Túlio, o novo Gilson Machado da direita?
Pré-candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), o deputado Túlio Gadêlha (PSD) parece ter definido com clareza sua estratégia eleitoral. Apostando todas as suas fichas no campo de centro-direita, vem ocupando um espaço político que até pouco tempo parecia improvável para sua trajetória de uma esquerda “festiva”.
Nesse contexto, tem buscado se apresentar como um nome capaz de dialogar com esse segmento do eleitorado. O movimento não passa despercebido e já provoca comentários entre lideranças políticas e observadores da cena local.
Leia maisO que chama atenção é que, para muitos integrantes da direita pernambucana, Túlio deixou de ser visto apenas como um político de campo ideológico definido e passou a ser enxergado como uma alternativa capaz de construir pontes e ampliar o diálogo com esse campo político. Sua presença em diferentes espaços e sua disposição para conversar com setores diversos têm contribuído para tal percepção.
Por isso, nos bastidores, já há quem faça uma comparação simbólica: Túlio estaria se transformando em uma espécie de “novo Gilson Machado” para parte do eleitorado de direita em Pernambuco. Mais do que uma questão ideológica, a analogia reflete sua capacidade de mobilização, visibilidade e inserção em um segmento político cada vez mais decisivo para as eleições de outubro.
Se essa estratégia será suficiente para consolidar uma candidatura competitiva, ainda é cedo para afirmar. Mas uma coisa parece certa: Túlio está determinado a disputar espaço onde muitos não imaginavam vê-lo há alguns anos. E essa movimentação já começa a redesenhar o tabuleiro político pernambucano.
CORREU DA RAIA – Na passagem pelo Estado para conhecer o São João de Caruaru, o pré-candidato ao Planalto pelo PSD, Ronaldo Caiado, fez uma visita ao ex-governador Jarbas Vasconcelos. O que chamou atenção, porém, foi a postura da governadora Raquel Lyra para manter distância do candidato do seu próprio partido. Nos bastidores, essa postura já começa a ser vista por aliados e observadores políticos como um movimento de desvinculação calculada. Para muitos, trata-se de uma estratégia que busca preservar interesses eleitorais locais, mas que também alimenta críticas sobre lealdade partidária. Afinal, enquanto Caiado percorreu Pernambuco em busca de apoios, a governadora evitou assumir um papel mais ativo ao lado daquele que, em tese, deveria ser seu candidato natural à Presidência da República.

O troco pesado – Uma ala significativa do PL, que inclui lideranças da sigla, passou a defender que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro seja retirada da presidência do PL Mulher em razão do explosivo vídeo detonando o senador e enteado Flávio Bolsonaro. Afirmam que ela “jogou a eleição no colo de Lula”. Além de dificultar a entrada de Flávio no eleitorado feminino, ao afirmar que foi “humilhada” e “maltratada” pelo pré-candidato do PL à Presidência, Michelle tirou o foco da saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo.
Risco de não disputar Senado – A avaliação feita pela ala do partido que quer a saída de Michelle do comando do PL Mulher é que a ex-primeira-dama mostra imaturidade política para ocupar um cargo dessa magnitude. Esse grupo defende que até a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal seja reavaliada. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, no entanto, está tentando minimizar a crise gerada pela gravação do vídeo.
No berço do bolsonarismo – O presidente Lula (PT) escolheu dois estados onde foi derrotado por Jair Bolsonaro em 2022 para cumprir agendas a pouco mais de uma semana do prazo limite estabelecido pela Justiça Eleitoral para a participação de pré-candidatos em inaugurações e anúncios. O petista esteve ontem no Mato Grosso do Sul e hoje estará em Santa Catarina. O petista tem até 4 de julho para participar desse tipo de evento. De acordo com pesquisa Quaest de junho, o Centro-Oeste e o Norte são as regiões onde o sentimento antipetista mais caiu entre março e junho de 2026, com redução de 44% para 36%.

Teresa assume liderança no Senado – O presidente Lula (PT) escolheu a senadora pernambucana Teresa Leitão (PT) para assumir a liderança do governo no Senado, substituindo Jaques Wagner (PT-BA), que deixou o cargo após ser alvo de operação da Polícia Federal relacionada ao caso Banco Master. Com mandato até 2030 e fora da disputa eleitoral deste ano, Teresa é vista como um nome de consenso, com bom trânsito entre governistas e oposicionistas. A missão será conduzir a articulação das principais pautas do Executivo na Casa, entre elas a PEC da Segurança Pública e a proposta que extingue a escala de trabalho 6×1. Nos bastidores, a expectativa é de que o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), passe a atuar de forma mais próxima das negociações no Senado.
CURTAS
NA PAPUDA – O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu pelo envio de Daniel Vorcaro para uma cela na chamada Papudinha, uma ala do presídio da Papuda, em Brasília. Ele está atualmente preso na Superintendência da Polícia Federal. Com isso, fica fora de cogitação neste momento uma delação do fundador do Master. Vorcaro tentou duas vezes fazer um acordo. Não deu certo. Demitiu dois advogados, Roberto Podvall e José Luis Oliveira Lima. Agora, está sem perspectiva de acertar uma colaboração premiada. Por essa razão, sai da cela especial na Polícia Federal e voltará para o complexo da Papuda.
EQUÍVOCO – A ex-prefeita de Contagem (MG) e nome de consenso do Partido dos Trabalhadores para encabeçar a chapa ao governo de Minas Gerais, Marília Campos, classifica como “equívoco estratégico” a decisão da legenda de lançar candidatura própria ao Palácio Tiradentes em 2026. A declaração foi publicada em nota à imprensa, um dia depois de o PT mineiro aprovar uma resolução para ter uma candidatura própria e apontá-la como o melhor nome.
LÍDER NO PODCAST – A nova líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT), é a convidada do podcast Direto de Brasília da próxima terça-feira. Na pauta, os desafios da nova missão, eleições e o cenário nacional. O podcast é uma parceria deste blog com a Folha de Pernambuco, com transmissão para 165 emissoras no Nordeste.
Perguntar não ofende: Se não apoia Caiado, candidato ao Planalto pelo seu partido, o PSD, Raquel vai ficar em cima do muro mais uma vez?
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