Tantos e tantos anos depois, lembro em detalhes dos acontecimentos no Recife, que culminaram com o golpe militar de 1964. Como está acontecendo atualmente, a cidade estava dividida. Naqueles últimos dias de março, os primeiros movimentos do golpe militar pareciam mais uma das tantas escaramuças que o recifense assistira nos últimos anos. Parte da sociedade civil queria a intervenção militar para combater o comunismo e a corrupção. A outra pedia o fim do capitalismo.
Também como hoje, poucos sabiam, mas os interesses econômicos e políticos estavam longe daqui. Era a Guerra Fria.
Estudante vestibulando fiquei zanzando pelo centro da cidade naquele resto de manhã do 1º de abril. O cursinho suspendera as aulas e poucos ônibus circulavam. Na confluência das avenidas Dantas Barreto e Guararapes, um grupo de jovens prosseguia na manifestação que tivera início da Escola de Engenharia, na Rua do Hospício, contra o golpe militar. As informações, desencontradas, diziam que o governador Miguel Arraes estava preso e era para o Palácio, já cercado pelo Exército, que os manifestantes se dirigiam.
Foi então que uma patrulha do Exército, comandada pelo major Hugo Coelho – soube-se depois –, procurou barrar a passeata. Os estudantes recuaram, apanharam algumas bandas de cocos e arremessaram contra os soldados. A violenta resposta veio com a ordem do major: “Fogo!” Ele mesmo mirou dois manifestantes pelas costas e atirou com arma curta atingindo mortalmente os dois.
Jonas Albuquerque, estudante secundarista e Ivan Rocha, vestibulando de Engenharia, que até poucos dias servia ao Exército, haviam sido mortalmente feridos pelos disparos. Pelas costas, pude verificar horas depois, diante dos corpos dos dois no necrotério do antigo Pronto Socorro, na Rua Fernandes Vieira.
Após os tiros, os manifestantes debandaram e eu quase arrastado por um amigo, Edmundo Lins da Cunha, fui para casa. Na Encruzilhada, bairro onde morava, a notícia das mortes já chegara, somando-se a outra tragédia: um acidente automobilístico dias antes, no Sábado de Aleluia, provocara a morte do estudante de Medicina, Cândido da Fonte, e ferira Paulo Jácome, colegas da Faculdade do meu irmão.
À noite, junto com amigos e colegas do sobrevivente Paulo Jácome fomos visitá-lo no antigo Pronto Socorro, na Avenida Fernandes Vieira. E no térreo, na “pedra” do necrotério do antigo hospital vigiados por soldados do Exército, jaziam os corpos de Jonas e Ivan. Jonas recebera um tiro que lhe arrancara o maxilar, evidenciando que ele corria e procurava olhar para trás quando levou o balaço. Ivan recebeu um disparo que lhe varara o peito e explodiu o tórax. Ambos, pelas costas.
Os militares já eram donos do poder e prometiam o fim do Comunismo, a prosperidade do Brasil e bem-estar de todos os brasileiros. Era o dia 1° de abril. Dia da Mentira
A CPMI do INSS recebeu, no fim da tarde de ontem, os extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o ‘Lulinha”, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o material do qual a comissão teve acesso, Lulinha realizou 1.531 transações bancárias entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, somando uma movimentação total de R$ 19,5 milhões no período.
Os valores incluem entradas e saídas de recursos, além de transferências internas entre contas do próprio investigado. A defesa de Lulinha afirmou que as fontes de renda do cliente são legais e legítimas, entre elas movimentações e bens recebidos por herança.
Ao todo, foram R$ 9,77 milhões em créditos e R$ 9,75 milhões em débitos nos quatro anos analisados.
Entradas
Ainda segundo a quebra de sigilo, a maior parte das entradas na conta de Lulinha veio de resgates de fundos de investimento, que somaram R$ 4,4 milhões no período. Ele também transferiu R$ 735,7 mil de outras contas próprias.
Os extratos mostram ainda três repasses do presidente Lula feitos ao filho, totalizando R$ 721 mil:
22/07/2022: R$ 384 mil
27/12/2023: R$ 92.463,90
27/12/2023: R$ 244.845,80
No mesmo dia da transferência superior a R$ 300 mil [22/07/2022], Lulinha também depositou um cheque de R$ 157,7 mil, assinado por Paulo Tarcísio Okamotto.
Empresas das quais Lulinha é sócio com a esposa, Renata de Abreu Moreira, repassaram R$ 3,2 milhões para a conta dele:
R$ 2.375.000,00 (2023 a 2026) – LLF Tech Participações
R$ 827.457,51 (2022 e 2023) – G4 Entretenimento
R$ 52.057,68 (2022) – LLF Participações (extinta em 2010)
O restante das entradas, cerca de R$ 1,2 milhão, é formado por produtos bancários como consórcios, previdência, seguros e transações não identificadas.
Saídas
A maior parte das saídas — R$ 4,6 milhões — corresponde a transferências para outras contas do próprio Lulinha.
Entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025, ele também realizou 17 transações que somam R$ 704 mil para Jonas Leite Suassuna Filho, ex-sócio de Lulinha. Os repasses variam entre R$ 1.500 e R$ 30,6 mil.
Outro ex-sócio, Kalil Bittar, recebeu R$ 750 mil em 15 transações entre janeiro de 2024 e outubro de 2025, com a maioria dos repasses na faixa de R$ 50 mil.
Os extratos também registram oito depósitos em cartão pré‑pago, totalizando R$ 11.600, feitos entre novembro de 2023 e janeiro de 2024.
As demais transações envolvem pagamentos de boletos e transferências de menor valor para pessoas físicas.
CPMI do INSS investiga
A CPMI do INSS foi instalada para apurar suspeitas de fraudes em benefícios previdenciários, irregularidades administrativas e eventuais atuações de servidores públicos em esquemas criminosos.
O envio do extrato de Lulinha faz parte dos documentos solicitados pela comissão, que ampliou o foco da investigação para acompanhar movimentações financeiras consideradas relevantes para o trabalho dos parlamentares.
Lulinha passou a ser alvo de questionamentos de parlamentares da oposição depois que a Polícia Federal (PF) apreendeu mensagens trocadas entre Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e uma empresária que faria possíveis referências a ele.
A empresária é Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha. Segundo as investigações, ela teria recebido pagamentos do “Careca do INSS” para atuar junto a órgãos da área de saúde na comercialização de produtos à base de cannabis medicinal.
Roberta foi alvo de operação da PF e afirma que não houve irregularidades em sua relação com Antunes.
Nesta quarta, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a quebra dos sigilos bancário e fiscal da empresária.
A decisão atendeu parcialmente a um pedido de medida liminar da defesa, que alegou constrangimento ilegal após a comissão aprovar a medida em 26 de fevereiro — mesma ocasião em que foi aprovado o requerimento da quebra de sigilo de Lulinha.
Ao fundamentar a decisão, o Dino destacou que a aprovação de 87 requerimentos de forma conjunta — a chamada votação “em globo” — violou o devido processo constitucional.
Segundo o ministro, embora as CPIs possuam poderes de autoridades judiciais, elas também estão sujeitas ao dever de fundamentação individualizada para cada medida invasiva.
Na ocasião da decisão de Dino, o Supremo esclareceu que o entendimento não alcançava outros casos de quebra de sigilo, como a quebra de sigilo de Lulinha.
Nota da defesa de Lulinha
“Após votação questionável sobre quebra de sigilo sem fundamentação individualizada (predicado de qualquer medida investigativa invasiva) e concessão de medida liminar reconhecendo a ilegalidade da quebra, a imprensa informou que teria acessado documentos sigilosos, no mesmo dia em que recebidos pela CPMI do INSS. Se ocorreu, o vazamento configura crime grave, que está sendo imediatamente comunicado a todas as autoridades competentes. Não pouparemos esforços para apurar e punir os responsáveis. Quanto às informações divulgadas, é impossível avaliarmos sua existência, veracidade ou detalhamento, uma vez que Fábio Luís e sua defesa não têm acesso nem aos documentos recebidos pela CPMI, nem aos que a imprensa alega ter recebido. No entanto, é gritante a ausência de menção a qualquer elemento ligado às fraudes do INSS, o alegado objeto investigativo da quebra de sigilo. Ao publicizar os dados sigilosos, a imprensa cita apenas fontes de renda legais e legítimas: a LLF Tech Participações e a G4 entretenimento e tecnologia, empresas legítimas com atuação legal e declarada; e rendimentos de aplicações do próprio Fábio Luís Lula da Silva. Também estão sendo expostas movimentações específicas, dando destaque a transferências ligadas ao presidente Lula, que são adiantamento de legítima herança aos filhos do presidente, devolução de custos arcados por Fábio Luís da época emergencial em que Lula esteve ilegalmente preso, ou de empréstimo à L.I.L.S. Palestras, da qual Fábio Luís possui cotas recebidas por herança. Também foram destacados: pagamentos à Jonas Leite Suassuna Filho (pagamentos de aluguel referente à casa em São Paulo onde Fábio Luís residia) e à Kalil Bittar (pagamento por cotas dele da empresa G4, após seu afastamento da sociedade). Todos os movimentos e bens são registrados e declarados ao fisco, resultados de atuação legítima, ou mesmo de recebimento da herança de sua mãe, Dona Marisa, falecida em um contexto de perseguição política e midiática muito semelhante com o atual. Essas informações parciais demonstram novamente uma total ausência de envolvimento de Fábio Luís com as fraudes do INSS, o que força o questionamento sobre a legitimidade da devassa e linchamento públicos, abastecidos por ato criminoso de vazamento de documentos. Quanto à forma como a informação foi publicizada, com a citação da soma de movimentações, é essencial esclarecer que o dado é irrelevante, pois a “soma de movimentações” em Relatórios de Informação Financeira não é retrato de valores líquidos possuídos ou recebidos pelas contas relatadas. Um mesmo valor pode ser registrado seis ou mais vezes no relatório como “movimento” (recebimento, envio de conta corrente para conta investimento, aplicação, retorno para conta, retirada etc.), de forma que a “soma de movimentações” excede multiplamente valores efetivamente existentes, especialmente ao longo de anos. Por esse motivo, Relatórios de Inteligência Financeira são analisados com atenção às transações específicas, não às somas de movimentações. Finalmente, apontamos que o vazamento das informações sigilosas que não apontaram nenhum vínculo com as fraudes do INSS são a abominável concretização dos temores legítimos de que “investigações” podem ser meros disfarces para manobras de interesse político, ao atropelo dos limites legais e constitucionais que deveriam ser impostos no devido processo legal.”
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, passou por dois procedimentos oftalmológicos em Brasília. As cirurgias foram realizadas nestas quarta-feira (4) e quinta-feira (5). A assessoria do senador informou que o objetivo da cirurgia era corrigir o grau de hipermetropia. A intervenção foi realizada pelo também senador Dr. Hiran (PP-RR).
“Os procedimentos transcorreram normalmente e foram realizados com sucesso”, afirma ainda a nota. O senador deve retornar ao trabalho nos próximos dias. As informações são do portal G1.
Nesta sexta-feira, 6 de março, Pernambuco homenageia sua Data Magna. Comemora o início da Revolução Pernambucana de 1817, um levante que tomou o poder em Pernambuco por 74 dias, estabelecendo uma república provisória. Motivado por altos impostos, seca e crise do açúcar, o movimento de caráter liberal estendeu-se a outros estados do Nordeste, sendo violentamente reprimido pela Coroa Portuguesa, registram os livros de história.
Sem desmerecer a importância deste movimento que até hoje orgulha os pernambucanos, cabe questionar se a Revolução de 1817 foi realmente o evento político-militar mais relevante do Estado. Em 160 anos de conflitos variados, da colonização até 1964, a Insurreição Pernambucana que expulsou o invasor holandês em 1654, depois de 24 anos de domínio estrangeiro, poderia estar à frente desta comemoração. Foi um episódio vitorioso, ao contrário do trágico desfecho do levante de 1817, quando foram condenados à morte lideranças locais e retirado amplo território do nosso Estado pela Coroa e anexado à Bahia.
Me lembro muito bem quando, a meu lado, o escritor e pesquisador Leonardo Dantas Silva (1945-2023), autor do excelente livro “Holandeses em Pernambuco”, comentou baixinho comigo: “a Insurreição Pernambucana, que foi vitoriosa na guerra, deveria ter sido a escolhida”. Mas, apurado os votos dos pernambucanos, Leonardo acatou a vontade popular sem qualquer problema: a Data Magna ficou com o evento dos revolucionários de 1817.
Subestimar fatos históricos faz parte da nossa história. O pessoal da Insurreição Pernambucana que derrotou os holandeses só foi inscrito em 2012 no Livro de Aço dos Heróis da Pátria. João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias, Felipe Camarão, comandantes das ações militares que expulsaram os invasores, foram bravos soldados, guerrearam com coragem em guerrilhas e batalhas até a saída dos holandeses.
João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros merecem estar no livro dos heróis brasileiros. Mas só nesse. Suas ações depois como comandantes-gerais em Angola não fazem jus ao que fizeram aqui. Na África, foram impiedosos com as tribos e reinos angolanos, promovendo massacres e capturando escravos para o envio ao Brasil por ordem do rei de Portugal.
Na verdade, Pernambuco não se tornou independente com a saída dos holandeses. Só voltou ao antigo patrão. E a própria insurreição começou com o descontentamento dos donos de engenhos de açúcar com os holandeses. Não havia condições para eles pagarem os empréstimos. Vitoriosos em 1654, os comandantes João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros partiram para voos mais altos. Primeiro governando províncias do Norte e Nordeste até, por determinação do rei de Portugal, serem nomeados comandantes-gerais em Angola, em tempos distintos. Primeiro Vieira de 1658 a 1661 e depois Negreiros de 1661 a 1666.
Ser enviado a Angola significava acumular mais riquezas no comando de uma guerra colonial contra os nativos que se negavam à vassalagem. Os dois comandantes levaram vantagem sobre os comandantes anteriores. Suas tropas levadas de Pernambuco estavam adaptadas ao clima, às doenças tropicais, ao massacre de indígenas e de quilombolas, diferente dos soldados lusos vindos da Europa.
O objetivo dos dois era destruir focos rebeldes, ora comandados pela valente Rainha Jinga, que em 30 anos de luta contra os portugueses nunca foi submetida à coroa portuguesa. Ora pelo rei do Congo. Com Vieira valia tudo: massacre em aldeias incendiadas, degolas, captura de escravos. Nunca relaxou nas suas nefastas funções.
Já André Vidal de Negreiros, como comandante dos “brasílicos”, venceu a batalha de Ambuíla, em 1665, quando destruiu o Reino do Congo, matando o rei, sua família, membros da corte e aliados. Foi o maior embate colonial na África desde Alcácer-Quibir, em 1578. De acordo com o historiador Luís Felipe Alencastro, precipitou o declínio dos reinos do Congo e Matamba, da sucessora de Jinga.
Portanto, o conceito de heróis é fluído e relativo. Vieira e Negreiros, os dois heróis pernambucanos foram comandantes de massacres de africanos, que, como eles, lutavam contra um invasor de suas terras, no caso africano, o português. Contudo, isso não invalida os feitos gloriosos da Insurreição Pernambucana, evento para uma Data Magna “in pectore”. Coisas da história e da vida. É isso.
A trajetória administrativa da ex-prefeita de Itaíba, Regina da Saúde, ganhou novo respaldo institucional nesta semana. A Primeira Câmara do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) emitiu parecer prévio recomendando à Câmara Municipal a aprovação das contas de Governo do exercício financeiro de 2023, penúltimo ano de sua gestão à frente do município.
Em nota, Regina da Saúde comemorou o resultado. “Recebo com gratidão e serenidade mais esse reconhecimento do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco. Essa aprovação confirma a lisura do nosso governo e o compromisso que sempre tivemos com a legalidade, a transparência e o respeito ao dinheiro público”.
Numa semana em que levei ‘Os Leões do Norte’ para mais seis municípios do Agreste, encerro a maratona, daqui a pouco, a partir das 14h30, em Cumaru, iniciativa da prefeita Zeneide Medeiros (PSB). Ela está fazendo uma grande mobilização para o evento, marcado para a escola João Duarte.
Estão sendo esperados alunos da rede municipal de ensino de várias escolas, professores, diretores de escolas, servidores da Secretaria de Educação, secretários municipais e vereadores. “Esta é uma obra que tem que chegar a todos os recantos do Estado”, diz Zeneide.
Minha agenda de palestras e entregas de “Os Leões” começou na segunda-feira passada por Agrestina. Passei em seguida por Camocim de São Félix, Panelas, Passira e Cupira.
‘Os Leões do Norte’ é resultado de uma extensa pesquisa jornalística e historiográfica, envolvendo 22 minibiografias de ex-governadores de Pernambuco, que exerceram mandatos entre 1930 e 2022. Trata-se de uma contribuição essencial para a preservação da memória política e institucional do Estado, destacando o papel de Pernambuco como berço de lideranças que marcaram a história nacional.
O livro ainda conta com design gráfico, capa e caricaturas de Samuca Andrade, além de ilustrações de Greg. “Os Leões do Norte” homenageia os líderes que ocuparam o Palácio do Campo das Princesas e também promove o debate sobre seus legados, suas contradições e o impacto de suas gestões.
A família de Camila Miranda de Wanderley Nogueira de Menezes, 38, afirma que ela foi vítima de omissão e negligência de três médicas durante uma cirurgia eletiva no Hospital Esperança, da Rede D’Or São Luiz, no Recife. A Polícia Civil de Pernambuco investiga o caso.
Camila sofreu um dano cerebral grave e está em estado semivegetativo. A paciente está internada em uma unidade de saúde desde 27 de agosto de 2025, quando deu entrada para o procedimento cirúrgico.
A paciente faria cirurgia de retirada da vesícula e correção de hérnia inguinal. Os procedimentos cirúrgicos são de baixo risco para pacientes sem comorbidades significativas, como Camila, segundo o laudo pericial contratado pela família e obtido pela reportagem. A previsão era que a paciente recebesse alta no mesmo dia dos procedimentos.
Documento da família mostra que Camila teve apneia – paralisação temporária da respiração – durante a cirurgia. A cirurgiã responsável pelo procedimento era Clarissa Guedes Noronha, com quem a paciente fazia acompanhamento; a médica Danielle Teti atuava como primeira auxiliar e Mariana Parahyba era a anestesiologista. Veja mais abaixo o que dizem as defesas das médicas.
Segundo a família da paciente, a anestesiologista responsável foi trocada de última hora. A ficha pré-anestésica de Camila continha informações incorretas, como a ausência de cirurgias prévias – mesmo com a paciente tendo histórico de duas cesarianas e outros procedimentos – além de dados errados sobre peso e altura.
A mulher sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi ressuscitada por 15 minutos. Ela foi transferida para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde recebeu cuidados intensivos e ficou em estado vegetativo por um mês.
Camila sofreu danos cerebrais graves e permanentes, causados pela falta de oxigênio no cérebro por um período prolongado, informa o laudo. Ela era funcionária do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco e também atuava como consultora de imagem, além de ter dois filhos, de seis e dois anos.
Atualmente, a servidora está em estado semivegetativo. Segundo o marido, o oftalmologista Paulo José de Menezes Filho, 42, Camila passou a perceber mais o que ocorre ao seu redor, mas ainda não consegue estabelecer uma comunicação clara. Os momentos de lucidez variam e, por exemplo, em alguns deles, ela consegue apertar a mão de alguém quando solicitada.
Ela segue internada no Hospital Esperança. O marido disse que a unidade de saúde tem ajudado a família após o episódio. Porém, não é descartado o encaminhamento dela futuramente para uma unidade focada em reabilitação.
Atualmente, Camila faz sessões de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e é atendida por diferentes médicos. “O foco é a fisioterapia intensa para reabitá-la o máximo possível”, explica Paulo à reportagem. A servidora também é acompanhada diariamente por uma cuidadora contratada pela família.
“Meu foco principal é que ela ganhe consciência mínima necessária para estabelecer comunicação com os filhos, para vê-los crescendo e participar das decisões importantes nas vidas deles. A gente não sabe como Camila vai ficar no futuro, mas não quero me arrepender de não ter tentado. Estou fazendo isso por ela e, principalmente, pelos meus filhos, porque não quero que eles percam a mãe tão cedo, disse Paulo José de Menezes Filho, marido de Camila.
A Polícia Civil de Pernambuco informou à reportagem que o caso é investigado pela Desec (Delegacia Seccional de Polícia) do Espinheiro. A apuração foi iniciada após a família entrar com uma representação criminal contra as três médicas este mês. Segundo a corporação, diligências são realizadas.
Reportagem apurou que o pai, o juiz federal Roberto Nogueira, e o marido de Camila já foram ouvidos pelas autoridades. “Mais detalhes serão fornecidos em momento oportuno, após a conclusão do inquérito policial, para não atrapalhar o andamento das investigações”, disseram. Clique aqui e confira a reportagem na íntegra.
O livro “Ecos de uma Jornada”, biografia do ex-deputado federal, ex-senador, ex-ministro de Estado e ex-ministro do Tribunal de Contas da União José Jorge de Vasconcelos Lima, organizado pelo jornalista Angelo Castello Branco e impresso pela companhia editora de Pernambuco, será lançado no próximo dia 17, a partir das 18h, nos jardins da Academia Pernambucana de Letras, no Recife.
Após o lançamento na capital pernambucana, a obra também será apresentada em Brasília, no dia 24, no Salão Nobre do Tribunal de Contas da União, instituição da qual José Jorge foi ministro. Haverá ainda um terceiro lançamento na Associação Comercial de São Paulo, em data que será anunciada oportunamente.
“Ecos de uma Jornada” percorre a ampla trajetória de José Jorge de Vasconcelos Lima nas diferentes esferas do poder público, tanto no plano estadual quanto federal, onde ocupou praticamente todos os cargos relevantes da República. Em Pernambuco, atuou como secretário de Estado em três ocasiões, destacando-se pela capacidade administrativa e pelo compromisso com o desenvolvimento regional.
No plano legislativo, foi deputado federal por quatro mandatos consecutivos e senador da República por oito anos, período em que assumiu a relatoria de projetos de grande importância para o país. Entre eles, destaca-se a reforma do Poder Judiciário, conduzida com reconhecida competência técnica por José Jorge, engenheiro de formação com sólida base em matemática, física e estatística, que conquistou respeito também no meio jurídico pela abordagem objetiva e pragmática do tema.
Sua atuação parlamentar também deixou marca profunda na área educacional. Na Câmara dos Deputados, foi relator do FUNDEF (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério). Já no Senado Federal, desempenhou papel decisivo na criação do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), ampliando os recursos destinados à educação pública brasileira.
No Poder Executivo Federal, José Jorge foi ministro de Minas e Energia no governo Fernando Henrique Cardoso, período em que participou da formulação de políticas voltadas à modernização do setor energético nacional. Sua gestão ocorreu em meio a uma crise provocada por fatores climatológicos e foi marcada pela busca de soluções pragmáticas para garantir segurança e eficiência no fornecimento de energia. Posteriormente, presidiu também a Companhia Energética de Brasília (CEB).
Outro momento significativo de sua trajetória foi a eleição, pelo Senado, para ocupar uma cadeira no Tribunal de Contas da União, onde atuou com equilíbrio e objetividade no acompanhamento e fiscalização das contas públicas.
Reconhecido como um político de perfil técnico, pragmático e objetivo, José Jorge de Vasconcelos Lima construiu uma carreira marcada pelo compromisso com a administração pública e com o desenvolvimento do país. “Ecos de uma Jornada” apresenta esse percurso como um registro de sua contribuição ao Brasil e como inspiração para as futuras gerações dedicadas ao serviço público.
Nos bastidores da política pernambucana começa a ganhar força uma articulação que pode reforçar ainda mais a chapa liderada pelo prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos. O nome do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, passou a ser tratado como uma das possibilidades para ocupar a vice-governadoria na Frente Popular.
A movimentação, discutida reservadamente entre lideranças partidárias, já encontra simpatia em setores do PT, que enxergam em Wolney um quadro experiente, com trânsito em Brasília e protagonismo na gestão do presidente Lula. Na avaliação de aliados, trata-se de um nome com densidade política, capacidade de diálogo e peso institucional para fortalecer o projeto da Frente Popular em Pernambuco.
O avanço do nome de Wolney também acaba produzindo um efeito político importante no tabuleiro local. A consolidação do ministro como principal quadro do PDT no estado dificulta, naturalmente, tentativas de acomodar outras movimentações que vinham sendo cogitadas.
Entre elas, a ideia de incluir Marília Arraes na chapa majoritária, como candidata ao Senado. Sem mandato atualmente e ainda em processo de reorganização política, Marília enfrenta um cenário mais restrito diante da possibilidade de o espaço do PDT já estar ocupado em uma eventual composição.
A leitura entre lideranças da aliança é de que a presença de Wolney agregaria experiência administrativa, articulação nacional e maior estabilidade política ao projeto liderado por João Campos.
Em tese, a filiação de Marília ao PDT está marcada para o próximo dia 12. Resta saber quando Marilia vai desistir da ideia de concorrer ao Senado, se não há espaço na Frente Popular.
O advogado constitucionalista Marcelo Labanca Corrêa de Araújo foi nomeado desembargador eleitoral titular do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), na vaga destinada à classe dos advogados pelo quinto constitucional. A escolha foi feita pelo presidente da República a partir da lista tríplice formada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), que também incluía os nomes de Ernani Varjal Medicis Pinto, procurador do Estado, e José Nelson Vilela Barbosa Filho, advogado.
A lista havia sido definida pelo Pleno do TJPE em janeiro de 2025, quando Ernani Medicis recebeu 48 votos, Marcelo Labanca 40 e José Nelson Barbosa 30. Com a nomeação, Labanca assumirá mandato de dois anos no TRE-PE, com possibilidade de recondução por igual período. O tribunal é composto por sete membros – dois desembargadores do TJPE, um do TRF-5, dois juízes de direito e dois representantes da advocacia – e vinha funcionando há meses com uma cadeira vaga na classe dos advogados.
O ex-governador de Pernambuco Paulo Câmara reassume a presidência do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) tão logo o Conselho de Administração do banco confirme a indicação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A informação foi divulgada em primeira mão pelo colunista Inácio Aguiar, do Diário do Nordeste, jornal do Ceará, onde fica a sede do banco, e confirmada por assessores de Câmara que continuam em suas atividades no BNB.
O conselho se reúne, na tarde de hoje, para formalizar a escolha que já teve o aval do Ministério da Fazenda e foi analisada pelo Conselho de Elegibilidade. O Conselho de Administração apenas formaliza o pedido na reunião desta quinta.
Câmara poderia assumir o cargo de imediato. O feriado da Data Magna amanhã vale apenas para Pernambuco. Mas toda a diretoria do banco está participando de um encontro no Rio Grande do Norte. O ex-governador retoma as atividades na próxima segunda-feira, dia 9.
Paulo Câmara comandou a estatal entre março de 2023 e outubro de 2025. Deixou o cargo para cumprir uma exigência da Lei das Estatais, que impedia sua permanência no cargo por conta de ele ter exercido função na direção no PSB, partido do qual desvinculou-se para assumir a presidência do banco.
O período de afastamento havia terminado no dia 26 de janeiro, mas a burocracia e o Carnaval em fevereiro acabaram atrasando o retorno.
Faleceu, hoje, no Crato, cidade cearense encravada na Chapada do Araripe, Dona Almina Arraes de Alencar Pinheiro, a última irmã viva do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes de Alencar (1916-2005). A matriarca cratense completaria, no próximo dia 3 de agosto, 102 anos. Nascida na pequena Araripe, em 1924, era filha de Maria Benigna Arraes de Alencar e do agricultor pecuarista José Almino Alencar e Silva.
Ainda jovem, foi morar com a família no Crato, onde fez seus estudos, bem como completou seu curso pedagógico na Escola Normal de Limoeiro do Norte. Tendo uma vida plena dedicada à família e aos amigos, trabalho árduo e um exemplo de dignidade e esperança para todos, foi responsável por registrar as poesias do grande poeta popular cearense Patativa do Assaré (1909-2002), onde coordenou a organização e lançamento do primeiro livro publicado em 1953, intitulado: Respiração Nordestina, com certeza que ambos são patrimônios moral e intelectual de toda região do Cariri e do Brasil.
De prole numerosa, generosidade e gratidão sempre acompanharam sua trajetória de vida, Dona Almina é, com certeza, uma figura inesquecível do Nordeste brasileiro e sempre será lembrada pela sua determinação e alegria. Abaixo, transcrevo uma crônica que fiz quando a visitei, em outubro do ano passado.
O jornalismo é feito de emoções. Já vivi muitos momentos de coração pulsante. Estive frente a frente com figuras emblemáticas, como Fidel Castro, em Cuba, na residência oficial do ex-presidente cubano. Já tive o privilégio de almoçar com o poderoso Roberto Marinho, do alto do seu salão oval das Organizações Globo, no Rio, avistando o Corcovado.
Entrevistei Barbosa Lima Sobrinho em sua casa em Laranjeiras, no Rio. De José Sarney até Lula, entrevistei com exclusividade todos os presidentes da República. Na arte, Luiz Gonzaga me deu três entrevistas. Quem tem alma de repórter, faro de pedigree, a notícia é trazida pelo vento.
Curtindo o Crato, ontem, com minha Nayla, o vento soprou e me levou a outro momento inesquecível no jornalismo: uma visita a dona Almina Arraes, de 101 anos, a única irmã viva do ex-governador Miguel Arraes.
A encontrei extremamente lúcida, embora com fortes ruídos de audição. Simpática, através do seu filho Joaquim Bezerra, servidor aposentado do Banco Central, residente no Recife, abriu as portas da sua casa onde já morou dona Benigna, sua mãe e mãe de Arraes.
Um ambiente aconchegante, pontilhado por imagens históricas da família que a poeira do tempo não tirou o brilho nem o cupim roeu, como a foto oficial de Miguel Arraes prefeito do Recife em 1959. Também Arraes abraçando dona Madalena, sua esposa, ao sair da prisão no Rio de Janeiro em plena ditadura do golpe militar de 64.
Tão logo postei ontem o vídeo da minha visita, a família se manifestou. Emocionadas, a deputada Maria Arraes e a ex-deputada Marília Arraes me enviaram mensagens e fotos da família reunida no casarão de dona Almina.
Que momento lindo! Que recepção carinhosa e vibrante! Dona Almina é uma alma iluminada, uma benção de Deus. Aos 101 anos, ainda escreve no computador, devora livros e pinta. É uma eximia pintora. Suas obras de arte estão espalhadas no terraço da sua casa, na sala, nos quartos e na sala de estar.
Quando fez 85 anos, segundo o filho Joaquim, entrou num curso de Informática de seis meses, e colocou numa “cartilha” tudo o que havia aprendido para distribuir aos amigos interessados “em mexer com computador”. Conseguiu, com isso, fazer uma rede virtual, e ainda hoje se comunica com eles também dessa forma.
Entre os 80 e 90 anos, fez cursos de artesanato pela internet, lia jornais diários, falava com membros da família fora do Brasil, baixava músicas antigas e já “achou” na rede algumas amigas do seu tempo de infância que, como ela, também se integraram à comunicação virtual.
Dona Almina Arraes de Alencar Pinheiro nasceu em Araripe (CE), em 03.08.1924, filha de José Almino de Alencar e Silva e Maria Benigna Arraes de Alencar. Foi a sexta filha deste casal, que teve também Miguel, Maria Alice, Anilda, Laís, Alda e Violeta. Em 1928, a família mudou-se para Crato, a fim de proporcionar uma melhor educação formal aos filhos. Dois anos antes, a Diocese da cidade havia implantado o Colégio Diocesano de Crato (para educação masculina) e, posteriormente, criou também o Colégio Santa Teresa de Jesus, (destinado à educação feminina).
Ambos os educandários proporcionavam o ensino dos primeiros anos do curso médio completo. Foram neles que estudaram os filhos do casal José Almino e Maria Beniga. Dona Almina é uma mulher admirável! Conhecida por sua inteligência e perspicácia, fez o curso primário (hoje o básico) no educandário Santa Inês, pertencente a três irmãs que vieram instalar essa escola no Crato. Iniciou o intermediário no Colégio Santa Teresa de Jesus, também no Crato, mas veio a concluir esse curso na Escola Normal Rural da cidade de Limoeiro do Norte, no Ceará.
Almina foi a oradora e a aluna com as melhores notas da sua turma. Voltando ao Crato, depois de formada, exerceu o magistério até a chegada dos primeiros filhos, frutos do seu casamento, em 1946, com César Pinheiro Teles. Da união nasceram 6 filhos: Maria Edite, Joaquim, José Almino, Maria Amélia, Maria Benigna e Antônio César. As obrigações com a casa e a criação dos filhos não inibiram a criatividade de Almina.
Esta foi sempre uma característica dela: usar seu pouco tempo livre lendo e pesquisando, como forma de preencher as atividades do seu dia a dia, virtude essa que conservou até hoje. Foi da iniciativa de Dona Almina os manuscritos que proporcionaram o primeiro livro de poesias do consagrado e conhecido poeta Patativa do Assaré. Almina copiava em cadernos os versos ditados por ele. Suas anotações chegaram à editora Borsoi, no Rio de Janeiro, que publicou o primeiro livro de Patativa, em 1953, com o sugestivo título de “Inspiração Nordestina”.
Dona Almina pintou mais de 100 quadros. Lá atrás, ainda bem ativa, sensível à crise no setor da produção das conhecidas redes artesanais do Ceará, dona Almina montou um consórcio para dar saída à produção feita nos teares artesanais, ajudando muitas mulheres “rendeiras”, na obtenção de emprego e renda.
Esta iniciativa foi destacada na edição da revista “Continente”, da Companhia Editora de Pernambuco–CEPE, edição de 01.07.2012. Depois que atingiu os 90 anos, dona Almina passou a dedicar parte do seu tempo pesquisando métodos artificiais de polinização de plantas. Essa prática foi usada no seu jardim doméstico, um dos mais bonitos e bem cuidados do Crato.
Também desenvolveu uma chocadeira adaptando caixas de isopor para multiplicação de codornas, dotada de sensores e termômetros para controlar a temperatura. Pesquisei e encontrei um depoimento muito interessante sobre Dona Almina, de autoria de Jorge Furtado, roteirista da Rede Globo.
Em 2015, o cineasta Guel Arraes, sobrinho dela, esteve com uma equipe da TV Globo no Cariri produzindo uma reportagem sobre o Projeto Casa Grande, na vizinha cidade de Nova Olinda. Jorge Furtado, integrante da equipe, assim registrou a visita que fez a Dona Almina, àquela época com 91 anos de idade. Num artigo que publicou, Jorge Furtado encerrou com a seguinte frase: “Dona Almina ainda não sabe o que vai ser quando crescer”.
Dona Almina é um dos maiores patrimônios humanos do Brasil. Um patrimônio moral, ético, um dos ícones da cultura do Crato, segundo definiu o escritor Armando Lopes Rafael, conterrâneo do Crato, numa homenagem pela passagem do centenário dela, ano passado.
Magno Martins Filho, meu herdeiro homônimo amado, apaga hoje as simbólicas e maravilhosas 18 velinhas. Abre-se para a ele o princípio do verbo do tempo da vida adulta. Vai-se o garoto, chega o homem na expressão da palavra. Inicia-se o tempo que traz junto a responsabilidade, o bom senso e o discernimento.
Deus me deu uma benção, de ter quatro filhos e duas enteadas. Pela ordem, Magno Filho é o terceiro. Que inspiração, sabedoria, honra e felicidade de batizá-lo com meu próprio nome! Não sou o primeiro nem serei o último a fazer a escolha do filho com o nome do pai.
Estudei e vi que a prática de perpetuar o nome com um filho era comum na Europa entre germânicos, irlandeses e holandeses, que nomeavam o primogênito com o nome do pai para garantir a sucessão. Filho com o nome do pai é visto como uma forma de manter a “imortalidade” dos pais e fortalecer o orgulho familiar.
Penso assim. Magno Filho tem também hoje essa exata compreensão. Foi o tempo, que é o senhor da razão, que o fez entender que a herança do meu nome seria uma forma direta de homenagem ao seu pai, que se traduz também numa forma de homenagear um antepassado feliz, consolidando a árvore genealógica.
A vida adulta impõe escolhas, desafios e com isso as oportunidades. Filho se cria para o mundo, mas é obrigação dos pais ensinar a enfrentar esse mundão, muitas vezes cruel, com muita sabedoria. Ensinar que a maior prova de força não é nunca cair, mas levantar-se todas as vezes que o mundo derrubar.
Se o mundo não é justo, o homem deve ser, tenho ensinado a ele e aos meus outros filhos. Ser homem de palavra, como foi meu pai, meus avós. Afinal, a reputação é o maior bem que se tem, uma marca de força. Ter caráter, ensino a meus filhos, é fazer a coisa certa mesmo quando ninguém está olhando. Dinheiro e posição se perdem, mas seus valores e caráter ficarão para sempre.
Meu amado Magno Martins Filho: há 18 anos, recebi o melhor presente: ter um filho com meu nome. Hoje, vejo você se tornar um homem incrível, pronto para escrever sua própria história com a mesma honra que carrega no nome. Honre esse legado, a trajetória é sua. Que honre nosso nome com suas próprias conquistas.
Completar 18 anos com o mesmo nome do pai é um marco que mistura a conquista da maioridade civil com a continuidade de um legado familiar. É o momento em que assume sua própria identidade, mantendo a honra do nome do pai.
Magno Filho, o último lembrete: nunca deixe de sonhar. É com sonhos que tornamos reais os castelos da felicidade. A melhor coisa que fiz na vida foi trazer você para este mundo. Amo você demais, meu querido filho! Você foi uma benção dos céus.
Que Deus possa te dar muitas razões para sorrir e esteja sempre presente na sua vida.