Por Renata Bezerra – Diario de Pernambuco
Realizado em caráter privado, fora do horário de expediente, o encontro de ministros do governo Lula, visando a uma mobilização para o 2º turno da campanha presidencial, se deu na casa do titular da Previdência Social, o pernambucano Wolney Queiroz. Sem exceção, todos os auxiliares do presidente da República foram à mesa, atendendo à convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior.
Além deles, o debate incluiu, na última terça (06), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o presidente nacional do PT, Edinho Silva e um dos coordenadores da campanha, Gilberto Carvalho. Otimizar, via redes sociais, o alcance do eleitorado foi uma das diretrizes apontadas.
A estratégia passa por explorar a capilaridade política de cada ministro, seja a partir de sua influência regional, caso de Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), no Piauí, seja na interlocução com movimentos sociais, o que ficou atribuído a Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência da República).
Leia mais“Foi uma reunião animada, de muita confiança, para alinhar as ações de cada um para essas duas semanas até o 2º turno”, relata Wolney Queiroz à coluna. E observa: “Há pessoas que tem grande influência em redes sociais, há outros de elevada influência regional, como Wellington e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), que fala para o Amapá”.
Wolney, por sua vez, já começou a agir. Na quarta (07), publicou vídeo em suas redes sociais sobre o que define como “o ponto mais falado da semana”. A fala tem início com um alerta: “Querem mexer de novo na sua aposentadoria”. Na sequência, o vídeo resgata o ex-presidente Jair Bolsonaro dizendo: “Hoje, iniciamos o processo de criação de uma nova previdência”.
Wolney prossegue, na gravação, advertindo: “Flávio Bolsonaro tenta esconder isso de você, mas o coordenador de campanha dele já entregou o plano. Ninguém aguenta mais outra reforma da Previdência e o histórico da família Bolsonaro não mente, até porque eles já fizeram isso no governo passado”.
O presidenciável do PL já afirmou que promoveria um “tesouraço” para equilibrar as contas públicas. Seu coordenador de campanha, senador Rogério Marinho, apontou que o atual modelo econômico está “estourando”. Prometeu mudanças e afirmou que as reformas da Previdência e Trabalhista seriam “revisitadas”. A Folha de S.Paulo informou que a equipe econômica do candidato teria o plano de desvincular os reajustes da Previdência e do BPC em relação ao ganho real do salário mínimo.
Ainda no vídeo, Wolney fez referência à indexação dos benefícios nas gestões do PT. “É Lula quem garante a vinculação dos benefícios do INSS e da aposentadoria ao salário mínimo. Você sabe o que é isso? É assim. Se cresce o salário mínimo, aumenta automaticamente o valor da sua aposentadoria; eles aumentam juntos e o compromisso do presidente Lula é com esse aumento acima da inflação”, realçou.
A campanha de Flávio tem defendido a necessidade de um ajuste de 1,5% do PIB, ou algo em torno de R$ 200 bilhões a partir da contenção das despesas. “O ajuste fiscal nosso será focado nos excessos do governo”, disse, nesta quinta (08), o coordenador da área econômica do plano de governo de Flávio, Adolfo Sachsida.
Também nesta quinta-feira (08), Flávio Bolsonaro negou cortes em aposentadoria, afirmou que manterá o reajuste acima da inflação negou também que vá desindexar a Previdência e o BPC. Em política, diz a máxima que tudo que é preciso explicar não é bom.
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