Palavra final será do pai
Li, ontem, na coluna da bem atualizada Júlia Duailibi, de O Globo, que a manutenção da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) depende apenas e unicamente da decisão monocrática do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Independentemente do rumo que o pai der, o projeto de poder da família está fadado ao insucesso.
Os efeitos do escândalo Master na imagem de Flávio são devastadores, não só porque recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente para um filme, mas porque mentiu. Mentiu quando disse que a grana, R$ 130 milhões, seria para o filme do pai, versão negada pelos produtores. Mentiu quando disse que nunca esteve com Vorcaro e apareceram imagens dele visitando o banqueiro na prisão domiciliar.
Leia maisA família Bolsonaro, entretanto, ainda não caiu na real. Soube que o ex-presidente tende a manter Flávio na disputa por uma questão simples: a candidatura dele não foi lançada para ganhar, mas para manter a base bolsonarista coesa em torno do clã, evitando a dispersão dela em direção a outro candidato que, uma vez eleito, se tornaria o novo líder da direita, engolindo Bolsonaro.
Se não fosse por isso, Tarcísio teria sido o candidato. O bom desempenho de Flávio nas pesquisas, antes da parceria cinematográfica com Vorcaro, não estava precificado. Sua candidatura passou a ter perspectiva de vitória à medida que ele vestiu o figurino do “Bolsonaro que toma vacina”, e parte do eleitorado resolveu passar o pano para os detalhes do currículo, como rachadinha e ligações com milicianos.
Além disso, mesmo com o enrosco do “Dark Horse” e o que mais aparecer em eventuais delações e afins, Bolsonaro não tem o perfil de quem passará recibo para as denúncias e substituirá o filho, mandando um recado para o público de que o Zero Um tem mesmo culpa em cartório.
NO PESCOÇO – Os tentáculos do Master atingiram Flávio Bolsonaro e agora começam a dar voltas pelo seu pescoço, a ponto de integrantes de seu partido, o PL, saírem falando por aí que em 15 dias decidirão se mantêm a candidatura de pé ou não. A cúpula do PL pode até causar nos bastidores, mas pouco tem a fazer diante da decisão que será única e exclusivamente de Jair Bolsonaro, como foi dele o projeto de lançar o primogênito à Presidência, e não Tarcísio de Freitas, nome preferido dos chefões da sigla.

Valdemar refém da família – Depois da repercussão ruim, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, veio a público dizer que o deadline de 15 dias, estabelecido numa reunião interna, não dizia respeito à manutenção da candidatura do senador, mas sim à retomada de seu crescimento nas pesquisas eleitorais. É irrelevante o que ele diga em privado ou em público. Valdemar terceirizou o partido para Bolsonaro, e é Bolsonaro quem decidirá se Flávio fica ou não. O presidente do PL fez essa concessão ao clã de olho no que realmente importa para ele: eleger grandes bancadas no Congresso.
Olho na dinheirama – Quanto maior a bancada, maior a fatia de dinheiro público que pinga nas contas do PL, via fundo eleitoral. Somente neste ano, Valdemar terá em mãos R$ 880 milhões para tocar a eleição. Comprar briga com os Bolsonaros agora não parece ser bom negócio. Por isso, nem tão cedo Flávio vai jogar a toalha, a menos que nos próximos dias surjam fatos gravíssimos e relevantes na relação dele com Vorcaro.
Desvios de armas – A Polícia Civil avançou na investigação de um forte esquema de desvio de armas de fogo, que envolvia CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores) e policiais militares, no Sertão de Pernambuco, segundo reportagem no JC de ontem. Uma operação, na quarta-feira passada, cumpriu mandados de busca e apreensão, fechou clubes de tiro e conseguiu recolher 57 armas. A investigação começou em março de 2025 para apurar um homicídio ocorrido no município de Serra Talhada. Durante o inquérito, a Polícia Civil identificou uma organização criminosa voltada à compra e revenda clandestina de armas, acessórios e munições.

A versão de Raquel – “O governo federal entrou com embargo de declaração no processo do Tribunal de Contas, para que fique muito claro que o que foi suspendido foram novas contratações, não essa que já está pronta e que será o contrato assinado na presença do presidente Lula, como ele mesmo fez questão de fazer, para a retomada da Transnordestina. Me dizem que pode ser na semana que vem”, disse, ontem, a governadora Raquel Lyra (PSD), ao contestar o relatório do TCU obrigando a suspensão das obras de retomada do projeto da ferrovia Transnordestina no trecho pernambucano.
CURTAS
CONTESTAÇÃO – A governadora questionou um estudo da Mackenzie que atestou a construção do trecho pernambucano da ferrovia Transnordestina como inviável economicamente. Afirmou que desde que assumiu o poder pediu e nunca obteve acesso ao estudo que indica a inviabilidade econômica da obra e enfatizou que “não se trata da viabilidade de uma empresa”.
PATERNIDADE – Diferentemente da governadora, que segundo ele ignora a paternidade das obras federais no Estado, o prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), foi incisivo, na relação da Prefeitura com a União, ao criticar a postura de Raquel.
PATERNIDADE 2 – “Aqui do lado tem um casarão muito bonito, e em conversa com todo mundo que estava aqui o principal pedido foi atendido, e teremos uma nova creche municipal. E tem um cara que se importa com a vida de quem mais precisa, e o nome dele é Luiz Inácio Lula da Silva. Essa creche só está saindo do papel porque ele ajudou, e a gente não esconde ele. Lula conseguiu essa creche, e a gente vai executá-la”, reforçou em um ato numa comunidade.
Perguntar não ofende: O PL tem um nome para substituir Flávio caso ele jogue a toalha?
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