Por Rinaldo Remígio
Magno, bom dia! Que maravilha o podcast com Xico Sá!
Ouvir uma conversa como essa é perceber o quanto a história possui bastidores que, muitas vezes, somente chegam ao conhecimento da sociedade décadas depois dos acontecimentos. São informações reveladoras que, infelizmente, o tempo vai guardando até que alguém resolva pesquisar, ouvir personagens, confrontar versões e, finalmente, colocá-las à disposição do público.
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O relato de Xico Sá sobre o livro ‘O Tesoureiro: o esquema de corrupção, a fuga espetacular e a morte de PC Farias’ nos transporta para um período marcante da história política brasileira: a eleição presidencial de 1989, a primeira eleição direta para presidente depois de um longo período sem esse exercício democrático, a ascensão de Fernando Collor e, posteriormente, toda a crise política que culminaria no seu afastamento da Presidência.
E quantas histórias ainda estavam escondidas!
Chama particularmente a atenção a narrativa sobre a fuga de Paulo César Farias, o PC Farias, em 1993. Os detalhes apresentados por Xico Sá – a mudança de aparência, o deslocamento pelo Sertão de Pernambuco, a utilização de um pequeno avião, a passagem pelo Paraguai e pela Argentina e, posteriormente, a chegada a Londres – parecem roteiro de cinema.
Mais impressionante ainda é saber que parte desses detalhes permaneceu desconhecida do grande público durante tantos anos.
Outro aspecto muito interessante da entrevista é o próprio papel do jornalismo naquele momento. Xico relembra a descoberta do paradeiro de PC Farias em Londres e também reconhece a importância da histórica entrevista realizada por Roberto Cabrini. São registros que demonstram como o jornalismo investigativo pode ajudar a documentar acontecimentos que, depois, passam a integrar a própria memória política do país.
Até o famoso Morcego Negro, avião associado a PC Farias desde a campanha presidencial de 1989, reaparece cercado de informações e bastidores que ajudam a compreender melhor aquele período.
É justamente aí que está, para mim, o grande valor de trabalhos dessa natureza.
Nós que gostamos de história, assim como jornalistas, pesquisadores e formadores de opinião, precisamos estar permanentemente dispostos a revisitar aquilo que imaginávamos conhecer. Novos documentos, depoimentos e investigações podem acrescentar peças ao quebra-cabeça e nos fazer enxergar determinados acontecimentos com outros olhos.
Isso não significa necessariamente apagar aquilo que já foi escrito, mas ampliar a compreensão dos fatos.
A história nunca deve ter medo de novas informações.
Por isso, Magno, parabéns pelo podcast e pela oportunidade de ouvir Xico Sá. Além de uma excelente entrevista, foi uma verdadeira viagem aos bastidores de um período que marcou profundamente a política brasileira.
Fiquei ainda mais interessado em ler o livro.
Porque, mesmo quando determinadas revelações chegam décadas depois, vale a pena conhecê-las. Conhecer os bastidores também é uma forma de compreender melhor a história.
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