O pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, usava um número telefônico registrado na Colômbia para se comunicar com outros integrantes da suposta organização criminosa de que faz parte, aponta a decisão judicial que embasa a prisão de Henrique hoje. As informações são do portal G1.
A decisão é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável no Judiciário pela Operação Compliance Zero, que investiga crimes cometidos por Daniel Vorcaro e o Banco Master. Nesta quinta-feira, acontece a 6ª fase da operação.
Leia maisMendonça afirma na decisão que os métodos de comunicação de Henrique Vorcaro seguiam um “padrão de ocultação e precaução normalmente associado a estruturas criminosas sofisticadas”. Além do número da Colômbia, Henrique Vorcaro trocava com frequência de número telefônico. Confira trecho do documento:
“Há elementos que revelam comportamento compatível com atitude suspeita e a tentativa de dificultar a rastreabilidade de suas comunicações. (…) HENRIQUE troca de número telefônico com frequência e que, em momento recente à deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, passou a utilizar número estrangeiro, registrado na Colômbia. Em juízo sumário, tais circunstâncias se harmonizam com o padrão de ocultação e precaução normalmente associado a estruturas criminosas sofisticadas.”
“Marilson” citado no trecho é Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado. Segundo as investigações, Marilson ocupava posição de liderança operacional do núcleo denominado “A Turma”. Ele recebia ordens do núcleo central da organização e coordenava a execução delas. Era o elo entre os mandantes e os executores em atividades de monitoramento, intimidação e obtenção de informações sigilosas.
A prática de usar números telefônicos internacionais era adotada por outro integrante do esquema, Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado. De acordo com a decisão judicial, Sebastião usava um número dos Estados Unidos, na intenção de evitar o rastreio das comunicações. Confira os trechos em que o comportamento de Sebastião é descrito:
“Sua conduta se ajustava ao padrão operacional da organização: uso de terminal telefônico internacional, adoção de mensagens temporárias, prevalência de ligações telefônicas em detrimento de trocas escritas e realização de encontros pessoais reservados com o líder do núcleo, tudo com a finalidade, em tese, de reduzir rastros e dificultar a reconstrução probatória das tratativas ilícitas.”
Defesa de Henrique Vorcaro
Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro classificou a prisão do pai do banqueiro como “medida grave e desnecessária”. Veja a íntegra:
“Constata-se que decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele.
O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje.”
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