O ex-presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, defende uma mudança estrutural para o Brasil nos próximos quatro anos. Aliado ao presidente Lula (PT), após conduzir os socialistas em episódios como o impeachment, o ex-dirigente defende que a esquerda da qual as siglas fazem parte volte a ocupar o papel de destaque que sempre teve para transformar a sociedade brasileira, o que veio perdendo nos últimos anos.
“Não podemos ser apenas a força da defesa do status quo. A esquerda sempre foi a força de transformação. Hoje quem está propondo transformação é a extrema direita. O Brasil é um país de desigualdades sociais imensas, e a esquerda tem um papel extraordinário para reduzir isso, mas precisa repensar vários de seus dogmas, não pode continuar sendo a esquerda dos anos 1960 e 1970. Estamos encerrando um ciclo com o presidente Lula, que já deu sua colaboração, mas também é preciso que surjam novas lideranças. O capitalismo se renova permanentemente, e a esquerda precisa se renovar. Mas precisamos realçar que as grandes conquistas no Brasil vieram do lado da esquerda. Mas hoje você não tem um governo de transformações”, disparou Siqueira, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
Leia mais“As tensões criadas hoje são de natureza política e ideológica, estão acontecendo no Brasil e no mundo, e demorarão ainda algum tempo para que sejam superadas. Penso que se o presidente Lula for reeleito, e esperamos que seja, nós possamos promover uma mudança de natureza mais estrutural. O Brasil precisa industrializar os produtos que exporta em grãos e minerais, refinar seu petróleo, os produtos desse grande movimento que é a agricultura brasileira, uma das maiores do mundo e que não traz ainda todos os seus resultados. E avançar na modernização da sua indústria nacional, hoje ainda pouco competitiva frente ao desenvolvimento tecnológico mundial. E precisamos nos preocupar em elevar o nível da educação brasileira, que é inferior a todos os países da América Latina. Se não elevarmos, não sairemos desse atraso. Estamos num país atrasado desse ponto de vista, precisamos pensar estrategicamente”, completou.
O ex-dirigente ressaltou a importância de se debruçar sobre a nova realidade brasileira, citando a obra que lançou recentemente, o livro “O novo perfil eleitoral do Brasil – como vota o brasileiro”. “A esquerda precisa passar por um processo de renovação, de estudo mais profundo sobre o eleitorado brasileiro, as aspirações, a realidade. E compreender melhor um setor do eleitorado brasileiro que é o setor evangélico, que estudamos em nossa pesquisa. É um setor que precisa ser compreendido, não apenas durante as eleições, mas entendendo o papel social que desenvolvem hoje as igrejas evangélicas ou protestantes, inclusive pela ausência do Estado. Tudo precisa ser estudado com muita profundidade. É uma das mudanças em que a esquerda deve se aprofundar. É um eleitor que vem das classes CDE, mais o público-alvo das políticas de esquerda”, concluiu Siqueira.
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