em defesa do aliado. O senador afirmou que a Polícia Federal estaria atuando de forma seletiva contra lideranças da oposição e classificou a operação como mais um capítulo da disputa política entre governo e bolsonarismo. Ainda que não haja qualquer acusação contra Flávio, o avanço das investigações sobre o principal dirigente da sigla tende a monopolizar parte da agenda do partido e pode dificultar o esforço para concentrar o debate na construção da candidatura presidencial e nas alianças para 2026.
PGR foi contra – A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou de maneira contrária às medidas adotadas pelo ministro Flávio Dino contra Valdemar Costa Neto. “Intimada, a Procuradoria-Geral da República manifestou-se contrariamente ao deferimento de pedidos cautelares, porém afirmou a necessidade de continuidade das investigações e do rastreamento dos valores”, disse o próprio Dino na decisão. Segundo apurou o portal CNN, o entorno de Valdemar aponta que a decisão de Dino é inconsistente, tanto que não teve aval da PGR. Relatam ser natural que o presidente de um partido possa influenciar no destino de emendas e afirmam também que não há na decisão fato que aponte irregularidades no direcionamento da emenda.

Barco afundando – Continuando a ofensiva contra Flávio, o pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que a campanha do senador já enfrenta uma debandada política. Ao comentar a informação de que União Brasil e PP não devem integrar o palanque do adversário, escreveu nas redes sociais que “o barco está afundando e os aliados já começaram a pular fora”. A provocação ocorreu dias depois de Caiado afirmar que a proposta de Flávio para adiar o tarifaço dos Estados Unidos era “inaceitável” e favoreceria a reeleição do presidente Lula (PT). O ex-governador de Goiás mantém a estratégia de se apresentar como alternativa ao bolsonarismo na disputa pelo eleitorado de direita.
Ciro evita palanque de Flávio – O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) decidiu não participar do evento em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lança as candidaturas do partido no Ceará, reforçando a estratégia de manter a aliança entre PSDB e PL restrita à disputa estadual. Embora caminhem juntos contra o governador Elmano de Freitas (PT), interlocutores dos dois lados afirmam que nenhum deles pretende transformar o acordo local em uma parceria nacional. A avaliação é que uma associação pública entre Ciro e Flávio produziria mais desgaste do que ganhos eleitorais para ambos.
Raquel cobra definição da UP – A governadora Raquel Lyra (PSD) estabeleceu este sábado como prazo final para que a Federação União Progressista defina quem ocupará a vaga ao Senado em sua chapa. Segundo fontes do Palácio do Campo das Princesas, Raquel comunicou pessoalmente a decisão ao deputado Eduardo da Fonte (PP) e ao ex-prefeito Miguel Coelho (União Brasil). Nos bastidores, a preferência da governadora continua sendo Miguel, mesmo com a resistência do PP. A indefinição se arrasta desde a reunião realizada em Brasília entre Raquel e os presidentes nacionais da federação, sem que houvesse consenso.

Falta “tamanho” político – O pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) afirmou que é preciso “ter tamanho para sentar à mesa” e destravar a Transnordestina, em referência à articulação necessária para viabilizar o trecho Salgueiro-Suape da ferrovia. Durante debate promovido pelo Crea-PE, defendeu que o Governo de Pernambuco assuma a condução do projeto e deixe de ficar “refém” da execução conduzida pelo Governo Federal e da disputa com Bahia e Ceará. João também propôs uma segunda frente de obras a partir de Suape e fez uma cobrança indireta à gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) ao afirmar que “ter dinheiro e não fazer obra é problema de quem está tocando”.
CURTAS
Homenagem a Wal – A missa de sétimo dia do ex-deputado estadual Waldemar Borges (PSB) reuniu familiares, amigos e lideranças políticas, ontem, na Paróquia de Casa Forte, no Recife. A ministra Luciana Santos (PCdoB), viúva do parlamentar, destacou a generosidade e a dedicação do marido à vida pública. Estiveram presentes na homenagem o pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB), acompanhado da mãe, Renata Campos, além de parlamentares e aliados políticos de Waldemar, que morreu aos 67 anos após batalha contra o câncer.
Humberto nega insatisfação de Lula – O senador Humberto Costa (PT) negou que o presidente Lula (PT) esteja insatisfeito com a aliança firmada com o pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB). Ao visitar a Fenearte ao lado do socialista, afirmou que o acordo foi aprovado pelas direções estadual e nacional do PT e referendado pelo presidente. Segundo Humberto, uma eventual participação de Lula na campanha dependerá apenas da agenda do petista.
Convenções marcadas – PSB e MDB definiram as datas de suas convenções estaduais em Pernambuco. O PSB realizará o encontro nos dias 1º e 2 de agosto, no Clube Internacional, quando deve oficializar João Campos como candidato ao Governo do Estado e os demais integrantes da chapa. Já o MDB marcou sua convenção para 25 de julho, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, para escolher os nomes que representarão a legenda nas eleições.
Perguntar não ofende: Qual crise Flávio vai administrar primeiro?
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