Cadê os eleitores de Lula?
Num intervalo de 40 dias, estive por duas vezes em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, berço do movimento sindical do ABC, onde Lula ingressou na vida pública como líder dos metalúrgicos, cuja trajetória muito tempo depois o levou à Presidência da República. Por onde passo, por dever de ofício, converso com pessoas dos mais amplos segmentos da sociedade.
Confesso que não encontrei um ambiente favorável à reeleição do presidente, nem na primeira vez, quando acompanhei a convenção que homologou sua candidatura, tampouco ao longo do feriadão da Independência, no qual andei muito pela cidade em passeios turísticos com os meus filhos.
Leia maisNão é exagero, mas entre tantos motoristas de aplicativos — e foram mais de 20 — não encontrei um só eleitor de Lula, tampouco de Fernando Haddad, candidato do PT a governador, apadrinhado pelo chefe da Nação. No plano estadual, o sentimento do paulistano é pela reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
No plano nacional, percebi uma divisão entre os que votam em Flávio Bolsonaro (PL), por causa do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, alguns em Ronaldo Caiado (PSD), e muitos ainda indecisos. Também deu para sentir uma tendência de crescimento do nome do psiquiatra Augusto Cury, candidato do Avante. Se isso se configurar uma onda, Cury pode se transformar no azarão, com chances de ir ao segundo turno.
Mas o que impressiona, na verdade, é a rejeição de Lula e do seu governo entre os eleitores de São Paulo. Não conversei apenas com motoristas de táxi. Ampliei minha pesquisa espontânea e pessoal com porteiros, garçons, funcionários públicos, jornalistas e lojistas.
Para Lula, o céu de São de Paulo, no que tange ao seu projeto de conquistar o quarto mandato, não é, hoje, de brigadeiro.
DEMOCRACIA E LIBERDADE – Na parada de 7 de Setembro, ontem, a governadora Raquel Lyra (PSD) exaltou o papel do Estado na história do País e relacionou a data à defesa da democracia, da liberdade e da soberania nacional. “É muito simbólico aqui em Pernambuco, onde a pátria nasceu, onde lutamos muito pela democracia, pelo exercício do direito à liberdade de ir e vir”, afirmou. A governadora também disse que “a maior liberdade que a gente pode ter é poder ser feliz no nosso chão” e associou esse conceito aos investimentos realizados pelo Estado para garantir condições para que os pernambucanos possam permanecer e viver em Pernambuco.

Provando do veneno – Mendonça Filho, que anda se apresentando como o candidato ao Senado de Raquel, começou a provar do veneno da governadora, que ontem ingressou na justiça eleitoral com uma representação contra ele por propaganda irregular. Mainha, como ela se comunica pelas redes e nos atos de campanha, exige que Mendonça deixe de pegar carona como candidato fake da sua coligação. Além da suspensão da propaganda no guia eleitoral, o bolsonarista será obrigado a parar de produzir novos conteúdos para redes sociais.
Lula como presidiário – Apoiadores do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) levaram, ontem, ao ato na Avenida Paulista, em São Paulo, um boneco inflável do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segurando uma caricatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usando roupa de presidiário. A manifestação reuniu aliados do presidenciável em meio à campanha para pedir o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e de Lula, que tenta a reeleição.
Desaprovação em alta – A gestão do presidente Lula continua desaprovada. Segundo pesquisa Quaest, somente 43% se mostram satisfeitos com o Governo, enquanto 50% desaprovam. Os números exibem uma tendência de piora do indicador, embora as oscilações a cada sondagem sejam dentro da margem de erro. Na última rodada da pesquisa, veiculada na semana passada, o índice de aprovação do governo era de 45%, dois pontos percentuais a mais que o registrado hoje, enquanto a desaprovação era de 48%, dois pontos a menos em relação aos número de ontem.

Cury deixa de crescer – A nova pesquisa Quaest de ontem, não confirma o crescimento do candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, que aparece com os mesmos 8% do levantamento anterior. Já Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) marcam 3%, e Romeu Zema (Novo), 2%. Em um eventual segundo turno entre Lula e Ronaldo Caiado (PSD), o ex-governador de Goiás marca 38%, e o petista 41%. Outros 17% são brancos e nulos, enquanto 4%, indecisos. No cenário em que Cury chega ao segundo turno, o escritor tem 35% das intenções de voto. Já o petista marca 39%, e o número de brancos e nulos chega a 21%.
CURTAS
ECONOMIA – Outros pontos da pesquisa indicam que, a despeito de indicadores macroeconômicos como desemprego, inflação e aumento da renda estarem positivos, a população pena para sentir isso na pele. Apenas 10% dizem que a renda aumentou mais que o custo de vida.
REAPROXIMAÇÃO – A menos de um mês para o primeiro turno, o presidente Lula também vive um momento de aproximação com a cúpula do Congresso Nacional. Interessado na aprovação de propostas que têm sido usadas como bandeira de campanha, como o fim da escala 6×1, o presidente retomou a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
APOIO – Cury (Avante) reuniu apoiadores em uma “Caminhada da Independência” em Copacabana, ontem, no Rio. Em cima de um trio elétrico, no final do ato, o escritor discursou contra a polarização do país, lançou frases de efeito em defesa da família brasileira e enviou apoio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Perguntar não ofende: Cury ainda vai furar a bolha?
Leia menos








