Assessor de Jair Renan, Diego Pereira de Souza disse, após prestar depoimento à Polícia Civil do DF, que teve um “relacionamento íntimo, romântico” com o filho 04 do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em áudio divulgado pelo portal Metrópoles, Diego disse, quando questionado por jornalistas, que teve um “relacionamento mais delicado” ao detalhar a convivência com Jair Renan. Ele falava sobre as suspeitas que recaem no filho 04 de Bolsonaro e no instrutor de tiro Maciel de Carvalho.
Diego: “Com o Renan eu tive um relacionamento mais delicado, entre eu e ele, mas em seguida eu conheci o Maciel também, sendo o nosso professor de tiro e acabou que a relação comigo e o Maciel foi bem pouca. Até mesmo [porque] ele ocupou o meu lugar, que eu estava saindo”.
Jornalista: “Você pode dar mais detalhes do que seria um relacionamento delicado?”
Diego: [Risos] “Gente, eu tive um relacionamento com o Renan, o qual eu não falei para ninguém ainda. Eu estava esperando todo esse auê da polícia, tava esperando toda essa confirmação que eles estão querendo finalizar, mas logo, logo eu vou falar sobre isso. Está bom?”
Jornalista: “Relacionamento íntimo?”
Diego: “Íntimo. É meu íntimo com ele.”
Jornalista: “Romântico, amoroso?”
Diego: “Sim, romântico.”
Advogado de Jair Renan Bolsonaro, Admar Gonzaga declarou que a defesa do filho de Bolsonaro irá se pronunciar “nos autos aos quais ainda não tivemos acesso, mesmo com decisão do STF” sobre as acusações de possíveis crimes. Sobre o suposto relacionamento revelado por Diego, disse:
“Estamos rindo muito da fantasia desse rapaz. Ele precisa de cuidados emocionais. Todo respeito a ele, que foi tratado sem preconceito”, disse.
Jair Renan é conhecido por comentários homofóbicos e machistas, os quais considera piada. Em julho de 2021, menos de uma semana após o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmar ser gay, em entrevista ao ‘Conversa com Bial’, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ironizou a orientação sexual de Leite.
“Vim aqui homenagear a gauchada depois da entrevista do governador deles. Vim comer a carne gaúcha. Tamo junto gauchada, mas não daquele jeito, mas tamo junto”, disse Jair Renan. Em maio de 2020, ele foi suspenso da plataforma de lives Twitch por violar políticas de conduta de ódio.
Um acordo judicial entre o governo de Pernambuco e um parque eólico foi alvo de críticas de moradores impactados pelo empreendimento. Na última quarta-feira, o TJ-PE (Tribunal de Justiça de Pernambuco) homologou um termo de compromisso firmado entre a CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente) e a empresa Ventos de São Clemente. Ele prevê a saída indenizada de moradores que vivem a até 280 metros de um aerogerador (como é chamada uma torre eólica).
O acordo, porém, ignorou um pedido dos moradores, defendido pelo MP-PE (Ministério Público de Pernambuco): aqueles que vivem a menos de 500 metros de uma torre escolheriam se ela seria retirada ou se eles receberiam indenização.
O pedido foi ignorado no acordo, e o MP-PE já recorreu e pediu que o termo fosse cancelado. A homologação ocorreu dentro de um processo em que a CPRH exigia medidas para reduzir impactos ambientais para que a licença ambiental fosse renovada.
O que diz o acordo
No termo, a Ventos de São Clemente — que está nos municípios de Caetés, Capoeiras, Pedra e Venturosa, no Agreste pernambucano — assume o compromisso de realocar ou indenizar as famílias que moram a uma distância de até 280 metros dos aerogeradores em um prazo de até dez meses. “A nova área de moradia deverá ser objeto de escolha da própria família, desde que tecnicamente viável e aceita pelas partes”, diz o termo.
Para as casas de 280 a 500 metros, as famílias estão sujeitas a realocação. Mas o documento cita que serão necessários dados da simulação e análise do ruído no local. A data limite para a empresa apresentar esse levantamento é 30 de abril.
Já para as casas localizadas entre 500 a 1000 metros do local, a mudança só ocorrerá caso um relatório que ainda a será produzido aponte ruídos acima do permitido. O prazo final para realocação, nesse caso, é de 32 meses.
“O termo de compromisso firmado entre as partes revela-se adequado à solução do conflito, ao estabelecer obrigações específicas voltadas à conformação da atividade econômica às exigências legais e ambientais, tendo sido no âmbito do processo de licenciamento ambiental conduzido pelo órgão competente, com a participação dos entes diretamente envolvidos na controvérsia”, diz o desembargador Erik Simões na decisão de homologação.
Críticas ao acordo
O MP-PE disse ao UOL que o termo “carece de especificidade e cria brechas para interpretações subjetivas que prejudicam diretamente às famílias afetadas” e que considera “inadmissível que as populações vulneráveis […] fiquem desprovidas de salvaguardas claras que garantam a sua segurança jurídica e subsistência”.
A CPT (Comissão Pastoral da Terra), entidade ligada à Igreja Católica que acompanha comunidades rurais afetadas, também criticou o acordo. “As famílias, que há mais de dez anos convivem com os danos do complexo eólico, não foram ouvidas durante a construção do acordo e tiveram suas principais reivindicações desconsideradas”, disse.
Em dezembro do ano passado, o UOL esteve no local e conversou com famílias em Caetés e Venturosa, que relataram fuga de moradores, problemas de saúde e perda de produção agrícola após o parque. Quem vive no entorno sofre da chamada síndrome da turbina eólica, um problema de saúde que gera danos auditivos e psiquiátricos, entre outros.
Praça feita como compensação do parque em Venturosa (PE), mas que não foi usada e terminou abandonada | Foto: Carlos Madeiro/UOL
A CPT explica que o termo é um avanço em relação a um problema antigo, mas não agrada totalmente porque as propostas das famílias foram ignoradas. “Foi como não houvesse escolha pras famílias, se a única opção delas fosse realmente sair. Elas já viviam ali, sabe-se lá há quantas gerações, e agora são obrigadas a suportarem o ônus de regularização de um empreendimento infrator”, afirma Mariana Vidal, advogada CPT-PE.
A entidade entrou com ação civil pública em março pedindo a imediata paralisação dos aerogeradores localizados a até 500 metros de casas, além de auxílio-financeiro provisório de meio salário mínimo às famílias afetadas.
Torres de energia eólica em Venturosa (PE) | Foto: Carlos Madeiro/UOL
O que dizem a agência estadual e o parque eólico
Procurada, a CPRH disse que, por se tratar de acordo judicial, não iria comentar sobre o caso.
A Echoenergia, responsável pela Ventos de São Clemente, disse em nota ao UOL que o termo homologado “consolida um conjunto de medidas já em execução, destinadas à mitigação de eventuais impactos socioambientais, garantindo transparência, rigor técnico e a participação efetiva das famílias em todas as etapas previstas”.
“Desde que assumiu a gestão de Ventos de São Clemente, a empresa vem implementando um conjunto estruturado de ações voltadas à mitigação de impactos ambientais adicionais aos previamente avaliados no processo de licenciamento, em conformidade com as condições e padrões estabelecidos pela legislação ambiental vigente e pelas condicionantes da licença de operação original. As ações visam atendimento das comunidades do entorno do empreendimento. Desde então, mais de R$ 25 milhões foram investidos em reformas residenciais, beneficiando 130 famílias das comunidades onde se localiza o complexo eólico. Além disso, foram construídas 192 cisternas, que beneficiaram no total 453 famílias, em 14 comunidades”, disse a Echoenergia.
Mesmo com o feriado tendo retirado dois dias de reuniões plenárias na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta semana, a governadora Raquel Lyra (PSD) disse esperar que seja aprovado amanhã (22) o ajuste na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, para permitir o aumento do índice de remanejamento de recursos para 20%.
Na troca de comando do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, no domingo (19), a gestora voltou a apelar ao Legislativo que leve a proposta para apreciação do plenário da Casa de Joaquim Nabuco. “A expectativa é de que o orçamento possa ser votado na quarta-feira. É importante que o faça. Pernambuco é o único estado do Brasil que não tem o orçamento votado na sua plenitude. Isso atrapalha sim o funcionamento regular do estado, não só para nós mesmos quanto para os outros poderes”, declarou a gestora. As informações são do Blog da Folha.
Na semana passada, o ajuste na LOA ganhou novo fôlego com a inclusão da proposta, por meio de uma emenda da Comissão de Finanças, no projeto de remanejamento de R$155 milhões para o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Deputados de oposição que compõem o colegiado, reclamaram, no entanto, não terem sido informados sobre a inclusão da emenda e enviaram ofícios à mesa-diretora da Casa, pedindo a revisão da ata da reunião.
O impasse envolvendo o orçamento estadual iniciou com a aprovação da LOA ainda no fim de 2025 com uma emenda que limitou o remanejamento a 10% vinculados a cada unidade orçamentária. O trecho foi vetado pela governadora Raquel Lyra, que enviou à Alepe um projeto corrigindo o índice para 20%.
Os vetos foram mantidos pelo plenário da Casa de Joaquim Nabuco, o que reduziu o remanejamento a zero. Enviado ainda durante o recesso parlamentar, no período de convocação extraordinária, o projeto que aumenta o percentual para 20% só foi votado pela Comissão de Finanças em 31 de março, e acabou derrotado no colegiado, que tem maioria de oposição.
Raquel Lyra, que possui maioria dos parlamentares na Casa, enfatizou a confiança na aprovação da matéria, após pedir, indiretamente, que o presidente da Casa, deputado Álvaro Porto (MDB), inclua a matéria na pauta de votações do plenário.
“Estamos há quatro meses trabalhando para que isso possa ser feito junto à nossa base na Assembleia Legislativa, mas fazendo um apelo de maneira geral ao Poder Legislativo do estado que coloque em plenário as votações. No plenário, a maioria se faz. Não tenho dúvida nenhuma que será aprovado pela imensa maioria dos deputados e deputadas que querem ver o funcionamento regular do estado”, enfatizou a governadora.
Eleições
No discurso durante a solenidade militar, a governadora repetiu o que vem dizendo em eventos públicos sobre as eleições deste ano. Ela frisa que este não é o último ano, mas o primeiro dos próximos e afirma que, apesar de gostar de atuar como procuradora do estado, cargo que ocupa desde 2005 por concurso, espera que seu tempo na política se prolongue.
“Nós viveremos um ano de eleição e o que tenho dito para o nosso time é que não nos paralisemos diante do cenário eleitoral. As eleições existirão, mas a gente precisa continuar com o pé no acelerador, fazendo o que precisa ser feito”, reiterou Raquel Lyra.
Segurança
A governadora também aproveitou a cerimônia para citar os avanços na segurança pública do estado sob a sua gestão. Destacando os investimentos na aquisição de equipamentos e na contratação de novos profissionais, Raquel Lyra celebrou a queda nos indicadores de violência e garantiu que os investimentos não irão diminuir.
“Estamos hoje tendo os melhores indicadores da nossa história no que diz respeito à queda do número de homicídio, de crime contra o patrimônio, crime de de roubo, crime de roubo com violência, crime contra o patrimônio de maneira geral, mas a gente sabe que precisa continuar avançando e por isso que o investimento não vai parar um minuto sequer”, enfatizou.
O prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino (PSB), afirmou, em entrevista ao Blog do Roberto Almeida, que o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), deve vencer a eleição para o Governo de Pernambuco no município com “bastante tranquilidade”. Além disso, acrescentou que há um sentimento favorável da população ao socialista no Agreste Meridional.
Ao longo da conversa, Sivaldo também destacou o ritmo de obras e entregas na cidade, projetou votações expressivas para seus candidatos a deputado, Felipe Carreras (PSB) e Cayo Albino (PSB), e comentou investimentos na área de saúde, como a inauguração do Hospital do Amor.
Roberto Almeida – Como o senhor consegue manter o ritmo de entregas e inaugurações, mesmo já tendo entrado no sexto ano de sua administração?
Sivaldo Albino – Com muito planejamento, responsabilidade, articulação política e fazendo gestão com capacidade e competência, junto com a nossa equipe. Afinal de contas fizemos um projeto inicial para os primeiros quatros anos e outro para a segunda gestão. Este ano de 2026 será o de maior entrega de toda administração, incluindo os primeiros quatro anos e esses dois anos.
Roberto Almeida – O senhor espera até o fim da gestão entregar o Hospital Municipal, o Centro Administrativo e a reforma do Cristo do Magano?
Sivaldo Albino – Esperamos, sim. Esse é o nosso planejamento e desejo. É importante dizer que a obra do hospital está avançando. A expectativa é inaugurar no próximo ano. Quanto ao Centro Administrativo, ao Cristo e também o Museu do FIG é importante ressaltar que as empresas que não conseguiram cumprir as metas foram notificadas, como também o Tribunal de Contas e vamos retomar as obras e fazer as entregas até o final de 2027. O atraso não foi por falta de recursos e sim problema das empresas. Mas o dinheiro está na conta e o trabalho será concluído.
Roberto Almeida – Estamos no ano da eleição. Quais as perspectivas dos seus candidatos a deputado, Cayo Albino e Felipe Carreras? Eles serão os mais votados em Garanhuns?
Sivaldo Albino – A expectativa é muito boa. Temos feito um planejamento e realizado muitas entregas, numa parceria grande com Cayo e Felipe Carreras. O deputado federal é o campeão de recursos na história de Garanhuns e tem nos ajudado a concretizar ações importantes em todo o município. Tenho certeza de que o povo saberá reconhecer o trabalho dos dois e dará a resposta no momento certo, de modo que os deputados Cayo e Felipe poderão obter as maiores votações já conquistadas nas urnas em Garanhuns.
Roberto Almeida – O Hospital do Amor, que está perto de ser inaugurado, só foi possível graças ao apoio do Governo Lula?
Sivaldo Albino – Um sonho que se tornou realidade. Está praticamente pronto. Deverá ser inaugurado agora no mês de maio. Depende somente da agenda do presidente Lula. É uma obra com a participação de muitas mãos, as minhas, as do deputado Cayo, de Felipe, do ministro Alexandre Padilha. Sensibilizamos o presidente Lula e estamos para entregar esse hospital que é referência em tratamento oncológico. Muito satisfeito com essa obra, uma unidade de saúde que vai salvar muitas vidas.
Roberto Almeida – Como avalia a pré-candidatura de João Campos ao Governo do Estado? O senhor acha que ele poderá ser o mais votado em Garanhuns e no Agreste Meridional?
Sivaldo Albino – Não tenho dúvida de que João vai vencer a eleição em Garanhuns com bastante tranquilidade. Bem como vai vencer no Agreste Meridional, mesmo sem ter a maioria dos prefeitos. O sentimento do povo é a favor de João Campos. A população quer um governo capaz de sair do discurso do papel e de realizar as entregas; de melhorar a saúde, a educação e a segurança pública. João já provou sua capacidade no Recife e por isso foi reeleito pela população da capital com quase 80% dos votos da capital. Pernambuco precisa de um governador que olhe para todos os municípios da mesma maneira e não discrimine nenhuma cidade, como acontece hoje.
O pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou apoiar “100%” a aprovação do PL da Misoginia, que equipara discursos e condutas de ódio ou aversão às mulheres ao crime de racismo. O avanço da proposta no Senado desencadeou um debate nacional sobre sua eficácia diante da escalada da violência de gênero e sobre os limites da liberdade de expressão — e provocou insatisfação em parte da direita, que trabalha para derrubar o projeto na Câmara.
A iniciativa foi aprovada por unanimidade no Senado e contou com o aval também de outros parlamentares da oposição, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Também pré-candidato à Presidência, ele tem reforçado acenos ao eleitorado feminino para tentar reduzir o histórico de rejeição desse segmento ao pai dele, Jair Bolsonaro (PL). Após a reação de bolsonaristas, o filho do ex-presidente disse ter ressalvas sobre o PL e destacou que a proposta poderá ser aprimorada na Câmara. As informações são do jornal O Globo.
Romeu Zema, pré-candidato pelo Novo, se disse contrário ao projeto, dada a amplitude de conceitos. Caiado, por sua vez, vinha mantendo o silêncio. Mas, ontem (20), ele destacou à Folha de S. Paulo não ter “nenhuma reparação” a fazer além do apoio integral.
“Estou 100% de acordo. Não tenho nenhuma reparação a fazer à extensão disso”, afirmou. “É um acréscimo dentro da lei de crimes e preconceitos. Sempre trabalhei a favor e sempre fui extremamente firme nessa posição.”
Como mostrou O Globo, logo que foi anunciado pré-candidato à Presidência, Caiado gravou vídeos em que explora números de sua gestão estadual no combate à criminalidade e se posiciona como alguém de “mão pesada” contra agressores de mulheres. O foco na pauta da segurança pública com menção específica ao combate à violência de gênero espelha um movimento já adotado por aqueles que devem ser seus principais concorrentes na corrida ao Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Reação da direita
O relatório é da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que reuniu projetos feitos pela senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR).
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou um vídeo nas redes sociais em que critica o projeto. Na postagem, o deputado não cita Flávio Bolsonaro, mas reclama de senadores de direita que apoiaram a iniciativa.
“Estou extremamente decepcionado com o nosso Senado. Afinal de contas, ninguém se opôs a isso e viu o real perigo do que estava acontecendo. Ou seja, só mostra que muitos, inclusive da própria direita, estão em um berço infantil da guerra cultural. Não tem justificativa para poder não ter batalhado contra esse projeto.”
Deputados bolsonaristas alegam que o projeto se tornaria um instrumento de censura. Por outro lado, parlamentares que articularam a iniciativa dizem que o texto delimita bem os casos que deverão ser punidos e descartam o uso para restringir a liberdade de expressão.
O influenciador Paulo Figueiredo, próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), disse que Flávio precisa ser cobrado pelo voto. “Não conversei com o Flávio para saber o que se passou na mente dele pra votar favoravelmente por essa abominação da ‘misogenia’. Tudo que eu ouvi até agora torna totalmente injustificável, mas gostaria muito de ouvi-lo antes de emitir uma opinião definitiva. Ao eleitor, cabe cobrá-lo”.
Por sua vez, a deputada Julia Zanatta (PL-SC), também crítica do projeto, evitou se posicionar contra o apoio dado pelo pré-candidato do PL à Presidência. Ela declarou que Flávio ainda atuou para impedir que o texto tivesse uma tramitação acelerada no Congresso. “Foi o Senado todo (que apoiou o projeto). O Flávio ainda assinou o recurso que levou o projeto ao plenário. Ele poderia ter terminado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)”, disse a deputada.
Além de equiparar a misoginia ao crime de racismo, o projeto aumenta as penas para ofensas contra mulheres. Pela proposta, a injúria motivada por ódio ou aversão ao gênero feminino passa a ser punida com reclusão de dois a cinco anos e multa.
Hoje, casos de ofensas contra mulheres por razão de gênero são enquadrados como injúria no Código Penal, com pena que pode chegar a um ano de detenção — ou até o dobro quando há contexto de violência doméstica. Com a mudança, a conduta passa a ser tratada como crime mais grave, com pena maior e enquadramento na Lei do Racismo.
Ainda não há previsão de quando o texto vai ser analisado pela Câmara.
Efeito Lula impulsiona João e reforça liderança na disputa em PE
A ampla vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Pernambuco, revelada pelo Instituto Opinião em números abaixo, não apenas consolida a força do petista no Estado como projeta efeitos diretos sobre o cenário local. Traz benefícios imediatos ao ex-prefeito do Recife, João Campos, que já lidera com folga a disputa pelo Governo de Pernambuco.
A dianteira superior a 30 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro (PL) cria um ambiente político favorável ao campo progressista e tende a irradiar capital eleitoral para candidaturas alinhadas. O levantamento evidencia que Lula não apenas lidera, mas o faz com capilaridade social e territorial, alcançando índices expressivos em todas as regiões do Estado – com destaque para o Sertão e o São Francisco.
Mantém hegemonia entre eleitores de menor renda, menor escolaridade e faixas etárias mais elevadas. Trata-se de um padrão que reafirma a densidade histórica do lulismo em Pernambuco e sua capacidade de mobilização transversal.
Nesse contexto, o desempenho do presidente funciona como um vetor de reforço para o cenário estadual. A associação política e simbólica entre Lula e João Campos tende a potencializar a competitividade do ex-prefeito, sobretudo em um ambiente onde a identificação do eleitorado com projetos políticos integrados – entre o plano nacional e o estadual – exerce influência relevante na definição do voto.
Além disso, a elevada rejeição de Flávio Bolsonaro, que lidera nesse quesito com larga margem, sinaliza obstáculos adicionais para o campo adversário ampliar sua presença no Estado. O contraste entre alta aprovação e baixa rejeição de Lula, por um lado, e a resistência ao seu principal opositor, por outro, contribui para consolidar um cenário em que o campo político alinhado ao presidente parte em vantagem.
Dessa forma, a pesquisa não apenas retrata a corrida presidencial em Pernambuco, mas ilumina uma dinâmica mais ampla: a de um eleitorado que, ao reafirmar sua preferência nacional, também sinaliza tendências que reverberam diretamente na disputa estadual, fortalecendo candidaturas que orbitam o mesmo eixo político e programático.
De cabo rabo – Diferentemente do que mostrou ontem uma reportagem do jornal O Globo, em Pernambuco Lula não está murchando, fenômeno que, segundo o jornal carioca, se observa no Nordeste em geral. No seu Estado natal, Lula tem percentuais de intenção de voto quase três vezes mais que o senador Flávio Bolsonaro e ganha em todas as regiões, inclusive no Grande Recife, onde, teoricamente, o petista teria desidratado.
Que vexame, Túlio Bernardes! – Pré-candidato ao Senado na chapa da governadora, o deputado Túlio Gadelha (PSD), que prometeu não usar a imagem da mulher Fátima Bernardes na campanha, já descumpriu a palavra: explorou um vídeo ao lado dela e de Raquel com o único intento de lucrar eleitoralmente com a imagem da ex-global. As cenas, vexatórias, se passaram com um grupo de vendedores no comércio da Rua da Aurora, domingo passado.
Debandada de delegados – Caiu como uma bomba a informação que postei, ontem, com exclusividade, dando conta que delegados e até alunos em formação estão deixando Pernambuco para assumir cargos em outras regiões do País. A informação partiu da Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (ADEPPE), que classifica o cenário como uma “debandada” de profissionais qualificados. De acordo com a entidade, candidatos em formação já abandonaram o curso de delegados para ingressar nas Polícias Civis da Paraíba, Amazonas e São Paulo. Há ainda a previsão de novas saídas já no mês de maio, incluindo delegados que devem migrar para a Polícia Civil do Ceará. Também foram registrados casos de profissionais que deixaram a carreira para assumir cargos no Ministério Público em estados como Ceará e Rio Grande do Norte.
Racha no PT carioca – Com divisões internas, o diretório do PT no Rio confirmou o apoio às candidaturas de Eduardo Paes (PSD) ao governo e de Benedita da Silva (PT) ao Senado neste ano. Apesar da unanimidade nessas escolhas, o partido exibiu arestas ao decidir os suplentes de Benedita: o grupo do prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), acusou outras correntes petistas de tentarem emplacar um nome “envolvido em escândalos”. Ele se refere a Manoel Severino, sem citar qual escândalo. “Temos a responsabilidade de unir o partido e preservar o presidente Lula, para que nossa chapa majoritária não seja obrigada a se explicar sobre escândalos”.
O rei do nepotismo – O MP recomendou que o prefeito de São Bento do Una, Alexandre Batité (MDB), exonere a esposa, o filho e o sobrinho dos cargos de secretários da cidade, o que configura nepotismo direto. Além dessa parentada, a decisão, que foi assinada pelo Promotor de Justiça do município, Márcio José da Silva Freitas, recomenda ainda a exoneração do afilhado, que ocupa o cargo de assessor de Alexandre Batité, conduta que configura nepotismo de parentesco por afinidade.
CURTAS
ASSEMBLEIA – A Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) convocou uma Assembleia Extraordinária com prefeitos e prefeitas de todo o Estado. Na pauta, o debate sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) e os critérios, valores e cronograma de repasses relacionados à microrregião do Pajeú como parte da privatização da Compesa.
SIMULADO – O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco começou a 17ª edição do Simulado Nacional de Hardware. A iniciativa, coordenada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem como finalidade avaliar o funcionamento integrado de todos os componentes das urnas eletrônicas, das mídias e do sistema de votação a serem utilizados nas eleições de 2026. O simulado se estende até quinta-feira no Centro Logístico do TRE.
AUGUSTO CURY – Pela primeira vez, o escritor e médico Augusto Cury, na condição de pré-candidato ao Palácio do Planalto, apresenta suas ideias ao Nordeste no meu podcast ‘Direto de Brasília’ de hoje, em parceria com a Folha de Pernambuco, com transmissão para 165 emissoras no Nordeste.
Perguntar não ofende: Fátima Bernardes vai virar cabo eleitoral de Raquel?
Em Pernambuco, o presidente Lula (PT) tem mais que o dobro das intenções de voto em relação ao senador e principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com o levantamento do instituto Opinião, se as eleições fossem hoje, o petista teria 51,4% dos votos no Estado, enquanto o filho do ex-presidente Bolsonaro aparece com apenas 21,6%. Os demais pré-candidatos não chegam ao percentual mínimo de 1%, como é o caso de Ronaldo Caiado (PSD), que tem 0,8%.
Caiado aparece empatado com Samara Martins, da UP (Unidade Popular), que vem logo em seguida, com 0,7%. São citados ainda Renan Santos (Missão), com 0,6%, Augusto Cury (Avante), com 0,5%, Romeu Zema (Novo), com 0,5% e Aldo Rebelo (PCdoB), com O,2%, mesmo percentual de Rui Costa Pimenta (PCO). Por último, Cabo Daciolo (PMN), com 0,1%.
Brancos e nulos somam 11,1% e indecisos 12,3%. Na espontânea, modelo pelo qual o eleitor é forçado a lembrar o seu postulante preferido, sem acesso a relação com todos os nomes, Lula desponta com 40,5% das intenções de voto e Flávio 12,6%. Os demais nomes se situam na faixa de 0,2% ou até mesmo abaixo.
No quesito rejeição, Flávio Bolsonaro lidera. Entre os eleitores entrevistados, 44,9% disseram que não votariam nele de jeito nenhum. Já Lula tem 24,6% dos eleitores que afirmaram não votar nele de jeito nenhum.
Estratificando a pesquisa, Lula tem suas maiores indicações de voto entre os eleitores com grau de instrução até o nono ano (55,7%), entre os eleitores com renda até dois salários (54%) e entre os eleitores na faixa etária acima de 60 anos (53,8%). Por sexo, 51.7% dos seus eleitores são homens e 51,2% são mulheres.
Já Flávio se situa melhor entre os eleitores com renda familiar entre dois e cinco salários (26,9%), entre os eleitores com grau de instrução superior (26,7%) e entre os eleitores na faixa etária entre 16 e 24 anos (25,6%). Por sexo, 26,8% dos seus eleitores são homens e 17,1% são mulheres.
Na estratificação por regiões, na Região Metropolitana Lula tem 49,9% e Flávio 23,5%; na Zona da Mata, Lula aparece com 48,6% e Flávio 29,1%; no Agreste, o petista tem 50,8% e o filho de Bolsonaro 18,2%; no Sertão, Lula chega a 56,5% contra 17,7%, e por fim, no São Francisco, Lula tem 58,3% ante 14%.
O levantamento foi a campo entre os dias 14 a 17 de abril, sendo aplicados dois mil questionários em 80 municípios. O intervalo de confiança é de 95% e a margem de erro de 2.2 pontos percentuais para mais ou para menos. A modalidade da pesquisa envolveu a técnica de survey, que consiste na aplicação de questionários de forma presencial. A pesquisa foi registrada na justiça eleitoral com o protocolo de número BR-09446-2026.
Na sequência dos cenários da pesquisa do Opinião, em parceria com este Blog, sai daqui a pouco, exatamente à meia-noite, os números da corrida para a presidência da República nas eleições deste ano. Foram aplicados dois mil questionários em 80 municípios, com margem de confiança de 95% e 2,2 pontos percentuais de erro, para mais ou para menos.
A 47ª edição da ExpoCarpina tem início nesta quarta-feira (22), no Parque Senador Paulo Guerra. O evento, considerado a feira agropecuária mais tradicional da Mata Norte de Pernambuco, segue até o dia 26 de abril com uma programação diversificada. Um detalhe importante: o acesso do público é totalmente gratuito.
Realizada pela Associação dos Criadores da Mata Norte de Pernambuco (ACRIMNEP), a feira reúne pecuaristas de toda a região Nordeste. A estrutura conta com a exposição de mais de 1.500 animais de diversos portes, além de uma programação técnica composta por oficinas, palestras e rodadas de negócios voltadas ao setor agropecuário.
“Nosso compromisso é fortalecer o arranjo produtivo da Mata Norte, unindo inovação técnica e grandes oportunidades de negócios. Estamos consolidando Carpina como o maior centro de comercialização bovina e equina de Pernambuco. Além dos leilões e das provas de pista, nosso foco é a educação e a parceria entre empresas e criadores. É um evento estratégico para quem busca excelência genética e desenvolvimento para o nosso agronegócio”, afirmou Edval Júnior, presidente da ACRIMNEP, que organiza o evento.
Seguindo a tendência das grandes exposições, a ExpoCarpina promoverá um leilão de 1.500 animais voltados para cria, recria e engorda, todos com alto padrão genético. Um dos grandes momentos será o 2º Leilão Carpina Quarter Horse, na quinta-feira (23/04).
A programação de equinos traz ainda adrenalina com a etapa do Campeonato Pernambucano de 3 Tambores (Quarto de Milha) e a elegância da prova de marcha do Mangalarga Marchador. Para 2026, a expectativa é ousada: bater o recorde das edições passadas, que movimentaram a comercialização de mais de 4.000 animais.
Além do setor de negócios, com máquinas e produtos agropecuários, o evento oferece entretenimento com shows regionais. A programação musical traz como estrela o cantor Gabriel Vaqueiro; natural de Carpina, o artista vive um momento de ascensão na carreira, acumulando apresentações em rede nacional e consolidando seu nome no cenário musical brasileiro.
A ExpoCarpina visa proporcionar ao produtor rural um ambiente de reciclagem de conhecimento e parcerias estratégicas. O foco é consolidar a agropecuária por meio da eficiência técnica e da sustentabilidade, fortalecendo o arranjo produtivo local. Além de fomentar o comércio de animais com genética superior para a recomposição do rebanho estadual, o evento busca transformar a região em um celeiro de excelência. Para o público em geral, a feira oferece uma experiência imersiva, aproximando quem vive na cidade do universo do campo.
Serviço
47ª EXPOCARPINA
De: 22 a 26 de abril de 2026
Onde: Parque de Exposição Senador Paulo Guerra, em Carpina (PE).
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, seguiu o entendimento do relator Alexandre de Moraes e votou, hoje, pela condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por difamação contra a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
Eduardo responde por publicações que fez sobre um projeto de lei de autoria de Tabata que trata da distribuição de absorventes em espaços públicos. Com o voto de Cármen, o placar está em 2 a 0 pela condenação.
Moraes votou, na sexta-feira, para condenar Eduardo a 1 ano de detenção, em regime inicial aberto. Também estabeleceu o pagamento de 39 dias-multa, com o valor de 2 salários mínimos por dia-multa. O salário mínimo atual é de R$ 1.621. A decisão ainda depende dos votos dos ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino. O julgamento é realizado no plenário virtual da 1ª Turma do STF desde a sexta-feira. A conclusão está marcada para a próxima segunda-feira.
À meia-noite deste domingo, 19 de abril de 2026, uma pesquisa divulgada pelo Blog do Magno Martins caiu como um balde de água fria no tabuleiro político pernambucano – e, ao mesmo tempo, abriu uma avenida de possibilidades. Os números chamam atenção: 27% de brancos e nulos e 52,7% de indecisos.
Não é um detalhe. É um terremoto silencioso. A maioria não escolheu ninguém.
Somando os dados, o cenário é inequívoco: quase 80% do eleitorado pernambucano não decidiu seu voto para o Senado. Isso desmonta qualquer narrativa de favoritismo consolidado.
Sim, há nomes que aparecem na frente. Mas, diante desse quadro, é preciso dizer com clareza: liderar agora não significa vencer depois. A eleição, na prática, ainda nem começou. O grito silencioso das ruas.
Mais do que indecisão, os números revelam um sentimento que cresce longe dos palanques:
fadiga com a política tradicional
distanciamento entre eleitor e candidatos
descrença nas promessas repetidas
Não é apenas dúvida. É um recado silencioso de insatisfação.
O eleitor pernambucano está olhando para o cenário atual e, em grande medida, dizendo: “Ainda não encontrei em quem confiar.”
O risco de uma falsa sensação de vitória
Para quem aparece bem-posicionado nas pesquisas, há um perigo evidente: acreditar que já conquistou um eleitor que, na verdade, nem decidiu se vai escolher alguém.
Com mais da metade do eleitorado indeciso, qualquer mudança de cenário pode redesenhar completamente a disputa:
uma crise política
um erro de campanha
o surgimento de um novo nome competitivo
Tudo isso ganha um peso muito maior quando o eleitor ainda não está comprometido.
A eleição pode virar – e rápido
Eleições com alto índice de indecisos têm uma característica comum: viradas inesperadas. O jogo é dinâmico, emocional e altamente influenciado pelo momento. Nesse contexto, surge uma oportunidade rara: quem conseguir se conectar de verdade com o eleitor ainda pode mudar tudo.
O verdadeiro fiel da balança
Os números divulgados à meia-noite deste domingo deixam uma certeza:
Os próximos senadores de Pernambuco não serão escolhidos pelos que já decidiram — mas pelos que ainda estão em dúvida. E esse grupo, hoje, é maioria absoluta.
Um recado direto ao sistema político. A pesquisa não mede apenas intenção de voto. Ela expõe um vazio. Um espaço aberto entre a política e a sociedade.
E esse espaço pode ser ocupado de duas formas:
pela repetição do que já existe
ou por algo novo que dialogue com o sentimento real das pessoas
Conclusão: o jogo está aberto
Pernambuco não está decidido. Pernambuco está observando.
E quando quase 80% do eleitorado ainda não escolheu, não há favoritismo seguro, não há vitória antecipada e não há espaço para acomodação.
O que existe é uma disputa real — ainda em formação.
E, neste momento, o maior grupo político do Estado não é de direita, nem de esquerda, nem de centro.
É o grupo dos que dizem, com clareza: “Ainda não escolhi”.
A pré-candidata do PDT ao Senado, Marília Arraes, não disparou apenas nas pesquisas de opinião. Nas redes sociais, também. Virou um fenômeno de mobilização e engajamento. O vídeo em que assumiu a pré-candidatura ao lado do pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), já alcançou mais de cinco milhões de visualizações.
Uma decisão liminar (provisória) do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), está sendo usada para tentar anular investigações sobre envolvimento com milícia, contrabando e exploração ilegal de jogos de azar, como o “Tigrinho”.
No dia 27 de março deste ano, Moraes decidiu que os chamados Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), só poderiam ser solicitados pela polícia depois da instauração de inquérito, e não antes. As informações são do portal Metrópoles.
Moraes também proibiu que os relatórios fossem a primeira medida de uma investigação – segundo ele, isso configuraria a chamada “pesca probatória”, uma devassa indevida na vida privada do investigado, sem um fato determinado que motive a apuração. A decisão de Moraes foi dada em um Recurso Extraordinário (RE) em curso no STF, após manifestação do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), uma ONG de advogados criminalistas.
As restrições de Moraes para o uso de RIFs também se aplicam às Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Recentemente, o ministro se viu envolto em uma polêmica envolvendo a CPI do Crime Organizado, relatada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O relatório final do colegiado pediu o indiciamento do ministro e de outros integrantes da Corte.
Informações sobre o Imposto de Renda do Banco Master, enviadas à CPI, confirmaram pagamentos da instituição financeira do banqueiro mineiro Daniel Vorcaro ao escritório Barci de Moraes Advogados, pertencente à esposa do ministro.
Desde o dia 27 de março, a decisão de Moraes restringindo o uso dos RIFs passou a ser invocada como precedente por advogados de réus ou investigados que tentam anular operações da Polícia Federal e de outros órgãos de investigação. Em alguns casos, eles também pedem a soltura de seus clientes.
A decisão foi invocada, por exemplo, por advogados de investigados na operação El Patrón, que apura crimes de agiotagem e lavagem de dinheiro na Bahia. Também foi usada por investigados da operação Migalhas, sobre contrabando de agrotóxicos no Paraná, e da operação Quéfren, que investigou influenciadores que enriqueceram promovendo casas ilegais de jogos on-line, como o “Tigrinho”.