Do UOL
Candidato à reeleição em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) suspendeu as agendas de campanha nas ruas por cinco dias para comandar ações de socorro às cidades paulistas atingidas por enchentes e deslizamentos de terra.
Desde então, tem usado o tema para expor medidas tomadas por sua gestão no combate a desastres hídricos. No entanto, Tarcísio reduziu o orçamento para implantação de sistemas de drenagem e combate a enchentes em 55% neste ano — o serviço teve reservados R$ 140,8 milhões contra R$ 314,8 milhões em 2025.
Leia maisDados do sistema de execução orçamentária mostram que, do total previsto para 2026, apenas R$ 60 milhões foram empenhados até agora, o equivalente a 43%.
A comparação das leis orçamentárias também mostra que houve queda nas verbas destinadas a monitoramento e prevenção — que passou de R$ 13 milhões para R$ 10 milhões —, e à capacitação de agentes da Defesa Civil — que caiu de R$ 1,2 milhão para R$ 871 mil. Além disso, a execução orçamentária mostra que ambos os serviços têm gastos bem aquém dos estipulados neste ano. No primeiro caso, o investimento empenhado é de R$ 4,5 milhões e no segundo, de R$ 4.000.
O orçamento mais enxuto ocorre em ano de El Niño, fenômeno climático que eleva o risco de desastres climáticos extremos em todo o Brasil, com secas prolongadas, calor excessivo, chuvas acima da média e alta probabilidade de deslizamentos de terra. De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a cidade de São Paulo já registra o mês de setembro mais chuvoso em 80 anos.
Procurado, o governo Tarcísio não quis comentar os dados apresentados pela reportagem e também não informou se há previsão de suplementação de verba até o fim do ano. Em nota, a gestão estadual afirmou que “trata o combate às enchentes de forma integrada, com ações de prevenção, drenagem, segurança hídrica e ampliação da resiliência dos municípios”. Segundo esse critério, disse ter viabilizado mais de R$ 25 bilhões em investimentos na área desde 2023, ano em que assumiu o governo.
Em São Paulo, os impactos das chuvas já provocaram as mortes de pelo menos três pessoas, em São Bernardo do Campo, Jandira e Itaquaquecetuba.
Moradores isolados e casas submersas
Cidades localizadas na região mais pobre do estado, o Vale do Ribeira, foram as mais afetadas por chuvas torrenciais desde a última quinta-feira (10). Eldorado, por exemplo, teve cerca de 60% de seu território totalmente submerso, deixando centenas de famílias desalojadas.
Na segunda-feira, Tarcísio vestiu o colete da Defesa Civil e visitou a região, onde anunciou o envio de ajuda humanitária e medicamentos, além de 16 embarcações e dois helicópteros resgatar moradores ilhados em Barra do Turvo e Registro. “Fizemos reuniões com os prefeitos da região para levantar os danos. Já estamos com equipe pronta para limpeza e desobstrução das vias para ajudar a recuperar a infraestrutura”, afirmou o governador, que aproveitou para gravar vídeos com eleitores da região postados depois em suas redes sociais.
Em uma das gravações divulgadas, Tarcísio disse que, sem piscinões entregues na Grande São Paulo, as consequências seriam muito piores em cidades como Francisco Morato e Caieiras. “As famílias teriam perdido tudo”, declarou.
O governo afirma que entregou obras de grande porte nos últimos três anos, como o piscinão Jaboticabal, na região do ABC, e o reservatório Franco Montoro, na Grande São Paulo.
Em nota, a gestão afirmou ainda que os repasses para a Defesa Civil somam mais de R$ 1 bilhão desde 2023, período no qual 19 mil agentes foram capacitados e 12 sirenes instaladas em áreas de risco.
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