Pernambuco Meu País chega, hoje, a Bezerros. Conhecida como Terra dos Papangus, a cidade é rica culturalmente não apenas pelo carnaval, que tem na figura de Lula Vassoureiro outra legítima expressão das melhores tradições carnavalescas pernambucanas, mas também pelo grande J. Borges, cordelista e gravurista de talento reconhecido internacionalmente.
Tudo isso seria motivo mais do que suficiente para incluir Bezerros na rota do festival criado pelo Governo do Estado. Mas não é bem assim. A população que dá vida à folia no município, que vive o dia a dia na cidade e na zona rural vai ficar longe das atrações do Pernambuco Meu País, que preferiu montar seu palco em Serra Negra.
Leia maisA serra atrai turistas e as pessoas que têm casa por lá devido ao friozinho gostoso e áreas verdes ainda existentes. É reduto de uma elite social e econômica com renda suficiente para pagar ingressos de shows de artistas como os que estão participando do festival da governadora, que a oposição batizou de Festival Racreche, criado apenas para concorrer com o tradicional FIG, o Festival de Inverno de Garanhuns.
É verdade que Preta Gil sumiu da lista das atrações de hoje, mas não faltou dinheiro para substituí-la apressadamente por The Fevers.
Quando apresentou o Pernambuco Meu País, Racreche discursou para a mídia e os áulicos de plantão enaltecendo o compromisso de democratizar o acesso da população a shows que são realizados muito mais no Recife e Região Metropolitana do que em outros municípios.
Bezerros, por enquanto, é o melhor exemplo de que o discurso não passa de conversa fiada. Quem vai aproveitar os espetáculos sem gastar com ingressos hoje, sábado e domingo são os privilegiados de sempre. O povão fica na base do município, e, apesar do mau estado da rodovia, a elite sobe a serra.
Curtir artistas que nunca foram e dificilmente irão a Bezerros, lá na base do município, continuará a ser um sonho para a enorme maioria da população.
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