Por Angelo Castello Branco
Longe de qualquer comemoração – seja por diferenças políticas ou ideológicas – o grave incidente na COP30, em Belém, deveria servir como um ponto de união entre governo e oposição em defesa da imagem do Brasil.
O episódio do fogo, que colocou em risco a integridade de participantes e poderia ter gerado pânico e ferimentos, é motivo de lamentação generalizada, não de exploração política.
Leia maisTanto o governo quanto a oposição, cada qual a seu modo, têm recorrido nos últimos anos a expedientes escusos para desqualificar adversários. Essa prática precisa ser superada. O momento exige maturidade institucional. É hora de cuidar da imagem do Brasil.
O ocorrido em Belém deve provocar uma reflexão séria sobre responsabilidade, eficiência organizacional e sobre o próprio projeto de país que desejamos construir.
Em vez de produzir críticas improdutivas e reações impulsivas, o episódio deveria inspirar o brasileiro a repensar um país que desperdiça recursos públicos, convive com corrupção endêmica, tolera violência nas ruas, contemporiza com o crime organizado e carrega mazelas que comprometem sua credibilidade internacional.
O incêndio de Belém deveria unir o Brasil, não dividi-lo – unir em torno de teses positivas e de um esforço comum para colocar o país nos trilhos.
Para isso, o governo precisa abandonar sua costumeira prepotência no trato com adversários e abrir portas ao diálogo. Da mesma forma, a oposição deve deixar de responder insulto com insulto e adotar uma postura construtiva em benefício da nação.
O incidente na COP30 abre, ainda, a oportunidade para que os verdadeiros estadistas finalmente aflorem no cenário político brasileiro – homens e mulheres capazes de orientar a sociedade rumo ao caminho mais correto, mais responsável e mais ético.
O Brasil precisa de paz e serenidade, não de rusgas, bravatas e hostilidades constantes. A sociedade brasileira está saturada de insultos e de disputas inconsequentes. O que o país realmente precisa são soluções concretas, trabalho sério e zelo absoluto no trato do dinheiro público, das instituições do Estado e das empresas estatais.
Chegamos a um ponto de inflexão. Que essa oportunidade não seja desperdiçada.
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