José Múcio revisita trajetória política, relembra disputa com Arraes e reforça desejo de deixar a Defesa
Quarenta anos depois de enfrentar Miguel Arraes na disputa pelo Governo de Pernambuco, em 1986, José Múcio Monteiro atribui àquela derrota um papel decisivo na trajetória que o levaria à Câmara dos Deputados, ao Governo Federal, ao Tribunal de Contas da União e, hoje, ao Ministério da Defesa. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o pernambucano revisitou uma das eleições mais duras da política pernambucana e afirmou não se arrepender do caminho percorrido. “Eu existo por causa daquela derrota”, resumiu.
Múcio tinha 37 anos quando disputou o Palácio do Campo das Princesas contra Arraes, então com 70. O resultado abriu, segundo ele, uma trajetória diferente daquela que imaginava naquele momento. “Tudo valeu a pena naquela eleição. Não me arrependo de nada do que fiz. Depois dali, fui deputado federal por cinco mandatos, líder do governo Lula, ministro das Relações Institucionais, ministro do Tribunal de Contas da União e agora ministro da Defesa. Se não tivesse perdido aquela eleição, não teria a história política que construí ao longo dos anos”, afirmou.
Leia maisEntre as lembranças mais marcantes, o ministro destacou o debate realizado pela TV Globo. Múcio recordou uma campanha polarizada, mas marcada, segundo ele, pelo respeito entre os adversários. “Eu chamava doutor Arraes de senhor, pedia ‘por favor’, usando o que a elegância e a educação nos impõem fazer”, contou. A disputa ainda guardava uma inversão que ele considera curiosa: “Eu tinha 37 anos e representava o passado. E Arraes, com 70 anos, representava o futuro. Os jovens votavam nele, enquanto os mais velhos votavam em mim”.
A campanha acabou também aproximando os dois adversários. Múcio relata que a relação construída naquele período se transformou em amizade e permaneceu até a morte de Arraes, em 2005. Segundo ele, o ex-governador dizia que sua própria vitória havia sido valorizada pelo estilo da disputa. Ao comparar aquele ambiente ao atual, o ministro lamentou a dificuldade crescente de convivência com opiniões contrárias. “Pena que a política esteja tão polarizada e que as pessoas não respeitem as opiniões contrárias, que é o princípio básico da democracia”, declarou.
É nesse papel de articulador que Múcio também situa sua passagem pelo Ministério da Defesa. Há três anos e nove meses no cargo, ele afirma ter levado para a pasta as ferramentas acumuladas na vida política e define sua função como a de uma ponte entre o governo e as Forças Armadas. “Foi por isso que o presidente Lula, quando me convidou, falou que iria me botar num lugar em que eu era necessário. Fomos uma ponte entre a política e as Forças, e tenho impressão de que conseguimos esse objetivo”, avaliou.
A permanência, entretanto, foi muito maior do que previa. Múcio conta que aceitou o posto imaginando ficar apenas um ano e brinca que já entregou o cargo diversas vezes a Lula. “Acho que fui a pessoa que mais entregou o lugar na vida pública brasileira”, disse, aos risos. Hoje, é o segundo ministro mais longevo à frente da Defesa, atrás de Nelson Jobim. Mesmo declarando apoio à reeleição de Lula (PT), demonstra resistência à ideia de permanecer para um eventual novo mandato. “Estou querendo ir para a arquibancada. É aquele lugar que quero, vou pegar bandeira e vou torcer para que o presidente continue construindo esse país do jeito que ele imaginou.”
Antes de deixar a pasta, porém, Múcio mantém como uma de suas principais bandeiras a criação de previsibilidade orçamentária para a Defesa. Segundo o ministro, o Brasil investiu cerca de 1,1% do PIB no setor no ano passado, enquanto ele considera necessário chegar a algo entre 2,5% e 3%. “Enquanto não se aprovar isso, seremos sempre os pedintes”, afirmou. Múcio argumenta que contratos militares são de longo prazo e cita a extensão das fronteiras brasileiras e as riquezas naturais do país para defender investimentos contínuos. “Defesa é investimento que não dá voto. É como plano de saúde, tem que ter o melhor e torcer para não precisar usar.”
Fachin dá 72 horas a Mendonça – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deu, ontem, prazo de 72 horas para que André Mendonça se manifeste sobre o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. A AGU sustenta que a decisão provoca “grave lesão à ordem pública e administrativa”, invade a prerrogativa do presidente da República de nomear e exonerar dirigentes da PF e pode comprometer o funcionamento da corporação. Depois da manifestação de Mendonça, o processo voltará à Presidência do Supremo para que Fachin analise o pedido. Até lá, os afastamentos permanecem em vigor.

Decisão descabida – O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, de afastar o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, é “descabida e uma intromissão onde não lhe cabe”. Guimarães disse, ainda, que essa medida “cheira como eleitoral” e que “isso não pode”. “O STF precisa tomar providências”, escreveu em publicação nas redes sociais. “Ninguém está acima da lei. Com base nessa referência, a decisão do ministro André Mendonça, no que tange ao pedido de afastamento do delegado da Polícia Federal, é descabida e uma intromissão onde não lhe cabe. Apurar eventuais indícios de delitos está correto. Mas essa medida me cheira como eleitoral. Isso não pode! O STF precisa tomar providências”, escreveu o ministro.
Gilmar quer análise no plenário do STF – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu, ontem, que a competência para analisar o afastamento do diretor da Polícia Federal é do plenário e citou que o impacto da ordem do ministro André Mendonça pode causar “desequilíbrio da disputa político-eleitoral”. Segundo o ministro, o plenário tem entendimento firmado de que “em razão da paridade de armas e do dever de neutralidade do Estado em relação aos partidos políticos e candidatos, há inconstitucionalidade de decisões jurisdicionais tendentes a promover o desequilíbrio da disputa político-eleitoral”. O julgamento está sendo realizado no plenário virtual da Segunda Turma do STF.
Ministros de Lula se reúnem com Fachin – O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, encontraram-se, na tarde de ontem, com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. O encontro, segundo noticiou o portal Metrópoles, durou cerca de 30 minutos e ocorreu após o ministro André Mendonça determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Wellington e Messias atuaram em interlocução com o gabinete de Mendonça na tentativa de articular um encontro entre o ministro e Andrei ao longo do último mês. Apesar dos esforços, o encontro nunca ocorreu. Posteriormente, houve o embate entre Mendonça e Alexandre de Moraes. Ao sair do encontro com Fachin, Messias afirmou que a reunião com o presidente do STF foi “muito institucional e republicana”.

Material irregular – Mais de quatro mil materiais de propaganda foram apreendidos por irregularidades no Estado. Bandeiras, bases de cimento, banners e até carros de som estão na lista de apreensões, divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE), na segunda-feira (7). Ao todo, 4.136 materiais foram apreendidos em quatro cidades: Recife, Jaboatão dos Guararapes e Olinda, na Região Metropolitana, e em Petrolina, no Sertão. A capital pernambucana concentra mais da metade do total de material recolhido e Petrolina foi o segundo município com mais propaganda irregular apreendida. A maior parte das apreensões foi de bandeiras instaladas de forma irregular nas calçadas. Segundo o portal G1, também foram apreendidos banners luminosos, que estão proibidos na campanha deste ano, e uma caixa de som de um comitê eleitoral no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, que estava voltada para o meio da rua em alto volume.
CURTAS
DEBATE – A Rádio Cidade 99.7 realiza, na próxima sexta-feira, em Caruaru, o primeiro debate do estado com candidatos ao Governo de Pernambuco no primeiro turno das Eleições 2026. Confirmaram presença no encontro Ivan Moraes, do PSol; João Campos, do PSB; e Raquel Lyra, do PSD. O debate começa às 9h e será mediado pelo jornalista Vitor Araújo.
DEBATE II – O encontro será realizado no Teatro do Shopping Difusora e terá seis blocos, com duração aproximada de duas horas e meia. A transmissão será feita simultaneamente pela Cidade 99.7 FM, pelo canal da emissora no YouTube e pelo aplicativo FlixCidade, além de retransmissão por 17 emissoras de rádio de diferentes regiões de Pernambuco.
JANGA – Cinco crianças passaram mal e ficaram mais de um dia no hospital após tomarem banho de mar na Praia do Janga, em Paulista, no Grande Recife. Em entrevista à TV Globo, a empreendedora Bruna Michelle disse que levou seus três filhos e dois amigos para um passeio no sábado (5) e, na noite do domingo (6), todos eles tiveram vômito e diarreia. A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) disse que o grau de risco pode variar a cada semana e confirmou que, nesta semana, o local está impróprio para banho.
Perguntar não ofende: Fachin vai reverter a decisão de Mendonça?
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