A Frente Popular de Pernambuco acionou, nesta quinta-feira (17), três instâncias federais para ampliar a apuração envolvendo Amisadai Andrade da Silva, empregado da Caixa Econômica Federal que esteve cedido ao Governo de Pernambuco. As medidas foram encaminhadas à Controladoria-Geral da União (CGU), à própria Caixa e ao Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU).
Os pedidos tratam da finalidade da cessão de Amisadai, da preservação de documentos e dados digitais, de possíveis conflitos de interesses e do rastreamento de recursos públicos relacionados ao período em que ele integrou a estrutura estadual.
Leia maisConcursado da Caixa, Amisadai foi cedido ao Governo de Pernambuco em abril de 2025. A autorização previa sua atuação como superintendente do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), com os custos da remuneração a cargo do governo estadual.
O caso ganhou repercussão nacional em agosto, após o Jornal da Record divulgar gravações atribuídas a Amisadai. Nos áudios, ele descreve a atuação de uma rede de páginas e perfis digitais e afirma que o grupo teria sido visto pelo Governo do Estado como instrumento para “desidratar” politicamente João Campos.
A reportagem também relacionou a estrutura ao Portal de Prefeitura e informou que o veículo havia recebido mais de R$ 600 mil em publicidade estadual. Depois da divulgação das gravações, o Metrópoles revelou registros de entrada de Amisadai no Palácio do Campo das Princesas em julho e setembro de 2024.
Em uma ocasião, ele se identificou como empregado da Caixa; em outra, como representante do Portal de Prefeitura. Segundo o levantamento publicado pelo site, o veículo recebeu R$ 642,5 mil em publicidade do Governo de Pernambuco durante a atual gestão.
É sobre esse conjunto de informações que as novas medidas devem se debruçar. No pedido encaminhado ao MPTCU, a Frente Popular solicita uma fiscalização específica do Tribunal de Contas da União sobre a cessão, inclusive quanto à sua legalidade, finalidade e aos custos envolvidos. Também quer a preservação de processos, mensagens, arquivos e registros de acesso, além dos documentos relacionados às reuniões realizadas no Palácio do Campo das Princesas e à publicidade destinada ao Portal de Prefeitura.
A coligação pede ainda o rastreamento dos R$ 642.574 pagos em publicidade ao veículo, com identificação das campanhas, de quem autorizou as inserções, das contas que receberam os recursos e dos beneficiários finais. A apuração também deve verificar se houve repasses a administradores de páginas, produtores de conteúdo, empresas de impulsionamento ou integrantes da rede citada nas gravações.
Outro ponto envolve os custos da passagem de Amisadai pelo Governo do Estado. Os documentos reunidos pela Frente Popular apontam R$ 109.084,67 em vantagens relacionadas à função estadual, entre maio de 2025 e julho de 2026, além de R$ 196.301,41 ressarcidos pelo Estado à Caixa entre abril de 2025 e julho deste ano. Somados, os valores chegam a R$ 305.386,08. O pedido é para que os pagamentos sejam conferidos e comparados com as atividades efetivamente exercidas no período.
A Frente também quer que o MPTCU obtenha a gravação original exibida pela Record e determine sua análise técnica. Entre as diligências solicitadas estão depoimentos de gestores da Caixa, autoridades estaduais, representantes das agências de publicidade e responsáveis pelo Portal de Prefeitura e pelos perfis mencionados. Se for identificado prejuízo aos cofres públicos, a coligação pede a adoção das medidas de responsabilização e ressarcimento previstas em lei.
A denúncia apresentada à Caixa tem como foco a conduta funcional de Amisadai e as circunstâncias de sua cessão. A Frente Popular pede a abertura de procedimento correcional para verificar eventual desvio de finalidade, uso de estrutura pública em atividade político-partidária, acesso indevido a informações e possível conflito de interesses envolvendo o Portal de Prefeitura.
O documento foi encaminhado à Presidência da Caixa, com cópia para a Corregedoria, a área de Governança, Riscos e Compliance e a Comissão de Ética. A solicitação inclui uma auditoria sobre o processo de cessão e sobre os mecanismos utilizados pela empresa para acompanhar empregados colocados à disposição de outros órgãos.
Na CGU, o pedido alcança tanto a atuação de Amisadai quanto os controles adotados pela Caixa antes, durante e depois da cessão. A Frente solicita a preservação de e-mails, arquivos em nuvem, equipamentos, credenciais e registros de acesso, além da investigação de eventual omissão de gestores responsáveis pelo acompanhamento do afastamento.
A Controladoria também é chamada a examinar possíveis conflitos de interesses e eventual atividade privada não declarada. A coligação quer ainda que sejam cruzados horários de expediente, registros funcionais, publicações da rede digital, reuniões no Governo do Estado e pagamentos feitos ao Portal de Prefeitura. As informações obtidas poderão ser compartilhadas com a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Ministério Público Eleitoral, o TCU e órgãos estaduais de controle.
Amisadai foi exonerado do cargo de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco em 26 de agosto, um dia depois da divulgação da reportagem da Record. A cessão à administração estadual foi encerrada em seguida.
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