Medo de perder

Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360

Provavelmente você nunca ouviu falar de Harold Lasswell (1902-1978). Mas ele foi um dos mais importantes pensadores políticos do século 20. Aos 34 anos publicou “Politics: Who gets what, when, how (1936)” (“Política: quem ganha o quê, quando, como”) e definiu política como sendo a disputa sobre “quem recebe o quê, quando e como”.

Raymundo Faoro (1925-2003) publicou o clássico “Os donos do poder” aos 32 anos e foi mais fundo. No Brasil, a questão não se resume apenas a quem recebe, mas a quem controla a máquina do poder. Ambos oferecem uma percepção interessante para o momento que o país atravessa.

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Evangélicos no centro da disputa

A Marcha para Jesus, um dos maiores eventos religiosos do país, voltou a evidenciar como a fé e a política caminham lado a lado no Brasil contemporâneo. Realizada em São Paulo, a edição deste ano reuniu autoridades de diferentes espectros ideológicos, expondo não apenas divergências políticas, mas também a crescente disputa pelo eleitorado evangélico, considerado estratégico em qualquer eleição nacional.

O episódio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça revelou os cuidados adotados por figuras públicas ao participar de manifestações religiosas em um ambiente altamente polarizado. Apesar de dividirem o mesmo trio elétrico em determinados momentos, os três evitaram aproximações numa demonstração de que a presença no evento tinha significado político tão relevante quanto o religioso.