Tempos líquidos

*Por Marcelo Tognozzi

Foi Ana Cecília Aquino quem levantou a bola durante o almoço da Confraria Orlando Brito, reunida no restaurante Lake’s, em Brasília, um dia antes do primeiro turno. “O problema é a política líquida”, apontou ela. Líquida do ponto de vista de Zygmunt Bauman (1925-2017), o filósofo polonês autor de “Tempos Líquidos” e outras dezenas de obras, onde faz uma análise desta era da velocidade e da inconstância. Tudo passa tão rapidamente, nada é sólido e até o amor se liquefez na fugacidade das experiências. Mundo veloz. “A vida muda como a flor em fruto velozmente”, igual no poema de Ferreira Gullar.

As pesquisas eleitorais erraram feio, especialmente as do Ipec e Datafolha, porque negligenciaram líquidos e sólidos do pensamento de Bauman. Continuaram a fazer pesquisas como sempre fizeram, enquanto o mundo mudava em ritmo de fibra ótica. Nas suas sondagens privilegiaram respostas estimuladas, quando a realidade da urna eletrônica é a do voto espontâneo. Não há lista. Ou o eleitor vota com o que tem na cabeça ou na colinha, ou não vota. Simples assim. O voto na urna eletrônica é líquido, enquanto a pesquisa tenta registrar o que considera sólido. Claro que o resultado será sempre o de duas realidades diferentes.

Sebrae - Fazer dar certo

Câmara e Senado bolsonaristas

A Câmara dos Deputados será formada na próxima legislatura, em sua maioria, por deputados que compõem o Centrão ou são filiados a partidos de centro-direita. Dos 513 eleitos, 273 integram esse bloco político, enquanto o PT e os partidos da esquerda conseguiram 138 cadeiras.

Segundo levantamento do site Poder360, o PL elegeu 99 deputados em 2 de outubro de 2022. Com o resultado, a sigla do presidente Jair Bolsonaro (PL) passará a ter a maior bancada da Câmara a partir de 2023. É o maior número de eleitos por um partido na Casa Baixa desde 1998. Na sequência, aparece a federação PT/PV/PCdoB, com 80 congressistas e o União Brasil, com 59.