No Direto de Brasília, Caiado sobe o tom contra Lula, evita isolar Flávio e critica pauta da 6×1
O presidenciável e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), subiu o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante entrevista concedida ontem ao podcast Direto de Brasília, parceria entre este blog e a Folha de Pernambuco. Ao ser questionado diretamente se considera Lula corrupto, Caiado respondeu sem rodeios: “Na essência, na formação, na origem, no método, na maneira de governar, no dia a dia da sua vida”, afirmou o pessedista, que tenta se consolidar como alternativa da centro-direita para a disputa presidencial de 2026.
Ao longo da entrevista, Caiado buscou se apresentar como um nome capaz de romper a polarização entre PT e bolsonarismo, embora tenha reconhecido a força política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Você nunca viu um ex-presidente sair do poder com a capacidade de mobilização do ex-presidente Jair Bolsonaro”, declarou. O ex-governador também admitiu que nenhum nome da oposição, além de Flávio Bolsonaro (PL), possui hoje alcance nacional consolidado. “Hoje, 50% da população não me conhece”, disse, ao apostar nos debates eleitorais como fator decisivo para alterar o cenário das pesquisas.
Leia maisCaiado evitou atacar diretamente Flávio Bolsonaro no episódio envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, mas reconheceu desgaste político do senador após a revelação das mensagens e pedidos de recursos para um filme sobre Jair Bolsonaro. “Todas essas posições comprometeram enormemente a credibilidade dele”, afirmou. Apesar disso, defendeu que a crise não provoque divisão no campo da centro-direita. “O PT deseja exatamente essa queda de braço dentro da oposição”, declarou.
O ex-governador também reforçou a defesa de uma candidatura única da oposição no segundo turno e afirmou que o objetivo central da direita é derrotar Lula. Segundo ele, “aquele que atravessar terá o apoio dos demais”. Caiado ainda citou conversas com lideranças como Ciro Gomes (PDT) e mencionou articulações regionais para garantir palanques estaduais mesmo em estados onde o PSD mantém alinhamento local com o PT, caso de Pernambuco e Bahia.
A segurança pública foi o principal eixo do discurso do presidenciável. Caiado prometeu ampliar nacionalmente o modelo implantado em Goiás e direcionou atenção especial ao Nordeste. “Vou devolver o Nordeste aos nordestinos”, afirmou, ao defender combate duro ao narcotráfico e às facções criminosas. O ex-governador disse que a região vive hoje sob domínio do crime organizado e prometeu “tolerância zero” caso chegue ao Palácio do Planalto.
Ao falar sobre o Nordeste, Caiado tentou aproximar o discurso da realidade regional, citando investimentos em energia renovável, irrigação, qualificação profissional e inteligência artificial. Casado com uma baiana, o ex-governador afirmou ter “ligação histórica” com a região e prometeu políticas voltadas para geração de emprego e formação de mão de obra. Também elogiou iniciativas educacionais do Ceará e afirmou ter se inspirado em experiências do estado para implantar políticas em Goiás.
6×1 é “pauta vencida” – Durante a entrevista, Caiado também criticou a proposta de redução da jornada 6×1 defendida pelo governo Lula. Segundo ele, o debate apresentado pelo Planalto é “uma pauta vencida” e não dialoga com o novo perfil do mercado de trabalho. O presidenciável defendeu modelos mais flexíveis, baseados em produtividade e remuneração por hora trabalhada, afirmando que o jovem brasileiro “não deseja mais esse modelo rígido de trabalho”.

Flávio é recebido por Trump – O senador e pré-candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ontem, na Casa Branca. A intenção do senador é usar a reunião com Trump para tentar ofuscar a crise de imagem na qual mergulhou nos últimos dias, após vir à tona sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. O filho mais velho de Jair Bolsonaro também pretende usar a foto ao lado do presidente americano para demonstrar que tem prestígio no cenário internacional e que sua candidatura é para valer. Flávio estava acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro.
“Não é a porta para o céu” – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, ontem, que a vitaliciedade no cargo de juiz não “significa ingresso no reino dos céus”. A fala do magistrado ocorreu em sessão na Primeira Turma da Corte, durante o julgamento que acabou com a aposentadoria compulsória como maior punição a juízes. As informações foram registradas pelo portal Metrópoles. “A vitaliciedade não significa – e, definitivamente, sabemos todos – que alguém ingressará no reino dos céus de beca e de capa. Não, não ingressará nessa condição. Não será chamado de meritíssimo e, lá, a roupa não é preta: é branca, dos anjos. A vitaliciedade significa tão somente, como sabemos, que há, sim, perda do cargo”, brincou Dino.
ONU avalia Exército Brasileiro – A Organização das Nações Unidas (ONU) realizou, na última semana, uma avaliação das tropas do Exército Brasileiro para emprego nas próximas missões internacionais de paz. A ação visa a incorporar os militares brasileiros ao Sistema de Prontidão de Capacidades de Manutenção da Paz da organização. O Exército Brasileiro participa historicamente da mediação de conflitos armados, com envio de militares. De 1957 a 1967, 6.300 brasileiros reforçaram a força emergencial das Nações Unidas na região entre Sinai e Faixa de Gaza. Em 1993, foram enviados 170 para Moçambique. Já para Angola, foram mais de 3.300 militares de 1995 a 1997. No Haiti, foram 37.000 em mais de 10 anos de missão de paz.

Deputado cobra explicação sobre taxa de mortes – O deputado estadual Romero Albuquerque (PSB) cobrou explicações do Governo de Pernambuco após a divulgação do Atlas da Violência 2026. O estudo aponta que Pernambuco tem a terceira maior taxa de mortes violentas de jovens do Brasil. Enquanto o Brasil reduziu em 39% a taxa de mortes violentas de jovens entre 2014 e 2024, Pernambuco aumentou em 7,5%. Para o deputado, o resultado escancara o descompasso entre o discurso oficial e a realidade vivida pela população pernambucana. “A propaganda oficial vende redução da violência. Os dados do Ipea desmentem a propaganda. Pernambuco não está melhorando, está piorando em comparação ao restante do país. E nenhuma peça publicitária paga com dinheiro do povo apaga 1.814 vidas perdidas em um único ano”, declara o parlamentar.
CURTAS
VIOLÊNCIA – Duas cidades da Grande Recife estão entre as 20 cidades mais violentas do Brasil, segundo dados divulgados pelo Atlas da Violência 2026. O Cabo de Santo Agostinho e São Lourenço da Mata ocupam, respectivamente, a 14ª e a 16ª posições entre os municípios com maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes. O relatório anual é produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
POBRE É INVISÍVEL – O presidente Lula (PT) afirmou que a população mais pobre “é tratada como invisível” e que “só na época da eleição que os pobres viram importantes”. “O Brasil é um país que já poderia estar muito melhor, mas o Brasil não fica bom porque, de vez em quando, a gente elege alguém que não tem nenhum compromisso com nada. São pessoas que exercem o mandato de presidente e estão pouco ligando para o povo pobre”, declarou.
APOSENTADORIA COMPULSÓRIA – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, ontem, confirmar a decisão individual do ministro Flávio Dino que acabou com a aposentadoria compulsória como pena máxima a juízes condenados por faltas disciplinares graves, como venda de sentenças, corrupção, assédio sexual e moral, entre outras. O fim da aposentadoria compulsória também foi chancelado pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.
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