O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), confirmou nesta quinta-feira (4) que ficará para o ano que vem a análise do nome de Jorge Messias para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A sabatina e votação são feitas pelo Senado. Atualmente, Messias é o advogado-geral da União (AGU).
“Esse debate aí será o debate do próximo ano. A partir do anúncio que o presidente [Lula] fez esta semana pela ausência de manifestação, de encaminhamento, e quando o presidente Davi Alcolumbre suspendeu a data de sabatina e de votação, torna ao mesmo tempo, pelo prazo exíguo que temos, inviável ainda este ano a sabatina do ministro Messias. É um tema que vamos tratar no ano que vem”, disse Randolfe. As informações são do g1.
Questionado sobre a data, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se limitou a dizer nesta quinta que o Congresso votará somente o Orçamento ainda este ano.
Alcolumbre chegou a marcar a sabatina de Messias para 10 de dezembro, mas depois a cancelou sob a justificativa de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não encaminhou o nome oficialmente ao Senado. O amapaense classificou a demora como “grave e sem precedentes”, na terça-feira (2).
Apesar de ter anunciado o nome de Messias, o presidente Lula não formalizou a mensagem aos senadores- etapa necessária para que a matéria comece a tramitar.
O atraso ocorre devido a uma estratégia do governo para ganhar tempo e apoio por considerar curto o prazo até 10 de dezembro para angariar votos suficientes para aprovação do nome.
Nesta quarta (3), o relator da indicação, Weverton Rocha (PDT-MA), afirmou que o adiamento não significa garantia de votos. “Zero [garantia de voto]. Mas ganhamos tempo para as pessoas conversarem. Colocamos o pino de volta na granada”, pontuou — repetindo a frase dita por Alcolumbre após anunciar o cancelamento da sabatina.
A escolha, para ser aprovada, precisa de pelo menos 41 votos favoráveis no plenário. E, antes disso, o indicado é questionado (sabatina) pelos senadores na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Alcolumbre articulava para que seu aliado e antecessor na Presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), fosse escolhido para a vaga no STF. Messias sofre mais resistência dos senadores, principalmente aqueles da oposição.
Lula pretende fazer rodadas de conversas com lideranças do Senado nas próximas semanas para viabilizar o nome do AGU.
A campanha presidencial de Renan Santos (Missão) prepara um grande ato de protesto contra a TV Globo caso ele realmente fique de fora do debate na quinta (1º).
A ideia é fazer uma concentração, com a presença do candidato, em frente à sede da emissora no Jardim Botânico, no Rio. O debate em si acontecerá longe dali, no Projac. A emissora convidou apenas quatro candidatos à Presidência para o debate, o último antes do primeiro turno das eleições: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD).
A emissora seguiu o critério previsto em lei, que garante participação apenas a candidatos de partidos que tenham eleito ao menos cinco parlamentares em 2022. Segundo regras repassadas a assessores de candidatos, a Globo informou que, caso algum dos convidados falte, pode chamar um substituto.
Até agora Lula e Flávio não foram aos debates de primeiro turno, mas tudo indica que ambos deverão participar.
A uma semana da eleição presidencial, as pesquisas mais recentes indicam que o presidente Lula (PT) lidera as intenções de voto em 11 estados, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente em oito, além do Distrito Federal. As demais sete localidades registram empate técnico, incluindo dois entre os três maiores colégios eleitorais do país (Minas Gerais e Rio). A reportagem do UOL considerou os cenários de 1º turno na pesquisa estimulada.
Datafolha fez pesquisas para o cenário presidencial no Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Já a Quaest fez pesquisa em todos os estados (exceto o Piauí) e no DF.
Pesquisas Datafolha e Quaest das duas últimas semanas consolidam a preferência do eleitor nordestino pelo candidato petista. Lula está na liderança nos nove estados da região, sendo que em seis deles a diferença com Flávio Bolsonaro é superior a 30 pontos percentuais. Os estados onde o presidente tem maior vantagem são: Piauí, com 39 pontos percentuais, Pernambuco, 36, Maranhão, 37, e Bahia, 35.
Flávio domina no Sul do país. Dentre os três estados da região, dois são redutos bolsonaristas: Paraná e Santa Catarina. No primeiro, o placar é de 40% a 26%, e no segundo, 50% a 23%.
Rio Grande do Sul tem empate técnico, com vitória numérica do candidato do PL. Segundo pesquisa Quaest no estado, 35% dos gaúchos preferem Flávio e 31%, Lula. A margem de erro deste levantamento é de três pontos percentuais.
São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, indica vitória de Flávio. De acordo com o Datafolha, Flávio está com 38%. Lula tem 33%. Em pesquisa anterior, da Quaest, o senador marca 34% contra 31% do atual presidente. Ambos os levantamentos têm margem de erro de dois pontos.
No Rio e em Minas Gerais, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados. O petista está numericamente à frente em Minas, enquanto o bolsonarista aparece mais bem posicionado no Rio. No Espírito Santo, há um empate técnico no limite da margem de erro, com 37% para Flávio e 31% para Lula.
A região Norte tem dois estados com vantagem de Lula, três com Flávio à frente e dois empates. Amapá e Pará registram liderança de Lula. Acre, Rondônia e Roraima estão com o candidato do PL; Amazonas e Tocantins têm embate técnico, com vitória numérica de Lula.
Por fim, pesquisas mais recentes no Centro-Oeste apontam um empate e três vitórias de Flávio. O Datafolha indica vitória de Flávio (41%) no DF, com 34% de votos para Lula. De acordo com a Quaest, há um empate em Goiás, com vantagem numérica para Flávio (33% x 27%). Pelo mesmo instituto, Flávio está à frente em Mato Grosso (50% x 25%) e em Mato Grosso do Sul (42% x 27%).
Lula e Flávio empatam nas pesquisas nacionais
Os dois institutos de pesquisa mostram os candidatos tecnicamente empatados no cenário nacional, com o presidente à frente. Segundo o Datafolha, Lula tem 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio. Na Quaest, o petista aparece com 37%, ante 33% do rival. Os dois levantamentos têm margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Neto de Miguel Arraes, três vezes eleito governador de Pernambuco e líder histórico da esquerda brasileira no século 20, o candidato a deputado estadual Daniel Valença (PSOL-PE), optou por omitir o sobrenome ilustre em seu nome de campanha, preferindo adotar o sobrenome paterno, que compartilha com outro parente famoso: o tio Alceu Valença.
Daniel Arraes de Alencar Valença, 42 anos, é filho de Carmen Silvia Arraes, a Nena, filha do líder político, e de Décio Valença, irmão do autor de “Anunciação” e “La Belle de Jour”. Segundo ele, a decisão de omitir o sobrenome do clã político se deve a uma série de fatores: um pedido da mãe, que o achava mais parecido com o pai e receava perseguição política como a que os Arraes sofreram na ditadura; o hábito patriarcal de se adotar o nome paterno; e a rejeição a quem prioriza sobrenome em vez de propostas.
“Não é uma negação. Tenho muito orgulho do meu avô e da história dele. Mas não vou fazer política pelo sobrenome. A política pernambucana vai melhorar quando as pessoas não votarem em sobrenomes, mas em programas”, diz.
Engenheiro eletrônico com mestrado em energia eólica (ambos pela UFPE), Valença é ciclista e ativista na área da mobilidade. Caso eleito, será mais um herdeiro Arraes na política.
O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), candidato ao governo de Pernambuco, seu primo em segundo grau, é bisneto de Arraes, mas não tem o sobrenome ilustre porque o pai dele, Eduardo Campos, também não tinha — exatamente por receio de perseguição na ditadura.
As primas em primeiro grau Marília Arraes (ex-deputada federal e candidata ao Senado pelo PDT) e Maria Arraes (PSB, deputada federal e candidata a deputada estadual), são igualmente netas do ex-governador.
Nesta eleição, enquanto as primas e a maior parte dos Arraes estão com João Campos, Daniel apoia o candidato do PSOL ao governo de Pernambuco, Ivan Moraes. E critica a gestão do seu primo na Prefeitura (“João privatizou os parques públicos”), bem como a da governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição.
“Raquel privatizou a Compesa, os sinistros de trânsito aumentaram muito na gestão de João. Ambos contribuem com coisas contra as quais a gente tem lutado, como o colapso climático, o desmatamento da APA Aldeia-Beberibe e outras.”
Daniel diz que as discordâncias com os parentes são políticas, não pessoais. “Somos uma família forjada na democracia, a gente sabe muito bem trabalhar as discordâncias sem precisar fazer arenga.”
Cicloativista há 15 anos, Valença afirma que nunca quis entrar na política institucional, e que só tenta agora por compromisso com a militância, que o instou a se candidatar. “Relutei bastante, mas estou cumprindo uma missão do movimento cicloativista pernambucano. É uma candidatura militante, para cumprir os objetivos do movimento — espalhar a bandeira da mobilidade, da segurança no trânsito, da democratização do espaço público —, não um objetivo pessoal. Jamais usaria o sobrenome como forma de alavancagem política.”
Miguel Arraes (1916-2005) teve três mandatos como governador de Pernambuco, mas o primeiro (iniciado em 1963) foi interrompido pouco mais de um ano depois da posse, quando foi cassado e preso pela ditadura e depois obrigado a se exilar. Voltaria a ser eleito para o cargo em 1986 e em 1994.
Arraes teve dez filhos de dois casamentos, sendo oito com a primeira esposa (Célia), entre os quais Nena, a mãe de Daniel, e dois no segundo casamento, com Magdalena.
A governadora Raquel Lyra (PSD) trouxe para o debate político uma expressão que passou a usar para definir sua posição: “Sou pernambuquista”. Quis dizer com isso que a sua prioridade é defender os interesses do Estado. Mas, antes de defender Pernambuco, é preciso sobretudo defender as mulheres em geral, especialmente as pernambucanas.
Mulheres que ainda enfrentam diariamente diferentes formas de violência, seja física, psicológica, sexual, moral, patrimonial e institucional. Mulheres que precisam de políticas públicas fortes, prevenção, acolhimento, proteção e uma rede especializada que esteja realmente presente onde elas vivem.
E foi justamente por isso que me causou tamanha indignação ouvir da governadora, ao saber que uma mulher já tinha vários filhos, ser objeto de uma laqueadura sem saber. “Faz sem ela saber.” A frase, dita por ela, é criminosa.
Não foi apenas a palavra “laqueadura” que me atingiu. Foi a naturalidade do “sem ela saber”. Porque uma laqueadura diz respeito ao corpo, à autonomia e à decisão da própria mulher. A legislação brasileira exige sua manifestação expressa de vontade. Não é uma decisão que outra pessoa possa tomar escondida dela.
Raquel, diante da brutal repercussão, reconheceu que sua fala foi equivocada e pediu desculpas. O pedido de desculpas precisa ser registrado. Mas isso não impede que nós, mulheres, possamos refletir sobre o peso daquela frase.
Para mim, “faz sem ela saber” ultrapassa aquele episódio. Quantas mulheres já viveram alguma forma o “faz sem ela saber”? Decisões tomadas sobre elas sem ouvi-las. Escolhas feitas por elas sem consultá-las. Direitos ignorados. Corpos tratados como se não lhes pertencessem. Violências silenciadas. Vontades desconsideradas.
É nesse sentido que essa frase me incomoda profundamente: porque ela me remete a uma estrutura histórica em que, tantas vezes, alguém acredita que pode decidir pela mulher aquilo que somente ela deveria decidir.
E quando uma frase assim parte de uma mulher que é governadora e que também tem formação jurídica e trajetória no serviço público, merece ainda mais reflexão.
Então, fica a pergunta: de qual “pernambuquismo” estamos falando? Porque, para mim, defender Pernambuco precisa começar também por defender a autonomia, a dignidade, a segurança e a voz das mulheres pernambucanas.
Não existe defesa de Pernambuco sem defesa das suas mulheres. E nenhuma mulher deveria precisar conviver com tamanha violência do seu aconselhamento: “Faz sem ela saber.”
*Bióloga e consultora na área de saneamento e abastecimento.
Uma semana depois de o Brasil tomar conhecimento de que a governadora Raquel Lyra (PSD) defendeu uma laqueadura sem consentimento em uma paciente da rede pública, a gestora está novamente envolvida em uma polêmica sobre falta de defesa das mulheres.
A deputada estadual Roberta Arraes (PP), que disputa novamente uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), relatou à governadora ter sido agredida pelo ex-prefeito de Araripina Raimundo Pimentel (PSD). Roberta Arraes fez o relato à Raquel Lyra durante uma agenda política da governadora no Hospital de Câncer do Sertão do Araripe, em Araripina, na última sexta-feira (25).
Após afirmar para Raquel que estava indo embora da agenda por ter sido agredida, Roberta Arraes realizou um Boletim de Ocorrência contra Raimundo Pimentel, que nega as acusações. Vídeos que tomaram as redes sociais mostram o momento em que Roberta diz a Raquel que está deixando o local e o motivo. No entanto, a governadora não paralisou a agenda política e seguiu ao lado do ex-prefeito Raimundo Pimentel para gravar imagens a serem usadas em sua campanha.
Raquel Lyra está sendo acusada por ativistas dos direitos das mulheres de não ter acolhido uma possível vítima de agressão e ter ignorado o relato de Roberta Arraes, além de ter continuado a agenda ao lado do suposto agressor. Uma dessas ativistas é a atriz Luana Piovani, que há anos milita em favor das mulheres nas redes sociais. Ela postou nos stories do seu Instagram, ontem (26), o vídeo do jornalista pernambucano Ruan Braga que questiona Raquel Lyra.
No mesmo story, Luana Piovani afirmou: “gente mas qual a dúvida que a governadora Raquel Lyra é a pior mulher para representar mulher. Pensa como homem, só quer saber de alianças para se manter no poder. Ela me envergonha como MULHER!!!” Veja imagem abaixo:
Roberta Arraes relata no Boletim de Ocorrência que sofreu “empurrões” e que Raimundo Pimentel mandou que ela chamasse seu marido. As imagens dos vídeos que ganharam as redes mostram que enquanto Roberta Arraes está relatando para Raquel Lyra o que teria ocorrido, Raimundo Pimentel se aproxima e fala algumas coisas que não são entendíveis. A esposa dele, a deputada estadual Socorro Pimentel (PSD) também fala algumas coisas para Roberta Arraes neste mesmo momento.
Tanto Socorro Pimentelquanto Raimundo Pimentel também gravaram vídeos sobre o assunto. O ex-prefeito também realizou um Boletim de Ocorrência. Ele disse que prestou queixa por denunciação caluniosa contra Roberta Arraes.
Pauta nacional
Na semana passada, outra atriz se pronunciou nas redes sociais contra Raquel Lyra. A global Deborah Secco gravou um vídeo (veja aqui) no qual repudia a fala da governadora “faz sem ela saber”, sobre o episódio da laqueadura sem consentimento. O assunto ganhou destaque nacional, foi pauta em vários telejornais da GloboNews e jornalistas como Andréia Sadi, Natuza Nery, Flávia Oliveira, Mônica Waldvogel, Miriam Leitão e Octavio Guedes repercutiram a afirmação de Raquel.
Há medidas provisórias que nascem para resolver problemas. E há as que nascem para criar outros. A MP 1.394/2026 é da segunda categoria. Em nome do combate às apostas, o governo editou um texto tão genérico, tão mal redigido, tão cheio de buracos, que ninguém (nem jurista, nem policial, nem torcedor) sabe ao certo o que está proibido, mormente diante da costumeira criatividade interpretativa das cabeças iluminadas que mandam e desmandam no país.
O texto veda “ações de comunicação, de publicidade, de propaganda, de marketing e de patrocínio” relativas a bets, em “qualquer meio de comunicação, físico ou digital”. E é aí que mora o perigo.
Olha, uma camisa de time é um meio físico, sim. Ela veicula uma marca. Circula pela cidade, entra no ônibus, vai à padaria, aparece na arquibancada. Se o critério é “meio físico que divulga”, então a camisa do Flamengo com a Betano estampada no peito é, a rigor, publicidade ambulante. E se é publicidade, está proibida. E se está proibida, quem usa está infringindo. E se está infringindo, alguém pode (na cabeça de um agente mal-informado, num dia de mau humor, numa tarde de operação) decidir que aquilo é caso de prisão. Não estou dizendo que é. Estou dizendo que a lei, do jeito que está escrita, e à luz da elasticidade interpretativa vigente no país, permite que se diga isso. E permitir que se diga já é um problema grave.
Agora, se você quer entender por que a insegurança é real, não basta olhar para a MP. Tem que olhar para o precedente. E aqui, a história é ainda mais grave. Em 14 de março de 2019, o então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, instaurou de ofício o Inquérito 4.781, o tal do “inquérito das fake news”, com base no artigo 43 do Regimento Interno do Tribunal. E, na mesma portaria, designou, sem sorteio, o ministro Alexandre de Moraes como relator do feito.
Pois bem. O ministro Alexandre de Moraes, constitucionalista de formação, tinha, a rigor, o poder-dever de reconhecer, de plano, a falta de justa causa para a instauração do inquérito. O artigo 43 do Regimento Interno exige infração penal ocorrida “na sede ou dependência do Tribunal”. Fake news não são publicadas na sede do STF. São publicadas na internet, em blogs, em redes sociais, por meio de computadores e celulares espalhados pelo país.
O relator poderia ter arquivado o inquérito com base no artigo 21, XV, do Regimento Interno. Faltava justa causa para a jurisdição originária do Tribunal, que não tinha competência para atrair a investigação a si. Afinal, não cabia a ele nem a nenhum outro ministro conduzir o inquérito a partir de interpretação tão elástica de um dispositivo regimental tão simples. Isso o colocaria na história como um dos baluartes das liberdades civis em nosso país.
Mas não. Moraes assumiu orgulhosamente o encargo. E o primeiro ato do inquérito foi a censura à revista Crusoé e ao site O Antagonista, que haviam publicado reportagem sobre o próprio Dias Toffoli. A matéria revelava que Marcelo Odebrecht, em sua delação, referira-se ao então presidente do STF como “o amigo do amigo do meu pai”. O “amigo do pai” de Marcelo era Lula. Portanto, Toffoli, então chefe da AGU no governo petista, era o elo entre o empreiteiro e o ex-presidente. A censura não foi para combater fake news. Foi para abafar uma verdade incômoda.
A questão foi parar na ADPF 572, proposta pela Rede Sustentabilidade. Em 18 de junho de 2020, o Plenário do STF concluiu o julgamento e, por dez votos a um, declarou a legalidade do inquérito. O ministro Luís Roberto Barroso (o mesmo que, em solenidade recente, foi às lágrimas ao abraçar Edson Fachin) acompanhou o relator e votou pela manutenção do inquérito, sustentando que ataques via internet permitem ampliar a ideia de “sede e dependência”.
O único voto divergente foi o do ministro Marco Aurélio Mello. Esse sim, alguém que a história colocará como uma das maiores consciências morais do Direito no nosso tempo. Certamente, Marco Aurélio Mello pode dormir com a consciência mais tranquila — e não chorar lágrimas de crocodilo.
O resultado, a gente viu: um inquérito que, sete anos depois, foi retirado das mãos do relator, ministro Alexandre de Moraes, pelo presidente Edson Fachin, que determinou que a PGR decida entre denunciar ou pedir o arquivamento. Inquérito que se tornou o símbolo máximo não apenas da elasticidade interpretativa, mas do autoritarismo e dos abusos de poder que hoje ameaçam contaminar todo o ordenamento.
Lembro que meu querido professor de Direito Internacional da Faculdade de Direito do Recife, Geraldo Galindo, dizia que tribunal não é corte; corte é coisa de reino. Acrescento que, se corte fosse, teria um bobo. E o bobo seria o ministro Flávio Dino. Em Rei Lear, por exemplo, de Shakespeare, o bobo é o mais inteligente. E foi justamente ele que pediu vistas, mesmo depois, pasmem, de ter exaustivamente defendido o posicionamento de Gilmar Mendes que suscitou a questão de ordem. A esperteza, no caso, não serviu para revelar a verdade, mas para obstruir a investigação.
Poder-se-ia dizer que estas linhas contêm ironia demasiada. Mas estou acobertado por uma sumidade de peso, o próprio Dino, que atribuiu a Aristóteles a ideia de que a ironia serve para descontrair o ambiente. Se ele pôde cometer um atentado desses — confundindo a ironia socrática com a eutrapelia, a virtude do humor social —, posso eu, humildemente, utilizar a ironia conforme um dos usos propugnados por Aristóteles: o de levar a sério quem se presta a tais bazófias rasteiras em ambiente tão solene.
Por falar em palavras e nos seus significados, a frase que melhor traduz esse espírito de corporativismo veio do decano Gilmar Mendes, dita não sobre o inquérito das fake news, mas durante o bate-boca com o ministro André Mendonça no caso Master: “Até a máfia tem ética”. A frase, dita para atacar um colega que ousou solicitar investigação contra o próprio Moraes, revela o sentimento que une o Tribunal quando o assunto é proteger os seus — o mesmo sentimento que, desde o início, protegeu Dias Toffoli do escrutínio de suas ligações com Lula e com a família Odebrecht, passando pela corroboração pelo Plenário na ADPF 572, que manteve o inquérito, e continuando até a reunião a portas fechadas na qual Toffoli, pressionado, concordou em sair do inquérito do Banco Master em troca de não ser investigado sobre tais questões, culminando na vergonhosa tentativa de blindar Moraes protagonizada por Flávio Dino e Gilmar Mendes.
A propósito, em homenagem a Gilmar Mendes, talvez devesse ser adotada, para o termo “máfia”, uma interpretação menos elástica do que a que se fez no inquérito das fake news: uma acepção nova, purificada, expurgada do seu passado hostil ligado ao crime e, inspirando-se talvez em “1984”, de Orwell, a adquirir agora uma aura de intocabilidade. Se até a máfia tem ética, o que se pode esperar da suprema máfia que referenda verdadeiros atentados ao Direito, à lógica e à própria língua portuguesa, tudo para acobertar os seus pares? O “pai da lei” deu continuidade à novilíngua em que as palavras passam a significar o seu oposto, tal como “dentro do tribunal” significa “fora do tribunal”. Agora o tribunal está irmanado à máfia, alçada ao posto de exemplo de ética.
Não deixa de ser irônico — e trágico — que um país que elegeu Rui Barbosa como o maior brasileiro de todos os tempos, em pesquisa da revista Época publicada há 20 anos, veja nosso mais alto tribunal conspurcar sua própria história num episódio como esse.
Agora eu pergunto: se o STF pôde estender “sede ou dependência” para alcançar o que é digitado dentro de casa, a quilômetros de distância, por que um agente na ponta não poderia estender “meio físico de comunicação” para incluir a camisa do torcedor? A lógica é a mesma. O que importa é o efeito, não o lugar. A comparação não é retórica, não. É estrutural. Se as sumidades abriram a porteira da interpretação ampliativa, a MP das bets (escrita de forma ainda mais aberta) não oferece barreira nenhuma contra o arbítrio. Não se duvide de nada.
E aqui a coisa fica ainda mais concreta. Imagine a cena. Estamos em dia de eleição. O eleitor chega à seção eleitoral vestindo a camisa do seu time, com aquele patrocínio de bet estampado no peito. Um mesário, um fiscal, um policial resolve que aquilo é publicidade de bet. A ordem vem: “O senhor não pode entrar para votar com essa camisa. Tire essa camisa.” O eleitor não obedece. Aí vem a voz de prisão. Crime de desobediência, artigo 330 do Código Penal. O cidadão é detido, algemado, levado à delegacia, no meio do processo eleitoral, no meio da fila. Já pensou que rebuliço?
E ainda tem a questão de alguém, por exemplo, compartilhar na internet o vídeo com o gol do seu time — feito o belíssimo gol do Santa Cruz contra o Floresta, pela quarta rodada do quadrangular de acesso da Série C, em partida disputada no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. Um gol de falta incrível, marcado por Renato aos 39 minutos do segundo tempo, com a narração fabulosa de Aroldo Costa, da Rádio Jornal — aquela que viralizou nas redes sociais. Lá está estampado o nome de uma casa de apostas na camisa tricolor. Se alguém compartilhar esse vídeo com alguém no grupo de WhatsApp, no Instagram ou no TikTok, estaria fazendo publicidade da bet? Estaria proibido? Poderia ter sua rede bloqueada, apenas por expressar amor ao Tricolor do Arruda?
Não estou dizendo que vai acontecer. Estou dizendo que a lei, do jeito que está escrita, e o precedente, do jeito que foi construído, permitem que se diga que pode. Ainda há barreiras, é verdade. Não há tipo penal que puna o torcedor. As sanções do artigo 18 remetem ao artigo 56 do Código de Defesa do Consumidor, aplicável a fornecedores. O torcedor que comprou a camisa é o destinatário da publicidade, não o emissor. Se um policial ordenar que ele vá em casa trocar a camisa, essa ordem é ilegal. E ordem ilegal não gera dever de obediência. Mas isso só é reconhecido depois. Depois da abordagem, depois do constrangimento, depois do flagrante, depois da audiência de custódia, depois do habeas corpus. A proteção jurídica existe, mas chega tarde. E é por isso que a cautela é prudente.
Enquanto isso, o desamparo e a perplexidade coletiva diante do oportunismo do presidente em editar essa medida provisória às vésperas do pleito — assim como fez com o anúncio do aumento do Bolsa Família — revela atitudes de canto do cisne, gestos tardios para mostrar firmeza e preocupação com o povo, de forma lenta e atrasada, quando tudo deveria ter sido feito há três anos.
Diante de tudo isso, o que resta ao cidadão? Resta a lucidez. Resta a coragem. Resta a independência. Resta a urna. Porque uma medida provisória como essa não é apenas um erro técnico. É um sintoma. É a prova de que quem governa prefere o gesto ao resultado, a bravata à responsabilidade, o palanque à governança. Proibir bets a nove dias da eleição, sem plano de transição, sem indenização pelas outorgas pagas, sem alternativa para os clubes, é uma jogada política que trata o país como tabuleiro e a segurança jurídica como peão sacrificado em um gambito eleitoreiro.
Não se trata de defender bet, entenda bem. Trata-se de defender a coerência. Se o problema são as apostas, que se regulem com seriedade. Se o problema é a publicidade, que se delimite com precisão, excluindo expressamente da vedação os casos decorrentes de mera liberdade de expressão (como o uso da camisa com patrocínio de bets ou o compartilhamento de vídeos em que aparecem imagens de bets).
E se me permite uma sugestão prática, na dúvida, não vá votar com a camisa do seu time que tenha bet estampada. Não porque você esteja fazendo algo errado. Não porque a lei proíba. Mas para que ninguém, dependendo da sua cara, da sua cor, do seu time ou do humor do fiscal de plantão, queira dizer que você está fazendo propaganda de bet na porta da seção eleitoral. A camisa é sua, o voto é seu, e ninguém tem o direito de lhe barrar. Mas, diante de uma lei tão mal escrita, de interpretações tão elásticas em voga e de um clima tão tenso, a prudência manda guardar a camisa para outro dia. Vá votar com a consciência limpa e a cabeça no lugar. A camisa do seu time pode esperar até segunda-feira, porque segunda-feira, “vai ser outro dia” — como diz a música famosa de Chico Buarque. E não haverá medida provisória nem máfia nenhuma que apague a enorme euforia.
(Elaborado com auxílio do Deepseek)
*Bacharel em direito, ensaísta e analista político.
Pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira (24) mostra Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico no cenário de 2º turno: o presidente tem 47% das intenções de voto e o senador, 45%. A disputa também é apertada em grupos específicos do eleitorado brasileiro.
Quando destacamos grupos do eleitorado, a margem de erro da pesquisa aumenta, porque a amostra de eleitores é menor. Nesta reportagem, você verá como está a disputa entre Lula e Flávio em cada recorte do eleitorado. O levantamento, encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 22 e 23 de setembro. O nível de confiança é de 95% e o número de registro no TSE é BR-00304/2026.
Uma carreata com grande quantidade de carros e motos tomou as ruas de Petrolina, no Sertão do São Francisco, ontem (26), em mobilização organizada pelo Partido Liberal (PL). O ato foi comandado pelo candidato a deputado federal Carlos Britto, que percorreu diferentes regiões do município, do bairro KM-2, onde ocorreu a concentração, até as proximidades do Bodódromo, na Avenida São Francisco. A mobilização também marcou o aniversário do candidato.
Ao longo do percurso, a carreata passou pelas zonas Norte e Oeste, pelo Centro e pela Orla, reunindo apoiadores e lideranças políticas. Também participaram o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, o candidato ao Senado Mendonça Filho e a candidata a deputada estadual Lara Cavalcanti. Em entrevista à Grande Rio FM, no aeroporto de Petrolina, Carlos Britto afirmou que pretende reduzir desigualdades no município. “Nós temos duas Petrolinas. Uma Petrolina da Sete de Setembro pra lá, uma Petrolina que não aparece na televisão”, declarou Britto.
Britto também pretende direcionar emendas parlamentares para unidades de saúde dos bairros e da zona rural. “Minha emenda impositiva vai ser para os postos de saúde da zona rural e dos bairros, para que acabe com essa distância, essa diferença, para que se deixe de lotar o Traumas e o Dom Malan”. Sobre a comemoração do aniversário durante a agenda política, o candidato afirmou: “Comemorar como eu mais gosto: abraçando as pessoas, sendo abraçado por elas. É um aniversário diferente, mas muito feliz.”
E o “tal” dos três poderes Caminharão abraçados? Cumprirão os seu deveres Ou seguirão isolados? Cada um querendo mais Um dizendo que os demais Querem fazê-lo servil Cada um mais arredio Visando unir o trio Pra onde irá o Brasil?
Educação e saúde Seguirão abandonadas? Enxergaremos virtude Nas políticas implantadas? Acabarão as mamatas? E as tais negociatas Seguirão na escala mil? Nós veremos algo novo? Em defesa do seu povo Pra onde irá o Brasil?
Seguiremos no consórcio Com o crime organizado? E setor agronegócio Seguirá sendo ajudado? Que grito será ouvido? Quem será o protegido, Militar ou o civil? Irá seguir em apuros? Irá reduzir os juros? Pra onde irá o Brasil?
Quando o vitorioso Assumir o seu poder Para o pobre esperançoso O que ele irá dizer? Os grupos de minorias, Ganharão melhores dias, Ou o tratamento vil? Os seus direitos negados? Desses caminhos citados Pra onde irá o Brasil?
*Escritor e Graduado em Administração, Pós-Graduado em Gestão Pública e Finanças. Instrutor no SENAR/PB
A dor crônica é complexa. Seu tratamento também precisa ser.
A dor persistente vai além de uma simples sensação desagradável. Quando se torna crônica, pode modificar a forma como o sistema nervoso percebe e processa os estímulos, interferindo no sono, no humor, na concentração, na mobilidade e na qualidade de vida.
Por isso, o tratamento da dor crônica precisa ser individualizado. Nem sempre o uso de medicamentos é suficiente. Em pacientes selecionados, bloqueios, técnicas de neuromodulação e outras abordagens intervencionistas podem ser incorporados ao plano terapêutico, de acordo com o diagnóstico, as características dos sintomas e os mecanismos envolvidos.
Os bloqueios permitem uma atuação mais direcionada sobre nervos, articulações ou outras estruturas relacionadas à dor. Além do potencial efeito terapêutico, alguns procedimentos também podem auxiliar na investigação do quadro, contribuindo para identificar estruturas envolvidas na geração ou transmissão da dor. Já a neuromodulação utiliza diferentes técnicas para modificar a atividade de vias do sistema nervoso relacionadas à percepção e à manutenção da dor. A indicação depende do tipo de dor, de sua duração, dos mecanismos envolvidos e da resposta aos tratamentos realizados anteriormente.
A dor crônica também pode estar associada a alterações do sono, do humor, do comportamento e da capacidade de realizar atividades cotidianas. Da mesma forma, fatores emocionais e alterações do sono podem influenciar a percepção e a persistência da dor. Isso não significa que a dor seja “psicológica”. Ela é uma experiência real, com mecanismos neurobiológicos complexos, nos quais aspectos neurológicos, físicos e emocionais podem interagir.
É nessa interface que Neurologia, Psiquiatria e Medicina da Dor se complementam, permitindo uma compreensão mais ampla do paciente e a construção de uma estratégia terapêutica personalizada. As abordagens intervencionistas não devem ser vistas como tratamentos isolados, mas como parte de um plano que pode incluir medicamentos, reabilitação, atividade física, fisioterapia e acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, conforme a necessidade de cada caso.
O objetivo não é apenas reduzir a intensidade da dor, mas também recuperar sono, mobilidade, funcionalidade, autonomia e qualidade de vida. Por isso, cada intervenção deve ser cuidadosamente indicada, considerando o diagnóstico, os mecanismos envolvidos, os potenciais benefícios e riscos e, principalmente, as necessidades individuais de cada paciente.
Compreender os mecanismos da dor é o primeiro passo para construir uma estratégia de tratamento mais precisa, individualizada e efetiva.
*Médico com atuação em Psiquiatria, Neurologia Clínica e Medicina da dor | Instagram: @drsilvinoteles
Se estamos felizes, todos os dias são belos. Li esta frase estampada na traseira de um caminhão indo para minha Arcoverde, pedacinho do céu que se transformou em meu refúgio de plena felicidade ao lado da minha Nayla. Mas o que é felicidade? Os filósofos dizem ser um estado durável de bem-estar, satisfação, equilíbrio físico e psíquico. Um sentimento de contentamento profundo e paz interior.
Os antigos gregos chamavam de eudaimonia, termo ainda usado em ética. Para as emoções associadas à felicidade, os filósofos preferem utilizar a palavra prazer. É difícil definir, rigorosamente, a felicidade e sua medida. Investigadores em psicologia desenvolveram diferentes métodos e instrumentos, a exemplo do Questionário da Felicidade de Oxford, para medir o nível de felicidade de uma pessoa.
Esses métodos levam em conta fatores físicos e psicológicos, tais como envolvimento religioso ou político, estado civil, paternidade, idade, renda, etc. Sentimento mais importante da vida, a felicidade está presente fortemente e emocionalmente na música. Na clássica “A noite mais linda do mundo”, Odair José contraria os gregos e os filósofos em geral, quando diz que a felicidade não existe, o que existe são momentos felizes.
“Vamos fazer dessa noite/ A noite mais linda do mundo/ Vamos viver nessa noite/ A vida inteira num segundo”, canta Odair. Ouvi Odair na minha adolescência em Afogados da Ingazeira nos anos 70, quando era estouro de sucesso. Recentemente, gravei um Sextou, programa musical que ancoro na Rede Nordeste de Rádio, e me emocionei com suas histórias.
Me contou que num show no Recife Antigo uma senhora chegou ao seu camarim, extremamente emocionada, para contar que uma música dele a impediu de cometer suicídio. “A vida é feita de momentos, cada momento representa um sentimento, por isso devemos fazer com que esse sentimento momentâneo seja a felicidade”, disse Odair, ao se referir ao episódio da fã que sua música salvou.
A felicidade povoa corações e mentes do universo fantástico da MPB. Marcelo Jeneci, com quem também gravei um Sextou, tem uma composição em parceria com Chico César (famosa na voz de Jeneci e também gravada por Elba) que diz que “felicidade é só questão de ser”. Tom Jobim e Vinícius de Moraes também gravaram sobre a efemeridade e a beleza da felicidade, comparando-a a uma pluma que voa no vento.
Seu Jorge, Gabriel Moura e Leandro descrevem a felicidade nas coisas simples do cotidiano, como tomar um café, ir à praia ou estar na companhia de quem se ama. Martinho da Vila, com quem também tive a grande emoção de gravar um Sextou e que está vindo para um show no Recife, tem um samba aconchegante que reflete sobre os bons momentos e a leveza de viver, chamado “Felicidade”.
Voltando ao tema de Odair José, que a felicidade não existe e que o que existe são momentos felizes, ele, na verdade, nos provoca ao debate de que a ideia central é que a felicidade contínua não existe como um estado fixo de espírito. O que temos são pedaços de alegria, surpresas boas e sorrisos que acontecem no dia a dia.
Sua canção nos ensina que devemos aproveitar o momento presente sem sofrer pelo futuro. Por volta do século VI a.C., na China, dois filósofos apontaram dois caminhos para se atingir a felicidade: Lao Tsé defendeu que a harmonia na vida podia ser alcançada através da união com o tao, ou seja, com as forças da natureza. Já Confúcio enfatizou o dever, a cortesia, a sabedoria e a generosidade como elementos que permitiriam uma existência feliz.
Para o filósofo grego Aristóteles, a felicidade é uma atividade de acordo com o que há de melhor no homem. O homem, diferente de todos os outros seres vivos, é dotado de linguagem (logos), e a atividade que há de melhor no homem deve ser realizada de acordo com a virtude. Quem organizar, portanto, os seus desejos de acordo com um princípio racional terá uma ação virtuosa e a vida de acordo com a virtude será considerada uma vida feliz.
Deixo aqui, ao final, algumas reflexões, porque, para mim, não existe caminho para a felicidade, porque a felicidade é o caminho. Viver é a única forma de ser feliz. Foi Carlos Drumond de Andrade que disse que ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade. Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.
A vida é só essa coisa atropelada, que passa muito rápido e as únicas pessoas felizes são as que atravessam o tempo entregues ao amor. Nos meus filhos, entrego e recebo amor. Minha Nayla multiplica a entrega do amor e por isso sou feliz. Recorro a Érico Veríssimo: felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.
Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade, que está nas coisas simples que o amor rega. O amor evita males e prolonga a vida.
Foi Charles Chaplin quem nos ensinou: “Não espere por um dia perfeito para ser feliz. A felicidade está nas pequenas coisas, nas pequenas atitudes e nos pequenos momentos”.
Sete em cada dez motoristas de aplicativos reclamam das taxas
O trabalho por aplicativos cresceu como alternativa de renda para muitos brasileiros. Porém, a expansão do setor não eliminou uma questão central para quem está na ponta: quanto do valor gerado por corrida ou entrega efetivamente fica com o profissional? A percepção dos próprios motoristas e entregadores é que o problema está menos na falta de trabalho do que na parcela da receita que chega ao bolso depois das taxas cobradas pelas plataformas.
Segundo levantamento da GigU em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, para 67,5% dos entrevistados a principal medida capaz de aumentar seus ganhos seria a redução das taxas cobradas pelos aplicativos. O resultado coloca a remuneração líquida no centro da discussão sobre o futuro do trabalho por plataformas e sinaliza que, para a maioria dos profissionais, aumentar o volume de chamadas não necessariamente resolve o problema. A diferença aparece com clareza quando as demais respostas são analisadas. Apenas 7,7% apontam a existência de mais corridas ou entregas como o principal caminho para elevar a renda. Outros 9,5% gostariam de receber mais informações sobre os ganhos antes de aceitar uma chamada, enquanto 9,9% citam programas de benefícios e incentivos. Outros modelos de remuneração aparecem com 5,4%.
O dado ajuda a deslocar o debate sobre a relação entre plataformas e profissionais. Em vez de simplesmente buscar mais demanda, o trabalhador parece estar olhando para a eficiência econômica de cada hora trabalhada. Se uma corrida adicional vem acompanhada de uma taxa que reduz significativamente o valor recebido, aumentar o número de chamadas pode significar apenas trabalhar mais para obter um ganho proporcionalmente menor. Essa percepção também se conecta à dificuldade de prever a renda. No mesmo levantamento, 43,6% dos profissionais classificam seus ganhos como pouco ou nada previsíveis, enquanto 44,6% consideram a renda razoavelmente previsível. Apenas 11,8% dizem ter ganhos muito previsíveis.
A combinação dos dois resultados revela um desafio maior para o setor: não basta discutir quanto o aplicativo movimenta ou quantas chamadas oferece. Para quem trabalha na plataforma, a questão é quanto sobra e quão possível é antecipar esse valor. A discussão tende a ganhar importância à medida que novos modelos de cobrança e remuneração são testados pelas empresas. A redução das taxas aparece como a alternativa mais desejada, mas a pesquisa também mostra que existe demanda por maior transparência sobre o valor das chamadas e por mecanismos que tornem a renda menos sujeita a oscilações. São questões diferentes, mas que convergem para a mesma preocupação: dar ao profissional maior capacidade de calcular se o tempo e os custos envolvidos na atividade estão compensando.
Para Luiz Gustavo Neves, CEO do GigU, os resultados mostram que a discussão sobre remuneração precisa considerar o valor que efetivamente chega ao trabalhador. “O profissional não está olhando apenas para o número de corridas que consegue fazer. Ele está fazendo uma conta mais completa, que envolve a margem de lucro, o valor que recebe e a previsibilidade dessa renda. Modelos que consigam melhorar essa equação tendem a ser mais relevantes para a categoria do que simplesmente aumentar o volume de chamadas”, afirma.
Quatro em cada seis corridas já são feitas por eletrificados – Para quem trabalha por aplicativo, trocar de carro não é uma decisão de consumo comum. O veículo é o próprio instrumento de trabalho e precisa conciliar custo de aquisição, manutenção, consumo e capacidade de permanecer muitas horas nas ruas. É nesse mercado que o governo federal decidiu flexibilizar as regras do Move Brasil, reduzindo de 12 para seis meses o período mínimo de atividade exigido para que motoristas de aplicativo tenham acesso às condições especiais de financiamento do programa.
Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira (14), a nova regra exige que o motorista comprove seis meses de atividade na mesma plataforma e pelo menos 100 corridas realizadas nesse período. A mudança ocorre depois de dificuldades na liberação dos primeiros créditos e permite que profissionais que tiveram a inscrição rejeitada pelo critério anterior façam uma nova tentativa. A flexibilização acontece em um momento em que a própria composição da frota de aplicativos começa a mudar.
Dados da Machine mostram que os modelos mais utilizados ainda são carros compactos a combustão, como Volkswagen Polo, Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Fiat Argo e Kwid. São veículos associados a uma lógica bastante objetiva para quem trabalha nas ruas, com atenção ao consumo, manutenção e uso urbano. Ao mesmo tempo, os eletrificados já representam 41,4% das corridas analisadas. Entre eles, o BYD Dolphin Mini aparece na liderança, seguido pelo Dolphin. O dado mostra que a discussão sobre renovação de frota já não se resume à substituição de carros antigos por modelos mais novos. Ela envolve também uma mudança na tecnologia dos veículos que sustentam a atividade.
Como escolher? – Essa transformação ajuda a dar outra dimensão à política de crédito. Para o motorista, a escolha de um veículo pode alterar diretamente a estrutura de custos da atividade. Um carro mais econômico pode reduzir despesas ao longo do tempo, enquanto a aquisição de um modelo mais caro pode aumentar o compromisso financeiro mensal. O impacto do Move Brasil, portanto, dependerá não apenas de quantos profissionais conseguirão acessar o programa, mas de quais veículos eles conseguirão colocar nas ruas.
A nova regra tenta corrigir uma barreira identificada na primeira etapa do programa. Ao reduzir pela metade o período de atividade exigido e estabelecer um mínimo de 100 corridas, o governo busca adaptar o acesso ao crédito à dinâmica de uma atividade marcada por jornadas variáveis e, muitas vezes, atuação em diferentes plataformas. O pedido de habilitação deverá ter resposta em até dez dias após o cadastro no gov.br. A medida também cria uma nova oportunidade para quem foi recusado anteriormente por não cumprir a exigência de tempo.
“O novo programa pode incidir diretamente sobre uma frota já parcialmente alinhada às suas regras. Na prática, os modelos mais utilizados hoje pelos motoristas urbanos são justamente aqueles que mais se aproximam do perfil esperado para o financiamento, o que pode acelerar a renovação dos veículos e reforçar a presença de opções eletrificadas no setor”, diz Júlia Camossa, estatística responsável pelo Data Machine.
A flexibilização, porém, é apenas uma etapa. O acesso ao crédito não garante a compra do veículo, que continuará condicionado à capacidade de pagamento de cada profissional. Ainda assim, a mudança chega em um momento particularmente relevante para o setor. Ao mesmo tempo em que o governo tenta ampliar o acesso ao financiamento, a frota de aplicativos começa a incorporar uma parcela cada vez maior de veículos eletrificados, indicando que a próxima renovação poderá alterar não apenas a idade dos carros, mas também a lógica de custo e operação de quem trabalha com eles.
Dois modelos GAC entram na categoria Black – E por falar em aplicativos, a chinesa GAC se adequou às novas regras do Move Brasil, programa federal de renovação de frota que passou a oferecer mais condições para motoristas de aplicativo, taxistas e outros profissionais que utilizam veículos em suas atividades. Com a sanção da nova lei, o programa segue contemplando a aquisição de carros novos flex, híbridos e elétricos com valor de até R$ 200 mil, além de estabelecer condições específicas de financiamento para os profissionais elegíveis.
Entre as mudanças está a redução de 12 para seis meses no período mínimo de atividade exigido de motoristas de aplicativo na mesma plataforma. Também é necessário comprovar pelo menos 100 corridas realizadas nesse período. Para os veículos destinados a essa modalidade, o programa prevê carência de até seis meses e financiamento em até 84 parcelas, de acordo com as condições estabelecidas e a análise da instituição financeira.
Nesse contexto, a GAC também amplia as possibilidades de utilização de seus modelos no mercado de mobilidade por aplicativo. O GS4 e o Aion Y passaram a integrar a categoria Black, permitindo que motoristas elegíveis utilizem os dois modelos nessa modalidade de viagens da plataforma. A entrada dos dois modelos na categoria amplia as alternativas para profissionais que buscam veículos para atuar com transporte por aplicativo, ao mesmo tempo em que aproxima a linha da GAC de uma demanda específica do mercado de mobilidade urbana. O GS4 é um SUV híbrido equipado com sistema de propulsão que combina motor a combustão e eletrificação, enquanto o Aion Y é um veículo 100% elétrico. Com propostas distintas, os dois modelos oferecem aos motoristas alternativas para diferentes perfis de operação e utilização.
Versão aprimorada do Renault Kardian custa R$ 99,9 mil – O Renault Kardian Vibe já está à venda nas concessionárias da marca com preços a partir de R$ 99,9 mil. A nova configuração recebeu alguns melhoramentos que resultaram, por exemplo, em redução de massa (de 43kg), recalibração do conjunto de motor e câmbio, otimização aerodinâmica e uma nova relação final para a transmissão manual de seis velocidades. Com isso, a versão ganha eficiência energética (6% melhor), redução nas emissões de CO₂ (de 7%) e melhora no desempenho em aceleração.
A versão, segundo o Inmetro, agora tem consumo de 13,7 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada com gasolina ou 9,3 km/l e 10,9 km/l, respectivamente, com etanol. O melhor resultado é observado no ciclo urbano com gasolina, em que o consumo melhora 8%. Esses números são resultado de um trabalho da engenharia da Renault Geely do Brasil, e tem como meta atender o Programa Carro Sustentável, iniciativa do governo federal para incentivar veículos produzidos localmente com elevada eficiência energética.
“O Kardian Vibe entrega o melhor equilíbrio entre desempenho e eficiência energética. O motor turbo TCe de 125 cv agora oferece o maior torque entre os concorrentes diretos e os melhores índices de consumo da categoria”, avalia Aldo Costa, diretor comercial da Renault.
Confira os principais equipamentos da Vibe:
6 airbags (frontal, lateral e de cortina)
Aerofólio traseiro
Antena shark
Ar-condicionado digital com função auto
Assistente de partida
Bancos com acabamento exclusivo na cor azul
Controlador de velocidade e limitador de velocidade
Controles eletrônicos de estabilidade e tração
Faróis e assinatura luminosa 100% em LED
Multimídia com tela de 8” com Android Auto e Apple CarPlay com espelhamento sem fio
Painel com acabamento na cor azul
Regulagem manual de altura dos faróis
Retrovisores externos com ajuste elétrico
Sensores de estacionamento traseiro
Sistema de monitoramento de pressão dos pneus
Start&Stop
Vidro do motorista com função one-touch e antiesmagamento
Vidros elétricos para passageiros
Volante com ajustes de altura e profundidade
Com etanol, o tempo de aceleração de 0 a 100 km/h foi reduzido de 11,0 para 10,1 segundos, uma melhora de 8% da versão Vibe em relação à configuração anterior. Já com gasolina, o tempo caiu de 11,4 para 10,6 segundos, representando uma melhora de 7,0%. Tudo isso sem alterar os 125 cv de potência e 22,5kgfm de torque.
Jeep lança série especial do Avenger e do Renegade – A marca norte-americana pertencente à Stellantis celebra os 85 anos de uma história marcada por, entre outras coisas, conexão com diferentes gerações de consumidores. Para comemorar a data, também profundamente ligada à evolução do mercado automotivo brasileiro, a marca acaba de iniciar as vendas da Série Especial 85 Anos, formada, neste primeiro momento, pelos modelos Avenger e Renegade. A produção limitada, com itens exclusivos de design, acabamento e tecnologia.
O Avenger ganha uma configuração comemorativa que combina elementos visuais exclusivos (o ponto forte dela) e uma boa oferta de tecnologia. Externamente, o modelo se destaca, por exemplo, pelo teto bicolor preto e emblemas da série especial. A lista de equipamentos inclui faróis Matrix, câmera 360°, rodas de 18 polegadas, teto preto, grade iluminada, sensor de estacionamento frontal e Jeep Adventure Intelligence, com assistente de voz ChatGPT embarcado. No interior, a versão recebe detalhes em Mayan Gold, tonalidade aplicada às costuras dos bancos, etiquetas e outros elementos do painel. O acabamento cria uma atmosfera ainda mais sofisticada e reforça o caráter exclusivo da edição comemorativa. O modelo conta com o sistema MHEV de 12V da Stellantis, com o conhecido motor turbo T200.
A tecnologia híbrida-leve combina um motor a combustão com um sistema elétrico de baixa tensão (12 Volts), redução de emissões e o consumo de combustível sem abrir mão do desempenho. O Renegade também integra as celebrações de 85 anos da marca em uma versão especial baseada na configuração Longitude. O modelo recebe elementos exclusivos da série, incluindo detalhes internos em preto e costuras em Mayan Gold no painel de portas, painel e assentos. O volante preto e o acabamento em preto na manopla de câmbio complementam o ambiente interno, reforçando a proposta de exclusividade e sofisticação da edição limitada.
O modelo traz ainda teto solar panorâmico e teto bicolor preto, além de contar com Jeep Adventure Intelligence, comutação automática de faróis e detector de ponto cego. O pacote de itens é destacado ainda por paddle shifters, retrovisor eletrocrômico e sensor de chuva. Além da tecnologia MHEV de 48V da Stellantis, o Renegade traz bons itens de tecnologia e segurança, como seis airbags, tecnologias de condução semi autônoma (Adas) – frenagem de emergência, aviso e assistente de mudança de faixa e detector de fadiga.
Avenger – R$ 142.990
Renegade – R$167.690
Leapmotor amplia garantia para seis anos – A partir deste mês a Leapmotor passará a oferecer no Brasil garantia de seus veículos por seis anos ou 150 mil quilômetros (o que ocorrer primeiro). A proteção de fábrica para bateria de tração, motor elétrico e inversor segue por oito anos. A proteção contratual é válida para a linha ano-modelo 2027 (inclusive unidades já comercializadas e entregues aos clientes). São eles: B10 Elétrico 2026/2027 em diante, C10 Elétrico 2026/2027 em diante e C10 Ultra-Híbrido 2026/2027 em diante, e estará disponível para o próximo lançamento da marca, o B10 Ultra-Híbrido. A manutenção da garantia ocorre mediante atendimento das regras contratuais, incluindo a execução das revisões periódicas na rede de concessionárias Leapmotor distribuídas pelo Brasil. As revisões ocorrem a cada 12 meses ou 20 mil quilômetros, o que ocorrer primeiro.
Nova Kawasaki Ninja ZX-10R 2027 custa R$ R$ 136 mil – Apresentada ao público brasileiro durante o Festival Interlagos 2026, a nova Kawasaki Ninja ZX-10R 2027 já está disponível em toda a rede autorizada da marca pelo preço público sugerido de R$ 136 mil, com frete incluso. A nova versão chega com mudanças desenvolvidas para aprimorar a agilidade, a estabilidade e o aproveitamento das curvas de torque e potência, elevando a experiência de pilotagem da superesportiva. Entre as principais atualizações do conjunto ciclístico estão o novo designer da parte frontal com asas aerodinâmicas, além de novos faróis dianteiros e amortecedor de direção Öhlins com ajuste mecânico.
Este último favorece um ajuste preciso para as pistas, o reposicionamento da suspensão dianteira, o novo ajuste da taxa da mola na suspensão traseira, o novo link da suspensão e o reposicionamento da balança traseira. O conjunto contribui para uma motocicleta com uma maior sensação de leveza, tornando-a mais ágil e precisa. O modelo também recebeu um novo mapa de injeção eletrônica, que aprimora a entrega de potência em médias e altas rotações, permitindo que a motocicleta tenha um maior aproveitamento da potência transferida para o solo, aumentando o desempenho dos pilotos e a satisfação na pilotagem esportiva.
Condições especiais – Para acompanhar a chegada da Ninja ZX-10R 2027 ao mercado brasileiro, a Kawasaki oferece condições especiais para as vendas no varejo realizadas até 10 de outubro de 2026. O consumidor poderá escolher apenas uma das quatro opções de benefícios:
Financiamento com taxa zero, entrada de 60% e prazo de até 18 meses, em condição exclusiva do Banco Safra;
OU
Emplacamento e IPVA 2026 integralmente grátis, além de financiamento com taxa especial de 0,99% ao mês, entrada de 50% e prazo de até 24 meses, em condição exclusiva do Banco Safra;
OU
Trade In de R$ 4 mil para a supervalorização da motocicleta usada, além de financiamento com taxa especial de 0,99% ao mês, entrada de 50% e prazo de até 24 meses, em condição exclusiva do Banco Safra;
OU
Trade In de R$ 8 mil para a supervalorização da motocicleta usada, combinado com uma destas modalidades: pelo Banco Safra, financiamento com a primeira parcela somente em janeiro de 2027, taxa a partir de 1,34% ao mês, entrada de 50% e prazo de até 36 meses; ou, pelo Banco Santander, financiamento com taxa especial de 1,49% ao mês, entrada de 30% e prazo de até 48 meses.
Aston Martin lança sua 1ª moto de rua – A Aston Martin é conhecida por seus carros esportivos. Mas, agora, surpreende o mundo automobilístico ao mostrar sua primeira motocicleta homologada para circular nas ruas. A AMB 002 Roadster foi desenvolvida em parceria com a lendária britânica Brough Superior e terá produção global limitada a apenas 300 unidades. Vale lembrar que essa união já tinha dado dois frutos: a AMB 001, de 2019 e limitada a 100 unidades, e a AMB 001 Pro, de 2022 e com 88 exemplares.
Mas ambas foram projetadas exclusivamente para uso em circuitos fechados. A AMB 002 foi desenvolvida do zero, sem aproveitar componentes dos modelos de pista. Seu motor é um bicilíndrico em V de 1.083 cm³, quatro tempos e refrigeração líquida. A marca declara potência máxima de 132 cv e torque de 11,2kgfm. O propulsor, por sinal, foi ajustado para entregar a maior parte do torque em baixas e médias rotações – o que, segundo a fabricante, é ideal para o uso em vias públicas. Uma das principais inovações da AMB 002 é o seu quadro. Usinado a partir de um bloco maciço de titânio, o chassi pesa apenas 5 quilos. A construção ultra-leve contribui para uma distribuição de peso perfeita de 50% sobre cada eixo.
A fabricante informa peso a seco de 190 quilos — algo relevante para uma superbike de mais de 1.000 cc, ficando muito próxima dos 188 quilos em ordem de marcha (já abastecida. A carenagem e o tanque utilizam fibra de carbono para reduzir a massa e manter o centro de gravidade o mais baixo possível. O desenho da moto é assinado pelo estúdio de design da Aston Martin e incorpora a linguagem visual dos automóveis mais exclusivos da marca. As lanternas traseiras foram diretamente inspiradas nos super carros Vulcan, Valkyrie e Valhalla.
Já as duas saídas ovais de escapamento trazem dissipadores de calor semelhantes aos empregados em modelos como Vanquish, DB12 e DBX. A motocicleta conta ainda com tecnologia de partida sem chave (keyless), botão de ignição iluminado e assento com revestimento de couro costurado à mão. As encomendas internacionais já estão abertas e as primeiras entregas estão previstas para o terceiro trimestre de 2027. Não há detalhes sobre os preços nem se algum exemplar virá para o Brasil.
Crise, que crise? Financiamento de veículos bate recorde – O mercado de financiamento de veículos registrou em agosto seu melhor desempenho para o mês em 15 anos, mesmo em um cenário de juros altos e volatilidade econômica. Foram financiadas 683,9 mil unidades no período, o maior volume para agosto desde 2011, quando 729.672 veículos tiveram crédito aprovado. Na comparação com o mesmo mês de 2025, o crescimento foi de 10,4%. Os dados são da Trillia, linha de negócios da B3 dedicada a Dados, Analytics e Inteligência Artificial.
No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, foram financiados 5,136 milhões de veículos, crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço foi puxado principalmente pelos autos leves, que somaram 478 mil unidades financiadas em agosto, sendo 350 mil de veículos novos e 127 mil usados. Na comparação com julho de 2026, houve alta de 1,4%. “A alta consistente de financiamento de veículos mostra a resiliência do mercado mesmo em momentos de volatilidade na economia. Agosto teve uma média de 32.568 veículos financiados por dia útil”, diz Thiago Gaspar, superintendente de Relacionamento com Clientes na Trillia.
As motos somaram 178 mil financiamentos, com 133 mil unidades novas e 45 mil usadas. O volume representa crescimento de 4,9% em comparação a agosto do ano passado. Já as vendas financiadas de veículos pesados totalizaram 27 mil operações, divididas entre 15 mil de novos modelos e 12 mil de usados. O crescimento foi de 10,4% na comparação anual. No recorte regional, o Sudeste liderou a participação, com 42% do total. Em seguida, vieram Sul, com 20%, Nordeste, com 19,8%, Centro-Oeste, com 10,7%, e Norte, com 7,5%.
O monitoramento mensal da Tabela Auto B3, solução desenvolvida pela Trillia em parceria com a Bright Consulting, indica que os preços de transação dos veículos 0km cresceram 2,7% em agosto ante julho, revertendo a queda de 1,2% observada em julho. Todos os segmentos apresentaram aumento. No acumulado de 12 meses, a média do mercado de veículos novos ficou em -1,1%. No mercado de veículos usados, agosto apresentou variação média de -0,1%, indicando estabilidade após a queda de 1,0% registrada em julho. O comportamento foi distinto entre os segmentos, com três categorias em alta, três em queda e os crossovers praticamente estáveis. No acumulado de 12 meses, a média do mercado de usados ficou em -3,9%.
Dê a atenção devida à pintura do seu carro – A conservação da pintura está entre os fatores que mais influenciam a aparência e a valorização de um veículo ao longo do tempo. Ainda que muitos danos só se tornem visíveis com o passar dos anos, a exposição diária ao sol, à chuva e à poluição, e até mesmo alguns hábitos inadequados de limpeza podem acelerar o desgaste da lataria. Segundo Ricardo Vettorazzi, gerente técnico de Repintura Automotiva da PPG, a manutenção adequada da pintura ajuda a proteger a carroceria, preservar o valor de revenda do veículo e evitar intervenções corretivas que poderiam ser minimizadas apenas pela manutenção adequada. “Em muitos casos, pequenos hábitos fazem diferença na preservação da pintura. A limpeza adequada, a escolha do local para estacionar e a atenção a resíduos que entram em contato com a lataria ajudam a evitar manchas, desgaste precoce e até processos de corrosão”, explica.
Evite lavar o carro com a lataria quente
Um dos erros mais comuns é realizar a lavagem logo após o veículo permanecer exposto ao sol ou após percorrer longas distâncias. Com a superfície aquecida, a água e os produtos de limpeza secam mais rapidamente, aumentando o risco de manchas. O ideal é aguardar o resfriamento da lataria e utilizar produtos adequados para limpeza automotiva. Após a lavagem, o enceramento pode contribuir para reforçar a proteção da pintura.
Onde o veículo fica estacionado?
Sempre que possível, prefira locais cobertos ou protegidos da exposição direta ao sol e à chuva. Também é importante ter cautela ao estacionar sob árvores, já que a seiva e fezes de aves podem danificar a superfície quando permanecem por longos períodos em contato com a pintura. Caso isso aconteça, a recomendação é remover a sujeira o mais rápido possível utilizando pano macio e água, evitando esfregá-la seca.
Poluição e poeira
Partículas presentes no ar, como poeira, poluentes e outros resíduos, podem se acumular na superfície do veículo e comprometer o acabamento ao longo do tempo. Por isso, manter uma rotina de limpeza ajuda a evitar que essas substâncias adiram à pintura, dificultem sua remoção e contribuam para o desgaste precoce da lataria. “A frequência ideal de lavagem varia conforme o uso do veículo e as condições do ambiente, mas a limpeza periódica é uma das principais formas de preservação”, orienta Vettorazzi.
Polimento com moderação
Quando a pintura começa a apresentar perda de brilho ou pequenas imperfeições, muitos motoristas recorrem ao polimento como solução imediata. Embora o procedimento possa ser eficaz para recuperar o aspecto da superfície, o especialista conta que seu uso excessivo pode causar o efeito contrário. Dependendo da frequência e da técnica utilizada, o polimento pode reduzir gradualmente a camada de verniz responsável pela proteção da pintura.
“O polimento é um recurso importante para corrigir imperfeições e restaurar o acabamento do veículo, mas não deve ser encarado como um procedimento de manutenção rotineira. Cada intervenção exige uma avaliação cuidadosa da condição da pintura e, quando realizada sem necessidade ou de forma inadequada, pode comprometer a proteção da superfície ao longo do tempo. Por isso, o ideal é que a análise seja feita por profissionais especializados, capazes de identificar a real necessidade da intervenção”, aconselha.
Sinais de desgaste!
Manchas persistentes, perda de brilho, pontos de corrosão e diferenças de tonalidade podem indicar que a camada de proteção da pintura já está comprometida. Nesses casos, a avaliação de um profissional especializado ajuda a identificar a origem do problema e definir o tratamento mais adequado, antes que o dano se torne mais severo. “Assim como acontece com outros componentes do veículo, a manutenção preventiva costuma ser mais eficiente e econômica do que uma correção tardia. Pequenos sinais de desgaste não devem ser ignorados porque muitas vezes indicam que a superfície já está perdendo parte de sua capacidade de proteção. Quanto mais cedo houver a intervenção adequada, maiores são as chances de preservar as características originais da pintura”, alerta Vettorazzi.
Renato Ferraz é especializado em jornalismo automobilístico. Além da coluna “De Bigu com a Modernidade”, também assina a “Multieixos”, no Correio Braziliense.