Por Alex Fonseca – Blog da Folha
O deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) afirmou que o ex-prefeito Recife e pré-candidato ao governo, João Campos (PSB), tem mantido o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mediante ameaça e não confiança. Em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM na manhã desta terça-feira (2), o parlamentar sustentou que uma possível aliança entre o presidente e a governadora Raquel Lyra (PSD) é impedida pelo fato de o PSB ameaçar implodir acordos com o PT em estados estratégicos.
“O que João [Campos] quer é construir muros em torno do presidente Lula para que a força do presidente seja canalizada na campanha dele. João não pode cometer essa irresponsabilidade com o presidente, com o projeto de país. Tem que compreender que as alianças do presidente são muito maiores do que as alianças que ele [João] quer para Pernambuco. As alianças do presidente vão ditar o futuro do país pelos próximos anos, talvez décadas”, declarou.
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Cotado para ser um dos candidatos ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra, o deputado argumentou que a estratégia de Campos tem restringido o potencial de votos do presidente Lula em Pernambuco. Ao defender uma extensão da aliança em torno da reeleição do presidente, que abrangeria também a governadora, Gadêlha disse que o voto decisivo para Lula obter o quarto mandato em outubro pode vir do estado natal dele.
“Uma aliança se consolida quando existe a intenção dos dois lados. Acho que a governadora precisa declarar o voto no presidente, assim como o presidente precisa declarar seu apoio à governadora. Esta é a minha opinião e estou trabalhando para fazer esse casamento […]. Mas existem forças políticas aliadas ao presidente que não querem que isso aconteça e que usam seu partido, seus aliados para ameaçá-lo e ameaçar o grupo político do PT em outros estados”, afirmou.
Nas contas do parlamentar, o chefe do Executivo federal poderia somar entre 600 e 700 mil votos a mais. Ele lembrou que Lula venceu a disputa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022, com mais de 60 milhões de votos, contra os 58 milhões do então presidente – 2 milhões de votos de diferença.
Para ele, é fundamental que Lula vença a eleição já no primeiro turno, uma vez que as demais forças políticas – além do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) – são todas figuras identificadas com a direita, como ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador Minas Gerais Romeu Zema (Novo).
“A gente tem tempo de consertar e fazer esse ajuste de rota para que a gente consiga entregar uma vitória ao presidente no primeiro turno”, enfatizou.
Bolsonarismo
Túlio Gadêlha defendeu a governadora das críticas de opositores que apontam alianças dela com figuras associadas ao bolsonarismo. Raquel tem entre os defensores do projeto de reeleição figuras como a do ex-ministro do Turismo no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Gilson Machado Neto (Podemos), e da deputada federal Clarissa Tércio (PP).
“A gente escolhe em quem vota e não quem vota na gente. Quanto mais pessoas estiverem com a gente num projeto político, principalmente majoritário, melhor”, disse, ressaltando que existe a necessidade de obter votos entre evangélicos, profissionais das forças de segurança e conservadores.
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