Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O deputado Aécio Neves (PSDB-MG) não aceita e chama de “narrativa”. Mas muitos dizem que a ação que moveu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contestando o resultado da eleição presidencial de 2014, quando perdeu para Dilma Rousseff, foi o ovo da serpente que permitiu o ambiente que gerou a tentativa de golpe em 2022 e 2023.
Aécio diz que reconheceu o resultado, que apenas fez alguns questionamentos sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas. Mas o fato é que depois disso o PSDB, que governou o país por oito anos com Fernando Henrique Cardoso, caiu em forte trajetória descendente. E ele junto. Agora, Aécio preside novamente o partido. E tenta outra vez voltar a ser protagonista político.
Leia maisNum primeiro momento, Aécio imaginou um retorno do PSDB ao protagonismo a partir de uma candidatura de Ciro Gomes, que se filiou novamente ao partido em outubro do ano passado. Mas Ciro Gomes preferiu manter sua candidatura ao governo do Ceará, onde, segundo as pesquisas, tem boa chance de ser eleito. Ciro, então, publicou nota na qual apoia que o candidato seja, então, Aécio Neves.
“A profundidade complexa de nossos problemas sociais e econômicos em cenário internacional bastante complicado e ameaçador pedem um projeto nacional de desenvolvimento e este suplica por moderação”, disse Ciro na nota. Padrinho político de Ciro, o ex-presidente do PSDB Tasso Jereissati também se manifestou. O Correio Político foi procurado, porém, por um improvável outsider na pretensão tucana. Suas chances são ínfimas, e ele mesmo reconhece. Mas o engenheiro e advogado Mario Oliveira Filho resolveu se oferecer como alternativa.
Mario Oliveira Filho pondera que Aécio Neves pode ser importante para o projeto do PSDB disputando o Senado por Minas Gerais. Como parece ter ali boa chance de eleição, poderia evitar assim a menos provável eleição presidencial. Assim, o engenheiro e advogado, que há não muito tempo era filiado ao Avante, coloca a sua pretensão.
“A prioridade é Aécio”, disse Mario. “E eu não pretendo fazer nenhuma disputa interna”, completou. “Estou somente apresentando minha colaboração ao partido, e me colocando como eventual opção”. Mário Oliveira Filho não tem experiência política ou pública anterior. Seu caminho foi na iniciativa privada.
Mário Oliveira Filho apresentou ao PSDB um plano de governo, que batizou de “Plano Brasil Real II”, remetendo ao Plano Real feito no governo Itamar Franco, que rendeu ao então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso a Presidência da República. Ele emenda remetendo também a JK: “40 anos em quatro”.
“De 1980 até 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% ao ano, abaixo da média mundial, que foi 3,25 e abaixo dos países emergentes, que cresceram 4,4%”, diz Mario. “Se crescêssemos como os emergentes, seríamos a quarta economia”, continua. “Já fomos a sexta; hoje, somos a décima-primeira”.
No plano que afirma ter submetido ao PSDB, Mario aponta modernizações que considera importantes. Estabelece, por exemplo, um modelo de bonificação para o serviço público, que todas as audiências de juízes com advogados sejam gravadas e publicadas na internet, e o fim dos penitenciárias urbanas com presídios agrícolas.
Antes de tentar agora o PSDB, Mario foi candidato à Presidência em 2010 pelo PTdoB, atual Avante. Teve somente cerca de 36 mil votos, 0,03% do total. Foi candidato à Presidência da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) em 2021, ficando em quarto lugar, com 5,15% dos votos.
“Não posso deixar de reconhecer que a política tem uma fila”, afirma Mario de Oliveira Filho. “Essa fila tinha Ciro Gomes à frente, e agora Aécio Neves”, completa. “Mas eu me coloco como opção. Ou deixo minhas ideias como contribuição”, disse ele ao Correio Político. São ideias em debate.
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