Por Rinaldo Remígio*
Amigos, após acompanhar as publicações divulgadas por blogs, emissoras de rádio e outros veículos de comunicação sobre a visita da pré-candidata ao Senado Marília Arraes a Petrolina, no último final de semana, senti-me motivado a fazer uma breve reflexão. Não sobre pessoas, mas sobre a importância da linguagem e da postura de quem pretende representar Pernambuco no Senado da República.
Na democracia, o debate de ideias é indispensável. Divergências fazem parte da vida pública e enriquecem o processo democrático. Entretanto, quando o discurso político ultrapassa o campo das propostas e passa a desqualificar pessoas em razão de suas convicções, é natural que desperte reflexão.
Leia maisMarília Arraes, neta do ex-governador Miguel Arraes, conhece profundamente a história política de Pernambuco. Seu avô foi uma das personalidades mais importantes do Estado: admirado por muitos, criticado por outros, mas reconhecido por sua capacidade de diálogo e por compreender que a democracia se fortalece na convivência entre opiniões diferentes.
Os grandes líderes deixam legados porque entendem que nenhuma corrente política detém, sozinha, todas as boas ideias. O respeito ao contraditório, a capacidade de ouvir e o reconhecimento da legitimidade do pensamento divergente constituem pilares do Estado Democrático de Direito.
Segundo registros divulgados por veículos de comunicação, durante sua visita a Petrolina, Marília Arraes afirmou: “O Bolsonaro já está inelegível, agora vamos pegar os bolsonaristas e jogar na lata do lixo”.
Penso que essa declaração merece ser cuidadosamente analisada pelo povo pernambucano. Uma candidata ao Senado da República deve estar preparada para representar todos os cidadãos, inclusive aqueles que possuem posições políticas diferentes das suas.
Milhões de brasileiros votaram em Jair Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais. Independentemente da preferência política de cada eleitor, todos merecem respeito. A democracia não se fortalece quando brasileiros são divididos entre os que merecem consideração e os que podem ser tratados com desprezo. Ao contrário, ela cresce quando prevalecem o diálogo, a tolerância, o respeito às diferenças e a busca por pontos de convergência.
O povo pernambucano, como sempre fez ao longo de sua história, saberá formar seu próprio juízo. Cabe aos homens e mulheres públicos apresentar propostas, defender suas ideias e convencer pelo argumento, jamais pela desqualificação daqueles que pensam de forma diferente.
A política passa. Os mandatos terminam. As palavras, porém, permanecem e são naturalmente utilizadas pelos eleitores para formar sua percepção sobre o perfil, o equilíbrio e a capacidade de diálogo de cada líder político.
Vivemos um tempo em que o Brasil precisa reduzir as distâncias criadas pela polarização. Pernambuco, terra de homens públicos que marcaram a história nacional pelo diálogo e pela capacidade de construir pontes, merece representantes que compreendam essa responsabilidade.
Ao final, não cabe a mim julgar pessoas. Essa missão pertence à consciência de cada um e, nas urnas, ao eleitor. Como cidadão, apenas exerço o direito de refletir sobre uma declaração pública amplamente divulgada pelos meios de comunicação e de defender que o respeito, a civilidade e o diálogo continuem sendo valores indispensáveis para quem deseja representar Pernambuco no Senado Federal.
*Professor universitário aposentado e memorialista
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