O almoço oficial em homenagem a Nelson Mandela oferecido por Leonel Brizola (então governador do Rio de Janeiro) ocorreu no dia 1º de agosto de 1991, no Palácio Guanabara, logo após o líder sul-africano desembarcar no Brasil.
O convite de Brizola a Joaquim Francisco (na época, governador de Pernambuco pelo PFL) para integrar o evento carrega um forte significado político e de bastidores da época.
Foi uma quebra de barreiras no campo ideológico, porque Leonel Brizola (PDT) era um expoente da esquerda trabalhista tradicional, enquanto Joaquim Francisco integrava o PFL (partido de centro-direita/conservador). Ao convidá-lo para a mesa com Mandela, Brizola buscou dar um caráter institucional e suprapartidário à recepção do líder global contra o apartheid.
Joaquim Francisco representava a principal força política de Pernambuco no momento. Incluí-lo no almoço ajudava a projetar a agenda de Mandela — que buscava apoio financeiro e político para as futuras eleições sul-africanas de 1994 — para além do eixo Rio-São Paulo.
Apesar de estarem em espectros opostos na política nacional, os dois governadores mantinham canais de diálogo cordiais e republicanos na condução de suas agendas de Estado, em especial o economista Roberto Viana, que havia sido o coordenador-geral do plano de governo de Brizola em 1989 e participou do almoço como amigo de Brizola e secretário de Governo de Joaquim Francisco.

















