A Missa do Vaqueiro, assim batizada desde o seu nascimento, em 1970, é um ato da liturgia católica, que se realiza anualmente, sempre com orações e muita fé, em sufrágio da alma de Raimundo Jacó e que costuma contar com os vaqueiros da região, reunidos a céu aberto, no sítio Lages, zona rural de Serrita, sertão pernambucano onde o sol escaldante faz o calor aquecer os corações sofridos pelo choro da ausência do vaqueiro Jacó.
A origem desta celebração decorre da comoção causada pela barbárie impune em decorrência do assassinato do vaqueiro Raimundo Jacó, encontrado morto em 1954, em pleno mês de julho, no sítio Lages onde hoje se encontra o Parque Nacional do Vaqueiro.
Nos primeiros anos, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, participou, até o seu desenlace, cantando e encantando com a magia da sua voz, louvando o seu primo Jacó, a quem ele, reverenciando o seu espírito, elevava, com os seus aboios, a figura emblemática do sertão, o vaqueiro, em especial a Raimundo Jacó.
Destaque para os shows de grandes cantores contratados para a parte profana da liturgia, e que promovem o cometimento espiritual para os que encontram, na música, os seus encantos.
Como compreender, minha gente, que, agora, 54 anos depois, possam políticos desprevenidos e desavisados, tentar mudar o nome do evento, numa agressão de lesa-cultura aos que lutam pela preservação dos nomes que dão relevo aos eventos, às ruas, às avenidas, aos monumentos, às instituições, etc.
A Missa do Vaqueiro, que é de autoria do padre João Câncio, patrono da Fundação que leva o seu nome e tem como acervo principal a Missa do Vaqueiro, é Patrimônio Cultural e Imaterial de Pernambuco, num reconhecimento do Estado à grandeza do evento, numa incorporação à argamassa da cultura do nosso povo, além de ser com este nome batismal um produto turístico de Pernambuco para o mundo.
Por que mudar o nome da missa para a Festa de Jacó? Compreende-se que a liturgia em questão, quanto mais se chamar por seu nome de origem, a Missa do Vaqueiro, quanto mais será a Festa de Jacó, porque sendo do vaqueiro, é também de Jacó, e quanto mais missa, mais festa.
Gonzaga tinha em Raimundo Jacó o grande vaqueiro, o grande aboiador, capaz de conduzir o gado na paisagem entre matos e matas. A sua canção, A Morte do Vaqueiro, é um grito de saudade, homenageando o primo Jacó.
Assim canta, no início da sua composição, o inesquecível Rei do Baião:
Numa tarde bem tristonha
Gado muge sem parar
Lamentando seu vaqueiro
Que não vem mais aboiar
Não vem mais aboiar
Tão dolente a cantar.
Que a Missa do Vaqueiro conserve o seu nome de origem, mantendo em nós o encanto de uma liturgia que reza preces em defesa de um espírito tão do Sertão e tão do nosso coração!
Roberto Pereira é ex-secretário de Educação e Cultura de Pernambuco e membro da Academia Brasileira de Eventos e Turismo
Raquel teve mais de 1 milhão de votos casados com Lula
Numa postagem de fim de semana, joguei uma nuvem de suspeitas sobre a postura de lealdade do PT e, principalmente, do senador reeleito Humberto Costa, com João Campos (PSB), derrotado pela governadora Raquel Lyra no primeiro turno. Ontem, recebi de um leitor números que comprovam que houve, verdadeiramente, uma baita traição.
Vamos aos números: na totalização pelo TSE, Raquel teve 2.805.438 votos e Flávio Bolsonaro 1.738.043 votos. Para sair vitoriosa, a governadora obteve 1.067.395 votos agregados aos votos de Lula, ou seja, essa legião de leitores casou o voto dado a Raquel com Lula e não com João, o que, na prática, põe abaixo o esforço do então candidato do PSB a governador em fazer uma campanha 100% dobrada com Lula.
Traduzindo: o apelo do candidato do PSB pelo voto casado com Lula só beneficiou o presidente e candidato à reeleição, porque o PT em Pernambuco fingiu que fez campanha para João. Humberto, o senador mais votado, saiu das urnas com mais votos do que João.
Recebeu 2.531.389 votos ante 2.360.469 votos, 170.920 votos a mais. Com exceção de Teresa Leitão, candidata à Casa Alta na chapa de Danilo Cabral em 2022, graças ao efeito Lula, em Pernambuco nunca um candidato a governador perdeu a eleição e seus senadores foram eleitos. Humberto chegou a ter mais votos do que Marília Arraes (PDT), que liderou todas as pesquisas até às vésperas da eleição.
Por que tal fenômeno? Humberto era o candidato não oficial de Raquel. Teve o apoio declarado em propaganda de 40 prefeitos leais a governadora, a começar por Rodrigo Pinheiro (PDT), de Caruaru, município que Raquel governou por dois mandatos. Humberto chegou a fazer campanha nesses municípios sem João. O que é isso se não traição?
Em Tabira, município governado pelo PT, seara do deputado federal reeleito Carlos Veras, também petista e integrante do grupo de Humberto, Raquel teve quase 12 mil votos e João pouco mais de mil votos. Já em Jurema, no Agreste, também de prefeito petista, Raquel teve 57% dos votos e João 42%. A mesma coisa Granito, também no Sertão, onde Raquel teve 60% e João 39%.
A política ama a traição e odeia o traidor, como dizia o saudoso Leonel Brizola.
RECIFE FALHOU – Dos 14 municípios que compõem a Região Metropolitana do Recife, João Campos venceu em apenas três: Recife, Olinda e São Lourenço da Mata. O desempenho na região ganhou peso na apuração por se tratar da principal área de influência política de João no Estado. No Recife, onde construiu sua trajetória política e administrou a cidade por cinco anos, o socialista buscava uma votação capaz de sustentar a candidatura estadual. O resultado, porém, ficou abaixo da força demonstrada em eleições anteriores para cargos disputados na capital, resultando em 49,94% dos votos ante 46,07% de Raquel.
Lula só bombou Raquel – Um dos principais elementos da campanha de João foi a associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O apoio do presidente foi utilizado pelo socialista como uma das marcas da candidatura e ganhou ainda mais espaço na reta final da disputa. Em 25 de setembro, Lula participou de um ato de campanha em Pernambuco ao lado de João e a chapa da Frente Popular, o “time de Lula” no Estado. A presença do presidente ocorreu pouco mais de uma semana antes da votação, em uma tentativa de reforçar a candidatura na reta final, porém, não foi suficiente para alterar o resultado da disputa. Raquel acabou tendo mais de 1 milhão de votos casados com Lula.
Prefeitos aprovados transferem votos – Gestões bem-sucedidas são comprovadas em votos nas urnas. É o caso de Garanhuns, onde João bateu Raquel com 53% dos votos ante 44%, graças ao prefeito Sivaldo Albino (PSB), que goza de altíssima popularidade no município. Também é o caso de Araripina, capital do Ararípe. Ali, João teve 65% dos votos porque o prefeito Evilásio Mateus (PDT) tem um governo bem aprovado, em sintonia com os anseios da população.
Prefeito ruim puxa para baixo – No oposto, prefeito rejeitado pela população resulta em retumbante derrota a quem se alia. É o caso, por exemplo, do prefeito de Belém do São Francisco, Calby Carvalho (Republicanos). Ex-prefeito e já liderando as pesquisas para voltar em 2028, o socialista Gustavo Caribé deu 51% dos votos a João, mesmo enfrentando a máquina municipal. Cabrobó, no São Francisco, também reproduziu nas urnas o desgaste do prefeito, saindo João vitorioso no município com quase 50% dos votos.
No Pajeú, Itapetim e Carnaíba dão as maiores vitórias a João – Em Itapetim, a prefeita Aline Karina (PSB) deu a maior vitória a João Campos no Sertão do Pajeú: 63% dos votos. A gestora dá sequência a um projeto administrativo exitoso no município iniciado pelo ex-prefeito Adelmo Moura, que já governou o município por quatro mandatos. Berço imortal da poesia no Pajeú, Itapetim é, também, uma ilha de excelência em gestão pública. Karina foi secretária de Adelmo e se revelou também no comando do Governo Municipal. Itapetim bateu Carnaíba, terra também de uma gestão super competente, do socialista Berg Gomes, que sucedeu Anchieta Patriota, também extremamente aprovado em suas passagens pela Prefeitura.
CURTAS
SANHARÓ – Em Sanharó, no Agreste, o prefeito César Freitas (PCdoB) também mostrou sintonia com a população: deu a João 57,8% dos votos. Na campanha, resistiu a todo tipo de pressão para se alinhar ao projeto de reeleição da governadora. Mas Freitas, além de bom gestor, não conjunta o verbo trair.
ANGELIM – Outro prefeito extremamente correto e competente é Caíque, o Galeguinho (PSB), de Angelim, no Agreste Meridional. Proporcionou a João uma das vitórias mais retumbantes na região: 64% dos votos. O resultado é fruto da gestão por excelência que o município tem hoje depois de desastrosas experiências antes de Caíque chegar ao poder.
PETROLÂNDIA – Em Petrolândia, o prefeito Fabiano Marques (Republicanos) deu a maior vitória a João no Sertão de Itaparica: 55% dos votos. Fabiano teve outra expressiva e comemorada vitória: a chegada do seu filho Bruno à Assembleia Legislativa. Em Itaparica, João ganhou também em Floresta, com 55% dos votos.
Perguntar não ofende: Foi só atropelo de agenda o motivo para a Record cancelar o debate de ontem entre Lula e Flávio?
Uma declaração de Pablo Marçal dá a dimensão do que pode estar em jogo caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial no segundo turno. No domingo (4), durante a exibição do programa da BNTV Brasil, ao comentar o resultado do primeiro turno, o empresário, influenciador e aliado de Flávio afirmou que aceitaria até uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) em um eventual governo do senador e disse que, se fosse escolhido, iria “tocar o terror” na Corte.
“O que o Flávio falar, eu estou na guerra. Se o Flávio quiser me pôr de ministro do STF, eu também tenho o meu diploma de Direito, eu vou tocar o terror lá no STF”, afirmou.
A declaração ocorre poucos dias depois de Flávio convidar Marçal para integrar um eventual governo. Em 29 de setembro, o candidato afirmou que o influenciador poderia atuar nas áreas de empreendedorismo e mobilidade social e disse que os dois estavam “unindo forças” em uma coalizão. A informação foi confirmada pela assessoria de Flávio ao SBT News.
A indicação de um ministro do STF, no entanto, não depende apenas da vontade do presidente. O nome escolhido precisa ser submetido à sabatina e aprovado pelo Senado antes da nomeação. Embora Marçal tenha citado seu diploma de Direito ao se oferecer para uma vaga no STF, a Constituição exige que o indicado tenha entre 35 e 70 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada.
Marçal, por sua vez, teve o registro de candidatura à Presidência indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro e foi declarado inelegível até 2032. Ele foi condenado pela Justiça Eleitoral de São Paulo por ofertar gravações de vídeos para vereadores e prefeitos em troca de doações em dinheiro durante as eleições municipais de 2024.
Além disso, o Ministério Público Federal (MPF), que pediu ao TSE o indeferimento da candidatura, apontou que Marçal não estava filiado ao PRTB em abril de 2026, quando terminou o prazo legal para a definição partidária. Segundo o MPF, ele ainda estava filiado ao União Brasil. Marçal diz aceitar “qualquer coisa”
Na mesma participação na BNTV Brasil, Marçal afirmou que está disposto a assumir diferentes funções em um eventual governo de Flávio. Ao citar a possibilidade de comandar uma estrutura de “Superinteligência”, disse: “Se ele quiser me colocar para ser o ministro da ‘Superinteligência’, se quiser me colocar para qualquer coisa eu estou dentro.”
A declaração reforça a disposição de Marçal de participar da administração caso Flávio seja eleito. A vaga no STF, porém, foi citada pelo próprio empresário como uma possibilidade, condicionada à vontade do candidato.
O que está em jogo no STF
A fala de Marçal acontece enquanto o entorno de Flávio discute abertamente mudanças na relação entre o governo e o Supremo.
Na última terça-feira (6), a jornalista Daniela Lima informou que integrantes da campanha de Flávio tratam o impeachment de ministro do STF como um possível marco de um eventual governo. A informação foi divulgada no programa Pulso Político, do UOL.
O coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), também vem defendendo mudanças na atuação do Senado em relação a eventuais processos contra ministros da Corte. Nesta terça, após reunião com Edson Fachin, disse que o Senado não se omitirá diante de possíveis crimes de responsabilidade cometidos por integrantes do Supremo.
A composição futura do tribunal também está em disputa. O próximo presidente poderá preencher quatro vagas no STF ao longo do mandato.
A plataforma Meta – que controla Facebook, Instagram e Whatsapp – alegou que “problemas técnicos” foram responsáveis pela redução do alcance de postagens ligadas à campanha do candidato à presidência da república Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao mesmo tempo, a plataforma sediada nos Estados Unidos (EUA) afirma que são falsas as alegações da campanha de Lula que sustenta que a Meta estaria beneficiando as postagens do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais.
“As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos. Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos”, diz nota da Meta.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de dados (ANPD) foram acionadas pela campanha do PT, que alega “fortes suspeitas de tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro”.
“A empresa alega que essa ‘falha’ afetou outros anunciantes e mercados, mas não trouxe qualquer evidência disso, muito menos de que esse problema tenha afetado também outros candidatos no Brasil. Mais uma vez, afirma a META, foi um ‘problema técnico’”, diz o comunicado da campanha.
O TSE deu prazo de 48 horas para a Meta explicar as acusações da campanha de Lula. Levantamento da Secretaria Nacional de Comunicação do PT aponta que a página do senador Flávio Bolsonaro tinha, em média, 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, mesmo tendo 17,2% de seguidores a menos.
“Procurada, a Meta reconheceu a falha e, outra vez, apontou ‘problemas técnicos’ como motivo”, diz a nota do PT, acrescentando que “essas ações interferem diretamente em avanços como o fim das BETs, da escala 6×1, além do chamado “tesouraço” contra programas sociais”.
Meta e Trump
Após o presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump assumir novo mandato na Casa Branca, em janeiro de 2025, o dono da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou que trabalharia ao lado do político republicano contra países ou governos que defendessem alguma regulação das redes sociais.
O uso ou manipulação de plataformas digitais para direcionar conteúdos e informações durante processos eleitorais tem sido alvo de processos judiciais e debates em todo o mundo.Um dos casos mais famosos envolveu a empresa Cambridge Analytica, que colheu dados de dezenas de milhões de usuários do Facebook, para direcionar informação de campanha durante as eleições presidenciais dos EUA de 2016, quando Trump foi eleito a primeira vez, assim como a favor da campanha do Bretix, no Reino Unido.
Em março de 2018, o Facebook Inc., atual Meta, reconheceu “falhas” no sistema que permitiram a coleta em massa de informação usada pela Cambridge Analytica nas campanhas.Em julho de 2019, a Meta (na época, ainda Facebook Inc), foi obrigada a pagar uma multa de US$ 5 bilhões imposta pela Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) dos EUA por supostamente “enganar” usuários sobre a capacidade de controlar a privacidade das informações.
Um tutorial ensinando a ampliar o alcance de um post. Um pedido para que a militância não desanimasse depois do primeiro turno. Um vídeo gravado com Lula. E muitos convites para trazer mais gente.
Foi isso que a reportagem encontrou no Exército do Lula, canal de WhatsApp criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), antes de ele sair do ar neste domingo (11). Do outro lado da tela, 3,3 milhões de pessoas. Atores, cantores, influenciadores, professores, aposentados, eleitores que queriam ajudar na campanha de Lula e buscavam instruções.
Para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), essas pessoas agiam como robôs. É o que diz o pedido entregue ao Tribunal Superior Eleitoral. Segundo ele, os inscritos eram orientados a replicar mensagens em massa, “como robôs”.
A acusação parte de uma ideia curiosa sobre o eleitor. Supõe que 3,3 milhões de brasileiros receberiam qualquer mensagem e a espalhariam sem ler, sem ouvir, sem questionar, como máquinas. É subestimar a capacidade de milhões de pessoas de pensar por conta própria. O presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, primeira indicação de Jair Bolsonaro ao Supremo, aceitou a tese e mandou a Meta desligar o canal em três horas.
A campanha acusava o canal de espalhar boatos contra Flávio e de distribuir “missões” de compartilhamento em massa. As missões estavam lá, mas tinham outro objetivo. Pediam aos seguidores que chamassem mais gente para o canal. Os boatos, a reportagem não encontrou. A campanha afirma que foram apagados.
O canal ainda estava em formação. Janones avisava que só a partir desta segunda-feira (12) começaria a postar conteúdo de campanha para ser divulgado. A derrubada veio na véspera.
Durou poucas horas. No início da tarde deste domingo (11), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o Exército do Lula, com novas publicações e novos seguidores liberados. Para ele, a campanha de Flávio não apresentou provas suficientes, e eventuais posts irregulares não justificam calar o canal inteiro.
Em 2022, o próprio Kassio pensava o oposto do que decidiu neste domingo. Ao votar no Supremo contra a resolução que criou a suspensão de canais, chamou a medida de “verdadeira censura prévia de conteúdo”. Quatro anos depois, aplicou a medida que condenou.
Só depois que a derrubada virou comoção nas redes que a assessoria de Flávio divulgou um documento para se justificar. O argumento central é uma frase de Janones numa live, dizendo que a militância poderia “agir igual um robô” por quinze dias. A frase existe. Mas uma figura de linguagem não transforma 3,3 milhões de pessoas em robôs, e o documento não explica por que um canal que mal tinha começado precisava ser calado.
No dia 1º de outubro, Flávio abandonou o debate da Globo dizendo que não iria “compactuar com censura”. Dez dias depois, pediu e quase conseguiu calar um canal antes mesmo de ele começar a falar.
Na Paulista, Lula resumiu. “Eu acho um absurdo.” O corregedor pediu que o caso seja analisado em plenário em caráter urgente, preferencialmente em 24 horas.
O ex-candidato a deputado estadual Raffiê Dellon (PL) promoveu, ontem (10), uma carreata em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, pelas principais ruas de Caruaru, no Agreste pernambucano. Nas eleições deste ano, ele recebeu 13.978 votos no município e não conseguiu se eleger, ficando como segundo suplente do partido. Dellon anunciou também a realização do “Bloquinho do 22”, previsto para o próximo sábado (17), no município.
Desde o primeiro turno, Dellon tem organizado ações de mobilização em apoio ao candidato, como panfletagens, adesivaços e buzinaços. Segundo os resultados oficiais da apuração, Flávio Bolsonaro obteve 40,23% dos votos válidos em Caruaru no primeiro turno, percentual superior ao registrado em Pernambuco (30,85%) e no Nordeste (30,85%). A partir disso, ele espera ampliar a votação no segundo turno.
O corregedor do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Ricardo Villas Boas Cueva, suspendeu a decisão do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, que, mais cedo, determinou a derrubada do canal “Exército de Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Na decisão, Cueva determina o retorno provisório do canal. Agora, palavra final caberá ao plenário da Corte.
“Nesse contexto, e considerando que a suspensão integral do canal foi determinada antes da conclusão das diligências destinadas à regularização da instrução probatória, entendo necessário restabelecer provisoriamente seu funcionamento, até que o Plenário desta Corte examine a controvérsia, sem prejuízo de reavaliação diante de elementos supervenientes que justifiquem providência mais restritiva”, argumentou o corregedor.
De acordo com o ministro do TSE, “a suspensão integral de um canal exige demonstração da extensão e da reiteração das condutas, de sua efetiva vinculação ao meio de comunicação atingido e, especialmente, da insuficiência de providências menos restritivas, dirigidas às publicações individualizadas”.
Derrubada de canal
Na manhã deste domingo, o ministro Nunes Marques determinou a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”. A decisão atendeu a um pedido feito pelo candidato à Presidência senador Flávio Bolsonaro (PL) e valia até o fim do segundo turno das eleições presidenciais.
A decisão também determinava que o Facebook, empresa que gere o WhatsApp no Brasil, apresentasse um relatório com todas as mensagens publicadas no canal e a existência de outros canais criados ou administrados, desde 5 de outubro, pela conta de Janones.
O despacho assinado pelo presidente da Corte eleitoral ainda declarava a mobilização de Janones como “lícita” e considerava que a estrutura estivesse sendo usada para “fins ilícitos, entre os quais a difusão coordenada de fatos sabidamente inverídicos em desfavor de candidato”.
Neste domingo (11), organizações de estudantes, movimentos sociais, partidos políticos, torcidas de futebol e grupos culturais realizam um grande ato em apoio à eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mobilização teve início às 14h, partindo do Parque 13 de Maio, bairro da Boa Vista, área central do Recife.
O ato conta com manifestações artísticas, panfletagem de materiais para os transeuntes do entorno e falas de lideranças políticas. Com a defesa da candidatura à eleição de Lula, o ato também levanta bandeiras em defesa da democracia, da educação pública e dos direitos sociais.
Entre os presentes estão a deputada estadual Rosa Amorim (PT), eleita para a Câmara dos Deputados, a vereadora do Recife Liana Cirne (PT), também eleita deputada federal, e Jones Manoel (PSOL), segundo candidato a deputado federal mais votado em Pernambuco. Participam ainda os deputados estaduais Dani Portela (PT) e João Paulo (PT), reeleitos para a Assembleia Legislativa de Pernambuco, e o ex-vereador de Olinda Vini Castello (PCdoB), eleito deputado estadual. O ato conta ainda com a presença do senador reeleito Humberto Costa (PT) e do ex-vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL), que concorreu ao Governo de Pernambuco.
A manifestação é a culminância de uma semana de articulações e encontros realizados em todo o estado por partidos políticos e movimentos sociais. Nos últimos dias, foram realizados grandes encontros em universidades como a UFPE, UPE, UFRPE e Unicap, como forma de mobilização da juventude para os próximos passos da campanha.
O Governo de Pernambuco e o LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), organização que reúne empresários e executivos para promover debates e articulações entre o setor privado e o poder público, lançam, na próxima quarta-feira (14), um estudo estratégico sobre o ecossistema de infraestrutura digital do estado. O evento será às 10h30, no auditório da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, no Bairro do Recife.
Desenvolvido pela consultoria Deloitte em parceria com o LIDE Pernambuco, o estudo terá duração estimada de 90 dias e apontará oportunidades de investimento e prioridades para o setor, com recomendações para políticas públicas e iniciativas privadas. A iniciativa é a primeira entrega de um acordo de cooperação técnica entre o governo estadual e a organização, com vigência de quatro anos e participação das secretarias de Administração, Ciência, Tecnologia e Inovação e Desenvolvimento Econômico.
O presidente Lula (PT) reagiu neste domingo (11) à decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de mandar censurar o canal “Exército do Lula”, mantido pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e que acumula mais de 3 milhões de seguidores. As informações são da Folha de S.Paulo.
Segundo Nunes Marques, a suspensão atinge a estrutura que Janones descreve como um “exército de ‘soldados’ que executam o que lhes é ordenado ‘sem examinar’”. O presidente do TSE também entendeu que o canal “se converteu em vetor de disseminação, em escala nacional, de conteúdos que esta Corte já reconheceu como desprovidos de lastro mínimo”.
Até então, o único material divulgado havia sido uma imagem — com rosto devidamente borrado para preservar a identidade da criança — mostrando uma criança de 9 anos com uma arma sobre um carro durante a comemoração da votação do candidato Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, no último domingo (4). Essa imagem foi montada ao lado de outra, com outra criança segurando a Constituição, com os dizeres: “O seu voto decide qual caminho vamos seguir”.
O presidente Lula (PT) participa de um ato na tarde deste domingo (11), na Avenida Paulista, ao lado de outras lideranças como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato derrotado do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) e o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL).
Na chegada do ato, Lula criticou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro(PL) e determinou a derrubada do canal — “Exército do Lula”, no WhatsApp. Criado após o primeiro turno, o canal é comandado pelo deputado André Janones (Rede) e tem mais de três milhões de membros.
“Eu acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com pedido de explicação. Há alguns dias estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Não vamos permitir se seja fechado um canal que um deputado que está pedindo para as pessoas votarem em mim. Não é possível que o STF não tenha um comportamento civilizado, republicano de permitir que as eleições flua sem interferência da justiça”, afirmou Lula.
Antes de discursar, Lula apresentou à multidão da Paulista os governadores petistas reeleitos no nordeste no primeiro turno. Discursaram antes do presidente Jerônimo Rodrigues, da Bahia, Rafael Fonteles, do Piauí e Elmano de Freitas, do Ceará. Ao falar com o público, o presidente pediu foco na conversa com os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
“Temos agora uma responsabilidade muito grande. Temos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar, muita gente acima de 70 anos não foi votar. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas. Nós temos que convencer as pessoas, se o Lula com 81 anos está com a saúde que está é porque eu quero provar que a idade não faz a gente ficar velho”, disse Lula.
O presidente também repetiu promessas para um eventual quarto mandato, como o foco em desenvolvimento e tecnologia e educação, e mencionou brevemente o tema da segurança pública. “O nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica nesse país. Nós precisamos garantir segurança para o povo e prisão para os bandidos”, afirmou.
Entre os manifestantes apareciam bandeiras de legendas como PSTU, UP, PSB e faixas com slogans de pautas apoiadas pelo petista, como o fim da escala 6×1 e o Bolsa Família. O ato, que iniciou no Masp, deve seguir na Paulista em direção a Rua da Consolação e terminar na Praça Roosevelt, segundo a Polícia Militar. O público ocupava principalmente os quarteirões entre o Masp e o Conjunto Nacional.
Organizado pela União Nacional do Estudantes (UNE), o ato tem também bonecos infláveis que caricaturizam Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Foco em SP
A campanha de Lula vê como uma das principais preocupações para a nova etapa da disputa presidencial o desempenho que o petista teve em São Paulo. Lula terminou o primeiro turno com quase 1 milhão de votos a menos no Estado em relação à eleição presidencial de 2022. A estratégia é escalar figuras políticas com força local para manter a candidatura do presidente ativa e buscar ampliar a rede de apoios na reta final da eleição.
A aposta principal tem sido aumentar a participação de Alckmin, ex-governador do estado, e explorar sua interlocução com diferentes grupos políticos mais próximos ao centro e à direita para ampliar os apoios à chapa. Al A intenção é que o vice-presidente, também adote um discurso mais incisivo na disputa e faça críticas mais diretas ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL.
Neste sábado (10), Alckmin, Tebet e Marina participaram de um ato da organização Judeus e Judias Pela Democracia, no Bom Retiro, bairro tradicional da comunidade judaica na capital paulista. O vice-presidente defendeu “falar com a classe média” e mostrar “prejuízos que podem ter” caso o bolsonarismo volte ao poder.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, atendeu um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) e determinou a suspensão no canal “Exército do Lula” no Whatsapp. O canal, com a coordenação do deputado eleito André Janones (Rede-MG), teve um salto de 50 mil para mais de três milhões de seguidores após o fim do primeiro turno com o intuito de distribuir áudios, vídeos e orientações aos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Antes de ato na Avenida Paulista, neste domingo (11), Lula deu uma coletiva criticando a decisão da Corte eleitoral, afirmando ser “tendenciosa” contra a candidatura do PT. Com informações do jornal O Globo.
Segundo Nunes Marques, a suspensão atinge a estrutura que Janones descreve como um “exército de ‘soldados’ que executam o que lhes é ordenado ‘sem examinar'”. O presidente do TSE também entendeu que o canal “se converteu em vetor de disseminação, em escala nacional, de conteúdos que esta Corte já reconheceu como desprovidos de lastro mínimo”.
Até então, o único material divulgado havia sido uma imagem — devidamente protegida por um borrão para preservar a identidade da criança — mostrando uma criança de 9 anos com uma arma sobre um carro durante a comemoração da votação do candidato Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, no último domingo (4). Essa imagem foi montada ao lado de outra, com outra criança segurando a Constituição, com os dizeres: “O seu voto decide qual caminho vamos seguir”.
“O que se afasta não é a mobilização de apoiadores, nem a crítica política contundente, nem o uso das redes sociais para pedir votos. É a utilização de estrutura de transmissão a milhões de pessoas, sob comando único, para replicar conteúdos que esta Corte já reconheceu como inverídicos, com instruções expressas para contornar as salvaguardas que o próprio provedor declarou adotar e a sua eventual atuação efetiva no caso concreto”, afirmou o ministro em seu despacho.
Com a medida, concedida em outro processo e em menos de 24 horas após a petição original, Marques foi na contramão do procedimento do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor do Tribunal Superior Eleitoral, que deu um prazo de cinco dias para que o deputado federal André Janones e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestassem sobre outra ação movida pelo adversário Flávio Bolsonaro contra o canal.
No mesmo prazo, a campanha de Flávio também teria de apresentar informações ao TSE. Cueva determinou, por exemplo, que a equipe jurídica do senador aponte as supostas irregularidades de cada conteúdo questionado. O ministro também mandou a campanha entregar arquivos ao TSE que seriam supostas provas citadas na ação.
Cueva entendeu que era o caso de receber a ação, ou seja, analisar as alegações da campanha de Flávio. O ministro destacou, no entanto, que este recebimento não implica em “reconhecimento da veracidade das alegações ou da ocorrência dos abusos imputados”.
Antes de decidir sobre os pedidos mais graves feitos pela campanha, como a remoção de conteúdos, Cueva decidir pedir mais informações às campanhas de Lula e de Flávio. O ministro quer saber, por exemplo, se os advogados do senador já apresentaram outros pedidos contra o ‘Exército de Lula’ ao TSE para verificar se há “sobreposição” de ações na Corte eleitoral.
Segundo o corregedor, a apresentação de pedidos coincidentes em ações distintas “expõe a Justiça Eleitoral ao risco de decisões conflitantes e compromete a segurança jurídica”.
O presidente do TSE reconheceu, no despacho, que o ‘Exército de Lula’ era tema de outro processo em curso na Corte e sob relatoria do corregedor-geral da Justiça eleitoral. Nunes Marques determinou a remessa da cópia do pedido de Flávio Bolsonaro e de sua decisão a Cueva “para as providências que entender cabíveis”.
A decisão foi assinada pelo presidente do TSE em uma petição de providência administrativa que chegou ao gabinete dele às 16h24 deste sábado. Enquanto a ação direcionada ao corregedor da Justiça eleitoral questionou o conteúdo do canal ‘Exército do Lula’, pedindo uma investigação sobre o mesmo, o pedido direcionado a Nunes Marques adotou outra via: alegou suposto descumprimento de obrigações que o Whatsapp se comprometeu a tomar durante as eleições 2026.
O presidente do TSE destacou que o caso envolvia a avaliação de se o provedor responsável pelo WhatsApp deveria ser obrigado, “no exercício da supervisão dos planos de conformidade atribuída a Presidência, a aplicar ao canal “Exército do Lula” as medidas que ele próprio declarou adotar contra canais que violam suas diretrizes”.
Lula, Janones e Sidônio reagem
No grupo “Exército do Lula”, já se percebia o risco de a campanha adversária conseguir derrubar o canal na Justiça, movimentação classificada como um ato “desesperado”, que seria motivado pelo alto impacto de mobilização que estaria causando nas redes sociais. Após a decisão, Janones está recomendando que os membros do canal passem a atuar em outro canal e página no Instagram.
Em vídeo publicado no canal, o deputado classificou a decisão como “censura”. “Não é que se Flávio Bolsonaro for eleito a censura vai ser instalada. A censura já começou”, disse Janones.
Antes da decisão, o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da presidência, Sidônio Palmeira, havia classificado a representação bolsonarista como “grande absurdo”: “É uma demonstração de medo. Ontem, o ‘o exército de Lula’ estava com 3,25 millhões pessoas e vai ampliar muito mais. E eles estão colocando como uma força desproporcional de você estar com o povo. É mais uma demonstração de que eles estão com os poderosos em vez de estar nas ruas e nas redes”, disse.
Em ato na tarde deste domingo, em São Paulo, Lula criticou a decisão de Nunes Marques: “Eu acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com pedido de explicação. Há alguns dias estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Não vamos permitir se seja fechado um canal que um deputado que está pedindo para as pessoas votarem em mim. Não é possível que o STF não tenha um comportamento civilizado, republicano de permitir que as eleições flua sem interferência da justiça”, afirmou Lula.
A campanha do petista Lula disse, por meio de sua assessoria, que a decisão causa estranheza e revolta e que o Jurídico vai se manifestar nas próximas horas.