A tentativa da coligação da governadora Raquel Lyra (PSD) de retirar do ar a crítica de João Campos sobre a redução de leitos hospitalares em Pernambuco foi rejeitada pela Justiça Eleitoral. Em decisão de ontem, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) indeferiu o pedido liminar para suspender trecho do guia da Frente Popular que aponta a perda de cerca de 1,2 mil leitos do SUS durante a gestão de Raquel Lyra.
Ao analisar os números apresentados no processo, o desembargador eleitoral Paulo Augusto de Freitas Oliveira registrou que os próprios dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) confirmam uma redução de 1.173 leitos entre 2022 e 2026. Diante disso, afirmou que não seria possível classificar a informação divulgada pela Frente Popular como falsa.
Leia maisA decisão mantém no debate eleitoral uma informação que expõe um contraste importante na história recente da saúde pública de Pernambuco.
Se o ex-governador Eduardo Campos (PSB) ficou marcado pela expansão da rede estadual de atendimento, Raquel Lyra chega à reta final do mandato com movimento inverso. Entre 2007 e 2014, durante os oito anos da gestão de Eduardo, a rede estadual saltou de 27 para 57 unidades e serviços de saúde, com a abertura de hospitais, UPAs e novos equipamentos em diferentes regiões do Estado.
Sob Raquel Lyra, a marca é outra. Entre 2022 e 2026, Pernambuco perdeu 1.173 leitos hospitalares. O dado, além de constar das bases oficiais, foi reconhecido no próprio processo movido pela coligação governista. É uma redução que coloca a gestão de Raquel Lyra como a que mais diminuiu a capacidade assistencial da rede estadual em toda a história da saúde pública de Pernambuco.
A diferença entre os dois períodos ajuda a dimensionar o debate. Em oito anos, Eduardo Campos mais que dobrou o número de unidades e serviços da rede estadual. Já a primeira governadora eleita da história de Pernambuco se aproxima do fim do mandato deixando uma estrutura hospitalar com mais de mil leitos a menos do que aquela que encontrou.
Foi justamente essa redução que apareceu no guia eleitoral de João Campos. A peça afirmou que Pernambuco tem “1.200 leitos do SUS e 150 mil cirurgias a menos” e criticou também a queda dos investimentos na área. A coligação da governadora pediu que o trecho fosse retirado do rádio, da televisão e da internet sob a alegação de divulgação de informação sabidamente falsa.
Ao negar a liminar, o TRE ressaltou que a crítica política pode ser dura quando está sustentada em fatos e dados públicos. No caso dos leitos, a própria decisão afirma que há uma “constatação fática e matemática” da redução e que impedir a circulação de críticas baseadas em números reais representaria interferência indevida no debate eleitoral.
Leia menos














