O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), conduzia a sessão no plenário da Casa quando recebeu, ontem, a notícia da carta golpista divulgada pelo senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As informações são do portal Metrópoles.
A reação de Alcolumbre foi ignorar o documento. Segundo auxiliares, a estratégia do presidente do Senado é manter o silêncio sobre o tema para evitar dar palco à iniciativa de Flávio e, assim, não ampliar a repercussão dentro da Casa.
Leia maisA estratégia de Alcolumbre, neste momento, é acompanhar os próximos passos de Flávio nos Estados Unidos. O chefe do Senado só pretende se manifestar caso avalie que a situação escalou e passou a exigir uma resposta institucional.
Um interlocutor descreveu Alcolumbre como um “defensor das prerrogativas parlamentares”. Por isso, considera improvável que ele adote, neste momento, alguma medida contra Flávio, cujo mandato de senador termina em janeiro de 2027.
Essa disposição, porém, pode mudar caso o primogênito de Jair Bolsonaro eleve o tom nos Estados Unidos e passe a adotar iniciativas que, na avaliação do atual comandante do Senado, sejam consideradas uma atuação contra o país.
Mandato à distância
Na sessão semipresencial de quarta-feira, Flávio não registrou presença. Segundo auxiliares de Alcolumbre, o senador do PL também não comunicou oficialmente ao Senado que deixaria o Brasil rumo aos Estados Unidos, onde desembarcou ontem.
Em viagens internacionais como missão oficial, senadores dispõem de um aparelho que permite registrar presença e participar de votações mesmo fora do país. O Senado ainda não sabe se Flávio levou o equipamento para os Estados Unidos.
Como a situação é considerada sem precedentes, equipes técnicas do Senado estão analisando o regimento interno e outras normas da Casa para definir quais procedimentos poderão ser adotados caso Flávio tente exercer o mandato à distância.
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