Se você perdeu o Frente a Frente de hoje, sobre o pré-lançamento da candidatura de João Campos ontem, em Afogados da Ingazeira, lá no Pajeú, clique aqui e ouça agora.
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Por Andreza Matais
Do Metrópoles
Um vídeo gravado em 2025 durante a inauguração da ala pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns (PE), mostra a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) sugerindo que uma paciente seja submetida a uma laqueadura sem saber do procedimento. A coluna teve acesso ao vídeo.
“Mas faz sem ela saber! Vai!”, diz Raquel, após ouvir de uma mulher que aparenta ser funcionária do hospital o relato sobre uma paciente que estaria novamente grávida e já teria sete filhos. Procurada, a governadora admitiu ter feito o comentário.
A laqueadura é um método contraceptivo de esterilização feminina considerado definitivo e de difícil reversão. E realizá-la sem o consentimento da mulher é crime, de acordo com a Lei 9.263/1996 (Lei do Planejamento Familiar).
A gravação, de cerca de 13 segundos, foi feita durante a inauguração da ala pediátrica do Dom Moura, em maio de 2025. Raquel aparece em pé dentro de uma sala do hospital, de blusa verde-clara, conversando com funcionários e integrantes de sua comitiva pouco antes de posar para uma foto.
Ao redor da governadora estão pelo menos três pessoas: duas mulheres e um homem de óculos. Uma das mulheres gesticula com as mãos ao falar sobre o tamanho da barriga da paciente. A gestante mencionada na conversa não aparece nas imagens.
— Chega assim, ó, gestante, desse tamanho, com sete “menino” na barriga.
Raquel reage:
— Ai, meu Deus…
Em seguida, a governadora diz:
— Aí, a gente tem que fazer laqueadura, visse? Aí, a gente bota na fila da laqueadura.
A mulher responde algo que não é possível compreender na gravação. Raquel, então, afirma:
— Mas faz sem ela saber! Vai!
Laqueadura depende de consentimento
A legislação brasileira estabelece que a esterilização deve ser voluntária. A Lei nº 9.263/1996, que trata do planejamento familiar, determina que a realização da laqueadura depende da manifestação expressa da vontade da paciente, registrada em documento escrito e assinado.
A mulher também deve ser informada previamente sobre os riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de reversão e métodos contraceptivos reversíveis disponíveis.
O artigo 15 da mesma lei estabelece como crime realizar esterilização cirúrgica em desacordo com essas exigências. A pena prevista é de dois a oito anos de reclusão e multa, caso a conduta não constitua crime mais grave.
Governadora admite ter sugerido laqueadura sem consentimento
Procurada pela coluna, a governadora divulgou a seguinte nota e fez um vídeo nas suas redes admitindo a fala. “A governadora Raquel Lyra reconhece que a fala feita em Garanhuns foi infeliz e reafirma seu respeito às mulheres. Raquel defende que toda mulher tenha acesso, pela rede pública, a planejamento familiar com informação e escolha, compromisso que orientou sua gestão em Pernambuco. Raquel Lyra segue focada no que interessa aos pernambucanos: saúde, escola e emprego na vida de quem mais precisa. A eleição deve ser decidida na apresentação de propostas, não na fabricação de ataques. Trata-se de mais uma tentativa de desviar o foco do que realmente importa, que é Pernambuco”.
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A partir de ontem (19), candidatas e candidatos registrados para disputar as Eleições 2026 não podem ser presos ou detidos em todo o país. A medida, estabelecida pelo artigo 236 do Código Eleitoral, passa a vigorar 15 dias antes do primeiro turno da votação, marcado para 4 de outubro, e se estende até 6 de outubro, 48 horas após o encerramento do pleito. A regra visa garantir o livre exercício da campanha eleitoral e evitar que prisões com motivações políticas interfiram na igualdade do processo democrático.
A legislação estabelece que a imunidade temporária não é absoluta, mantendo a permissão para prisões em caso de flagrante delito. Segundo o Código de Processo Penal, a exceção se aplica a indivíduos pegos cometendo a infração, recém-saídos da prática do crime, perseguidos em situação que indique autoria ou localizados com instrumentos relacionados ao delito. Prisões decorrentes de crimes eleitorais praticados durante a campanha ou no dia da votação, como compra de votos e boca de urna, também permanecem autorizadas sob a condição de flagrante. As informações são do Brasil de Fato.
A restrição de prisão abrange ainda mesárias, mesários e fiscais de partidos políticos durante o exercício de suas funções. No entanto, a norma não interrompe o andamento de investigações, processos judiciais em curso ou julgamentos contra os postulantes, restringindo apenas a execução de prisões durante o período. Caso ocorra a detenção de algum candidato em situação de flagrante, o detido deve ser conduzido imediatamente à presença de um juiz.
Para as disputas que chegarem ao segundo turno, agendado para 25 de outubro, a proteção voltará a valer em 10 de outubro para os candidatos que continuarem no pleito, seguindo até 27 de outubro. Já para os eleitores, a restrição de prisão começa a valer mais tarde, a partir de 29 de setembro, cinco dias antes da votação, estendendo-se também até 48 horas após o encerramento do primeiro turno.
Sebastião Oliveira percorreu, ontem (19), três municípios do Agreste e da Mata Norte de Pernambuco. Ao longo do dia, o candidato a deputado estadual esteve em Sairé, Vicência e Nazaré da Mata, onde conversou com moradores, comerciantes e lideranças locais.
A primeira parada foi em Sairé, no Agreste. Ao lado do vice-prefeito Danúbio Vieira, Sebastião visitou a feira e o comércio local, ouviu demandas da população e reforçou a disposição de continuar trabalhando pelo município. À ocasião, afirmou que a parceria construída com Sairé já resultou em ações importantes, como obras de asfaltamento, calçamento e recuperação de estradas vicinais.
O segundo destino foi a Mata Norte. Em Vicência, esteve nas localidades de Murupé e Angélicas, onde apresentou propostas a moradores e lideranças. Entre os presentes estavam Francisco, ex-presidente da Câmara Municipal, Cabelinho de Murupé e Júnior.
Encerrando a agenda, Sebastião esteve em Nazaré da Mata, acompanhado de Gabriel Planta e Jó Vigilante. “É andando pelos municípios dos quatro cantos de Pernambuco, ouvindo as pessoas e conhecendo de perto cada realidade, que a gente entende onde precisa atuar. Essa é a nossa forma de fazer política, no corpo a corpo pelas ruas, olhando nos olhos das pessoas. O nosso time já mostrou que sabe fazer”, afirmou Sebastião Oliveira.
Por Bernardo Mello Franco
Do jornal O Globo
A semana começou com dois ministros do Supremo sob suspeita de receber agrados de Daniel Vorcaro. Terminou com cinco, incluindo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Kassio Nunes Marques foi o destaque da rodada. Seu nome apareceu em mensagens pouco edificantes no celular do dono do Master. Os diálogos tratam de valores, viagens e mulheres. Não necessariamente nessa ordem.
Leia maisNuma conversa, o banqueiro orienta um auxiliar a alugar a “melhor casa do Rio” para o “ministro KN”, que se hospedaria com o desembargador Newton Ramos e outros convidados.
A boca-livre coincidiu com o carnaval de 2025. Segundo o diálogo, custou a bagatela de R$ 1,45 milhão. O pacote contou com chef de cozinha, garçons, motoristas, passeio de helicóptero e camarote na Sapucaí.
Em outro lote de mensagens, a estrela é Kevin Marques, filho do ministro. O então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, enviou o contato do rapaz a Vorcaro com uma pergunta: “Esse aqui — 500 mil mês — mantém?”.
Batizado com a mesma inicial do pai, Kevin é um garoto prodígio da advocacia. Com apenas 26 anos, já ostenta clientes envolvidos em rolos bilionários na Justiça Federal, como Grupo Petrópolis e Refit.
A investigação sugere que o Master recorreu a uma consultoria registrada no Piauí, terra natal de Kassio, para remunerar o jovem jurisconsulto. De acordo com relatório do Coaf, a empresa recebeu R$ 6,6 milhões do banco entre 2024 e 2025.
A JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, despejou outros R$ 11,3 milhões. A maior produtora de proteína animal do mundo diz ter pago a firma piauiense por “serviços de consultoria e auditoria fiscal”. Quem haveria de duvidar?
Num terceiro diálogo, uma senhora identificada como Rayanna diz que sua amiga “ficou com o Kassio” e aguarda pagamento de R$ 10 mil. Sempre solícito, Vorcaro pede os dados da moça para providenciar o Pix.
Ao escolher o pai de Kevin para uma vaga no Supremo, o então presidente Jair Bolsonaro deixou claro que não se guiou pelos critérios de reputação ilibada e notável saber jurídico. “Ele já tomou muita tubaína comigo, tá certo?”, justificou.
As mensagens de Vorcaro sugerem que o ministro passou a apreciar bebidas mais sofisticadas. O open bar carnavalesco oferecia uísque Macallan e champanhe Dom Pérignon.
Antes da sessão que definiria o futuro de Alexandre de Moraes, o ministro Gilmar Mendes pressionou Kassio. Disse que ele estava “ferrado” e deveria “sair do processo”. “Eu entendo de malandro”, avisou.
O pai de Kevin negou irregularidades, mas se declarou impedido e pediu para sair do julgamento. Não abriu mão da presidência do TSE, que lhe confere poderes de árbitro da eleição.
As informações sobre o ministro ficaram em sigilo enquanto o celular de Vorcaro permaneceu sob a guarda de André Mendonça, seu aliado no Supremo.
Na sexta, com os diálogos na boca do povo, o presidente Lula arriscou uma piada sobre o assunto. Mencionou “um cidadão que esteve com uma mulher que custou R$ 10 mil reais e mandou o banco pagar”. “Só faltou tentar entrar no Desenrola”, ironizou.
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Por Lauro Jardim
Do Jornal O Globo
Numa nota oficial que o seu gabinete emitiu em abril, Alexandre de Moraes foi peremptório. Disse que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. Não é bem assim.
Foram vários voos e pelo menos um deles, ocorrido em 22 de agosto de 2025, está registrado em vídeo. Nele, Moraes e Viviane Barci aparecem desembarcando de um jatinho no Aeroporto Santos Dumont. Foram recebidos na pista com todas as honras que merecem um excelentíssimo ministro do Supremo e sua mulher. Um dos seguranças, prestativo, carregou as duas malas do casal.
O Legacy 650, prefixo PP-NLR, pertencia oficialmente a uma empresa de Vorcaro. Três meses antes, mais exatamente em 12 de maio, segundo investigações da PF, o escritório de Viviane fechara um contrato de R$ 50 milhões para “prestação de serviços e honorários advocatícios” com uma empresa do banqueiro (isso tudo além do contrato mais polpudo, de R$ 131 milhões, com o Master).
Parte desse total seria pago com cotas de um jato e de um helicóptero, ainda de acordo a PF. O jato era justamente — olha só a coincidência — esse em que o casal viajou para o Rio de Janeiro.
No mês anterior à viagem, o BC já havia enviado um comunicado ao MPF apontando fortes indícios de crime de gestão fraudulenta nas operações entre o BRB e o Master.
Moraes e a defesa do escritório afirmam que esse segundo contrato jamais existiu ou foi assinado. Numa troca de mensagens de WhatsApp capturadas do celular de Daniel Vorcaro pela PF (veja abaixo), o então banqueiro perguntou a Marcos Matta em 16 de julho de 2025: “Eles não estão usando?”. Referia-se a Moraes e Viviane.
Matta, dono da PrimeYou, empresa que geria o uso do jatinho e do helicóptero, respondeu: “Liberado desde quando você me pediu, já a usar sim. Já usaram aviões e helicópteros. O variável não cobrei ainda, devido mudança de contrato de Barci para a outra empresa deles Lux” (aqui, Motta faz referência, na verdade, à Lex, outra empresa da família Moraes).
Ao que Vorcaro pede: “Fica em contato com eles pra eles poderem usar”. A julgar pela reação de Motta, essa preocupação do banqueiro nem era necessária: “Já tinha deixado desde o primeiro dia, vou reforçar”. Procurado na sexta-feira sobre o uso do jato, Moraes repetiu o que dissera em abril. Ou seja, que nunca viajou em aeronaves de Vorcaro.


O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, cumpre agenda no Recife na próxima sexta-feira (25), ao lado dos irmãos Waldemar e Sebastião Oliveira. A visita à capital pernambucana terá como um dos principais compromissos um encontro com lideranças políticas e candidatos do partido.
Augusto Cury desembarca no Recife na manhã da sexta-feira e segue para o comitê de Waldemar e Sebastião Oliveira, na Avenida Conselheiro Aguiar, 1729, onde participa, a partir das 9h, de um bate-papo com candidatos, apoiadores e lideranças políticas de diferentes regiões de Pernambuco.
O encontro será um momento de diálogo sobre o cenário político nacional, os desafios do país e a participação do Avante nas eleições, reunindo nomes da legenda em Pernambuco em torno das candidaturas de Augusto Cury à Presidência, Waldemar Oliveira a deputado federal e Sebastião Oliveira a deputado estadual.
João Campos (PSB) participou, na noite de ontem (19), de uma grande caminhada, em Vitória de Santo Antão. Ao lado de Marília Arraes, o candidato percorreu pelas ruas da cidade e foi recebido pelo prefeito Paulo Roberto, pela deputada federal e candidata à reeleição Iza Arruda, pelo candidato a deputado estadual Túlio Arruda e por lideranças políticas do município.
Durante o ato, João Campos afirmou que viabilizaria uma nova alça de acesso à BR-232, melhorando a saída da cidade e reduzindo o risco de acidentes, além da ampliação e requalificação do Hospital João Murilo de Oliveira. “Vamos fazer muitas obras aqui em Vitória. Uma delas vai ser o viaduto de saída para a BR-232, para evitar acidentes. Vamos trazer também obras de abastecimento de água e a ampliação das escolas técnicas e de tempo integral”, afirmou.
Leia maisNa saúde, João Campos disse que o Hospital João Murilo terá investimentos específicos. A proposta é ampliar a estrutura da unidade e melhorar a capacidade de atendimento à população de Vitória e da região. “Vamos ampliar e requalificar o João Murilo. Vamos fazer também, entre Moreno, Jaboatão e Recife, um hospital com 900 leitos, que vai atender muitos pacientes da Região Metropolitana e também de Vitória. Mas nós vamos cuidar de ampliar e melhorar o João Murilo para o povo de Vitória de Santo Antão”, disse o candidato da Frente Popular.
O candidato também lembrou a proposta de isenção do IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas. João Campos também voltou a defender a retomada do 13º do Bolsa Família em Pernambuco. “Se foi feito na gestão anterior, mas é um programa bom, eu vou é melhorar. Eu não vou fazer política pequena, nem rasteira. Mas uma coisa que eu vou fazer, que esse governo acabou, é voltar o 13º do Bolsa Família”, declarou.
Paulo Roberto, anfitrião da agenda, destacou a passagem de João pela Prefeitura do Recife. “João transformou o Recife, chegou com novas tecnologias, fez a diferença. Tenho certeza de que Pernambuco vai voltar a crescer, pela capacidade técnica, pela juventude de João e pela vontade de fazer pelo povo pernambucano”, afirmou o prefeito.
João Campos chegou a Vitória depois de cumprir uma extensa programação no Recife. Pela manhã, percorreu 17 quilômetros por oito bairros da Zona Norte. À tarde, fez mais quatro quilômetros pelo Pina, saindo da Comunidade do Bode e encerrando o percurso no Parque Governador Eduardo Campos.
Por Maurilio Rodrigues
Meu caro Magno,
Na sua crônica domingueira de hoje, você me colocou na “cápsula do tempo”, e me fez encontrar com meu pai morto há mais de dez anos. Não que eu não me encontre com ele todos os dias, pois não consigo tirar ele do meu corpo e do meu coração. É uma marca à ferradura, que orgulhosamente trago comigo, e que me norteia em todos os meus atos, sentimentos e emoções.
Como eu fico feliz quando dizem “dos dez filhos, você é o que mais se parece fisicamente com seu pai, senhor Pedro da Serraria”. Como isso me faz bem. Parecer com um homem bom, honesto, batalhador, cuidador de sua família, colaborador da cidade onde decidiu se estabelecer, Limoeiro. Isso me orgulha.
Leia maisEx-combatente na 2ª Guerra Mundial, trabalhava como radiotelegrafista no Navio Vital Negreiros quando o navio foi torpedeado por um submarino alemão, na costa do Espírito Santo. Passou dois dias sobrevivendo em cima das madeiras que boiaram. Foi resgatado por um navio americano que passava nas proximidades. Nunca deixou de acreditar que sobreviveria, pois rezava. Dizia que sua mãe, Dona Sinoca, estava rezando por ele — e assim aconteceu.
Recebeu a Medalha Almirante Tamandaré das mãos do Ministro da Marinha, na Escola de Aprendizes de Marinheiro em Recife. A Escola, onde ele iniciou sua vida militar, desfilava para ele. Ao lado de Maria Tereza, minha mãe, e do Ministro da Marinha, em posição de ordem e continência. Como bom marinheiro, estava imóvel, orgulhoso, feliz e deixando cair algumas lágrimas pelo seu rosto.
Lágrimas que expressavam o orgulho de um brasileiro exemplar, um cidadão honrado, um pai maravilhoso. Tenho no meu quarto o retrato deste momento: eu e mamãe e ele ao centro. Todos os dias recebo as bençãos deles para iniciar minhas atividades. Sou um filho feliz!
*Médico
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Da Folha de S.Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu que irá a Pernambuco para um ato de campanha antes do primeiro turno. A agenda visa consolidar a vantagem histórica do petista no estado e favorecer o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que tem tido dificuldade para angariar os votos lulistas na disputa contra a governadora Raquel Lyra (PSD).
A agenda ao estado natal ocorrerá após a viagem do petista aos Estados Unidos, onde participa da Assembleia Geral da ONU, na próxima semana. Uma possibilidade é que a viagem ocorra no dia 25.
Leia maisSegundo interlocutores, Lula conversou ao telefone na última quarta (16) com a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). Esses aliados relatam que o presidente ligou para a petista para consultá-la sobre a situação da campanha em Pernambuco, antes de tomar a decisão.
Espera-se que Lula visite Caetés, no agreste de Pernambuco. O presidente nasceu no antigo distrito de Garanhuns, que se tornou município após a ida do petista para São Paulo. A agenda e os locais continuam sendo definidos.
A viagem acontece num momento em que João Campos voltou a crescer nas pesquisas e empatou tecnicamente com Lyra. Uma ala do PT cobrava de Lula uma visita a Pernambuco para impedir que a governadora vencesse a disputa com votos lulistas, mas sem apoiar o presidente.
Após o início do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral na televisão e no rádio e das propagandas eleitorais, pesquisa Datafolha divulgada no dia 14 de setembro mostrou Lyra com 47% de intenção de voto e Campos com 42%.
Pesou para Lula a avaliação de que a disputa pelo governo de Pernambuco será resolvida no primeiro turno, o que poderia deixar sua base eleitoral desmobilizada. Os demais candidatos ao governo somam apenas 3% de intenção de voto.
Outro ponto que pesou para Lula é que João Campos é o presidente nacional do PSB, partido do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Dessa forma, uma visita no primeiro turno fez sentido para ter um governador eleito aliado, para continuar mobilizando apoiadores.
Uma ala do PT, porém, resistiu à visita de Lula. Aliados próximos ao presidente, como o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, defendiam que o presidente não visitasse Pernambuco para não entrar em rota de colisão com Lyra.
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Por Silvino Teles Filho*
Cannabis é um daqueles temas em saúde mental que frequentemente provoca opiniões extremas. Para alguns, representa uma alternativa terapêutica promissora. Para outros, é uma substância associada exclusivamente a riscos. A realidade é mais complexa: dependendo do contexto, pode haver potencial terapêutico, mas também existem riscos psiquiátricos importantes.
Alguns componentes da cannabis, especialmente o CBD (canabidiol), vêm sendo estudados por seus possíveis efeitos terapêuticos. Há evidências mais consistentes para algumas condições neurológicas específicas, enquanto, na psiquiatria, as evidências ainda são mais limitadas e dependem muito da indicação. Portanto, não é adequado considerar cannabis ou seus derivados como tratamento universal para ansiedade, depressão, insônia ou outros transtornos mentais.
Leia maisPor outro lado, o THC (tetra-hidrocanabinol) possui efeitos psicoativos e pode produzir relaxamento e alteração da percepção em algumas pessoas, mas também pode provocar ansiedade, paranoia, prejuízo da atenção e alterações cognitivas.
E existe outro ponto fundamental: o mesmo produto pode produzir efeitos muito diferentes em pessoas diferentes.
Em indivíduos predispostos, principalmente quando existe uso frequente, doses elevadas ou início precoce, o consumo de cannabis está associado a maior risco de sintomas psicóticos e de transtornos psicóticos. Também pode ocorrer desenvolvimento de transtorno por uso de cannabis, com perda de controle sobre o consumo, tolerância e dificuldade para interromper.
Outro problema é utilizar cannabis como uma espécie de “automedicação” para ansiedade, insônia, estresse ou sofrimento emocional. A pessoa pode perceber alívio imediato, mas isso não significa necessariamente tratamento da causa. Em alguns casos, o uso repetido pode criar um ciclo no qual a pessoa passa a depender da substância para dormir, relaxar ou enfrentar determinadas situações.
Também precisamos diferenciar cannabis medicinal de uso recreativo. Produtos padronizados, com composição conhecida e indicação médica, não devem ser automaticamente equiparados ao consumo de cannabis com concentrações variáveis de THC.
Então, cannabis é tratamento ou risco? Pode ser uma coisa ou outra — e, em determinadas situações, pode envolver os dois aspectos ao mesmo tempo. A pergunta mais importante não deveria ser simplesmente “cannabis faz bem ou faz mal?”, mas: Qual substância? Qual dose? Qual indicação? Qual frequência? Para qual paciente? E quais são os riscos individuais?
Na saúde mental, decisões terapêuticas devem considerar evidências científicas, diagnóstico, histórico pessoal e familiar, medicamentos em uso e vulnerabilidades individuais. Natural não significa necessariamente seguro. E potencial terapêutico não significa ausência de risco.
O objetivo não é demonizar nem romantizar a cannabis, mas compreender que, quando falamos de saúde mental, contexto clínico importa tanto quanto a substância.
*Médico com atuação em Psiquiatria, Neurologia Clínica e Medicina da dor | Instagram: @drsilvinoteles
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Por Mônica Bergamo
Da Folha de S.Paulo
Um relatório reservado da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) sobre “ameaças ao processo eleitoral de 2026” elevou a possibilidade de influência e interferência externa dos EUA nas eleições brasileiras a um “nível de criticidade”. O documento foi enviado à Presidência da República, ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ao Ministério da Justiça no fim de agosto.
O texto vê uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e alerta que “observa-se intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA” sobre o país, “sem ruptura de um padrão estrutural de influência já existente”.
Leia maisA Abin contextualiza o problema dizendo que “a reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina é prioridade do segundo governo [de Donald] Trump”.
Citando documentos estratégicos do governo norte-americano divulgados entre novembro de 2025 e maio de 2026, a agência afirma que os objetivos de Trump são a “redução da influência de potências rivais dos EUA na América Latina e de negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região, em favor de seu controle, direto ou indireto, pelo governo dos EUA ou pelo capital privado estadunidense”.
Para a Abin, o Brasil se destaca na América Latina por ter hoje um “governo com maior disposição política e meios para defender sua autonomia estratégica, ante as pressões estadunidenses por concessões e realinhamento geopolítico”. Por isso, virou alvo de pressões e retaliações norte-americanas em diversas frentes.
A agência diz que, a despeito do recuo de Trump e da distensão das relações bilaterais, “as ações estadunidenses desde maio indicam tendência de escalada de pressão”, especialmente depois que o governo de Trump passou a designar organizações criminosas brasileiras como “terroristas” e anunciou novas retaliações comerciais contra o país.
Para a Abin, o anúncio, em julho, de sanções contra dois brasileiros e três empresas sediadas no Brasil e uma em Portugal por supostos vínculos com redes de lavagem de dinheiro associadas ao PCC “representa mudança de fase na escalada de sanções e interferência estadunidense”. A pressão de Trump “passou a produzir efeitos concretos contra pessoas físicas e jurídicas brasileiras”.
“Com isso, a ação de interferência externa dos EUA passa a incidir diretamente sobre relações financeiras, reputação empresarial, acesso ao dólar, operações internacionais e exposição de terceiros a riscos de sanções secundárias”, segue o relatório. “O episódio reforça a avaliação de que a interferência externa dos EUA sobre o Brasil ocorre de modo gradual, combinado e adaptativo”, alerta o órgão.
“Observa-se sequência de atos compatível com padrão já identificado: enquadramento de organização criminosa brasileira como ameaça à segurança nacional dos EUA; construção de narrativa sobre sua atuação transnacional; vinculação do tema ao sistema financeiro estadunidense; e adoção de medidas sancionatórias específicas contra indivíduos e empresas brasileiras”.
Os EUA, com isso, “ampliam o potencial de efeitos extraterritoriais sobre bancos, fintechs, empresas, prestadores de serviços e cadeias produtivas brasileiras”.
As sanções diretas podem, segundo o alerta da Abin, “induzir agentes econômicos nacionais e estrangeiros a adotar condutas preventivas baseadas em risco reputacional, acesso ao sistema financeiro estadunidense ou receio de sanções secundárias”.
O Secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional, Marco Rubio merece atenção especial do relatório. Nele, a Abin afirma que Rubio “atribuiu ao presidente brasileiro [Lula] a responsabilidade pela imposição de tarifas” contra produtos brasileiros, “sob o argumento de que o Brasil não teria ‘negociado de boa fé'”.
Para a agência, “a declaração insere caráter personalista à ação política estadunidense e tem potencial de impactar o debate púbico sobre o tema no Brasil, uma vez que a narrativa passou a ser reproduzida e amplificada por veículos de comunicação, agentes econômicos, analistas e atores políticos nacionais”.
A atuação de Rubio, segundo o relatório, apresenta componente ideológico e “busca influenciar e reorientar a política externa dos países da região [América Latina]”. O objetivo seria distanciar as nações da China, reorientando a política interna “por meio de apoio à ascensão de governos conservadores”.
A Abin lembra que Rubio, em audiência no Senado dos EUA em junho, relacionou a recuperação da hegemonia dos EUA na América Latina “à ascensão de governos alinhados aos EUA”.
A América Latina, disse então Rubio, “se tornara, no governo Trump, região repleta de governos ‘amigáveis’aos EUA”, excetuando-se “os governos de Brasil, Colômbia (então sob Gustavo Petro), Cuba, Nicarágua e Venezuela”.
Em outubro do ano passado, o governo Trump tentou impor ao Brasil que “dissidentes políticos” pudessem participar das eleições. Minuta proposta pela Casa Branca no formato de declaração conjunta dizia que “o Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”. O documento foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Em entrevista à rádio Itatiaia na quinta (17), Lula classificou o documento dos EUA como um “arquivo morto” para seu governo e disse ser inaceitável que os americanos queiram ter prioridade na riqueza mineral do Brasil.
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No poema “O tempo”, Mário Quintana diz que a vida é o dever que trazemos para fazer em casa. Fala sobre a velocidade do relógio e nos adverte que, infelizmente, o tempo nunca mais voltará. Meu pai Gastão Cerquinha nunca brigou com o tempo. Era marioquintano!
Mário Quintana exprime a sua visão madura e sábia sobre a vida. Reflete sobre temas como a passagem do tempo, a memória, a existência, a velhice e a morte. “A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas…Quando se vê, já é sexta-feira… Quando se vê, passaram 60 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem — um dia — uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio / seguia sempre em frente…”.
Leia maisPara não ser atropelado pela velocidade da vida, a sapiência do meu pai estava numa caderneta amarelada pelo tempo, encontrada por um dos seus nove filhos e exposta ontem no grupo familiar. Emocionou a todos nós, seus herdeiros, por um simples motivo: foi como se tivéssemos achado nela o tesouro das nossas vidas.
Com tamanha filharada, para não se perder no tempo papai usou a mesma caderneta, que batizo de a caderneta do amor, para anotar a data de nascimento dos filhos pela ordem numérica. Na imagem acima, fui o sexto, está lá devidamente anotado com a caligrafia dele. Tarso, o primogênito, com o número 1; Denise, a caçula, com o número 9. Papai também fazia o controle das vacinas obrigatórias: poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, hepatite, entre outras.
Em Afogados da Ingazeira, sertão euclidiano, onde mamãe Margarida pariu seus nove filhos, morria-se muito por falta de vacinas. O isolamento geográfico, a falta de estradas e a ausência de uma rede estruturada de saúde faziam com que epidemias de doenças hoje controladas ou erradicadas fossem devastadoras, elevando drasticamente a mortalidade infantil na região.
Papai cuidava dos filhos como se rega uma planta pela manhã, com muito amor. Alicerçou o nosso porto seguro pelas suas mãos calejadas, sempre com o sorriso paciente. Nos ensinou que ser pai não é apenas estar presente. É ser refúgio, ensinar pelo exemplo e cuidar com o coração.
A caderneta do meu pai funcionou como um espelho silencioso do cotidiano, onde o simples ganha a eternidade do registro. Vai muito além de números e contas. Ela guardou a nossa história, nos deixou as marcas do tempo, as coisas efêmeras da vida. Papai era um sábio! Para ele, a evolução dos seus descendentes não estava riscada na parede, mas copiada no papel.
Na caderneta do meu pai o papel amarela, a tinta desbota, mas o sentimento registrado permanece intacto contra o tempo. É filtro natural da memória, tom dourado de velhas lembranças. Nela encontrei uma poesia silenciosa nas anotações antigas, onde o passado sussurra através do papel envelhecido, o rastro visível do tempo eternizando o invisível da alma.
Descobri nela que tempo muda a cor do papel, mas purifica a essência daquilo que foi escrito com o coração. Papai era movido pelas emoções do seu coração derretido pelos filhos. Com suas linhas tortas em páginas amarelas nos deu os mapas que mostram de onde viemos e quem costumávamos ser. Revisitar anotações antigas do meu pai foi como abrir uma cápsula do tempo feita de celulose, tinta e saudade.
Cada mancha do tempo na caderneta do meu pai é o eco de um coração que insistiu em registrar a vida antes que ela virasse vento, um mapa de afetos que o tempo não conseguiu apagar. É como abrir uma janela para o peito de alguém que o tempo já levou, mas que a escrita dele eternizou.
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