Por Luciano Bivar*
A partir do século XV, onde se deu origem ao que se criou no século XII para perseguir opositores políticos, a Igreja juntou-se aos absolutistas, hoje transfigurados em ditadores e golpistas como se fossemos cátaros ou valdenses. O Bolsonarismo apropriou-se da bandeira do Brasil como se patriotas fossem e paradoxalmente estendem uma bandeira americana em plena luz do dia na Avenida Paulista.
Dizem preservar as empresas privadas e confiscam mais de seis bilhões do DPVAT (um seguro social) e estatizaram, já que na verdade eram administrados por empresas privadas, e agora têm milhões de acidentados e famílias que perderam seu provedor, sem um tostão sequer para indenizá-los.
Leia maisO populista e antigo presidente torrou tudo em campanha, mas os desígnios do além não permitiram a sua reeleição. Nomeou um auxiliar terrivelmente evangélico, começa por aí, um homem que em seu poder vaza o que quer, seleciona os males dos outros e se diz imparcial, enquanto até hoje não olhou fatos que correm na Polícia Federal, assunto da mais alta excrescência do mundo republicano. Chora e se ajoelha a um bezerro de ouro e jura que jamais o faltará.
Suas amigas quando criança afirmam que viram Jesus numa goiabeira e a outra recebe 20 mil do antigo Queirós, chefe de gabinete montado pra “rachadinhas” no Rio de Janeiro, e até hoje o assunto adormece nos poderes judicantes protegido pelos indicados.
Tenho na religião o maior respeito, seus objetivos sociais transpassam mentes e matéria, viver disso é um sacerdócio, mas a desvirtualidade hoje é flagrante aos princípios básicos da servidão humana.
Os espertalhões usam Deus e o Diabo para adquirir vantagens de toda espécie. Ideias contrárias a seus objetivos (dogmas) são tidas como pecados. Não respeitam ideologias outras, discriminam desvios fisiológicos ao natural e tem aquilo como heresia e os condenam. Um homem desse em uma Corte não deixa de ser uma ameaça a sociedade, razão essa que aliados outros se dirigem e acusam um a um para criar seu castelo de cartas só com os seus.
A estatização das verbas públicas de campanha foi distorcida de sua ideia inicial em criar igualdade de oportunidades para os competidores. Entretanto, dois partidos se juntaram, criaram uma musculatura política, porque cabe a eles ajudar e comprar quem quiserem e formaram uma quadrilha dentro do próprio Congresso Nacional para venderem facilidade a grupos econômicos em troca de propinas e extorquirem governos, quer seja de direita ou esquerda.
Voltando ao título do artigo, não acredito que transformar a crença espiritual em um produto de consumo e que gera manipulação financeira de fiéis, promovem uma teologia da prosperidade, condenam jogo e álcool para sobrar mais dízimos para eles, mas ao fim do tudo, comprometem a credibilidade ética das instituições religiosas perante a sociedade.
Usando o seu líder maior da Igreja há mais de dois mil anos já dizia: “daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Por isso, não tenho medo das fogueiras inquisidoras. Sei que o mundo está repleto de crédulos e, pior ainda, de idiotas, que permeiam por toda a parte. Desconhecem princípios básicos do verdadeiro humanismo.
Alguns estudiosos até falam que seremos dirigidos por idiotas, não que sejam mais inteligentes, mas porque são a maioria. Todavia, discordo dessa assertiva, como já perceberam não sou um homem religioso, mas, paradoxalmente, tenho uma profunda fé. Me basta saber que têm mais mérito aqueles que fazem o bem em meio a dúvida do que aqueles que o fazem sob a luz brilhante da fé.
*Deputado federal
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