A crise no Hospital da Restauração ganhou mais um capítulo de desgaste para a governadora Raquel Lyra (PSD) após a divulgação de um vídeo gravado por um paciente internado na unidade. Nas imagens, Daniel Guedes, que afirma estar há 55 dias aguardando cirurgia, acusa a governadora de se preocupar mais com “mídia estrutural” e vídeos para redes sociais do que com a situação dos pacientes do hospital.
O vídeo foi gravado na noite de ontem, após a passagem de Raquel pelo HR, em meio à repercussão das imagens que mostraram infiltrações, teto cedendo e problemas estruturais na enfermaria masculina do 7º andar da unidade durante as chuvas no Recife.
Leia maisNa gravação, Daniel afirma que tentou chamar a governadora para entrar no quarto onde estavam os pacientes e gravar uma conversa mostrando a realidade enfrentada por quem está internado no hospital. Segundo ele, Raquel recusou e seguiu pelo corredor acompanhada de assessores.
“Fica aí registrado de certa forma um desprezo e um descaso conosco paciente, onde ela tá mais preocupada em mídia do que com o bem-estar do paciente”, afirmou.
O paciente também criticou o contraste entre os vídeos institucionais divulgados pelo Governo do Estado e a situação encontrada dentro do HR. “O vídeo que foi postado ontem já tá em 180 mil visualizações e nada mais justo do que a senhora nos dar essa atenção”, disse durante a gravação.
Daniel Guedes ainda mostrou as pernas com fixadores e afirmou estar há quase dois meses esperando atendimento cirúrgico. “55 dias hoje em nada de cirurgia, nada de mudança, nada de atendimento e somente promessa, descaso e negligência”, declarou.
A fala do paciente aumenta o desgaste do governo em torno da situação do Hospital da Restauração justamente no momento em que a gestão estadual intensifica a divulgação de obras e investimentos na unidade. Nos últimos meses, o Governo de Pernambuco anunciou milhões em requalificações no HR, incluindo recuperação da fachada, reformas de andares e revitalização de setores estratégicos do hospital.
Apesar disso, vídeos recentes mostrando infiltrações, teto cedendo, macas quebradas, elevadores sucateados e superlotação passaram a circular nas redes sociais e ampliaram as críticas à situação estrutural da principal emergência pública do estado.
O episódio também repercute politicamente porque reforça uma crítica recorrente feita por opositores da governadora: a de que a gestão tem priorizado ações de imagem e publicidade institucional enquanto pacientes seguem enfrentando problemas graves dentro da rede estadual de saúde.
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