Por Bruno Brennand
No novo feriado nacional dedicado à consciência negra, data que em tese teria sido a data da morte de Zumbi dos Palmares, cumpre-me destacar que muito antes de Francisco, Ricardo, Cornélio, esse que vos escreve, o sobrenome Brennand já se destacava inclusive no período da monarquia.
É agora que vos apresento Ricardo Brennand Monteiro, filho de Edward o primeiro Brennand a pisar em terras brasileiras, vindo diretamente de Manchester para Salvador na Bahia. Pois o filho de Edward foi morar em Maceió e integrou a Sociedade Libertadora Alagoana, fundada em 1881. Foi reconhecido como um dos nomes mais populares da propaganda republicana em Alagoas. Registros historiográficos narram sua participação direta em ações de libertação de escravizados, destacando-o como figura central do abolicionismo local.
Leia maisTrabalhos de história social da escravidão em Alagoas registram um episódio emblemático: um comerciante, indignado ao ver um escravizado acorrentado, vai buscar socorro justamente “ao grande abolicionista coronel Ricardo Brennand”. A narrativa conta que Brennand convoca outros coronéis abolicionistas e conduz o grupo à forja do ferreiro Pedro Delfert, no beco de São José, onde as correntes são rompidas à marretada, libertando o cativo. Esse feito foi retratado na imagem acima de periódico local.
Outro estudo, a partir do arquivo da imprensa alagoana, descreve Ricardo Brennand, caixeiro, republicano e abolicionista, liderando a multidão em situação de conflito com as autoridades – o que reforça sua imagem de agitador político, vindo do meio comercial urbano e engajado na luta pela abolição e pela República.
Além dessas referências acadêmicas, textos de memória e genealogia cultural em Alagoas afirmam, sem rodeios, que: “Foi como abolicionista que Ricardo Brennand Monteiro mais se destacou na luta em favor da emancipação do elemento servil e o qualificam explicitamente como abolicionista e republicano Major Ricardo Brennand”. Meu tataravô!
Mas destaco uma citação do ator Morgan Freeman que diz que o racismo se encerra quando pararmos de falar homem branco e homem negro, e apenas como homem, ser humano, sem segregação alguma.
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