Aldo Rebelo teve sua expulsão do DC (Democracia Cristã) autorizada pela Justiça Eleitoral nesta segunda-feira (25). A decisão do juiz Tiago Ducatti acatou um posicionamento do partido, que, por meio de seu diretório nacional, abriu um procedimento disciplinar contra o político.
Segundo a nota do partido divulgada na última sexta-feira (22), Rebelo foi expulso sumariamente em razão de “gravíssimos fatos e provas apurados”. Ainda no parecer, as recentes afirmações do político à imprensa nacional “não condizem com os valores democratas-cristãos”. O partido relata ter feito “diversas tentativas de resolução harmoniosa” que foram frustradas pela “reiterada intransigência do recém-filiado”. As informações são da CNN.
Leia maisAo analisar a documentação enviada pela sigla, o juiz proferiu a decisão favorável pela expulsão, com a execução imediata e aplicação da desfiliação retroativa, com a data da divulgação da decisão do partido. A equipe da CNN Brasil consultou o sistema da Justiça Eleitoral e confirmou que o nome do político não está cadastrado a nenhum partido.
A crise entre Rebelo e o DC se deu após o político ter sido trocado no último dia 16 pelo ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência da República no último dia 16.
Em entrevista à CNN, o presidente do partido, João Caldas, afirmou que a escolha se deu pelo baixo desempenho de Rebelo nas pesquisas eleitorais realizadas até então, ao mesmo tempo em que o nome de Barbosa foi citado por alguns eleitores.
Apesar da troca na chapa, Rebelo continuou se apresentando como pré-candidato, participando de sabatinas e eventos. Segundo ele, a substituição do seu nome pelo de Barbosa se deu possivelmente por “um escândalo ligado ao Banco Master em Alagoas”.
“A prefeitura de Maceió comprou R$ 116 milhões em títulos podres do Banco Master pelo Instituto de Previdência de Maceió. O prefeito era o filho do deputado João Caldas [presidente nacional do DC]”, explicou.
Em conversa com a CNN na última semana, Rebelo também afirmou que a escolha de Joaquim Barbosa seria uma manobra de Caldas para conseguir algum tipo de proteção ao filho.
“Minha pré-candidatura está mantida e sigo com minhas agendas. O Joaquim Barbosa não confirmou [que aceitou o convite para concorrer]. Não se faz política na clandestinidade”, disse o político na entrevista.
Entenda a linha do tempo do caso
- No dia 22 de maio de 2026, a Direção Executiva Nacional do Democracia Cristã reuniu-se extraordinariamente na capital de São Paulo, ocasião em que deliberou, por unanimidade dos presentes, pela expulsão do senhor José Aldo Rebelo Figueiredo dos quadros partidários.
- Ainda em 22 de maio de 2026, a Direção Nacional comunicou oficialmente ao Juízo da Primeira Zona Eleitoral da Capital de São Paulo a expulsão do senhor José Aldo Rebelo Figueiredo.
- No dia 25 de maio de 2026, o Juiz Eleitoral da Primeira Zona Eleitoral da Capital de São Paulo homologou a desfiliação do senhor José Aldo Rebelo Figueiredo do Democracia Cristã.
- Em 26 de maio de 2026, os assentamentos da Justiça Eleitoral já registram oficialmente que o senhor José Aldo Rebelo Figueiredo não mais integra os quadros de filiados do Democracia Cristã.
Leia a nota completa do Democracia Cristã abaixo:
“A Direção Nacional da Democracia Cristã vem, por meio desta nota oficial, repudiar veementemente os ataques proferidos pelo recém-filiado Aldo Rebelo contra esta Direção e seu Presidente Nacional.
Nenhuma das atitudes manifestadas na imprensa nacional, nos últimos dias, condiz com os valores democratas-cristãos. Nosso partido trabalha incansavelmente por um Brasil mais solidário, fraterno, justo e desenvolvido.
Diante do esgotamento das diversas tentativas de resolução harmoniosa — frustradas pela reiterada intransigência do recém-filiado — e tendo em vista os gravíssimos fatos e provas apurados, que afrontam os valores, os princípios, os objetivos e o Estatuto do partido, a Direção Nacional do DC delibera pela abertura imediata de procedimento disciplinar contra o referido filiado. Tal medida resultará em sua expulsão sumária, com a devida comunicação de sua desfiliação à Justiça Eleitoral.
A Democracia Cristã estará sempre de braços abertos a todos os brasileiros que sonham e trabalham por um Brasil melhor. Não há espaço, porém, para ameaças, calúnias, difamação, má-fé e arrogância.”
Outro lado
Em nota, Aldo Rebelo classificou que houve uma “homologação de um pedido irregular e ilegal de desfiliação”. Segundo o político, não houve um processo de expulsão iniciado pelo partido, o que tornaria o processo irregular.
“Não houve decisão judicial sobre expulsão, mas homologação de um pedido irregular e ilegal de desfiliação.
A filiação ou desfiliação é um ato do indivíduo que se filia ou desfilia de um partido por iniciativa própria.
O processo de expulsão exige um procedimento que sequer foi iniciado. Todos os atos da direção do DC neste sentido estão eivados de ilegalidades e, portanto, judicializados”, declarou.

















