Numa conversa, o banqueiro orienta um auxiliar a alugar a “melhor casa do Rio” para o “ministro KN”, que se hospedaria com o desembargador Newton Ramos e outros convidados.
A boca-livre coincidiu com o carnaval de 2025. Segundo o diálogo, custou a bagatela de R$ 1,45 milhão. O pacote contou com chef de cozinha, garçons, motoristas, passeio de helicóptero e camarote na Sapucaí.
Em outro lote de mensagens, a estrela é Kevin Marques, filho do ministro. O então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, enviou o contato do rapaz a Vorcaro com uma pergunta: “Esse aqui — 500 mil mês — mantém?”.
Batizado com a mesma inicial do pai, Kevin é um garoto prodígio da advocacia. Com apenas 26 anos, já ostenta clientes envolvidos em rolos bilionários na Justiça Federal, como Grupo Petrópolis e Refit.
A investigação sugere que o Master recorreu a uma consultoria registrada no Piauí, terra natal de Kassio, para remunerar o jovem jurisconsulto. De acordo com relatório do Coaf, a empresa recebeu R$ 6,6 milhões do banco entre 2024 e 2025.
A JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, despejou outros R$ 11,3 milhões. A maior produtora de proteína animal do mundo diz ter pago a firma piauiense por “serviços de consultoria e auditoria fiscal”. Quem haveria de duvidar?
Num terceiro diálogo, uma senhora identificada como Rayanna diz que sua amiga “ficou com o Kassio” e aguarda pagamento de R$ 10 mil. Sempre solícito, Vorcaro pede os dados da moça para providenciar o Pix.
Ao escolher o pai de Kevin para uma vaga no Supremo, o então presidente Jair Bolsonaro deixou claro que não se guiou pelos critérios de reputação ilibada e notável saber jurídico. “Ele já tomou muita tubaína comigo, tá certo?”, justificou.
As mensagens de Vorcaro sugerem que o ministro passou a apreciar bebidas mais sofisticadas. O open bar carnavalesco oferecia uísque Macallan e champanhe Dom Pérignon.
Antes da sessão que definiria o futuro de Alexandre de Moraes, o ministro Gilmar Mendes pressionou Kassio. Disse que ele estava “ferrado” e deveria “sair do processo”. “Eu entendo de malandro”, avisou.
O pai de Kevin negou irregularidades, mas se declarou impedido e pediu para sair do julgamento. Não abriu mão da presidência do TSE, que lhe confere poderes de árbitro da eleição.
As informações sobre o ministro ficaram em sigilo enquanto o celular de Vorcaro permaneceu sob a guarda de André Mendonça, seu aliado no Supremo.
Na sexta, com os diálogos na boca do povo, o presidente Lula arriscou uma piada sobre o assunto. Mencionou “um cidadão que esteve com uma mulher que custou R$ 10 mil reais e mandou o banco pagar”. “Só faltou tentar entrar no Desenrola”, ironizou.
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