A representante do ICB, Karina Ferreira da Gama, é dona da Go Up e foi alvo de operação da Polícia Civil no último dia 1º de junho.
Segundo o documento, ao qual o Metrópoles teve acesso, as despesas declaradas contemplam R$ 54,2 milhões de gastos nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões de gastos no Brasil. O filme, que será lançado neste ano, tem atores americanos — como Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro —, mas foi gravado em cidades brasileiras, como São Paulo.
Na declaração de gastos, a produtora informou que o orçamento inicial aprovado era US$ 16 milhões (R$ 89,7 milhões). O valor é R$ 44,8 milhões menor do que a quantia que teria sido negociada pelo senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em 2025, conforme revelado pelo site The Intercept Brasil.
A reportagem cita diálogos de Vorcaro com seu cunhado, Fabiano Zettel, e com o empresário Thiago Miranda, em que eles discutem possíveis fluxos de pagamento para a produção do filme. Um deles previa o pagamento de 12 parcelas de US$ 1,6 milhão e duas de US$ 2 milhões, totalizando US$ 24 milhões (R$ 134 milhões).
Posteriormente, Flávio Bolsonaro enviou um áudio a Vorcaro dizendo que estava muito preocupado com parcelas atrasadas do patrocínio do Master ao filme. A conversa ocorreu em 16 de novembro, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraude bilionária provocada pelo banco de Vorcaro no mercado financeiro.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. Tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme, né?”, disse o senador no áudio a Vorcaro. “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, completou.
Flávio Bolsonaro reconheceu a veracidade do áudio divulgado, mas disse que os pagamentos feitos por Vorcaro foram legais, porque não envolveram nenhuma contrapartida. O valor efetivamente pago ao filme pelo ex-banqueiro, por meio da empresa Entrepay, foi de US$ 10,6 milhões, o equivalente a R$ 61 milhões.
No relatório de gastos apresentado pela Go Up, os valores estão discriminados da seguinte forma:
- Desenvolvimento do projeto, nos Estados Unidos — US$ 383 mil;
- “Soft-production” — US$ 2,6 milhões;
- Pré-produção, nos Estados Unidos — US$ 2,6 milhões;
- Produção e filmagem nos Estados Unidos — US$ 1,9 milhões;
- Produção e filmagem no Brasil — US$ 3,7 milhões; e
- Pós-produção, nos Estados Unidos — US$ 1,9 milhão.
Segundo a perícia, até o dia 10 de junho, o fundo Heavengate Development Fundp LP, usado para a captação de recursos, havia enviado US$ 13,3 milhões para o filme. No Brasil, os valores usados na obra cinematográfica foram recebidos por meio de uma conta no Banco do Brasil. A maior parte, R$ 18,4 milhões, por transferências via Pix.
“Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto possuem origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, afirma a perícia realizada pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI).
Eduardo nos EUA
Após a revelação de que o banqueiro Daniel Vorcaro enviou dinheiro para a produção do filme Dark Horse por meio do fundo Heavengate Development, a Polícia Federal (PF) passou a investigar se os recursos foram utilizados para financiar a estadia do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
O fundo tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, que pertence ao advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo. O ex-deputado vive no país desde fevereiro de 2025 e é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ter articulado sanções contra autoridades brasileiras.
R$ 61 milhões de Vorcaro
Diálogos revelados pelo Intercept Brasil mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL) pedindo ao banqueiro Daniel Vorcaro o envio de recursos para o filme.
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