A presença da governadora Raquel Lyra (PSDB) no interior pernambucano será reforçada a partir da próxima semana. Quarta, quinta e sexta-feiras estarão reservadas a entregas, reuniões e também encontro com o ministro dos Transportes, Renan Filho.
As primeiras visitas do ano fora da Região Metropolitana do Recife começam pelo Agreste. Em Águas Belas, terra do deputado e presidente estadual do PT, Doriel Barros, a gestora entrega a PE-300 recuperada. Um investimento de R$ 95 milhões.
Ainda na quarta, ela estará em Petrolina. A partir das 16h, visita a travessia urbana, obra estruturante para facilitar a mobilidade entre o município pernambucano e Juazeiro, na Bahia. O investimento é do Governo Federal e é esperada a presença do ministro Renan Filho, que responde pela Transnordestina e pelo metrô, pautas caras à governadora. Raquel Lyra segue em Petrolina na quinta-feira.
A cidade é comandada pelo adversário político Simão Durando (União Brasil), prefeito ligado ao grupo Coelho. Pela manhã, dá entrevistas, tem reunião fechada e visita uma subestação da Neoenergia.
À tarde, a partir das 16h, reúne professores da rede estadual e entrega notebooks. Do Sertão do São Francisco, Raquel parte para o Sertão Central. Em Salgueiro, do prefeito aliado Fabinho Lisandro, anuncia a retomada e ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Leite.
No município também entrega a PE-483 recuperada, um trecho de 13 quilômetros e que custou R$ 21 milhões. A programação termina em Sertânia, no Sertão do Moxotó. Lá será entregue a PE-265, chamada Estrada Pernambuquinho, porque liga o município ao distrito de Pernambuquinho, na divisa com o Estado da Paraíba.
O Palácio do Campo das Princesas virou um cabide de empregos. O Diário Oficial desta quarta-feira traz a nomeação, de uma só vez, de 15 aliados de Anderson Ferreira e do deputado federal André Ferreira para cargos no Governo de Pernambuco. São os mesmos que haviam sido exonerados da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes após o rompimento entre o prefeito Mano Medeiros, hoje aliado da governadora, e atualmente adversário do grupo dos Ferreira.
Mais uma vez, fica evidente a manobra política da governadora Raquel Lyra, que não poupa esforços, cargos e benesses da máquina pública para atender qualquer aliado que demonstre interesse em caminhar ao seu lado. Segundo fontes do blog, a articulação foi conduzida pelo deputado federal e neodireitista Túlio Gadelha, que mantém excelente trânsito entre lideranças da direita e trabalha para consolidar sua pré-candidatura ao Senado com o apoio desse campo político.
A realidade é que a governadora parece ter deixado de lado o discurso de gestão técnica, seriedade e retidão com a coisa pública para adotar o velho vale-tudo da política. No início do governo, contemplou os irmãos Ferreira com o comando da Secretaria de Educação e do Detran. Depois, deu uma verdadeira vassourada no grupo, repetindo o mesmo tratamento dispensado a aliados como Miguel Coelho e Dudu da Fonte. Agora, recompõe os espaços e distribui cargos novamente, numa tentativa de manter todos orbitando em torno do Palácio.
A aposta é clara: transformar a estrutura do Estado em instrumento de acomodação política, na expectativa de que toda essa movimentação se converta em apoio eleitoral na disputa pela reeleição.
O gesto ocorre justamente uma semana antes da visita anunciada do senador Flávio Bolsonaro a Pernambuco, prevista para o próximo dia 9. Nos bastidores da direita, cresce a expectativa de que a aproximação com os Ferreira e os sinais emitidos pelo governo sirvam de ambiente para um eventual anúncio de apoio de Flávio Bolsonaro à reeleição da governadora e à pré-candidatura de Túlio Gadelha ao Senado.
A Polícia Civil do Distrito Federal indiciou Estácio Leite da Silva Filho, segurança do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi flagrado em uma blitz de trânsito com a arma do ex-presidente da República. As informações são do portal Estadão.
O episódio fez com que o ministro Alexandre de Moraes questionasse a existência de uma falta grave por parte de Bolsonaro, o que poderia culminar com a revogação de sua prisão domiciliar e a volta a um estabelecimento prisional. Tanto o segurança quanto Bolsonaro disseram que o transporte da arma se deu para que ela fosse levada ao conserto.
A defesa de Bolsonaro afirmou na ocasião que havia retirado uma peça da arma para inutilizá-la, em razão do estado mental do ex-presidente. Contudo, Bolsonaro teria percebido ao manusear a arma e pedido que o segurança a levasse para o conserto.
Questionada por Moraes sobre uma possível falta grave do ex-presidente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou na semana passada não haver ainda elementos para concluir nesse sentido e pediu que fosse aguardada a conclusão do inquérito policial, o que aconteceu agora. Moraes deve decidir nos próximos dias se mantém Bolsonaro em prisão domiciliar humanitária ou se o devolve à Papudinha. Procurado, Estácio Leite da Silva Filho não se manifestou.
O relatório final com o indiciamento de Estácio Leite da Silva Filho foi concluído no dia 26 e juntado ao processo do ex-presidente na manhã de hoje. Ele foi incurso no artigo 16 da Lei 10.826, por posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. O artigo diz que é proibido “possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar” e prevê pena de 3 a 6 anos e multa.
No caso do segurança, a pena pode ser aumentada da metade por ter sido praticado por integrante de órgão e empresa referida nos artigos 6º, 7º e 8º da mesma lei. No caso de Bolsonaro, a Polícia Civil concluiu que não vislumbrou materialidade ou qualquer conduta dolosa de eventual crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. A arma, uma pistola Glock, calibre 9mm, foi apreendida e encaminhada para perícia, que concluiu que ela estava apta a efetuar disparos em série.
Ontem, equipes da Defesa Civil de Goiana e da Defesa Civil de Pernambuco realizaram uma vistoria nas áreas rurais atingidas pelas fortes chuvas e pela cheia registrada no último fim de semana. A visita contou também com a presença de lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que acompanharam o levantamento dos danos nas comunidades afetadas.
Durante a inspeção, as equipes percorreram os engenhos da zona rural para avaliar os prejuízos provocados pela enchente. De acordo com o levantamento preliminar, a região do Engenho Folguedo está entre as mais atingidas. As estradas da localidade já haviam passado por serviços de recuperação após a cheia anterior, em uma ação conjunta entre o Governo de Pernambuco e a Prefeitura de Goiana. No entanto, o novo episódio de chuvas voltou a causar danos à infraestrutura.
A Defesa Civil segue realizando o levantamento técnico das ocorrências para dimensionar os prejuízos e encaminhar as providências necessárias, em parceria com os órgãos competentes, visando restabelecer o acesso às comunidades e garantir a segurança da população.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, hoje, a terceira fase da Operação Rent a Car – chamada de Galho Fraco II –, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos vindos de cotas parlamentares.
A operação mira pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, segundo informações obtidas pelo blog da Camila Bomfim. O parlamentar não está entre os alvos desta quarta, mas já foi em uma etapa anterior da investigação.
De acordo com investigadores, esta fase da operação tem como objetivo apurar a versão do deputado sobre dinheiro achado pela PF em endereço ligado a ele durante a segunda fase da operação, em dezembro do ano passado.
Na época, R$ 47 mil em dinheiro vivo foram encontrados durante busca e apreensão. Ele justificou que os recursos seriam originados da venda de um imóvel, mas a PF suspeita desta versão. Por isso, cumpre diligências para aprofundar as investigações.
Nesta fase, entre os alvos não há assessores do deputado federal na Câmara dos Deputados. São três pessoas físicas (empresários) e duas pessoas jurídicas relacionadas, alvos de mandados de busca e apreensão. Eles teriam apresentado até um contrato falso para justificar a transação financeira, segundo investigadores.
A família de Pedro Henrique de Sá, conhecido como Peu, de 38 anos, de Afogados da Ingazeira, confirmou a morte dele após a identificação do corpo encontrado em um veículo incendiado em Gravatá, a 82 km do Recife. Ele é filho do blogueiro Júnior Finfa e estava desaparecido desde a manhã de ontem. Segundo familiares, não há dúvidas quanto à identidade da vítima, reconhecida a partir do veículo e de documentos encontrados no local.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do caso, mas tudo leva a uma execução. Em respeito ao momento de luto, a família optou por aguardar a confirmação antes de se pronunciar publicamente sobre as reais causas do crime.
Investigação sobre morte de Jango segue aberta, afirma neto do ex-presidente
A investigação sobre a morte do ex-presidente João Goulart, falecido em 1976, continua aberta no Ministério Público Federal e a família pretende seguir acompanhando o caso de perto. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ontem, o advogado e escritor Christopher Goulart, neto de Jango, afirmou que, embora a exumação realizada em 2014 não tenha produzido uma conclusão definitiva sobre a tese de envenenamento, a hipótese permanece plausível diante do contexto da Operação Condor.
Ele também defendeu a abertura de documentos ainda mantidos sob sigilo no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países. “Nós vamos continuar trabalhando no inquérito civil público”, ressaltou.
Ao longo da entrevista, Christopher explicou que a principal motivação da família é preservar a memória do ex-presidente e buscar o esclarecimento histórico sobre as circunstâncias de sua morte. “Mais importante do que a morte de Jango é a vida dele”, pontuou, acrescentando que o interesse pelo caso ajuda a manter vivo o legado político do ex-presidente. “Jango é imortal”, completou.
Lançando o livro Manchado de Sangue, Terás que Crescer, Christopher também procurou mostrar um lado menos conhecido da própria trajetória. Nascido em Londres durante o exílio da família e criado no Uruguai, definiu a obra como uma história de superação. “Eu não visto a roupa da vitimização”, observou. Segundo ele, o livro nasceu da necessidade de mostrar “quem é o Christopher”, para além da condição de neto de João Goulart.
Ao abordar o golpe militar de 1964, Christopher sustentou que o exílio foi uma das formas mais cruéis de perseguição política. “O golpe destruiu a minha família”, lamentou. Para ele, João Goulart permaneceu sob perseguição até a morte e foi impedido de retornar ao Brasil justamente quando começavam as discussões sobre a abertura política. “Ele queria voltar para o país”, recordou.
A entrevista também percorreu temas ligados à democracia e às reformas de base defendidas por João Goulart. Christopher avaliou que o avô “estava muito à frente do seu tempo” e destacou sua capacidade de diálogo. “A participação popular é o exercício da democracia”, defendeu, ao argumentar em favor de decisões mais representativas e maior envolvimento da sociedade nas políticas públicas.
Michelle deixa PL Mulher – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou que deixará a presidência do PL Mulher para se dedicar aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, e da filha Laura. A decisão foi comunicada ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e ocorre em meio à crise aberta com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Michelle afirmou estar cansada da política e fez um agradecimento especial à vereadora Priscila Costa (PL-CE), cuja candidatura ao Senado no Ceará esteve no centro do conflito com o enteado. Segundo a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, em reportagem publicada ontem, Michelle também decidiu que não participará da campanha presidencial de Flávio e não pretende subir em seu palanque, aprofundando o racha no núcleo político da família Bolsonaro.
PSD confirma chapa puro-sangue – O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, será anunciado como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O anúncio oficial está previsto para hoje, em Brasília, consolidando uma chapa formada exclusivamente por integrantes do partido. Kassab é considerado um bom articulador político e fez parte do secretariado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para integrantes do PSD, o fato de Kassab ser vice também deve atrair apoio explícito de outros quadros do partido à pré-candidatura de Caiado, como parlamentares e governadores.
PT aciona Justiça contra Flávio – O PT protocolou ações na Justiça Eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro e o Partido Liberal após a divulgação da carta enviada ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Na carta, Rubio agradece a Flávio por colocar uma “equipe de transição” de governo à disposição dos EUA, caso seja eleito. A legenda sustenta que houve irregularidades relacionadas ao conteúdo e à utilização política do episódio durante o período eleitoral. O caso deverá ser analisado pela Justiça Eleitoral nas próximas semanas. Um dos documentos foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e solicita a instauração de um inquérito criminal contra Flávio.
Fim da aposentadoria compulsória para condenados – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, ontem, manter a decisão que acabou com a aposentadoria compulsória como pena máxima aos magistrados condenados por faltas disciplinares graves, como venda de sentenças, assédio sexual e moral, entre outras. Pelo entendimento, após condenação à pena máxima pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Advocacia-Geral da União (AGU) deverá entrar com uma ação no Supremo para que o magistrado tenha a perda do cargo analisada pela Corte. Antes da decisão do Supremo, magistrados mantinham o recebimento mensal dos vencimentos após a condenação pelo órgão.
Alcolumbre dá fôlego a Lula – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), decidiu não acelerar a tramitação de propostas com potencial de elevar despesas públicas, entre elas a PEC dos agentes comunitários de saúde. A decisão foi interpretada como um gesto que reduz a pressão sobre a equipe econômica e oferece mais tempo para negociação entre o Congresso e o Palácio do Planalto. Apesar de Alcolumbre não ter se comprometido com o governo, a sinalização de que não vai atropelar os prazos garante certa tranquilidade em relação às pautas-bomba. Mesmo assim, a pressão de parlamentares para votações urgentes deve ser grande.
CURTAS
SECA – O Governo de Pernambuco decretou, ontem, situação de emergência em 75 municípios afetados pela estiagem e pela seca hidrológica. O decreto tem validade de 180 dias e busca agilizar ações de assistência às cidades atingidas. Com o decreto, fica sob responsabilidade das secretarias e órgãos de Pernambuco a adoção de “ações de resposta necessárias ao enfrentamento dos efeitos da estiagem”.
RECIFE APROVA LDO DE 2027 – A Câmara Municipal do Recife aprovou, ontem, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027 antes do calendário tradicional. O texto estabelece as metas fiscais e orienta a elaboração do orçamento da capital para o próximo exercício. O resultado da votação foi de 28 votos favoráveis e cinco contrários.
QUEDA DE MAIS UM TETO – Um novo desabamento foi registrado nos hospitais de Pernambuco, desta vez, no Hospital Agamenon Magalhães. O episódio reacendeu as críticas às condições estruturais das unidades de saúde em todo o Estado e reforçou as cobranças por resultados efetivos na gestão Raquel Lyra (PSD).
Perguntar não ofende: Após a definição da chapa puro-sangue do PSD, Raquel continuará sem declarar apoio explícito a Caiado?
A pré-candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) cumpriu, nesta terça-feira (30), agenda política no Sertão do Pajeú ao lado do pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), e do pré-candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos). O roteiro incluiu entrevistas em emissoras de rádio, encontros com lideranças e atividades nos municípios de Afogados da Ingazeira, Solidão, São José do Egito e Itapetim. Em entrevista à Rádio Pajeú, Marília defendeu a eleição de uma bancada no Senado alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que “Pernambuco precisa eleger representantes comprometidos com o povo e com um projeto de desenvolvimento para o Brasil”.
Durante a agenda, Marília também apresentou propostas voltadas aos trabalhadores de baixa renda, como a criação de uma política nacional de isenção tributária para instrumentos de trabalho, entre eles motocicletas, equipamentos da pesca artesanal e máquinas agrícolas de pequenos produtores. A pré-candidata ainda defendeu uma legislação que impeça a apreensão desses equipamentos por dívidas. À tarde, participou de entregas de equipamentos públicos em Solidão e, à noite, esteve em um encontro com lideranças em São José do Egito para discutir temas como agricultura familiar, abastecimento de água, infraestrutura e geração de emprego.
Nas conversas que teve nos últimos dias, Michelle Bolsonaro deixou claro: não existe possibilidade de entrar na campanha de Flávio à Presidência da República. A ex-primeira-dama não escondeu de aliados a mágoa que tem do enteado por ele não tê-la procurado antes para conversar.
No vídeo que publicou em suas redes, explicitando a briga com o senador, Michelle detalhou o telefonema que a magoou. Disse que o presidenciável a “maltratou” e determinou que ela se afastasse das decisões políticas. Depois disso, Michelle confidenciou a aliados que esperou um gesto do filho de Jair Bolsonaro que nunca veio.
Em momento algum, a ex-primeira-dama mostrou arrependimento pelos vídeos que publicou expondo Flávio. Ao contrário, Michelle diz que tem certeza de que as publicações foram positivas para ela.
Na reunião que teve com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, nesta terça-feira (29), Michelle chegou decidida a sair da legenda. Não via mais clima para permanecer no partido de Flávio depois que o caldo entornou de vez. Após uma longa conversa, foi convencida a deixar o comando do PL Mulher.
A decisão de concorrer ou não ao Senado pelo PL ficou para um futuro próximo. Michelle foi enfática ao dizer que não pisará no palco de Flávio na campanha, caso permaneça na legenda.
Quem esteve com a ex-primeira-dama saiu com uma certeza: esse é só o começo de mais uma confusão no clã Bolsonaro.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou nesta terça-feira sua saída da presidência do PL Mulher. Em nota divulgada após reunião com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, Michelle afirmou que deixará o comando do segmento feminino para se dedicar “integralmente” aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e da filha do casal, Laura, de 15 anos.
“Venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar — integralmente — aos cuidados para com o meu marido e minha filha”, escreveu. As informações são do g1.
Na nota, Michelle agradeceu a Valdemar pela “autonomia” concedida durante sua gestão à frente do PL Mulher e fez um balanço de sua passagem pelo comando do segmento. Ela afirmou que, ao lado das dirigentes estaduais e municipais, ajudou a construir “um grande exército de mulheres de bem” e disse estar convencida de que o movimento continuará crescendo.
A ex-primeira-dama também fez um agradecimento nominal à vice-presidente do PL Mulher, a vereadora Priscila Costa (PL-CE), que ela defendia como candidata do partido ao Senado no Ceará. A disputa em torno da indicação de Priscila foi o estopim da crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro. O enteado defende o nome do deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE).
“Quero agradecer, na pessoa da minha vice-presidente, Priscila Costa, a todas as minhas presidentes estaduais e municipais”, escreveu. “As sementes foram lançadas e, em breve, vocês colherão os frutos desse trabalho”, concluiu.
A decisão representa mais um capítulo da crise aberta entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo relatos de aliados ouvidos pelo GLOBO, o encontro com Valdemar foi convocado na tentativa de conter o desgaste provocado pelo embate público entre os dois. Durante a conversa, Michelle afirmou estar “cansada” da política, reclamou de não estar sendo ouvida nas decisões internas do partido e disse que chegou a cogitar colocar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal à disposição.
De acordo com interlocutores, Michelle afirmou que boa parte de sua rotina hoje é dedicada aos cuidados com Jair Bolsonaro e que os conflitos internos da legenda a fizeram repensar sua permanência na vida política.
Valdemar tentou convencê-la a adiar qualquer decisão definitiva e pediu que evitasse novos pronunciamentos públicos, depois do vídeo divulgado na semana passada, em que Michelle acusou Flávio de tê-la tratado com desrespeito e afirmou que Eduardo e Carlos Bolsonaro promoveram ataques coordenados contra ela nas redes sociais.
A conversa também teve outro objetivo: convencer a ex-primeira-dama a participar da reunião organizada por Flávio nesta quarta-feira com parlamentares e lideranças femininas conservadoras. O encontro marcará o início da elaboração de um programa de governo voltado ao eleitorado feminino, uma das prioridades da pré-campanha do senador.
Michelle, porém, manteve a decisão de não comparecer. Segundo aliados, ela voltou a afirmar que nunca recebeu um convite diretamente de Flávio. “Ele não me ligou para me chamar”, teria dito durante a reunião.
Um interlocutor que acompanhou as negociações resumiu que a conversa “não foi muito boa”, porque Valdemar esperava sair do encontro com a confirmação de que Michelle participaria do evento ao lado do enteado. A ausência da ex-primeira-dama tende a esvaziar o principal gesto de reaproximação planejado pela campanha desde o início da crise.
O senador Fernando Dueire (PSD) avalia como naturais as tensões envolvendo a escolha do pré-candidato ao Senado na União Progressista. O congressista, que esteve na reabertura da Igreja de São Pedro, em Olinda, na manhã desta terça-feira (30) ao lado da governadora Raquel Lyra (PSD), ressaltou que, apesar dessa impressão dele, trata-se de um assunto interno da federação.
“É legítimo que os partidos que fazem parte dessa federação queiram apresentar candidato para que seja protagonista no próximo processo eleitoral. (…) Acredito que a governadora, com serenidade, aguarda essa definição para poder, a partir da definição adotada, tomar a decisão que fizer melhor juízo para ela”, declarou.
Dueire avaliou, ainda, que a chefe do Executivo estadual não irá se antecipar em relação à escolha, dado que “isso ainda está restrito ao território da Federação”.
Na manhã de ontem, a executiva estadual da União Progressista reuniu-se na sede da federação, no bairro do Pina, para definir o pré-candidato ao Senado. No encontro, foi escolhido o deputado federal e presidente estadual da federação, Eduardo da Fonte (PP).
Essa decisão, contudo, parece estar longe de ser definitiva, já que, no âmbito estadual, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil), ainda se coloca como pré-candidato ao Senado.
Soma-se a isso o fato de o presidente nacional da União Progressista, Antonio Rueda (presidente também do União Brasil), ter desautorizado, em nota, a decisão de ontem, enquanto Ciro Nogueira (senador e presidente do PP) vê os efeitos como válidos.
Prioridade O senador sustenta que, no momento, a prioridade deve ser oferecer à governadora tranquilidade e calma para montar uma chapa competitiva para a reeleição dela.
Ele, ao ser questionado se as tensões envolvendo a federação o colocariam mais próximo de ser o nome escolhido por Raquel para disputar uma das vagas do Senado, Dueire enfatizou que, na verdade, o fato de ser candidato natural à reeleição é que o colocaria bem posiocionado.
“Sou incumbente, estou no cargo de senador da República. (…) Sou um dos postulantes. Ela (Raquel) vai definir isso com serenidade quando todas as informações estiverem na mesa dela. Hoje ainda não estão”, apontou.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse a parlamentares aliados que desistiu de concorrer ao Senado. A ameaça de abadono da corrida eleitoral, segundo relatos de quem esteve com Michelle nos últimos dias, foi feita porque ela se sente “esgotada” e está preocupada com a repercussão que a briga pública entre ela e o pré-candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro.
O entorno de Michelle diz que vai tentar articular para que ela reveja a intenção. As informações são do jornal O GLOBO.
Na quarta-feira da semana passada, Michelle publicou dois vídeos nas redes sociais em que fez uma série de críticas a Flávio. Ela disse que foi “maltratada e desrespeitada” pelo senador do PL e que ele foi ríspido com ela.
A desavença foi motivada por uma queda de braço sobre a posição do PL no Ceará. Flávio e a maior parte da cúpula do partido desejam apoiar Ciro Gomes (PSDB) para governador, enquanto Michelle é contra.
De acordo com aliados de Michelle, a briga pública entre ela e Flávio e a repercussão nas redes sociais, fizeram ela tomar a decisão de não concorrer ao Senado.
Aliados de Flávio têm criticado a ex-primeira-dama pelos vídeos, como o ex-deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o influenciador Paulo Figueiredo.
A aliados, a ex-primeira dama tem relatado preocupação sobre como as filhas dela vão receber toda a repercussão da briga nas redes sociais. Michelle também disse que está desmotivada a participar do pleito e que focaria em cuidar do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar após ser condenado pelo caso da trama golpista.
Apesar das críticas de aliados, Flávio Bolsonaro tenta fazer com que Michelle participe de um evento de sua pré-campanha voltado para mulheres, marcado para esta quarta-feira, mas ela ainda não sinalizou se vai estar presente.
Da mesma forma, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tem uma reunião com a ex-primeira-dama nesta terça e tenta aparar as arestas entre ela e Flávio.
O PL havia decidido que Michelle seria candidata ao Senado pelo Distrito Federal, em uma chapa que também contaria com a participação da deputada Bia Kicis (PL-DF) na outra vaga do Senado e de Celina Leão (PP) na disputa pelo governo do DF.
A governadora Raquel Lyra, apesar de ter tirado Magno da solidão ao levar para o Palácio do Campo das Princesas uma nova moradora, uma cadelinha pela qual demonstrou muito carinho e afeto, também revelou um lado humano e cuidadoso. Ao mesmo tempo, porém, tomou uma decisão que pode render boas brincadeiras nos bastidores: mandou castrar Magno. Mas a vida é assim mesmo. Não se pode ter tudo.