O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi usada por parlamentares para atingir politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que sua relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ficou “muito estremecida” após a votação da última quarta-feira.
Em entrevista ao jornal Bahia Notícias, concedida durante viagem à China, Wagner afirmou que a sabatina de Messias deixou de ser uma análise sobre os requisitos para ocupar uma cadeira no Supremo e se transformou em uma disputa política contra o governo. As informações são do jornal O GLOBO.
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— Infelizmente as pessoas não estavam a fim de saber se ele estava preparado ou não, estavam a fim de dar uma cassetada no presidente e usaram o Jorge Messias — afirmou.
Messias, advogado-geral da União e um dos auxiliares mais próximos de Lula, teve seu nome rejeitado pelo Senado após meses de desgaste político e articulações silenciosas nos bastidores da Casa. A derrota foi interpretada no Planalto como uma demonstração de força de Alcolumbre e abriu uma crise na relação entre o governo e o comando do Senado.
Na entrevista, Wagner afirmou que trabalhava com expectativa de aprovação da indicação e acusou parlamentares de atuarem contra Messias sem assumir publicamente posição contrária.
— Eu nunca tinha feito uma conta com os nossos assessores de menos de 41 votos. Infelizmente muita gente sorrateiramente trabalhou debaixo do pano, a gente não se deu conta, não percebeu. E, debaixo dos panos, fizeram, na minha opinião, uma triste tarde daquela quarta-feira — disse.
O senador também saiu em defesa de Messias e afirmou que o chefe da AGU foi alvo de “ódio” político durante o processo. Ele chamou Messias de um “ser humano maravilhoso”.
As declarações ocorrem em meio às tentativas do governo de reconstruir pontes com Alcolumbre após a derrota no Senado. Nesta terça-feira, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se reuniu com o presidente da Casa em uma tentativa de distensão. Ao GLOBO, Múcio afirmou que “não é hora de apresentar nova indicação” ao STF e defendeu que o governo deixe a crise “decantar”.
Na entrevista, Wagner também confirmou o desgaste direto com Alcolumbre e associou a crise à preferência do senador pelo nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no Supremo.
— Minha relação ficou muito estremecida com o presidente do Senado porque ele queria o Pacheco e, como sou líder do governo, ele acha que eu tinha que arrancar isso do presidente. E, repito, eu não mando na cabeça do presidente — afirmou.
Segundo Wagner, havia uma “torcida” pela indicação de Pacheco e parte dos senadores responsabilizou o líder do governo pela decisão de Lula de manter Messias como candidato à vaga.
— As pessoas acham que eu mando na cabeça dele. Ele escolheu o Jorge Messias e eu fui trabalhar pela sua aprovação — disse.
O senador também criticou o que chamou de uso político da sabatina e afirmou que o episódio ainda poderá gerar arrependimento entre parlamentares.
Nos bastidores, aliados de Lula atribuem a Alcolumbre papel decisivo na articulação que levou à rejeição do chefe da AGU. Senadores próximos ao governo afirmam que o presidente do Senado não apenas deixou de atuar pela aprovação do nome, mas pediu votos contrários entre parlamentares de MDB, PSD, União Brasil e PP.
Publicamente, porém, Alcolumbre nega protagonismo no episódio. Ainda assim, no Planalto, a avaliação predominante é de que dificilmente a derrota de Messias teria ocorrido sem a anuência — ou o estímulo — do presidente do Senado.
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