“Não foi um escândalo do INSS. A instituição foi vítima de uma quadrilha”, diz Wolney Queiroz
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), afirmou, ontem, em entrevista ao podcast Direto de Brasília, que 4,8 milhões de aposentados e pensionistas foram ressarcidos pelos descontos associativos feitos sem autorização em seus benefícios. Segundo ele, a União desembolsou R$ 3,2 bilhões para antecipar os pagamentos, enquanto a Advocacia-Geral da União (AGU) tenta recuperar os recursos junto aos responsáveis pela fraude.
Wolney rejeitou a classificação do caso como um escândalo da própria instituição, embora o episódio tenha provocado desgaste no Governo Lula (PT) e levado à instalação de uma CPMI no Congresso. “Não foi um escândalo do INSS. A instituição foi vítima de uma quadrilha que roubou os aposentados. Meu dever é preservar a instituição”, declarou.
Leia maisO prazo para requerer a devolução terminou em 20 de junho, quando, de acordo com o ministro, já não havia procura significativa pelos canais de atendimento. “Ressarcimos integralmente 4,8 milhões de aposentados e pensionistas”, disse. A União optou por antecipar o pagamento para que os beneficiários não precisassem aguardar o fim das ações judiciais.
Até o momento, a AGU conseguiu bloquear R$ 2,8 bilhões em bens e valores ligados aos investigados, quantia ainda inferior ao total pago aos segurados. Segundo Wolney, 42 pessoas já foram indiciadas e os bloqueios poderão aumentar com o avanço das investigações. “O caixa da União será ressarcido”, assegurou.
Sobre a fila do INSS também foi abordada na entrevista, o ministro informou que número de pedidos com mais de 45 dias de espera caiu de 1,8 milhão, em janeiro, para aproximadamente 390 mil. “Esse é o tamanho da fila”, explicou. O instituto recebe cerca de 1,3 milhão de novos requerimentos por mês, que não são contabilizados como atraso enquanto permanecem dentro do prazo.
Para reduzir o estoque, foram contratados 500 novos peritos, instaladas 800 salas de perícia conectadas e ampliados os mutirões, que somaram mais de 300 mil atendimentos no primeiro semestre. Wolney afirmou que a meta é eliminar os processos acima de 45 dias até o fim do ano. “Quando resolvermos, a fila estará zerada, não existirá mais represamento, só fluxo”, projetou.
Além da fraude e do acúmulo de requerimentos, o ministro apontou a pejotização e a baixa contribuição dos microempreendedores individuais como os principais desafios da Previdência. Segundo ele, trabalhadores de aplicativos permanecem, em grande parte, sem cobertura em caso de acidentes, afastamentos ou aposentadoria. “O INSS não é só para quando se aposenta, mas também um seguro para quem sofre acidente”, ressaltou.
Wolney defendeu uma contribuição menor para incorporar esses profissionais ao sistema, mesmo diante do possível impacto inicial nas contas previdenciárias. “É melhor botar esse povo todo na Previdência do que na assistência social sem contribuir”, argumentou.
Moraes cobra explicações sobre vídeo de Bolsonaro por IA – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas para a defesa de Jair Bolsonaro (PL) esclarecer se o ex-presidente autorizou o uso de sua imagem e voz em um vídeo produzido por inteligência artificial e exibido na convenção nacional do PL, no sábado (25), em São Paulo. Na gravação, Bolsonaro aparece apoiando a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e afirmando estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”. Moraes advertiu que uma eventual autorização poderá representar novo descumprimento das restrições impostas ao ex-presidente, hoje em prisão domiciliar humanitária. Caso não tenha havido consentimento, o ministro apontou possível desrespeito à ordem judicial por Flávio e pelo partido, além da eventual configuração de deepfake, prática proibida pela legislação eleitoral.

De olho em 2030 – O partido Republicanos está mirando em 2030, numa candidatura à Presidência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e não deve fechar aliança com o PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. A estratégia é reeleger o governador de São Paulo, que seria um candidato natural da legenda em 2030, quando o presidente Lula (PT), se vencer a eleição deste ano, não poderá mais ser candidato. Amigos de Tarcísio destacam que, publicamente, o governador de São Paulo não pode deixar de dar apoio a Flávio Bolsonaro, até por gratidão. Integrantes do Republicanos confidenciaram, porém, ao blog do Valdo Cruz, que a maioria da legenda atualmente não quer um apoio ao filho de Bolsonaro. Prefere apostar no projeto de 2030.
Flávio nega calúnia – O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, decidiu não prestar depoimento à Polícia Federal em inquérito sobre suspeita de calúnia contra o presidente Lula (PT) e enviou esclarecimentos por escrito ao Supremo Tribunal Federal (STF). O caso envolve uma publicação de Flávio em rede social na qual o senador comentava uma notícia sobre eventual delação premiada do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro e fazia relação do tema com o presidente brasileiro. A defesa de Flávio afirmou que isso não poderia ser considerado crime. “Dizer que alguém ‘será delatado’ significa, tão somente, afirmar que essa pessoa será mencionada por um colaborador no âmbito de seu depoimento. Nada além disto. E ser mencionado por um colaborador em seu depoimento não significa ter contra si uma imputação criminosa ou ter a atribuição de uma prática ilícita em seu desfavor”, diz a petição. O inquérito tramita no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes para apurar se houve crime contra a honra do presidente Lula.
Governo Lula prorrogará Desenrola Brasil 2.0 – O governo Lula renovará o programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil 2.0 por ao menos mais 30 dias. O programa é uma das apostas do governo para alavancar a popularidade do presidente no ano eleitoral, e seria encerrado no dia 3 de agosto. A informação foi divulgada pelo O Globo. Segundo um integrante da equipe econômica, a prorrogação pode ser ampliada para além dos 30 dias atuais. O último balanço do Ministério da Fazenda aponta que até o dia 23 foram renegociados R$ 22 bilhões em dívidas, com 3,6 milhões de operações. Pesquisa Quaest divulgada em julho indicou que o programa auxilia na melhora da aprovação do presidente. Na ocasião, 55% dos entrevistados afirmaram que o programa era positivo.

Estado de emergência – Em meio às recentes tensões, o governo Donald Trump decidiu prorrogar o estado de emergência contra o Brasil por mais 1 ano. No comunicado, que será publicado amanhã, no Federal Register, o Diário Oficial norte-americano, o presidente dos Estados Unidos voltou a falar sobre casos de “censura e a prisão, por parte da Suprema Corte do Brasil” e citou o ex-presidente Jair Bolsonaro para justificar a decisão. Na prática, a prorrogação do estado de emergência somente estende uma ordem executiva assinada pelo presidente norte-americano em 30 de julho de 2025. Segundo reportagem do portal Metrópoles, para estender a “emergência nacional” sobre o Brasil, Trump usou os mesmos argumentos que basearam a decisão do último ano.
CURTAS
MILITANTES – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu o limite de contratações de pessoal para as campanhas de presidentes, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Em Pernambuco, candidatos ao Governo do Estado poderão contratar até 2.998 pessoas em todo o estado para trabalhar na militância, de acordo com a tabela divulgada pela corte. As informações são do Blog da Folha.
MILITANTES II – Já candidatos à Presidência da República e ao Senado Federal terão direito de contratar até 1.499 cabos eleitorais, enquanto deputados federais poderão ter 1.049 pessoas atuando na campanha. Deputados estaduais vão poder contratar 525 agentes de campanha. Os militantes voluntários, que não recebem remuneração, ficam fora desse cálculo, assim como fiscais de partido, delegados, advogados e pessoal contratado para atividades administrativas internas.
FGTS – O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou a distribuição de R$ 13,042 bilhões entre os trabalhadores cotistas. O valor representa 89% do lucro auferido pelo Fundo em 2025, de R$ 14,7 bilhões. O pagamento será feito pela Caixa Econômica Federal de forma proporcional ao saldo das contas ativas e inativas com saldo existente em 31 de dezembro de 2025. Para saber se o trabalhador tem direito, basta acessar o site do Fundo de Garantia.
Perguntar não ofende: Até quando Trump usará Bolsonaro como pretexto para atacar o Brasil?
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