MONTANHAS DA JAQUEIRA – Eu fico tremendo nos cascos quando vejo algum inocente datilografar a expressão “decadência dos Estados Unidos”. São infecções ideológicas, tipo urticárias. Eu sou formado em Ciências Humanas e Sociais pelo Mobral, e frequentei o curso de Humanitismo de Brás Cubas/Machado de Assis, modéstia à parte. Daí aprendi algumas lições. Lição número um: números são números, como diria o Conselheiro Acácio. A saber:
Os Estados Unidos ostentam um PIB de 32,3 trilhões de dólares. A China vem em segundo lugar, com 19,4 trilhões. A longo prazo será inevitável que o Império Chinês, com uma população de 1,4 bilhão de almas, ultrapasse o império ianque, habitado por 350 milhões de imperialistas. A América ocupa a vanguarda mundial em todos os campos de atividade onde voam os falcões, na indústria aeroespacial, na informática, nas pesquisas científicas, nos tapetes vermelhos da indústria do entretenimento, da costa leste à costa oeste.
Lição número dois: não existe cavalo de pau na economia, nem as revoluções conseguem dar cavalo de pau.
O domínio do Império Romano se prolongou durante cinco séculos e a decadência se arrastou durante dois séculos, porque naquela época a Internet era muito lenta. Depois de guerras e golpe de Estado, o império só desmoronou no ano 476 depois de Jesus de Nazaré.
Direi aos vermelhos e infravermelhos que esta minha prosopopeia não tem nada a ver com proselitismo ideológico. Estou apenas garimpando algumas lições de história.
Delirar é preciso. O que aconteceria se a caterva vermelha fosse dotada de premonição e os Estados Unidos estivessem em decadência? O exército de Brancaleone invadiria o Império capitalista e derrotaria as tropas do cowboy Donald Tramp. Existe uma proverbial sentença socialista-comunista de que “toda propriedade é um roubo”. Esta sentença faz a cabeça e o couro cabeludo da mundiça vermelha.
Haveria o “assalto aos céus” preconizado pela Comuna de Paris em 1871 para implantar o paraíso igualitário neste vale de lágrimas, de sonhos, pecados e ilusões.
O prefeito comunista de Nova York, Zohran Mamdani, mandaria prender Donald Tramp, chamado de algoz, e inocentar o facínora Nicolas Maduro, para ser libertado e ser glorificado como ditador da Venezuela.
A fortuna de Elon Musk seria confiscada para ser distribuída com o lúmpen proletariado e todos os pobrezinhos das Américas, a começar pela família de Fidel Castro e Raul Castro e a caterva vermelha de Pindorama. Para não serem acusados de desfeitas, os economistas vermelhos e infravermelhos inscreveriam Elon Musk e Bill Gates no cadastro do Bolsa Família para receberam uma mesada de 600 denários, mais o Vale-Gás e o programa Pé-de-Meia. Musk será um trans-pobre num corpo de rico. A mundiça do Cordão Encarnado vai adorar.
Os inocentes que datilografam a expressão “decadência dos Estados Unidos” torcem pela decadência do Ocidente, pelos terroristas do Hamas e pela ditadura de Ortega na Nicarágua. Falam em assalto aos céus. Mas o céu não é perto.
Nova rodada mostra mudança favorável a João Campos, que avança na comparação com o levantamento anterior, enquanto Raquel Lyra recua; os dois aparecem agora com 43%
A nova rodada da pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira (17), registra uma mudança favorável a João Campos (PSB) na disputa pelo Governo de Pernambuco. O candidato cresceu, enquanto a governadora Raquel Lyra (PSD) recuou, e os dois aparecem agora rigorosamente empatados, com 43% das intenções de voto no primeiro turno.
O movimento ganha relevância porque acontece justamente na largada oficial da campanha e interrompe o cenário recente de crescimento da governadora registrado por outros levantamentos. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 28 de julho, por exemplo, Raquel aparecia com 43% no primeiro turno, contra 37% de João. Agora, no Real Time Big Data, João alcança os mesmos 43% registrados pela governadora. Embora sejam institutos diferentes e, portanto, não seja metodologicamente correto tratar a comparação como evolução de uma mesma série, os números mostram uma fotografia mais equilibrada da disputa.
O empate também aparece em uma eventual disputa de segundo turno. João Campos e Raquel Lyra têm 44% cada, enquanto 5% afirmam que votariam branco ou nulo e 7% não souberam ou não responderam.
O resultado representa uma mudança importante em relação à fotografia apresentada pela Quaest no fim de julho. Naquele levantamento, Raquel aparecia numericamente à frente no segundo turno, com 45%, contra 39% de João. A diferença entre os dois era de seis pontos. No levantamento divulgado agora pelo Real Time Big Data, essa distância desaparece e os dois aparecem com os mesmos 44%.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, também há empate: João Campos e Raquel Lyra aparecem com 21% cada. O dado mostra ainda um eleitorado bastante aberto, já que 44% não souberam apontar espontaneamente um candidato.
A nova fotografia eleitoral surge em um momento estratégico para João Campos. Depois de semanas em que pesquisas registraram avanço da governadora, o candidato do PSB chega ao início da campanha novamente em situação de equilíbrio, num momento em que começa a explorar com maior intensidade sua aliança com o presidente Lula.
Lula, inclusive, gravou na última sexta-feira (14) participação no programa eleitoral de João, encerrando as dúvidas sobre qual seria seu palanque na disputa pelo Governo de Pernambuco. A participação do presidente deverá ser exibida a partir do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
Senado
A Real Time Big Data também pesquisou a disputa pelas duas vagas de Pernambuco no Senado. Marília Arraes (PDT) aparece na liderança, com 29%, seguida por Humberto Costa (PT), com 20%, e Mendonça Filho (PL), com 18%.
Eduardo da Fonte (PP) registra 12%, Túlio Gadelha (PSD), 11%, Carlos Sant’Anna (Novo), 2%, e Paulo Rubem Santiago (Rede), 1%. Brancos e nulos representam 4%, e 3% não souberam ou não responderam.
O Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores entre os dias 12 e 15 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-06056/2026.
João larga na frente enquanto Raquel se apresenta sem molho e sem sal
Toda largada de campanha é, antes de qualquer coisa, uma disputa de narrativa. É o momento em que cada candidato tenta dizer, sem precisar explicar demais, que Pernambuco quer representar, que futuro pretende construir e com quem pretende caminhar. E, nesse quesito, João Campos saiu na frente.
Sua largada foi construída como uma espécie de mapa simbólico de Pernambuco. Começou no extremo Oeste, em Poção, distrito de Afrânio, na divisa com Piauí e Bahia. Depois de percorrer mais de 40 quilômetros de estrada de barro, ouviu de um morador que o último governador a aparecer por ali havia sido Eduardo Campos. A resposta resumiu a mensagem: “Aqui não é longe. Distante é o governo que não chega até aqui.”
Não era apenas uma frase. Era uma imagem. Da fronteira do Estado, João passou por Serra Talhada, foi a Caetés, terra natal do presidente Lula, e seguiu para Tacaimbó, no Agreste. Terminou a jornada no Morro da Conceição e ainda emendou um adesivaço madrugada adentro. Na largada, portanto, tinha roteiro, geografia e significado.
E João não ficou apenas no simbolismo. Apresentou uma proposta concreta: quatro novos hospitais para Pernambuco, incluindo aquele que seria o maior hospital do Estado. Depois, voltou a transformar agenda em imagem. Reuniu uma multidão no Cabo de Santo Agostinho. Atravessou o Capibaribe para chegar a Brasília Teimosa. Fez caminhada no meio das pessoas, sem a distância confortável dos palanques. Tomou banho de fonte no Parque Eduardo Campos. E ainda terminou a maratona participando de um culto da Assembleia de Deus.
Do outro lado, a largada de Raquel Lyra pareceu menos carregada de significado. O adesivaço no comitê, em uma área nobre do Recife, produziu uma imagem essencialmente de estrutura de campanha. O discurso no trio elétrico não apresentou uma nova proposta capaz de marcar aquele primeiro momento. A passagem por Caruaru, sua principal base política, reforçou uma identidade já conhecida. E o encerramento em Petrolina, ao lado de Miguel Coelho, apresentou uma imagem muito mais ligada a uma composição que acabou não vingando para o Senado.
Mas há uma diferença importante entre montar uma chapa, iniciar uma campanha e contar uma história. Na largada, João contou uma história. A história de um candidato que saiu da capital, atravessou Pernambuco, foi ao Sertão profundo, voltou ao Agreste, passou por um dos morros mais simbólicos do Recife, atravessou o rio, caminhou no meio do povo, apresentou propostas e terminou a noite em uma igreja.
Raquel, por sua vez, pareceu mais preocupada em mostrar a própria estrutura política, que teve uma coligação partidária inferior a de João Campos — ainda que ele esteja na oposição. E campanha eleitoral não é apenas uma soma de adesivaços e palanques. É também uma disputa pela imaginação do eleitor.
João Campos entendeu isso logo na largada. Raquel Lyra, ao menos nesse primeiro movimento, entregou uma agenda correta, organizada e politicamente funcional. Mas faltou sal. E faltou molho. Porque, enquanto um lado parecia estar tentando transformar o primeiro dia de campanha em uma narrativa sobre Pernambuco, o outro pareceu estar apenas cumprindo uma agenda eleitoral.
E, em uma eleição que promete ser tão disputada, começar contando uma história pode ser tão importante quanto começar pedindo votos.
SEM FUTURO – O presidente Lula lançou sua campanha para reeleição, ontem, no Estádio Primeiro de Maio (Vila Euclides), em São Bernardo do Campo, com fortes ataques ao bolsonarismo. “Eu, enquanto for vivo, não vou permitir parar de lutar e deixar que a direita, que ficava dando risada das crianças morrendo por falta de remédio, responsável pela morte de 400 mil pessoas da Covid por irresponsabilidade com a vacina volte ao poder. Que futuro essas pessoas pensam para o povo brasileiro? Nenhum”, afirmou.
Coração e mente – No primeiro ato de campanha à reeleição, o presidente Lula (PT) se apresentou como “um peão” que conhece “o coração e a mente” do povo brasileiro. O petista fez diversas menções a Deus, fez aceno às mulheres e prometeu criar um ministério para a segurança pública para “libertar” favelas e bairros pobres dominados pelo crime organizado. “Vocês colocaram na presidência uma peão, quase um analfabeto. Eu só tenho o primário e um curso do Senai. Mas eu conheço o coração e a mente de vocês. E eu tenho certeza que os outros que passaram por esse país não conheceram”, disse.
Caloteiro da esperança – Em seu primeiro discurso de campanha, ontem, no Rio de Janeiro, o candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, chamou Lula de “caloteiro da esperança” e subiu o tom contra o governo. O presidenciável também criticou o governo em um discurso focado na segurança pública e nos atritos recentes gerados entre os governos brasileiro e americano. “O atual governo briga com países que estão a 10 mil quilômetros de distância da gente, em outro continente, mas não briga com o ladrão vizinho, traficante, estuprador, assaltante e assassino. Um governo que não tem a capacidade e a vontade de defender quem mora aqui também não tem condições de manter a soberania sobre seu próprio território”, afirmou.
Ato no Cabo – João Campos (PSB) deu o pontapé inicial à campanha em Ponte dos Carvalhos, no Cabo. A mobilização foi liderada pelo candidato a deputado estadual Batista Cabral (PSB) e pelo prefeito Lula Cabral (PDT). A caminhada saiu do antigo CSU, atualmente em obras para a construção do Convive Eduardo Campos, e seguiu pelas ruas até a Praça Marcos Freire. Segundo a organização, mais de 15 mil pessoas participaram do percurso, que reuniu lideranças políticas, militantes e moradores da região.
Sem dono – Durante adesivaço no comitê do Espinheiro, Zona Norte do Recife, última agenda, ontem, na capital, antes de partir para Caruaru e Petrolina, a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), destacou que Pernambuco não tem dono. “Quem é dono de Pernambuco é o seu povo. A gente tem força, coragem, perseverança, e o coração colocado no trabalho”, ressaltou. “O mais importante é fazer o nosso Estado crescer sem deixar ninguém para trás”, acrescentou.
CURTAS
NAS CABEÇAS – Ao anunciar a construção de quatro hospitais e um central na Região Metropolitana, o candidato do PSB, João Campos, não perdeu a oportunidade para criticar as obras de improviso de Raquel. “No nosso governo não vai ter teto caindo nas cabeças das pessoas”, ironizou.
DATAFOLHA – A nova pesquisa Datafolha em Pernambuco vai medir a corrida pelo governo estadual e a disputa pelas duas vagas ao Senado nas eleições de 2026. O levantamento será realizado entre 18 e 20 de agosto, com divulgação na próxima sexta-feira.
PODCAST – O podcast Direto de Brasília desta semana será na próxima quarta-feira e não amanhã, como sempre. O nosso convidado é o jornalista Xico Sá, que vai falar sobre seu livro trazendo novos fatos sobre a morte de PC Farias, o tesoureiro de Collor assassinado pela namorada numa praia em Alagoas.
Perguntar não ofende: Quando teremos o primeiro debate entre Raquel e João?