O pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) anunciou o apoio de um grupo político de oposição do município de Lagoa dos Gatos, no Agreste pernambucano. Entre as lideranças que passam a integrar o grupo político do socialista estão Boró, o vereador Neto de Boró, os suplentes Cido de Eliseu, Zé de Bobó, Badaró do Gesso, Tiago Monteiro e Dudé, além de Marcelo Antônio e outras lideranças locais.
Segundo aliados de João Campos, o apoio foi consolidado durante articulações políticas realizadas no interior do Estado. “Mais um importante apoio que a gente recebeu. Estamos juntos com esse grupo em Lagoa dos Gatos, vamos caminhar juntos e muito ao longo desse ano”, afirmou o prefeito do Recife e pré-candidato ao governo estadual.
O movimento faz parte da agenda de articulações políticas conduzida por João Campos em municípios do Agreste e da Zona da Mata. O grupo político que declarou apoio ao socialista era ligado à oposição local em Lagoa dos Gatos.
Se o leitor não conseguiu acompanhar a entrevista com o cantor e compositor Paulinho Leite ao quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!
O município de Paudalho recebeu do Governo de Pernambuco um kit de equipamentos e mobiliários destinado à implantação da segunda Casa das Juventudes da cidade, que funcionará na comunidade de Chã de Cruz. Segundo a gestão municipal, os equipamentos serão utilizados em ações voltadas à formação, convivência e desenvolvimento de jovens.
O kit entregue conta com mais de 50 itens, entre eles computadores, impressora, mesas, cadeiras, aparelhos de som, TV Smart, microfone, armário e mesa de reunião. Os equipamentos serão utilizados em atividades educativas, culturais, oficinas, capacitações e ações de cidadania promovidas pela nova unidade.
A pré-candidata ao Senado Federal Marília Arraes cumpriu, nesta sexta-feira (22), uma agenda política no Sertão do São Francisco com visitas a instituições de ensino, entrevistas em rádios de Petrolina e encontros com representantes do setor rural e sindical. Durante a passagem pela região, Marília defendeu a ampliação de investimentos em educação pública, ensino técnico e agricultura familiar. “Estamos falando de uma das regiões mais produtivas e importantes do nosso estado. O Sertão do São Francisco hoje produz riqueza, tecnologia, pesquisa e oportunidade”, afirmou.
Ao lado do senador Humberto Costa e do pré-candidato a vice-governador Carlos Costa, Marília visitou o IFSertão e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), onde conheceu estruturas ligadas à pesquisa, tecnologia e saúde. À tarde, esteve em áreas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Santa Maria da Boa Vista, acompanhada da deputada estadual Rosa Amorim. “O IFSertão e a Univasf representam uma transformação histórica no Sertão”, declarou Marília durante a agenda.
O Sextou, programa musical que ancoro às sextas-feiras no lugar do Frente a Frente, recebe, hoje, o cantor e compositor Paulinho Leite, artista de Arcoverde com 25 anos de trajetória marcada pela valorização da música nordestina. Forró, baião, xote e xaxado atravessam sua obra como expressão de identidade cultural e poesia popular.
Após um período afastado dos palcos e dos estúdios, Paulinho retorna em 2026 com o projeto audiovisual Atravessando o Tempo, gravado em janeiro, em Aldeia, Pernambuco. O trabalho reúne 15 faixas e participações especiais de nomes como Santanna – O Cantador, André Rio, Cezzinha, Nando Cordel, Maciel Melo, Anchieta Dalí e Kleber Araújo.
Leia maisEntre as músicas do novo projeto estão Cavaleiro do Araripe, de Chico Bizerra e Carlos Villela, em homenagem a Miguel Arraes; Cabelo de Milho, de Silvuca e Paulinho Tapajós, com participação de Petrúcio Amorim e homenagem ao poeta João Paraibano; e Só Mais Uma Vez, de Chico Bizerra e Lenine de Buíque, com participação de Santanna. O álbum também aposta em videoclipes com uso de inteligência artificial para ampliar visualmente as homenagens a personagens da cultura nordestina.
No programa, Paulinho Leite fala sobre o retorno aos palcos, o processo de criação de Atravessando o Tempo e a proposta de unir memória, tradição e tecnologia em um trabalho voltado à preservação da cultura nordestina.
O Sextou vai ao ar das 18h às 19h, pela Rede Nordeste de Rádio, que reúne 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Para ouvir pela internet, acesse o link do Frente a Frente no topo desta página ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na Play Store.
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Diário de Pernambuco
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou ao prefeito de Lagoa do Carro, Zé Luiz, a exoneração de servidores comissionados e ocupantes de funções de confiança que tenham vínculos de parentesco com o gestor municipal e vereadores da cidade. Segundo o órgão, as nomeações configuram prática de nepotismo direto e cruzado.
Entre os vínculos identificados pela 2ª Promotoria de Justiça de Carpina estão cônjuges, filhos, irmãos, sobrinhos e cunhados nomeados para cargos em comissão ou funções de confiança na gestão pública do munícipio da Mata Norte do estado.
Leia maisDe acordo com a recomendação publicada no Diário Oficial do MPPE desta quarta-feira (20), os servidores possuem vínculos familiares com o prefeito Zé Luiz e com os vereadores Claudemir do Amaral Lima, José Lúcio do Nascimento, Sérgio Ricardo Vasconcelos e Josivan Valdeci da Silva.
Diante das irregularidades apontadas, o MPPE ajuizou uma ação de improbidade administrativa na 3ª Vara Cível da Comarca de Carpina para solicitar a aplicação das sanções previstas em lei.
A recomendação estabelece prazo de 10 dias úteis para que a prefeitura exonere servidores ocupantes de cargos de livre nomeação – como funções de chefia, direção e assessoramento – que tenham parentesco de até terceiro grau com o prefeito, vice-prefeito ou vereadores do município.
O MPPE também recomendou que o prefeito e o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Bosco Félix da Cruz, se abstenham de realizar novas nomeações de cônjuges, companheiros ou parentes até o terceiro grau para cargos comissionados, funções gratificadas ou contratações temporárias.
A medida também se aplica a parentes do vice-prefeito, secretários municipais e vereadores de Lagoa do Carro.
Surgimento da recomendação
A recomendação, assinada pelo 2º Promotor de Justiça de Carpina, Guilherme Graciliano Araújo Lima, surgiu após a tramitação de um Inquérito Civil, instaurado a partir do recebimento de várias denúncias cadastradas pelo sistema eletrônico de ouvidoria que indicava a ocorrência de nepotismo nos órgãos públicos do município de Lagoa do Carro.
Durante a tramitação do inquérito civil, foi comprovada a prática de nepotismo direto (ato em que a autoridade nomeia seu próprio parente) e cruzado (quando autoridades de um órgão nomeiam familiares de autoridades de outro órgão, compensando-se reciprocamente).
Segundo a Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que veda a contratação de cônjuges, companheiros ou parentes (consanguíneos ou afins) até o terceiro grau para cargos em comissão, funções de confiança ou cargos de direção, esse ato constatado em Lagoa do Carro viola a constituição federal.
Vale ressaltar que em casos de secretarias municipais, a prática de nepotismo não é considerada, desde que os servidores possuam qualificação técnica para a pasta respectiva e não configurem mera troca de apoio político.
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Nota oficial
O Colégio de São Bento de Olinda, diante da carta aberta recentemente divulgada pelo SINTEPE, vem a público prestar esclarecimentos à sua comunidade escolar, composta por colaboradores, estudantes, famílias e sociedade.
Inicialmente, reconhecemos que o Colégio atravessa, há alguns anos, desafios financeiros significativos, realidade enfrentada com responsabilidade, transparência e permanente esforço institucional para garantir a continuidade de suas atividades e preservar sua missão educacional.
Leia maisEntretanto, é importante esclarecer que as situações apresentadas na referida manifestação não correspondem, de forma geral e uniforme, à realidade de todos os colaboradores da instituição. Existem questões pontuais e individualizadas, que vêm sendo tratadas administrativamente e acompanhadas pela gestão, dentro das possibilidades financeiras e dos compromissos legais do Colégio.
Os recursos recebidos pela instituição são destinados prioritariamente à manutenção do funcionamento escolar e ao cumprimento de obrigações operacionais, administrativas e legais, incluindo compromissos decorrentes do cenário financeiro acumulado ao longo dos últimos anos. Não procede qualquer interpretação de desvio de finalidade ou destinação indevida desses recursos.
Cabe ainda esclarecer que os dirigentes da instituição exercem sua atuação movidos pelo compromisso com a preservação do Colégio e de sua tradição educacional, não havendo remuneração vinculada ao exercício dessa função.
O Colégio reafirma seu respeito aos profissionais que contribuem diariamente para sua história e reconhece a legitimidade do diálogo como instrumento para a construção de soluções responsáveis e duradouras.
Seguimos empenhados na superação das dificuldades existentes, já visualizando perspectivas concretas de reequilíbrio e regularização gradual das pendências, sempre pautados pelo compromisso com a educação, com as pessoas e com a missão que historicamente sustenta esta instituição.
Colégio de São Bento de Olinda
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Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22) mostra o presidente Lula (PT) com 47% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 43% em eventual cenário de segundo turno da eleição presidencial de 2026. No levantamento anterior, de 16 de maio, Lula e Flávio apareciam empatados com 45% no segundo turno. As informações são do g1.
Veja números:

A pesquisa é a primeira do instituto feita integralmente após a revelação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As mensagens foram reveladas pelo site The Intercept Brasil. Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro pediu apoio financeiro a Vorcaro para a produção de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Foram entrevistadas 2.004 pessoas entre os dias 20 e 22 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Além do cenário com Flávio, o instituto também pesquisou o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como alternativa ao senador em cenários de 1º turno e 2º turno. Veja os números:

O Datafolha também pesquisou cenários de 2º turno com Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).


Segundo o Datafolha, Lula ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre o senador em cenário de 1º turno. O levantamento desta semana mostra mostra o presidente Lula com 40% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 31% em um dos cenários testados.
Em outra simulação, sem Flávio, Lula aparece com 41% e Michelle Bolsonaro (PL), com 22%.
Veja os números:
Cenário com Flávio Bolsonaro

Cenário com Michelle Bolsonaro

A pesquisa mostra também que 46% dos eleitores não votariam no senador Flávio Bolsonaro (PL) para presidente nas eleições de outubro de 2026. Em relação ao presidente Lula (PT), 45% dizem não votar no petista. Em comparação com a pesquisa anterior, Flávio passou numericamente Lula em rejeição.
Na pesquisa de 16 de maio, Lula aparecia à frente com 47% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro registrava 43%.
Em seguida aparece Michelle Bolsonaro, com 31% de rejeição. Depois vêm Romeu Zema (Novo), com 18%; Renan Santos (Missão), com 16%; e Ronaldo Caiado (PSD), com 15%.
Veja os números:
O podcast Direto de Brasília da última terça-feira, com a pré-candidata do PDT ao Senado em Pernambuco, Marília Arraes, alcançou o maior desempenho entre todos os programas que foram ao ar nos últimos meses.
Liderou os índices de alcance, visualizações, engajamento e crescimento de audiência, chegando a cerca de 80 mil visualizações, registrando desempenho acima da média dos conteúdos orgânicos do período.
Os números consolidam como um dos conteúdos de maior repercussão digital já registrados no podcast.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) denunciou, nesta sexta-feira (22), possíveis irregularidades em um contrato de quase R$ 183 milhões executado pelo Governo Raquel Lyra para manutenção e reformas em escolas da rede estadual. Durante coletiva de imprensa realizada, a entidade lançou a campanha “Cadê a Reforma da Minha Escola?” e apresentou um levantamento que aponta indícios de desperdício de dinheiro público e serviços de baixa efetividade em unidades de ensino que passaram por intervenções milionárias.
Segundo o Sintepe, os dados foram obtidos a partir do Portal da Transparência do Governo do Estado. O contrato analisado soma R$ 182.784.905,05 e contempla 798 escolas estaduais. Após reunir centenas de boletins de medição de obras, o sindicato realizou visitas técnicas em 10 escolas da Região Metropolitana do Recife e afirma ter encontrado um cenário que contradiz os altos valores pagos pelo Estado.
Leia maisEntre os problemas identificados estão infiltrações, rachaduras, salas inadequadas para atividades pedagógicas, instalações elétricas precárias com risco de choque, banheiros deteriorados, mato alto, quadras abandonadas e ambientes sem climatização adequada. Em várias unidades, segundo o sindicato, as condições encontradas são incompatíveis com o volume de recursos públicos investidos.
Um dos casos mais emblemáticos apontados pelo levantamento foi o da Escola de Referência em Ensino Fundamental Creusa Barreto Dornelas Câmara, no bairro da Torre, Zona Oeste do Recife. De acordo com o Sintepe, a unidade recebeu intervenções que somam R$ 1.717.583,22. Apesar disso, o sindicato afirma ter encontrado um ambiente marcado por problemas estruturais graves e sinais evidentes de precarização.
Para dar visibilidade às denúncias, o Sintepe lançou um hotsite reunindo documentos, boletins de medição e informações sobre as 798 escolas contempladas pelo contrato. A entidade classifica o caso como um possível “escândalo da educação pública pernambucana”.
O sindicato informou ainda que encaminhou as denúncias ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e ao Tribunal de Contas da União (TCU), solicitando investigação sobre a aplicação dos recursos e a execução das obras.
“A população tem o direito de saber onde foram parar quase R$ 183 milhões pagos pelo Governo do Estado enquanto estudantes e trabalhadores convivem diariamente com escolas deterioradas”, afirmou a direção da entidade.
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Após a homologação do diretório estadual da Federação União Progressista, o presidente da Federação em Pernambuco, o deputado federal Eduardo da Fonte, iniciou o processo de oficialização dos diretórios municipais no estado. O primeiro diretório constituído é o de Bom Conselho, que passa a ser presidido pelo deputado estadual Dannilo Godoy.
Por José Américo Silva*
Durante muito tempo, a política brasileira cultivou uma crença quase absoluta: quem controla a máquina pública, quem reúne prefeitos, vereadores, governadores, deputados, lideranças partidárias e muito dinheiro de campanha larga na frente e praticamente escolhe o resultado da eleição. Durante décadas, esse raciocínio funcionou. Mas o eleitor brasileiro mudou — e mudou profundamente.
Hoje, em muitas disputas, apoio institucional excessivo pode gerar exatamente o efeito contrário ao esperado: antipatia popular.
Leia maisExiste um fenômeno silencioso acontecendo no Brasil contemporâneo que muitos estrategistas ainda não compreenderam completamente. O eleitor passou a distinguir poder político de conexão emocional. E essa diferença é decisiva.
Uma candidatura pode ter estrutura, dinheiro, tempo de televisão, apoio partidário, prefeitos, senadores, deputados, marqueteiros renomados e até a chamada “máquina”. Mas, se não despertar sentimento, identificação e empatia, ela corre sério risco de fracassar. Porque voto não nasce apenas da razão política. Voto nasce, sobretudo, da emoção.
E emoção não se compra.
A história política brasileira está cheia de exemplos emblemáticos. Em 1986, na Bahia, Antônio Carlos Magalhães ainda exercia um poder gigantesco sobre o estado. Seu candidato ao governo era o respeitado jurista Josaphat Marinho. Do outro lado estava Waldir Pires, embalado pelo sentimento popular da redemocratização. ACM tinha estrutura, influência e controle político. Waldir tinha o povo.
Naquele contexto, surgiu uma das peças mais simbólicas da política baiana:
“Não tem tatatá, não tem tititi.
Recebo dinheiro do ACM e voto em Waldir.”
A frase traduzia um fenômeno que continua extremamente atual: o eleitor pode até aceitar favores, benefícios ou pressão política, mas isso não significa submissão eleitoral automática. Aliás, muitas vezes ocorre justamente o contrário.
Quando o eleitor percebe arrogância de poder, excesso de imposição institucional ou uso ostensivo da máquina pública, nasce um sentimento silencioso de resistência. O cidadão comum passa a enxergar aquela candidatura não como alguém próximo dele, mas como expressão de um sistema político que tenta empurrar uma escolha “de cima para baixo”. E o eleitor moderno rejeita tutela.
Outro exemplo clássico aconteceu em Alagoas, em 2006. O deputado federal João Lyra entrou na disputa pelo governo com uma coalizão quase absoluta. Tinha apoio de cerca de 98 dos 102 prefeitos do estado, maioria esmagadora de vereadores, deputados estaduais e federais. Em tese, era uma candidatura imbatível. Mas faltava o principal: conexão popular.
Do outro lado, o senador Teotônio Vilela Filho representava exatamente o contrário: menos estrutura institucional e mais identificação emocional com o eleitorado. Resultado: venceu ainda no primeiro turno. A lição permanece atualíssima.
A política contemporânea entrou definitivamente na era do sentimento eleitoral. O eleitor não quer apenas ouvir promessas ou assistir demonstrações de força política. Ele quer autenticidade, espontaneidade e verdade. Quer enxergar humanidade no candidato. Quer sentir que aquele nome compreende suas dores, angústias e expectativas. Por isso, muitos candidatos tecnicamente fortes fracassam. São campanhas muitas vezes impecáveis no papel, mas frias na alma.
Há campanhas que parecem reuniões burocráticas de condomínio: organizadas, cheias de apoios, mas incapazes de produzir entusiasmo popular. E sem entusiasmo não existe onda eleitoral.
Esse talvez seja o maior erro de parte da velha política: acreditar que soma de apoios institucionais automaticamente produz votos. Nem sempre produz. Às vezes produz exatamente o contrário.
Quando o eleitor observa uma candidatura excessivamente dependente da máquina pública, de acordos de bastidores ou de demonstrações ostensivas de poder econômico, surge uma pergunta silenciosa no imaginário popular:
“Se ele é tão forte assim, por que precisa usar tudo isso?” Essa dúvida corrói campanhas.
Da mesma forma, a compra de votos perdeu eficácia estrutural. Não porque tenha desaparecido totalmente, mas porque o comportamento do eleitor mudou. Hoje, muitos eleitores dissociam completamente o recebimento de algum benefício da obrigação moral do voto.
A antiga lógica do “favor político” perdeu força diante de um eleitor mais desconfiado, mais autônomo e menos previsível.
A política brasileira entrou numa fase em que a autoridade institucional já não garante autoridade moral perante a população.
Além disso, existe um outro elemento cada vez mais presente nas disputas modernas: o uso político das pesquisas eleitorais como ferramenta de indução psicológica do voto.
Pesquisa séria é instrumento importante de análise de cenário. Mas, no Brasil, também se consolidou a cultura das pesquisas utilizadas como peça de propaganda eleitoral. A lógica é simples: criar no imaginário coletivo a sensação de inevitabilidade da vitória de determinado candidato. É a tentativa de produzir o chamado “voto útil emocional”, aquele em que parte do eleitorado passa a votar não necessariamente em quem prefere, mas em quem acredita que vai ganhar.
O problema é que a história recente da política brasileira mostra que eleição não se decide em planilha, mas em sentimento social. E sentimento popular não cabe integralmente em levantamento estatístico.
As eleições de 2022 produziram exemplos claros disso. Diversos institutos apontavam diferenças muito superiores às verificadas nas urnas entre Lula e Bolsonaro no primeiro turno, além de indicarem cenários que não se confirmaram em vários estados. Em São Paulo, por exemplo, Tarcísio de Freitas apareceu abaixo do desempenho final registrado nas urnas e terminou liderando o primeiro turno ao governo paulista.
Fenômeno semelhante aconteceu em outras eleições brasileiras, inclusive estaduais e municipais, nas quais candidaturas tratadas como “invencíveis” pelas pesquisas acabaram derrotadas porque o eleitorado real era muito mais complexo do que o retrato apresentado nos levantamentos. O excesso de confiança produzido por pesquisas favoráveis frequentemente gera acomodação em campanhas e, ao mesmo tempo, desperta no eleitor um sentimento de reação contra aquilo que ele interpreta como tentativa de manipulação psicológica do processo eleitoral.
Por isso, campanhas inteligentes observam pesquisas como termômetro — jamais como sentença definitiva. Porque eleição continua sendo organismo vivo. O eleitor muda de humor, muda de percepção e, muitas vezes, muda de voto silenciosamente.
No fim das contas, eleição continua sendo um ato profundamente humano. E seres humanos não escolhem apenas com base em estruturas de poder. Escolhem, sobretudo, com base naquilo que sentem.
Máquina ajuda. Dinheiro ajuda. Apoios ajudam. Pesquisas ajudam. Mas nada disso substitui aquilo que verdadeiramente decide eleições: a capacidade de conquistar emocionalmente o eleitor.
Porque, no final, urna eletrônica não contabiliza favoritismo político, manchete de jornal, volume de recursos ou quantidade de prefeitos aliados. Urna contabiliza voto. E voto continua sendo uma das manifestações mais imprevisíveis, emocionais e livres do comportamento humano.
*Jornalista
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