Efeito Lula começa a mostrar sua força na reta final
Há um elemento que ganhou peso decisivo na reta final da eleição em Pernambuco: a força de Lula no Estado. E, mais do que uma demonstração de popularidade, os dados disponíveis mostram que o presidente tem capacidade concreta de transferir votos para uma candidatura ao Governo.
Em julho, o Datafolha registrou que 36% dos pernambucanos afirmavam que votariam com certeza em um candidato a governador apoiado por Lula, enquanto outros 20% diziam que talvez votassem. Entre os eleitores de Lula para presidente, esse percentual chegava a 57%.
Leia maisÉ justamente esse ativo que João Campos passou a mobilizar de maneira mais explícita na reta final. A visita de Lula ao Recife, no último dia 25, transformou o apoio que até então era principalmente político em uma imagem concreta de campanha: os dois juntos, percorrendo as ruas do Centro e encerrando a caminhada diante de uma multidão no Marco Zero.
O evento foi estimado em cerca de 80 mil pessoas pela organização da campanha, e Lula reafirmou publicamente seu apoio a João. O momento da entrada mais forte de Lula na disputa também é relevante porque coincide com uma mudança no comportamento das pesquisas. No Datafolha, João passou de 40% no fim de agosto para 44% agora, enquanto Raquel foi de 47% para 48%.
Na pesquisa espontânea, o movimento foi ainda mais expressivo: João saiu de 26% para 33% em cerca de um mês. O levantamento mais recente, realizado entre 22 e 24 de setembro, mostra os dois tecnicamente empatados no primeiro turno, considerando a margem de erro de três pontos.
Isso ajuda a explicar por que Lula pode ser um fator relevante na reta final. Não se trata apenas de acrescentar votos à candidatura de João, mas de reforçar uma associação política que já aparece nos próprios levantamentos: a pesquisa Datafolha de agosto mostrou João com desempenho de 59% entre os eleitores que pretendiam votar em Lula para presidente.
Há, portanto, uma equação eleitoral particularmente importante para João: crescimento próprio + associação com Lula + disputa mais apertada. O presidente possui uma base eleitoral muito significativa em Pernambuco e, ao entrar pessoalmente na campanha, pode ajudar a transformar a preferência presidencial em uma escolha estadual, sobretudo entre eleitores que ainda não consolidaram seu voto para governador.
O desafio, naturalmente, é que Lula não é um cabo eleitoral neutro para todos os segmentos. A mesma pesquisa mostra que 40% dos pernambucanos afirmavam que não votariam de jeito nenhum em um candidato apoiado pelo presidente. Por isso, o efeito de sua presença não deve ser tratado como automático.
Ele tende a ser mais relevante justamente onde existe afinidade entre o eleitorado presidencial e a candidatura estadual. A fotografia da eleição, neste momento, é de uma disputa aberta e muito mais competitiva do que aquela registrada no início do segundo semestre.
O Datafolha mostra João crescendo quatro pontos desde o final de agosto e sete pontos na intenção espontânea. Nesse cenário, a força eleitoral de Lula deixa de ser apenas um elemento de composição política e passa a ser uma das variáveis centrais da reta final da disputa pelo Governo de Pernambuco.
JOÃO NA FRENTE – Levantamento do instituto Paraná Pesquisa de ontem aponta João também na frente. No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores, a pesquisa, encomendada pelo Diario de Pernambuco, mostra o candidato do PSB com 45,3% das intenções de voto, e a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), com 44,8%. Considerando apenas os votos válidos, João Campos tem 49,1% e Raquel Lyra, 48,6%. Na pesquisa espontânea, quando o entrevistador não apresenta nomes de candidatos aos eleitores, João Campos tem 36,7% das intenções de voto e Raquel Lyra, 36,5%.

Mais uma derrota para Raquel – A Justiça Eleitoral determinou que a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), apague o vídeo em que acusa o candidato ao governo, João Campos (PSB), de proteger agressores de mulheres. A exclusão do conteúdo foi um dos pedidos feitos pela Coligação Frente Popular de Pernambuco, que representa a candidatura de João Campos. O desembargador Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, deferiu parcialmente os requerimentos da representação. A defesa da coligação argumentou que o material “extrapolou” os limites da crítica político-eleitoral ao atribuir pessoalmente ao candidato “omissão, tolerância e proteção” em relação a um candidato a deputado federal na Paraíba condenado por violência doméstica.
Dedetização impediu encontro – Roberto Campos Neto presidiu o Banco Central de 2019 até 1º de janeiro de 2025. No mês de outubro do primeiro ano de sua gestão, o BC autorizou Daniel Vorcaro a comprar o Banco Máxima, que seria rebatizado de Banco Master. A transação havia sido rejeitada pela autarquia em fevereiro de 2019, sob o comando de Ilan Goldfajn. O conteúdo do celular de Vorcaro, apreendido pela PF no momento de sua primeira prisão, em novembro do ano passado, revela as conversas que o ex-banqueiro manteve pelo WhatsApp com o então presidente do BC. Em uma delas, Campos Neto convidou Vorcaro para uma reunião na sua casa, no condomínio de luxo Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz (SP). Mas o encontro não ocorreu no local por conta de uma dedetização.
Debate na Globo sem Lula – A três dias do primeiro turno, os candidatos à Presidência da chamada terceira via, que tentam se apresentar como alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), dividiram o dia de ontem entre atividades de campanha e movimentações em torno do debate da TV Globo. O confronto, marcado para hoje, será o último antes da votação. Mas não terá a presença do presidente Lula, que polariza a disputa com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

Entrevista no lugar do debate – O presidente Lula (PT) confirmou à Globo que não irá ao debate presidencial marcado pela emissora para hoje. Em paralelo, o presidente concederá entrevista ao Flow Podcast às 20h45, conforme anunciado pelo programa, pouco antes do começo do debate na Globo. Com isso, Lula repete estratégia utilizada na data do debate da Band, quando se ausentou para dar entrevista exclusiva à Record.
CURTAS
ÚLTIMO DEBATE – João Campos (PSB), Raquel Lyra (PSD) e Ivan Moraes (PSOL) participam, amanhã, do último debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco antes do primeiro turno. Promovido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), o encontro começa às 10h45, no Estúdio 1 da TV Jornal, no Recife, e será transmitido pela emissora e pelas plataformas digitais do grupo. A votação ocorre três dias depois, no domingo (4).
RETALIAÇÃO – Eduardo Bolsonaro ameaçou retaliar diplomatas que, segundo ele, atuaram para “sabotar” o governo Jair Bolsonaro caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente. O ex-deputado afirmou ter “mapeado” embaixadores e servidores do Itamaraty e avisou: “Se você ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade, porque eu vou estar na sua cola”. Eduardo também disse que um dos primeiros a deixar o posto seria o embaixador do Brasil na Espanha, como forma de “dar o exemplo”.
DE OLHO NO ITAMARATY – Eduardo Bolsonaro tem dito a interlocutores que pretende comandar o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo do irmão, segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. A possibilidade gera preocupação entre aliados de Flávio, que temem que a atuação de Eduardo nos Estados Unidos e a defesa de novas sanções contra autoridades brasileiras voltem a associar a candidatura ao governo Donald Trump. Entre os planos discutidos para o Itamaraty está uma ampla reestruturação das carreiras diplomáticas, inspirada em mudanças feitas pelo secretário de Estado norte-americano Marco Rubio.
Perguntar não ofende: Lula dá um tiro no pé ao não ir ao debate da Globo?
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