A partir de hoje, e sempre aos domingos, este blog trará textos abordando temas da área de psicologia, psiquiatria e saúde mental, com o biomédico e médico Silvino Teles Filho, formado pela UFPE e FMO, com pós graduação em Psiquiatria e Neurologia Clinica, já com 29 anos de atuação na área de saúde. Na sua estreia, ela aborda saúde mental. Confira!
O estigma que ainda adoece a saúde mental
Por Silvino Teles Filho*
A persistência do estigma em torno dos transtornos psiquiátricos revela uma contradição preocupante da sociedade contemporânea. Nunca se falou tanto em saúde mental, mas ainda se discrimina quem adoece psiquicamente. Esse preconceito, muitas vezes velado, segue produzindo exclusão, sofrimento e atraso no acesso ao cuidado.
Leia maisTranstornos mentais continuam sendo associados, de forma equivocada, à fraqueza moral, à incapacidade ou à periculosidade. Essa visão reducionista ignora décadas de avanços científicos e reforça estereótipos que afastam pessoas do tratamento e do convívio social. O estigma não é apenas um problema cultural: é uma barreira concreta à saúde pública.
Quando alguém deixa de procurar ajuda por medo de julgamento, toda a sociedade falha. O silêncio imposto pelo preconceito agrava quadros clínicos, aumenta custos assistenciais e compromete vidas. Nenhuma política de saúde mental será plenamente eficaz enquanto o preconceito continuar sendo tolerado como algo “normal”.
É preciso afirmar com clareza: transtornos psiquiátricos são doenças, não desvios de caráter. Exigem diagnóstico, acompanhamento e tratamento, assim como qualquer outra condição médica. Negar essa realidade é perpetuar uma lógica excludente que penaliza justamente os mais vulneráveis.
A imprensa tem responsabilidade direta nesse debate. Abordagens sensacionalistas, que associam transtornos mentais à violência ou ao descontrole, não informam — desinformam. O jornalismo comprometido com o interesse público deve contribuir para a compreensão, não para o medo; para a inclusão, não para o rótulo.
Combater o estigma é uma escolha ética e coletiva. Envolve educação, políticas públicas consistentes e uma mudança de discurso que reconheça a saúde mental como parte indissociável da saúde integral. Enquanto o preconceito persistir, seguirá adoecendo indivíduos e comprometendo o futuro de uma sociedade que se pretende justa e humana.
*Médico com Pós Graduação em Psiquiatria e Neurologia Clínica
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