Neste artigo, o professor Maurício Romão, PhD em pesquisas eleitorais, informa que o likely voter (cálculo dos votos válidos) da Quaest nas 15 capitais onde houve eleição de segundo turno em 2024 ficou longe, fora da margem de erro em sete delas, quase 50% dos resultados anunciados na Globo na véspera da eleição.
Confira o início do artigo e leia na íntegra (PDF abaixo):
Leia maisEleições municipais de 2024 nas capitais: pesquisas e urnas no segundo turno
Por Maurício Costa Romão
Introdução
As pesquisas eleitorais exercem um importante papel de comunicação, que é o de expressar para a sociedade o que o eleitor está pensando sobre o processo eleitoral, quais são seus sentimentos e expectativas, suas preferências pelos prováveis candidatos etc. Vistas sob essa senda, as pesquisas eleitorais são a caixa de ressonância do pensamento do eleitor.
Mas as pesquisas, por tratarem de vitórias e reveses eleitorais, mexem com a emoção das pessoas. São, assim, alvo de inúmeras contestações em todos os pleitos majoritários. As reclamações derivam do cotejo que o eleitor faz entre as estimativas dos institutos, realizadas em dias próximos à eleição, e os dados das urnas, na perspectiva consagrada popularmente de que tais estimativas são prognósticos dos resultados oficiais.
Neste contexto, o presente estudo busca responder à seguinte indagação: como se saíram as pesquisas nas capitais onde houve segundo turno na eleição municipal de 2024, quando confrontadas com os dados finais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)?
O critério utilizado nessa avaliação de desempenho das pesquisas no pleito municipal de 2024 foi o de calcular a discrepância média das estimativas de intenção de votos das pesquisas (que envolve o conceito de média aritmética simples de valores absolutos como proxy das médias dos agregadores de pesquisas) e compará-la com a discrepância média dos resultados oficiais.
Isso é feito tanto para votos totais quanto para votos válidos. Ademais, usou-se o mesmo critério avaliativo da discrepância média para testar a acuracidade do método “likely voters” no Brasil, que intenta acessar respondentes mais propensos a comparecer às urnas e votar. A partir de certa elasticidade interpretativa quanto às margens de erro das pesquisas, foi possível confrontar seu desempenho conjunto com os dados da instância máxima eleitoral, em cada capital, e de acordo com os métodos discutidos no presente estudo.
Ainda nessa esteira, fez-se também testes comparativos envolvendo dessa feita o modelo de “votação ideológica”, que se alicerça em transferências de voto por afinidades ideológicas entre candidatos, na passagem do primeiro para o segundo turno das eleições, com a novel característica de que o modelo prescinde de pesquisas de intenção de votos.
O objetivo central do presente capítulo, em apertada síntese, é verificar como se saíram as pesquisas eleitorais nas eleições municipais de 2024, nas capitais brasileiras onde ocorreu segundo turno. Para tanto, o texto repousa nas seguintes seções, em que: (1) contextualiza o significado das pesquisas eleitorais no sentido de como são vistas pelo prisma de diagnósticos ou prognósticos; (2) discute sobre a carga emocional que envolve a leitura dos resultados das pesquisas; (3) apresenta a relevante diferença entre votos totais computados das pesquisas e sua transformação em votos válidos; (4) exibe as evidências empíricas dos resultados do pleito de 2024; (5) confronta os dados da eleição com os achados das pesquisas; (6) introduz os modelos likely voters e transferência ideológica de votos e testa seus achados empíricos e, por último, traça as considerações finais.
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