Com sérias dificuldades na saúde, onde, a cada dia, pipocam casos como tetos desabando, ratos e timbus aparecendo nos hospitais, a governadora Raquel Lyra tenta, desesperadamente, remendar os furos no casco do navio. Na clara pressa de mostrar alguma obra positiva na desastrada gestão da saúde, a mandatária apela para o gasto desenfreado, para a dispensa de licitações e para o favorecimento de aliados.
“Inaugurado” nesta segunda-feira (15) com pompa por Raquel, o Hospital Central Nossa Senhora Aparecida, também conhecido como Hospital Central de Paulista, é uma verdadeira mina de ouro de recursos públicos para as empresas que o administram — em especial a do vereador do Recife Paulo Muniz (Solidariedade). Seis sócios de três famílias ligadas ao hospital, entre elas a do parlamentar, já receberam R$ 479 milhões, sem qualquer licitação, do Governo do Estado.
Leia maisA unidade foi reaberta nesta segunda-feira (15), após uma série de licitações impugnadas, que levaram Raquel — a toque de caixa, devido ao período eleitoral — a cedê-lo a uma organização social contratada também sem licitação, por R$ 56,7 milhões por apenas seis meses, ou um custo mensal de R$ 9,5 milhões.
O Hospital Central foi desapropriado em junho do ano passado, via decreto da governadora (número 58.824), e deveria servir de retaguarda para absorver parte da demanda do Hospital da Restauração, possibilitando acelerar as obras naquela unidade.
Os empenhos para desapropriação do Hospital Central de Paulista somam R$ 178,3 milhões em favor de três CNPJs: a Sociedade Beneficente Santa Terezinha (R$ 24 milhões), o Hospital Santa Terezinha (R$ 36,5 milhões) e a AMM Participações (R$ 117,3 milhões). O Hospital Santa Terezinha tem entre seus sócios o vereador do Recife Paulo Muniz, que integra a bancada de oposição à gestão do PSB (agora com Victor Marques).
Chama a atenção a disparidade entre os valores movimentados pela empresa e a declaração de bens do parlamentar à Justiça Eleitoral. Em 2024, Paulo Muniz declarou possuir apenas R$ 524,5 mil em bens. Em 2020, o patrimônio declarado era significativamente maior: R$ 2,8 milhões, incluindo um crédito de R$ 1,3 milhão a receber de Cleonilia Magno Rodrigues de Freitas Lins, administradora da Sociedade Beneficente Santa Terezinha — outra entidade amplamente beneficiada pelos repasses do governo.
A investigação sobre os CNPJs envolvidos levanta ainda mais dúvidas sobre a natureza das contratações. A AMM Participações S/A, que recebeu a maior fatia da desapropriação (R$ 117,3 milhões), tem como atividade econômica principal o “aluguel de imóveis próprios” e é gerida por familiares e sócios ligados ao grupo do Hospital Santa Terezinha.
Leia menos



















