Um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçar acenos ao agronegócio em uma feira no Mato Grosso, os pré-candidatos à Presidência Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) direcionaram esforços ao segmento. Nesta quinta-feira (23), os dois cruzaram agendas em estados um do outro — Zema em Goiás, Caiado em Minas Gerais —, com compromissos voltados ao agro, em meio à disputa por apoio dentro do campo da direita.
Zema iniciou o dia em Anápolis, com visita à indústria Kingspan Isoeste, instalada em um dos principais polos ligados à cadeia do agro no estado. Na sequência, foi a Goiânia para reunião com o Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO), que reúne representantes do setor produtivo local, incluindo segmentos diretamente ligados ao agronegócio. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisO roteiro, segundo integrantes da pré-campanha, foi desenhado para ampliar interlocução com empresários e lideranças fora de Minas, em um movimento que alia discurso de gestão à tentativa de se aproximar de um setor ainda distante.
Já Caiado concentrou a agenda em Belo Horizonte com foco direto no agro. O ex-governador participou de reunião e palestra na Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), uma das principais portas de entrada para o setor no estado. Na sexta-feira, mantém compromissos na capital mineira, com passagem pelo Mercado Central, ponto tradicional de circulação política e de contato com produtores e comerciantes.
A escolha dos destinos reflete estratégias distintas. Zema busca ganhar capilaridade fora de Minas e testar sua entrada em um estado onde o adversário tem base consolidada e forte identificação com o agro.
Caiado, por sua vez, tenta enfrentar um dos seus principais gargalos: a baixa presença em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, onde ainda não tem palanque estruturado e busca abrir espaço após o PSD liberar o diretório estadual para seguir o governador Mateus Simões, aliado de Zema. Nesse contexto, aposta no agro como porta de entrada, apoiado em sua trajetória ligada à bancada ruralista.
Disputa pelo agro
As agendas dos ex-governadores ocorrem após acenos estratégicos de Flávio Bolsonaro ao agronegócio. Na véspera, o senador participou de uma das principais feiras do setor, em Sinop (MT), e resgatou o discurso que marcou a aproximação do bolsonarismo com produtores rurais, ao voltar a criticar a política de demarcação de terras indígenas. “Nenhuma dessas reservas será demarcada se depender do nosso governo”, afirmou.
A fala veio acompanhada de um pacote de acenos ao setor, incluindo defesa de crédito com juros mais baixos, redução de burocracia e atuação contra a moratória da soja. O senador também voltou a criticar a política ambiental e o que chamou de entraves à produção. O movimento foi lido por aliados como tentativa de reativar uma relação que, em 2018, se consolidou para Jair Bolsonaro.
O cenário atual, porém, é diferente. A entrada de Caiado na disputa, com histórico ligado ao setor, e os esforços de Zema para ampliar presença fora de Minas criaram um ambiente de maior competição por esse eleitorado.
Nos bastidores, representantes do agro avaliam que o apoio tende a ser menos concentrado na largada, com maior peso para compromissos concretos e menor alinhamento automático a um único nome. Ainda assim, Flávio Bolsonaro é hoje visto como o favorito dentro desse campo, em razão do melhor desempenho nas pesquisas. Levantamento recente da Quaest indica o senador numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, com 42% a 40%. Os dois estão empatados dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais.
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