Por José Adalberto Ribeiro*
MONTANHAS DA JAQUEIRA — Senhores e senhoras, caldeirões e caçarolas — todos estão lembrados de quando, nas dobras de janeiro, ao receber convite para participar da posse de Donald Trump, Bolsonaro recebeu um não taxativo para viajar até Washington. Bolsonaro implorou, mas levou novo fora — a menos que quisesse viajar no lombo de burro ou de cavalo para economizar combustível. Desistiu. Preferiu economizar capim.
Também estão lembrados de quando Lady Janga, a finesse em pessoa, desafiou Elon Musk para uma briga de foice e mandou que ele roçasse as ostras. Mandou bloquear o perfil dele, que falava mal do chefão. Multas de $28,6 milhões para o X de Musk, mais multas de $8 milhões, mais multas diárias de $15 mil, mais $5 mil para fulano Beltran. Assim foi criado, alimentado e anabolizado o boi de fogo entre o governo do Brasil e o governo dos EUA.
Leia maisO secretário Marco Rubio cantou a pedra há mais ou menos dois meses. Trump não é um bananão esquerdejoso feito Biden. E mais: Eduardo Bolsonaro estava lá, botando lenha na fogueira. O cara sabe trabalhar.
A mídia nacional está enfocando, em primeiro plano, o conteúdo e a repercussão econômica das medidas de Trump contra o governo do Brasil. Este é o dado mais relevante, sem dúvida. Deve-se ressaltar que, no caso do Brasil, o fator gerador foi motivação ideológica e política.
Em primoroso artigo na sexta-feira passada (11/07) no blog de Magno Martins, o jornalista Tonico Magalhães relembra episódios mais ou menos recentes de supostas interferências dos ianques na política brasileira, vistas com bons olhos verdes pela caterva vermelha.
PLANO COHEN — Foi divulgado, no governo Vargas, em 1937, um suposto golpe de Estado chamado Plano Cohen, atribuído aos comunistas, com o objetivo de matar autoridades e implantar um regime ditatorial de esquerda. Na realidade, o plano nunca existiu; a divulgação serviu apenas para o governo prender e reprimir opositores.
*Jornalista, escritor e quase poeta
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