Após as cobranças apresentadas na reunião da executiva do PT de quinta-feira, a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudará, a partir deste sábado (12), a linha da propaganda eleitoral gratuita exibida na televisão. A ideia é apostar em programas mais dinâmicos e diretos, com ataques intensos à família Bolsonaro e abordagem de temas vistos como cruciais pelos eleitores, mesmo que sejam incômodos para os petistas. O assunto central da propaganda deste sábado, por exemplo, será a segurança pública.
Convocado pelo presidente do partido, Edinho Silva, o encontro de quinta-feira da cúpula petista aconteceu em momento de tensão interna, com queixas por parte de membros da executiva sobre os rumos da campanha e reclamações sobre falta de participação da própria sigla nas definições de estratégias eleitorais. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisPara atender os apelos de adoção de uma linha conectada com o dia a dia da população, o programa deste sábado começa com uma mãe levando a filha para escola em meio a um tiroteio em um bairro residencial. “A família Bolsonaro deixou o Brasil mais violento”, afirma o locutor, antes de começarem os disparos.
Ao longo deste terceiro mandato, Lula teve dificuldade de apresentar resultados concretos na área da segurança pública, tema que é muito explorado pelos bolsonaristas. A área ganhou mais destaque no debate entre os dois campos políticos após os Estados Unidos classificarem em junho as facções PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Pesquisa Quaest divulgada no dia 14 de agosto mostrou que a violência é a principal preocupação dos eleitores brasileiros, citada por 33% dos entrevistados.
Em uma tentativa de mostrar que o problema já existia quando Lula assumiu o governo, a propaganda petista afirma que durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) foram colocadas mais de 1 milhão de armas nas ruas e 1 bilhão de balas. “Grande parte foi parar nas mãos das facções”, prossegue o locutor. Há um corte com a abertura oficial do programa e em seguida é destacado que Lula enviou ao Congresso a PEC da segurança pública para nacionalizar o combate ao crime, já que com a área sob responsabilidade dos estados, como determina a Constituição, “não resolveu”.
Lula diz que “os adversários estão jogando contra”. O programa também afirma que há quatro tipos de inimigos a serem vencidos: os traficantes, os agressores de mulheres, os ladrões de celulares e os magnatas do crime. A propaganda adota uma estética policialesca, com imagens de agentes de segurança portando armas pesadas, viaturas, operações da Polícia Federal e criminosos atrás das grades.
Uma das mudanças definidas pela coordenação da campanha após as cobranças na reunião de quinta-feira prevê que as realizações do atual mandato tenham menos espaço e as propostas para um eventual novo governo ganhem mais destaque. Dentro dessa diretriz, a propaganda deste sábado diz que o programa celular seguro, que prevê bloqueios de aparelhos roubados, será ampliado. Também resgata o anúncio feito pelo Ministério da Justiça em junho de transformar 138 presídios estaduais em padrão de segurança máxima e anuncia um plano de retomar territórios ocupados por organizações criminosas, além do sufocamento financeiro das facções.
O programa também aborda lateralmente o tema da Educação, ao dizer que é preciso investir na área para que os jovens não caiam no crime no futuro. A citação é usada como gancho para que seja apresentada a promessa de ampliar o programa Pé-de-Meia, que prevê o pagamento de uma bolsa para que alunos não abandonem a escola, para todos os alunos do ensino médio da rede pública a partir do ano que vem.
No fim do programa, voltam os ataques à família Bolsonaro. A propaganda de Lula diz que o pré-candidato de Flávio Bolsonaro ao governo do Rio era o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio Rodrigo Bacellar, “deputado preso acusado de liderar o núcleo político do Comando Vermelho”. “Outro aliado de Flávio era TH Joias, deputado preso por tráfico e por lavar dinheiro para o Comando Vermelho”, afirma o locutor. É citado também o fato de o candidato do PL ter pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro.
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