Para o pernambucano e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, a crise institucional em que o Supremo Tribunal Federal (STF) está mergulhado é uma ótima oportunidade para rediscutir os rumos e propor uma reforma. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ele avaliou que o momento é de se discutir uma reforma do Judiciário brasileiro, para que a população “não acredite em super-heróis”.
“É hora de fazer uma reforma que enfrente sistemas, trate da conduta de magistrados, do exercício de advocacia de seus parentes, do tempo e limitação de exercício. É um momento que pode ser útil para o futuro do Brasil, para não acreditarmos em super-heróis. Eu acredito na dura, lenta e sacrificante caminhada de evolução das instituições”, analisou Felipe Santa Cruz.
Leia mais“O Brasil é um estuário histórico de crises institucionais que influenciam as eleições. Temos episódios desse tipo desde a República Velha, passando por 1945, por 1954, pela posse de Juscelino (Kubitschek) e em todo o seu mandato, os mandatos do Jânio (Quadros) e Jango (João Goulart). Então somos gatos escaldados. A defesa da democracia no Brasil e do Estado Democrático de Direito é obrigação de todos nós, esquerda, direita ou centro. Porque é frágil a democracia na história brasileira. O STF não deve ser tão fragilizado, tão exposto. Eu sou crítico à TV Justiça passar todos os julgamentos. Acho que certas coisas precisam de solenidade. A Corte Magna americana não tem esse tipo de transmissão, mas essa é a realidade brasileira a partir da presidência do ministro Marco Aurélio Melo. Então, em horário nobre, com as emissoras do país inteiro cobrindo, as rádios, todo o olhar dos brasileiros. O Supremo não teve uma tarde feliz”, completou.
“É muito ruim transformar um julgamento do Supremo em papo de bar. Deveria haver, nesse repensar institucional, um caminho de preservar mais os tribunais dessas paixões que estão na rua. No primeiro momento, podem ser aplaudidos, mas as paixões de hoje cobram demais amanhã”, concluiu Santa Cruz.
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