No pedido para que o Supremo Tribunal Federal apure o encontro de André Mendonça com Daniel Vorcaro, o ministro Flávio Dino sugere que o relator do Caso Master teria mentido sobre o tema da conversa.
Em nota à imprensa, Mendonça disse que o assunto foi a suspensão de tutela provisória (STP) 976, que debatia créditos de precatórios de interesse do Master. “Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário”, afirmou Mendonça.
Na decisão desta terça-feira, Dino contesta a tese com uma linha do tempo.
Mendonça e Vorcaro se reuniram em 14 de março de 2025 na sede do Instituto Iter. No dia seguinte, o ministro pediu vista e paralisou o julgamento de uma disputa sobre a privatização de cemitérios em São Paulo, na qual o Master tinha “elevados interesses”.
Em 4 de abril, Mendonça abriu divergência contra a decisão de Dino que suspendia as concessões, “votando portanto de acordo com os pleitos dos cemitérios privados”, segundo o relator.
A decisão de Dino acrescenta uma informação: Alexandre de Almeida Mendonça, irmão do ministro Mendonça, integra a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo (SP Regula), que atua na área funerária e cemiterial.
De acordo com Dino, a linha do tempo e a atuação do irmão não permitem afirmar que a decisão de Mendonça foi tomada por “interesses externos ao processo”. Apesar da ressalva, ele pediu a Fachin que o caso seja incluído no procedimento que apura condutas do colega.
O pedido foi apresentado na manhã desta terça, em meio a uma batalha entre alas rivais no Supremo. Dino é aliado do ministro Alexandre de Moraes, alvo de pedido de investigação apresentado por Mendonça que deve ser debatido nas próximas horas.
Do ministro Flávio Dino sem citar nomes: “Devo dizer que é o momento mais corrupto da história do poder Judiciário da história do Brasil, infelizmente, o que prova que há erros. Fala-se tanto de corrupção no Brasil, e a corrupção só aumenta”, destacou. “Eu sou daqueles que acham que a corrupção não justifica um combate corrupto à corrupção”.
O afastamento do ministro Kassio Nunes Marques do julgamento sobre o relatório que incluiu mensagens de Daniel Vorcaro que teria Alexandre de Moraes como interlocutor enfraquece a posição de André Mendonça na corte.
O magistrado tem sido um aliado do relator da investigação e votou, até aqui, acompanhando o colega em todos os casos. Na última análise colegiada, Kassio referendou a decisão de Mendonça para afastar Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal, antecipando seu voto depois de vista de Gilmar Mendes.
Os ministro Gilmar Mendes e Flávio Dino atacaram a mudança de relatoria adotada por Edson Fachin, que afastou André Mendonça e assumiu o caso Master no STF. Gilmar apontou fragilidade da avocação e afirmou haver nulidade na medida. Com isso, eles pediram o adiamento da sessão.
O ministro Kassio Nunes Marques comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, que deixaria o plenário do tribunal após se declarar suspeito na sessão que analisa mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Ele afirmou que não participaria, em nome do equilíbrio nas eleições, uma vez que é presidente do TSE.
O prefeito do Recife, Victor Marques, disse nesta terça-feira (15) que a resposta da população do “Recife virá nas urnas”. A declaração surge depois de áudio vazado do coordenador da campanha de Raquel Lyra, André Teixeira, que afirmou que a governadora poderia ganhar sem “nem precisar pisar no Recife”. A fala aconteceu durante reunião com prefeitos da situação.
O gestor também estranhou a declaração, considerando que o Recife concentra 17% do eleitorado de Pernambuco. “Querer desconsiderar a participação e a vontade do Recife na definição de uma eleição só mostra o pouco compromisso da coordenação de Lyra com a nossa cidade. Mas vamos em frente, pra mudar essa história e construir um tempo novo entre prefeitura e Governo do Estado, elegendo quem sabe respeitar e trabalhar junto com o Recife”, apontou.
O ministro Dias Toffoli, o segundo a se manifestar, também comunicou que não se sentia à vontade para votar na sessão de julgamento de Alexandre Moraes. “Embora não haja nada de suspeição, por motivo de foro íntimo não vou votar”, afirmou.
O ministro Kassio Nunes Marques, o primeiro a falar após a leitura do relatório de Edson Fachin, confirmou que não votará na sessão de hoje por impedimento de ser presidente do TSE. Refutou as versões de que tenha relação com Vorcaro. “Nunca troquei mensagens com Vorcaro. Nunca julguei processos do Master e nem meu filho prestou serviços, mas pelo fato de ser presidente do TSE não me sinto confortável em votar hoje”, afirmou.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deu uma série de recados aos ministros no início da sessão que vai analisar o relatório da Polícia Federal que apontou mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes às vésperas de ser preso pela primeira vez, em novembro de 2025.
Após semanas de embate, especialmente entre Moraes e Mendonça, que determinou a elaboração do relatório em julgamento, Fachin pediu serenidade aos colegas e defendeu que as decisões cabem ao plenário, não aos integrantes da Corte individualmente. É a primeira vez que a Corte analisa uma possível investigação envolvendo um dos seus integrantes. As informações são do jornal O Globo.
“A divergência é legítima. O confronto pessoal, não. E a decisão pertence ao plenário, não a um ministro individualmente. São premissas simples, mas em momentos de tensão institucional é necessário dizer o que deve orientar a nossa atuação”, disse Fachin no início da sessão. “Não será qualquer um de nós que falará pelo Supremo, mas o plenário. Peço equilíbrio.”
O presidente da Corte fez referências nominais a todos os integrantes e afirmou ainda que a discussão sobre a forma como o relatório foi elaborado é importante para a resolução do caso.
“Não se julgam pessoas. Julgam-se fatos e questões jurídicas. Não se antecipa o mérito antes de resolvida a validade processual.Não se antecipa o mérito antes de resolvida a validade processual”, disse Fachin.
Ao longo do discurso, que durou oito minutos, Fachin acrescentou que o STF passou por “autoritarismo, ameaças e incompreensões” e precisa se resguardar diante da crise atual: “Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos”, disse Fachin. “Este não é um dia comum. Somos seres humanos. Podemos errar, divergir, mudar de entendimento e ter percepções distintas sobre os mesmos fatos e sobre o Direito. O momento exige de nós aquilo que se espera de quem exerce a jurisdição constitucional: sensatez, decoro e serenidade. A divergência faz parte da jurisdição. O que não pode fazer parte dela é a perda da medida institucional.”
Ao chegar para a sessão de julgamento do ministro Alexandre de Moraes, o ministro Gilmar Mendes, decano da corte e integrante do grupo aliado de Moraes, afirmou que não acredita em uma conclusão rápida do julgamento que definirá ou não a abertura de uma investigação sobre o colega Alexandre de Moraes. Disse que a questão a ser tratada pelos ministros é “muito complexa para terminar hoje”.
Ao abrir a sessão inédita do Supremo Tribunal Federal, o presidente Edson Fachin pediu serenidade aos colegas e defendeu que as decisões cabem ao plenário, não aos integrantes da Corte individualmente. É a primeira vez que a Corte analisa uma possível investigação envolvendo um dos seus integrantes.
Três ministros do STF podem se manifestar impedidos de votar na sessão inédita da corte, destinada a decidir se será aberta investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no escândalo do banco Master: Dias Tofolli, Nunes Marques e o próprio Alexandre. Os dois primeiros por terem seus nomes citados no caso Master e Moraes por razões óbvias.
Conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro relacionam o advogado Kevin Marques ao valor de R$ 500 mil. Ao lado do nome do advogado aparece um número de telefone do filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. À coluna, o ministro disse que o filho nunca trabalhou para o Master e, portanto, não recebeu valor algum do Master. Ele afirmou ainda que não teve acesso ao conjunto de mensagens.
Em mensagem enviada a Vorcaro às 10h41 do dia 4 de julho de 2025, o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, encaminha ao chefe um arquivo contendo o nome “Kevin Marques”, um número de telefone acompanhado do texto: “Esse aqui — 500 mil mês — mantém?”.
Na sequência, o executivo envia duas risadas e comenta em referência a Kevin: “Esse aqui já era, né?”. Vorcaro responde também com “kkkk”. Em outra mensagem, em 8 de agosto de 2025, Rennó reenvia a mesma planilha com o valor e o nome do advogado e escreve três mensagens para Vorcaro: “esse aí”, “único meu que faltou” e “foi pago”.
Em nova troca de mensagem via WhatsApp, o executivo informa Vorcaro que “ganhamos Alcídia”, uma referência à destilaria Alcídia, em Teodoro Sampaio (SP), que ganhou causa de repercussão bilionária no Supremo com os votos de Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. O julgamento foi concluído em 1º de outubro de 2024.
O resultado tinha impacto no Master porque o banco mantinha em seu balanço carteira estimada de R$ 10 bilhões de precatórios do setor, cujo valor dependia do reconhecimento dessas indenizações.
Como mostrou a coluna, Dias Toffoli votou a favor da Alcídia, posição diferente da adotada poucos dias antes em processo semelhante envolvendo a Raízen. Nas mensagens analisadas pela PF, integrantes do banco afirmaram que “Toffoli virou o voto”. Antes da conclusão do julgamento, o processo havia sido interrompido por um pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. Era preciso que ele liberasse o assunto para o julgamento.
O nome do ministro Nunes Marques está entre os contatos na agenda de Vorcaro, mas o ministro tem sustentado que não tinha relação com o banqueiro.
O filho do ministro
Com apenas 25 anos e dois anos de atuação como advogado, Kevin de Carvalho Marques já assinou contratos de valores elevados. Um deles foi com a Consult Inteligência Tributária, da qual recebeu R$ 281,6 mil. A empresa, por sua vez, recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master. Entre seus clientes, estão empresas como Refit e Grupo Petrópolis.
O celular de Daniel Vorcaro apreendido pela Polícia Federal registra conversas entre o banqueiro e o ministro Nunes Marques.
Em nota, o advogado Kevin Marques afirmou que “não prestou serviço ao banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. Como informado anteriormente, o advogado Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal”.
Champagne e Macallan no jatinho
As mensagens extraídas do celular de Vorcaro também tratam de uma viagem em jatinho particular envolvendo a advogada Camilla Ewerton Ramos. Nas conversas, Vorcaro concorda com pedidos da advogada relacionados ao voo, entre eles a utilização de um aeroporto mais discreto e a oferta de Dom Pérignon e Macallan a bordo.
A imprensa revelou posteriormente que Nunes Marques e a esposa estavam nessa viagem. O voo ocorreu em 14 de novembro de 2025, de Brasília para Maceió, para a festa de aniversário de Camilla, que atua em processos do Banco Master. O próprio gabinete do ministro confirmou a presença do casal e afirmou que a advogada ficou responsável pelo voo e pelos detalhes da viagem. A aeronave era operada pela Prime Aviation, empresa controlada pela Prime You, companhia que teve Daniel Vorcaro como sócio até setembro de 2025 e que continuou ligada à administração de seus bens.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, acabou de abrir a sessão que os ministros da corte vão decidir se será aberta investigação sobre o envolvimento do ministro Alexandre de Moraes no escândalo do banco Master.
Nem todos os dez ministros do STF estão na corte e por isso mesmo a sessão que estava marcada para começar às 10 horas atrasou. Um dos que atrasaram foi Gilmar Mendes, que acabou de dar entrada no plenário da Casa.
Jason Miller, um aliado do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, publicou uma imagem feita com inteligência artificial que mostra Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), com uma tornozeleira eletrônica.
O ex-conselheiro de Trump compartilhou junto com a imagem uma reportagem do jornal britânico Financial Times, que afirma que a disputa “acirrada” entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes pode ter “impacto decisivo” nas eleições presidenciais brasileiras de outubro. As informações são da CNN.
O STF analisa nesta terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal que reuniu mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A sessão acontece após duas semanas de tensão na Corte, marcadas por trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações pelo ministro André Mendonça.
Essa não é a primeira vez que Jason Miller critica autoridades brasileiras. Em janeiro, o aliado de Trump fez uma publicação nas redes sociais xingando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após o petista criticar a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela.
Lula afirmou na ocasião que a operação americana na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, ultrapassou uma “linha inaceitável”.
Texto extraído do editorial de hoje do jornal O Globo: “Hoje, tendo o Brasil como testemunha, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) podem seguir um de dois caminhos: reconstruir a Corte ou mantê-la no descompasso moral em que se encontra.
Se optarem pela reconstrução, farão uma sessão histórica, dolorida, mas respeitosa — e começarão a recuperar a credibilidade que, em conjunto, perderam. Se optarem pela manutenção do atual estado de coisas, farão um mal imenso a si próprios, mas, fundamentalmente, à nossa República e à nossa democracia.
Essa segunda hipótese deve ser afastada. Deste julgamento, só pode emergir um vencedor: o Brasil.