As convenções podem ser realizadas até 5 de agosto e marcam a etapa em que partidos e federações oficializam candidaturas, definem os candidatos a vice e aprovam alianças para a disputa de outubro.
Depois, os nomes devem ser enviados à Justiça Eleitoral para o registro das candidaturas. O prazo é 15 de agosto.
A indefinição da chapa de Flávio Bolsonaro está diretamente ligada às negociações para ampliar sua base de apoio. Na semana passada, o senador voltou a defender que a vaga de vice seja ocupada por uma mulher. A estratégia busca aumentar sua aceitação entre o eleitorado feminino, segmento em que registra menor apoio.
“Eu já falei várias vezes: a minha preferência é que seja uma mulher. Estão falando muito o nome da Dani [Daniella Marques, que estava ao lado]. Então, é importante vocês conhecerem, olhando para a frente. Tem uma outra que está atrás da câmera, que vocês não estão vendo, que é Simone Marchetto, que ajudou a gente também a construir esse programa Brasil por Elas”, afirmou o senador durante em live nas redes sociais.
Na última sexta-feira (17), Flávio Bolsonaro conversou com a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) e sinalizou que gostaria de tê-la como candidata a vice.
Segundo apurou o g1, o senador afirmou, porém, que a composição só será possível caso o presidente nacional do Progressistas, o senador Ciro Nogueira (PI), decida apoiar sua candidatura ao Planalto.
O apoio do PP a Flávio encontra resistência. Integrantes da cúpula da federação União Progressista — formada por União Brasil e Progressistas — afirmam que o caminho mais provável neste ano é a neutralidade na corrida presidencial.
Sem uma aliança nacional, a tendência é que os diretórios estaduais de PP e União Brasil, que formam a federação, tenham liberdade para apoiar o candidato que considerarem mais conveniente.
Em uma tentativa de reverter esse cenário, Flávio participa nesta segunda-feira (20) da convenção estadual da federação em São Paulo. Interlocutores do senador avaliam que a presença funciona como um aceno e uma tentativa de convencer dirigentes do grupo a embarcar na candidatura. Flávio também deve discursar durante o evento.
Paralelamente, outra frente de negociação continua aberta com o Republicanos. Apesar de dirigentes da legenda insistirem que a tendência é adotar uma posição de neutralidade na disputa presidencial, as conversas com a campanha de Flávio não foram interrompidas.
Segundo apuração da coluna de Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, o partido condiciona um eventual apoio a um compromisso do senador de disputar apenas um mandato na Presidência, abrindo caminho para uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao Palácio do Planalto em 2030.
De acordo com a coluna, caso o acordo seja fechado, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos, é o nome mais cotado para ocupar a vaga de vice na chapa. O apoio também estaria sujeito a indicação de Marcos Pereira, presidente da legenda , ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja eleito.
A sigla nega que haja qualquer negociação. Na semana passada, o partido publicou uma nota nas redes sociais em que afirmou: “O Republicanos nega que tenha fechado apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. Nega também que tenha negociado a indicação do presidente Marcos Pereira ao STF como condição para o apoio”.
A indefinição ocorre em meio aos desgastes enfrentados pela pré-campanha nas últimas semanas, após a crise envolvendo o caso Dark Horse e o rompimento com Michelle Bolsonaro.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que as conversas para definir o nome do vice estão em andamento e que os únicos critérios para ocupar a vaga na chapa são “ter carisma, prestígio e votos”.
Zema faz aceno a Michelle Bolsonaro, que rebate
Romeu Zema também chega ao início das convenções sem definir quem ocupará a vice em sua chapa.
No sábado (18), o ex-governador de Minas Gerais declarou publicamente que gostaria de ter Michelle Bolsonaro (PL) como opção para compor a chapa.
A ex-primeira-dama, entretanto, descartou a hipótese em um post nas redes sociais: “Essa proposta não pode [nem] sequer ser cogitada”, disse.
A escolha do vice é considerada estratégica para ampliar o alcance da candidatura de Zema e atrair apoios de outras legendas durante o período das convenções.
Até a semana passada, o empresário Geraldo Rufino (Podemos) era o principal cotado. A possibilidade, porém, perdeu força após integrantes do partido sinalizarem que Rufino deve disputar uma vaga no Senado por São Paulo.
Com isso, a vice de Zema segue indefinida. Durante agenda de pré-campanha em Guarulhos, na semana passada, o ex-governador afirmou ao g1 que a definição passa pela direção nacional do Novo e depende das alianças partidárias que ainda estão sendo negociadas.
Lula, Caiado e Renan Santos já anunciaram vices
O presidente Lula vai reperir a dobradinha com Geraldo Alckmin, do PSB. Caiado terá uma chapa “puro-sangue” do PSD com Gilberto Kassab na vice. Já Renan Santos anunciou o militar da reserva Aroldo Medina como parceiro.
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